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	<title>NOVA FANTASIA &#187; Relatos</title>
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	<description>O Fantástico, en galego</description>
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		<title>Mar de Janeiro</title>
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		<pubDate>Mon, 05 Dec 2011 21:39:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Adriana Simon</dc:creator>
				<category><![CDATA[Relatos]]></category>

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		<description><![CDATA[Rio de Janeiro, 19 de abril de 2013 Querido Pai, Escrevo com saudades para te dizer que estou bem. Diga para mamãe não se preocupar, e que estou morrendo de saudades da comida dela. Escrevi várias cartas, mas só agora estou tendo condições de enviar uma. A elevação no nível [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;">Rio de Janeiro, 19 de abril de 2013</p>
<p>Querido Pai,</p>
<p>Escrevo com saudades para te dizer que estou bem. Diga para mamãe não se preocupar, e que estou morrendo de saudades da comida dela. Escrevi várias cartas, mas só agora estou tendo condições de enviar uma.</p>
<p>A elevação no nível da água aconteceu tão subitamente que os cariocas se lembraram do tempo em que a Cidade Maravilhosa ficava constantemente alagada, por isto todos aqui chamamos esta catástrofe mundial de “a grande enchente”. Pensando bem, nós merecemos. Poluímos tanto do nosso planeta, que foi isto que ele nos deu em troca.</p>
<p><img class="alignright size-medium wp-image-7124" style="margin: 8px;" title="Rio de Janeiro" src="http://novafantasia.com/wp-content/uploads/rio1-300x120.jpg" alt="" width="300" height="120" />Os três primeiros meses após o acontecimento foram um tanto complicados. Meu apartamento no quinto andar ficou totalmente inundado logo nos primeiros momentos da enchente. Depois, a inundação chegou até o décimo andar do meu prédio. Estou morando com Amanda, minha noiva. Por sinal, devo minha vida a ela, já que no momento da catástrofe estava em seu apartamento assistindo a um filme no vídeo. Desde aquele dia estou morando aqui. O apartamento, que ficava no décimo primeiro andar, é localizado em ponto mais alto que o meu e agora equivale a um quarto andar. É nestas horas que vale à pena morar em um apartamento alto.</p>
<p>No começo era complicado sair, mas com a solidariedade de todos conseguimos melhorar muito as coisas. Na hora da necessidade, sabe como é que é, ou as pessoas matam umas às outras, ou se ajudam. Por enquanto estão todos se ajudando. Sabe-se lá o que acontecerá no futuro. Como o nível da água estabilizou entre o sexto e o sétimo andar, transformamos o sétimo em térreo, derrubamos uma parede de acesso ao corredor, e agora podemos tranqüilamente fazer uso das escadas. Pessoas que tinham parentes se mudaram para lugares mais secos. Muitos se foram. Gozamos de uma certa segurança, já que os ladrões hoje se preocupam mais em recolher os pertences abandonados por seus donos, do que em tirar o pouco dos que ficaram. Além disso ganham uma grana razoável vendendo comida para gente, ou trocando coisas conosco. Temos um outro ponto a favor, somos considerados por alguns como escolhidos por Deus. Costumam chamar os bairros alagados de Mar de Janeiro e os habitantes, de renascidos. Na verdade, com tudo afundado, o Cristo Redentor está mais baixo, e realmente nos sentimos um pouco mais perto de Deus.</p>
<p>Pouco tempo após o dia da enchente, um prédio ao lado do nosso desmoronou arremessando entulhos contra o nosso. Um pedaço grande do que antes deveria ser uma viga entrou pela janela, atravessando o nosso quarto e caindo sobre nós, enquanto dormíamos. Eu fiquei só um pouco dolorido. Uns arranhões, uns hematomas, e nada mais. Amanda não teve tanta sorte e quebrou sua perna no acidente. Por isto ainda estamos aqui. Consegui trazer um médico para engessar a perna dela, mas agora fica difícil para ela se locomover. Daqui a um mês ela vai tirar o gesso, e então iremos para aí. Nunca senti tantas saudades de Itatiaia. Aí, nessas alturas, nada deve ter mudado, não é?</p>
<p>Estou conformado. Também, não posso reclamar. Agradeço a Deus por ter salvo a minha vida. Para Dadá (é assim que ela gosta de ser chamada), foi tudo muito pior. Seus pais haviam ido a um supermercado, e morreram no caminho de volta. Amanda ainda ouviu seus berros pelo celular, quando sua mãe ligou do engarrafamento. Seu irmão, Arthur, se salvou por pouco. Conseguiu chegar nadando naquele dia, e entrou içado pelo quarto andar. No dia seguinte a água já estava no sexto. Agora, moramos os três aqui. Muitos não voltaram mais, por isso, as pessoas dos andares inferiores que estavam desabrigadas ocuparam os superiores. O pessoal do quarto andar agora está no décimo segundo, ou melhor, quinto do nosso prédio que antes tinha dezesseis andares.</p>
<p>A catástrofe foi considerada (claro!) calamidade natural e não recebemos nenhum prêmio do seguro. De vez em quando o Exército manda víveres para nós. Só agora estão mandando embarcações para recolher as pessoas. Com todas as cidades litorâneas alagadas, está tudo uma confusão. Tem muita coisa que precisa ser consertada, centrais de energia, de comunicações&#8230; Muita gente morta, desaparecida&#8230;</p>
<p>Eu, claro, estou desempregado, já que o aeroporto Santos Dumont está destruído novamente. Primeiro foi o incêndio, e agora a água. Ele está literalmente afundado. Mas arranjei um outro emprego. Com a ajuda e a aparelhagem de Arthur, aprendi a mergulhar. Nós dois passamos o dia mergulhando atrás de jóias, metais preciosos, comida enlatada, e quaisquer coisas que achemos úteis. Outro dia achei um faqueiro de prata com detalhes em ouro, e foi a maior festa. Troquei com os cambistas por 1 roupa de neoprene, alimentos, curativos e remédios, além de algumas coisinhas para Amanda. Sabe como são as mulheres: mesmo sem poder andar, ela quer se enfeitar. Esses cambistas ganham muito bem. Alguns que moravam no morro conseguiram cercar um local, aterraram com areia, e fizeram uma nova praia. Agora cobram ingresso e tem muito turista que vem visitar. Carioca tem mesmo jeitinho para tudo.</p>
<p><img class="alignleft size-medium wp-image-7125" style="margin: 8px;" title="Rio de Janeiro" src="http://novafantasia.com/wp-content/uploads/rio2-300x131.jpg" alt="" width="300" height="131" />O transporte por aqui é feito de acordo com as condições de cada um. São usados barcos, jet-skies, botes infláveis, caiaques, pranchas, pedaços de madeira ou de isopor, e qualquer coisa que bóie. O bondinho, movido à energia solar, ainda funciona, e agora é uma espécie de trem de carga, sendo bastante utilizado para trazer madeira seca do alto do morro. Ou mesmo para tentar relembrar os velhos tempos. Na verdade, não costumamos sair muito, a não ser para pescar (é assim que nos referimos aos mergulhos a procura de objetos).</p>
<p>Sentimos falta de muitas coisas, de nossos amigos, de nossos pais, das nossas coisas, da nossa vida, de luz elétrica, dos computadores,&#8230;</p>
<p>Já vasculhei todo meu apartamento, mas consegui salvar pouca coisa. Diga a mamãe que consegui pegar o santinho de ouro que ela me deu. Antes eu não o usava, com medo de ser assaltado, mas agora não o tiro do pescoço. Sempre economizei, guardei tanta coisa com medo de ser roubado, de gastar, de perder, de estragar,&#8230; E agora tudo se foi, num piscar de olhos. E fico pensando&#8230; Para que a gente guarda tanto, se mais cedo ou mais tarde vamos ficar sem? Devia ter dado aquele relógio de bolso do vovô para o Ricardo já que ele queria tanto. Nunca usei, nem nunca deixei ele usar, e agora se foi. Mande desculpas e um forte abraço a ele. Bem, não adianta se lamentar. Agradeço a Deus todos os dias, por vocês estarem bem, longe, sãos e salvos.</p>
<p>Com saudades,</p>
<p>Rodrigo.</p>
<p style="text-align: center;"> * * *</p>
<p>Amanda dobra a carta e a põe de lado. Vira-se um pouco e sente sua perna doer, “é melhor do que não sentir nada”, pensa ela, sabendo que seria por pouco tempo. Aonde a fratura é exposta, mosquitos pairam. Ela, desanimada, faz um gesto para afastá-los.</p>
<p>— Obrigada mais uma vez, Dadá — agradece Rodrigo, deitado sobre uma velha cortina que faz a vez de um colchão. Suas mãos tinham sofrido sérias queimaduras e desde então jaziam enfaixadas, por esta razão, contava com sua noiva para escrever suas cartas.</p>
<p>Amanda não responde. Limita-se a colocar o papel em um envelope usado e endereçá-lo, sob o olhar atento de Rodrigo.</p>
<p>— Quando você vai colocá-la no correio?</p>
<p>— Hoje a tarde — responde de Amanda. Sua garganta doía e era com esforço que falava.</p>
<p>Rodrigo observa, até que o cansaço e a febre o vencem novamente e ele se põe a dormir. Amanda olha para ele carinhosamente. Arrasta-se pelo aposento até uma caixa de papelão de onde tira um pedaço de pão velho que já estava sendo devorado por uma barata. Seu estômago dói, e aquele pão lhe dá um certo alívio.</p>
<p>Aproxima-se de um buraco na parede, por onde joga a carta. Pelo mesmo vão, pode ver a alguns metros abaixo, o papel boiar na água suja e desaparecer na correnteza. Rodrigo se mexe em seu leito, e ela olha em sua direção constatando que ele continua a dormir.</p>
<p>Já havia tentado convencê-lo que não adiantaria escrever, que não havia correio nem nenhum meio de entrar em contato com seus pais. Todas às vezes que havia insistido no assunto, ele perdera o controle, chegando até mesmo a colocar fogo no aposento que residiam e se ferindo gravemente. No momento seguinte ele esquecia, ou melhor apagava de sua mente. Era sua maneira de acreditar que havia esperança, se enganar para continuar a viver. Melhor assim, pois ela já não tinha mais nenhuma.</p>
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		<title>Dióxenes estaba a dobrar a roupa da súa nai…</title>
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		<pubDate>Tue, 28 Jun 2011 11:02:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Louis Bertrand Shalako</dc:creator>
				<category><![CDATA[Relatos]]></category>
		<category><![CDATA[Dióxenes]]></category>
		<category><![CDATA[grécia]]></category>
		<category><![CDATA[Herón]]></category>

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		<description><![CDATA[Dióxenes estaba a dobrar a roupa da súa nai. Á penas atopara tempo para colga-la a noite pasada. Algúns dos tecidos mais grosos ainda estaban húmidos. Ainda que odiaba que o obrigasen a facer traballo de mulleres, era o prezo por asistir á escola. O Dióxenes un poco gordecho sempre [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="attachment_6576" class="wp-caption alignright" style="width: 210px"><img class="size-full wp-image-6576" title="Herón de Alexandría" src="http://novafantasia.com/wp-content/uploads/heron2.jpg" alt="" width="200" height="354" /><p class="wp-caption-text">Herón de Alexandría</p></div>
<p>Dióxenes estaba a dobrar a roupa da súa nai. Á penas atopara tempo para colga-la a noite pasada. Algúns dos tecidos mais grosos ainda estaban húmidos. Ainda que odiaba que o obrigasen a facer traballo de mulleres, era o prezo por asistir á escola. O Dióxenes un poco gordecho sempre fora un rato de biblioteca, dende que podía relembrar. O seu pai, arestora resoprando e gruñendo no área da cociña, aceptara de mala gana envia-lo á escola de Herón, o profesor de fama mundial, despois de extraer certas promesas ao seu fillo de trece anos.</p>
<p>Héctor non lle podía negar ren ao rapaz, mália que o seu escaso salário coma escribano na biblioteca á penas chegaba a fin de mes. O entusiasmo do neno por Herón, non só o millor mestro de Alexandría, senón probabelmente do mundo, segundo a xente, fora unha espécie de recompensa en si mesma. Calquera cousa para sacar ao neno da súa habitación, e poñe-lo no mundo coma unha persoa normal. O seu pai Héctor aceptara algúns traballos de particulares para escribir libros e xa levaba pola metade unha cópia da Ilíada.</p>
<p>Por sorte, o seu primeiro encargo fora unha que podería transcribir practicamente durmido. Podería facer-se en quince días. Logo terían cartos por un tempo. Dióxenes sabía todo isto, xa que llo dixeran moitas veces.</p>
<p>O problema era que Dio precisaba un pouco de diñeiro e non tería máis remédio que pedi-lo.</p>
<p>Polo tanto, era crucial ter todo dobrado e con boa fasquía. A roupa levaba nos cestros toda a noite, e el estaba a traballar máis duro do que necesitaba, básicamente.</p>
<p>Dende que se erguera antes do mencer, o bandullo de Dio refungaba en previsión do almorzo. Era cedo, e a humidade e o frío da madrugada só suliñaba a escuridade do pequeno átrio, aberto ao ceo. Idealmente, debería te-lo feito a noite anterior, pero após dun longo día de coléxio, e despois, con el e uns amigos polas rúas e calellas da cidade até xusto antes de anoitecer, simplemente non tivera a vitalidade.</p>
<p>Para ser totalmente xustos con Dióxenes, fixo o traballo con abondo ledícia, ainda que coma moita outra xente, e non só escolares, era un pouco procastinador. O seu pai dixera iso e cando Dio preguntou-lle o que sinificaba, o seu pai sorrira, cos ollos azuis brillando co bo humor. Aqueles brillantes ollos azuis eran un rasgo da família. Todos os nenos os tiñan, ainda que os grandes ollos da súa nai eran dun castaño cálido escuro e suave, grazas aos seus devanceiros sírios.</p>
<p>- Iso sinifica que non es un lacazán-, admitira Héctor un pouco triste. &#8211; Sinifica que como pai teño algúns fallos e un deles é a paciéncia. Pero prometo seguir intentándo-o.</p>
<p>Sentindo o humor de seu pai, Dióxenes pedíra-lle un as decontado, unha moeda grande de bronce, o cuarto dun sextércio, para poder ir despois do coléxio a ver os elefantes co seu amigo Peleus. O momento crebára-se. O circo mudaría-se dentro de pouco e os rapaces foran ve-los todas as veces que puideron. Estaba case arrepentido de ter preguntado, pensou Dio con tristura, ao ver os ollos de seu pai escurecer-se, e deseguido as liñas que fruncian o ceño.</p>
<p>- Sínto-o fillo, é só que só temos dezaséis denários para chegar a fin de mes-. Héctor ergueu a cabeza de seu fillo. &#8211; Non esquezas que mañán imos á area e ti quererás algo para comer alí, sen dúbida».</p>
<p>- Sínto-o pai-, Dióxenes fora sincero e de feito decidira non lle pedir cartos a seu pai nos dous días seguintes.</p>
<p>Dio agardara contra toda esperanza acadar alomenos un ou dous sextércios para el. Tal e como andaban as cousas, gañaba un as á semana por facer as tarefas, e nunca lle abondaba. Tiña uns poucos gastos de seu. É só que necesitaba un lapis novo, e unhas sandálias, e pan de mel para o xantar. A toga que levaba posta era a millor que tiña. Pero xa amosaba sinais de escurecemento, manchas de suxedade nos bordos e todas as outras non eran boas abondo para o coléxio. Mentres sacaba a roupa de liño e de lá do cestro, decatou-se de súpeto polo brillo dunhas luceciñas entre o tecido. Fascinado por este descobremento, axiña esqueceu os seus outros problemas. Incluinou-se de preto e apartou as roupas con coidado, xa que decote semellaba pegar-se. Dióxenes preguntára-se algunha vez se iso era por mor do auga, ou polo feito de que as mulleres as lavaban baténdo-as contra unha rocha. Ninguén puidera responder satisfatóriamente á pregunta, alomenos ninguén de por aquí. Ainda así, parecía-lle a Dio que as augas do río Nilo non-o facian estar pegañento a el, e por certo que non facian voar muxicas deste xeito. Agora a súa insaciábel curiosidade espertara verdadeiramente. Se non estivera a facer iso na escuridade, nunca se tería decatado. Dalgún xeito, isto fora un descobremento afortunado. Eran pequenos lóstregos? Velaí unha pregunta mais que lle facer ao seu mestre Herón.</p>
<p>Dióxenes nunca pensara que os seus pais ou os seus irmáns maiores foran estúpidos, ainda que polo que el sabía, podian se-lo. A quen os podería comparar? Semellaban alomenos tan intelixentes coma calquera dos irmáns e pais dos seus amigos. Non, todo o problema era que eles simplemente non entiendían a importáncia crucial da poesía, a música, a xeometría, o álxebra e a filosofía.</p>
<p>A súa irmá Eudócia era unha marabillosa intérprete do laúde de pescozo estreito de vintecatro cordas e escribía música de seu. Ben, podía haber algunha esperanza para ela, se non fora unha nena.</p>
<p>Á súa idade Dióxenes era mais consciente do mundo ao seu redor, mália que os bebés sempre están a fitar ao redor abraiados. Pero el pensaba moito nas cousas. E estaba aser mais consciente de si mesmo, o mundo cada vez mais grande ao seu redor, e o cosmos, e os mundos puramente imaxinários e teóricos dos filósofos.</p>
<p>Mentres dobraba pacientemente a roupa para a sua nai, Dióxenes tiña motivos para estar contento coa sua vida. Encantába-lle cada minuto na escola e era perfectamente consciente do priviléxio, e do que lle custaba á súa família. Pero simplemente había que face-lo. Podía haber mais na súa decisión do que semellaba a simple vista.</p>
<p>os seus pensamentos dirixiron-se ao seu mestre, Herón, e a algunhas das palabras que saíron da súa bioca o primeiro día de coléxio. Foran palabras que nunca esquecería. Dalgún xeito simplemente sabía-o.</p>
<p>Se tiro unha pedra aquí, xurdirá unha montaña nalgures ao outro lado do mundo. Se piso forte, se cadra unha árbore cae no bosque. Se mato unha formiga, nalgures debe morrer un home. Todos estamos interconectados, e interdependentes. Somos todos parte da natureza, tal e coma decretaron os deuses, coma estou seguro de que xa oístes miles de veces. Mentres estedes na miña clase deberedes comportar-vos», declamou o alto e digno estudoso, coa súa pequena barba de moda movéndo-se en contrapunto.</p>
<p>Herón era un estudoso e un librepensador e non tiña medo a opinar en voz alta sobre asuntos controvertidos.</p>
<p>Ainda que os filósofos mais vellos e aburridos semellaban desaprobar os seus métodos, Dióxenes desenvolvera axiña unha feroz lealdade polo home.</p>
<p>O seu profesor tivera unhas cantas cousas que lles dicir mentres se ían coñecendo os uns aos outros. E trataba a todos os seus estudantes cun respecto tranquilo que semellara algo inusual para Dióxenes. Isto era distinto de cando estaba na casa, onde el semellaba sempre á enteira disposición dos demáis e ás veces o acusaban de mais falcatruadas das que realmente facía.</p>
<p>Dióxenes estaba ben enganchado. Ninguén mais repectara a súa dignidade ou lle pedira antes a súa opinión. Por fin! Alguén cun cerebro na cabeza con quen falar!</p>
<p>O día estaba a alumear a habitación, a colada estaba feita e non había mais muxicas que mirar. Agora, grazas a Xúpiter, é hora de comer algo. Xa podía escoitar á súa nai na cociña cos seus irmáns. Amodo pero firmemente, o ruido da casa comezou a se erguer.</p>
<p style="text-align: center;">&#8211;</p>
<p><strong>Herón era un madrugador&#8230;</strong></p>
<p>Herón era un madrugador. Nunca había tempo abondo no día para facer todo. A miúdo especulara coa natureza do tempo. Como funcionaba o tempo? Ainda que tiña un par de ideias ao respecto, non atopara o tempo para escribi-las. Era interesante como escribir as cousas forza a clarifica-las, a definir os termos con maior precisión. Pero non era iso parte do traballo do filósofo? Como lle era posíbel ao tempo acelerar e frear-se tan perceptíbelmente? E era percepción realmente, de verdade, ou se cadra esa frase non tiña sentido?</p>
<p>Pero se agardaba poder completar a eolípila, debería sacar o tempo de donde fora. Desgrazadamente, a única cousa que podía recurtar da súa vida era o soño. Herón atopaba difícil seguir adiante. Cun profundo saluoco, fitou para a súa face reflectida no antigo espello varnizado da parede. De feito non estaba a rexuvenecer. A súa nai estaba a amola-lo para que casase, e nunca deixaría de face-lo. Iso era unha verdade autoevidente.</p>
<p>- A persisténcia paga a pena-, seguía insistindo ela. &#8211; A filla da miña amiga Sofía é moi agradábel, ten unha persoalidade marabillosa, cociña, limpa, cose. Fará unha boa muller para ti.</p>
<p>Herón tiña un par de escravos perfectamente bós, marido e muller, moi calados e discretos. Semellaban agradecidos de coidar de todas súas ncesidades. FIcaban fóra do seu paso e nunca tivera ningún problema con eles. Por que ía precisar unha muller?</p>
<p>Hero, como o chamaba súa nai, curtou os pelos da nuca. Ainda que tiña unha barba e bigote espesos, mantíña-os sempre curta e razoábelmente limpa.</p>
<p>A súa nai Calfúrnia insistira que dalgún xeito Herón precisaba dunha esposa, cando non tiña tempo para el mesmo tal e coma era. Xirándo-se á dereita para que a luz lel dera na cara, coidadosamente afeitou-se uns mechóns mais. O brillo mate do aceite na pel, ainda suave após dun baño de vapor nun pequeno lugar privado na parte de enriba, axudou-no a atopar os recalcitrantes que non atopara a primeira vez. Se un home quere un bó afeitado, ten que face-lo alomenos tres veces. Ainda que fixera un deseño para unha navalla de tres filos, simplemente non atopara o tempo, por insistir nun tema para si mesmo polo de agora. E mesmo se poidera debuxa-lo axeitadamente, de onde pdoería tirar os cartos para financiar unha de verdade, seguía sendo un mistério para Herón.</p>
<p>Os galos cantaran hai moito, decatou-se consternado. O brilo do día e o rebulir do tráfico na rúa aí abaixo dixéron-lle que tiña que marchar xa. O día non espera por ninguén, díxo-se con sentimentos de irritación. Só podía apurar-se moito e facer que as cousas saíran peor. Citar simples aforismos non axudaba moito.</p>
<p>Ás veces precisas de resultados tanxíbeis.</p>
<p>Ainda así, fíxo-se-lle tarde para a xuntanza co persoal, Craso e Bruto estarían por todas partes sobre el coma unha toga suxa, coas súas olladas e susurros de desaprobación, sen dúbida comentários poco amábeis. O feito de que fosen mentes inferiores e se chamasen cínicos a si mesmos sen perseguir realmente a virtude, que era  única cousa que traía a felicidade, non era de moito consolo ás veces.</p>
<p>Herón era mais un escéptico, ainda que tiña que formalizar esta particular escola de filosofía e non tomara moitos discípulos polo de agora. Pero iso era algo agardado. Simplemente ainda non estaba listo para eles.</p>
<p>Por que no nome de Hades precisaba procurar a aprobación de homes coma Craso ou Bruto ou Petrus, sen dúbida xente do mais disoluta que coñecera nunca? Nombergantes, tiña que vivir coa situación. Eran compañeiros de estudos e estaban alí para ficaren.</p>
<p>Algunhas preguntas eran misteriosas sen dúbida, e se cadra non tiñan resposta.</p>
<p>Os deuses decretára-no, díxo-se en tón de burla, cun pequeno sorriso gracioso de desaprobación aparecendo insistentemente nos recunchos da súa sardónica, sensitiva e sensual boca. Esa boca de ouro estaba a lle facer gañar a vida. e mais lle valía non eliminar nin un anaco dela.</p>
<p>Os ollos de Herón, grises e intelixentes pero burlóns, miráro-no dende o fondo do espello.</p>
<p>- Estamos a face-lo ben, dixo-se a si mesmo. &#8211; Se non pasa nada é mellor ser positivo.</p>
<p>Colleu a toalla, após de se salpicar os restos da auga fría na face.</p>
<p>Se se saltaba o almorzo, podería estar nunha hora mais ou menos traballando na eolípila. Todo o que tiña que facer é relembrar tomar as súas notas de profesor esta vez, ou do contrário tería que correr de volta para colle-las. Onte, tivera moitísima presa. A Herón caéra-lle o pesado pergameo na rúa, e a fita se perdera, co resultado de que a cousa se desenrolou e tivo que recolle-la. Co denso tráfego, chegara moi tarde onte, e hoxe era día de mercado. As rúas serían unha loucura após de certa hora. Todo o que tiña que facer era engadir unhas poucas pezas á máquina, se todo encaixaba correctamente. Logo podería apretar todas as roscas e meter-lle auga. Daquela, o coiro selaría e as partes de madeira poderían soportar un pouco de auga. En teoría, canto mais forte sele, mais forte será a súa eficiéncia. Ainda que xa «sabía» dalgún xeito que todo isto era certo, quería probar-llo a si mesmo, antes de publicar os seus descobrementos ou mesmo falar a ninguén sobre eles. Un dos seus peores pesadelos, se cadra non totalmente racional, era que algunha mente inferior poidera roubar as súas ideias e teorías e publica-las primeiro, afirmando que o traballo era de seu.</p>
<p>O só pensamento facía-lle ferver o sangue. Herón cazaría-o e mataría-o na praza diante de mil testemuñas, se iso acontecía. Era ún dos poucos pensamentos que podían alporiza-lo de verdade. Ese temíbel temperamento estaba sempre a axexar baixo a superfície, el sabía-o.</p>
<p>Sería bó garda-lo no sítio.</p>
<p style="text-align: center;">&#8211;</p>
<p><strong>Dióxenes e Peleus&#8230;</strong></p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-6577" title="Eolípila" src="http://novafantasia.com/wp-content/uploads/eolipila.jpg" alt="" width="216" height="228" />Dióxenes e Pelaus saían normalmente de casa tan cediño coma podían, e entretíñan-se lacazáns na dirección xeral á escola. Eses preciosos intres lonxe das súas famílias era o único intre que podían chamar de seu, ou iso semellaba ás veces. Era un tempo para falar, para rir, e para planear as súas seguintes escapadas, ou meramente para tramar coma os nenos pequenos.</p>
<p>Decote, ao regreso á casa da escola, eran recrutados para traballar na casa, ou facer recados para as súas nais, ou descubrían que foran elixidos para cuidar dos seus irmáns pequenos. Tentar manter calados aos irmáns e irmás pequenos mentres mamá durmía a sesta era un pesadelo, coma sabían por experiéncia.</p>
<p>Os rapaces desviában-se decote do camiño á escola, dependendo de cando saíran da casa. Podían pasar polos peiraos no porto, que eran relativamente seguros á luz do día. Ou ás veces acurtaban polos fóros, coma este polo teatro, que se estendían espallados pola cidade. A pura variedade de razas e faces era abraiante e a miúdo divertida. Por algún motivo hoxe, se cadra porque non se viran nalgún tempo, os rapaces elixiran acurtar pola rúa dos ferreiros de cobre. Este era sempre un bárrio fascinante da cidade, debido ao feito de que facer cousas de cobre, coma potes e olas e un cento doutras cousas era ruidoso e emocionante, con moita acción e unha chea de cousas que ver.</p>
<p>Un amigo do pai de Peleus, que exercía aquí o seu ofício, saudou e moveu a cabeza cando pasaron, e continou regateando por unha pequena furna funerária de bronce, cun brilo nos ollos que presaxiaba un bonito benefício. A conversa semellaba ir ben polo que oíron ao pasar, coas orellas dos rapaces batendo, os ollos alerta coa curiosidade por toda a actividade ao seu redor.</p>
<p>Os carros descargaban fronte aos almacéns, algúns con lingotes, follas e paos de cobre, outros con mercancía rematada para as ventás das tendas que se espallaban fronte á rúa, e outros apiados co apagado e non impresionante cor do cobre, todos limpos e listos para se fundiren nas forxas que se aliñaban ao longo da calella, cos montóns de carbón, ou cargados de mercadurías recén traídas para comerciar polo río que era a vida da cidade. O río eraa fonte da riqueza e da importáncia da cidade, ambos rapaces sabían-o, traíno grandes reservas de grán dende o interior ao sul. Este tesouro dourado exportába-se a Roma, a capital do império, e dez mil lugares mais. Semellaba que mil barcos ao día chegaran aos peiraos e partisen logo igual de rápido.</p>
<p>Con moito tempo nas mans, ambos rapaces estaban desexando chegar ao seu próximo destino, a rúa dos armeiros. Como os rapaces eran praces, estaban ansiosos por ver todas as novas espadas relocintes, escudos e cascos á mostra. Algúns dos fabricantes poría-nos en marcos de madeira ou mesmo nun manequín de madeira, e mostrába-nos impresionantes diante das súas ventás, para atraír aos clientes á tenda. os prezos eran abraiantes, ainda que ambos rapaces esperaban ser centurións algún día. A dificultade era que primeiro tiñas que brilar coma lexionário, e eles supuñan que as millores armas non só se precisaban na batalla, senón que eran unha medida do estatus de quen as portaba.</p>
<p>Unha arma ben feita, xa fora unha espada, un recurvado arco ou un escudo ou unha lanza, tiñan unha certa crúa beleza de seu. No seu maxín vían-se levándo-os na batalla, e as orgullosas faces das súas nais cando volveran a casa vitoriosos e cargados de escravos e botín. Cada arma tiña unha máxia especial dentro do metal ou da madeira da que estaban feitas.</p>
<p>Foi con abraio que Dióxenes viu a Herón, o seu profesor, camiñando á presa pola intersección do seguinte cruce de rúas, enfrascado nalgún asunto misterioso de seu a esta hora ceda. A súa túnica pálida inchándo-se por baixo del, era unha figura convincente mentres camiñaba rúa abaixo.</p>
<p>- É Herón-, boquexou, agarrando o brazo do seu compañeiro e parándo-o para que bota-se unha ollada. &#8211; Pregúnto-me o que estará a facer con tanta presa?.</p>
<p>Peleus simplemente moveu a cabeza con desinterese.</p>
<p>- Probábelmente vai ao coléxio-, suxeriu. &#8211; Non quero falar con el-.</p>
<p>Peleus estaba decidido a tirar proveito de cada intre de pracer deste paseo, e Dióxenes podía entende-lo. Pero non-o puido evitar.</p>
<p>- Sigámo-lo!-, suxeriu, fitando aos ollos de Peleus con traveso regocixo.</p>
<p>Peleus relembrou unha vez que simplemente escolleran un home gordo e que semellaba rico e o seguiran pola cidade, case toda a mañán, agochándo-se e evitando ser vistos, e rindo incontrolabelmente nas raras ocasións nas que el se daba a volta. El ficaba aí parado fruncindo-lles o ceño e obviamente preguntándo-se por que fora elixido para este tratamento. A súa expresión semellaba dicir que mentres que non lle tirasen pedras á cabeza ou tentasen rouba-lo ou burlar-se del sen respecto, non podía preocupar-se menos polo que pensaran un par de nenos. Ainda así, foran uns intres divertidos mentres duraron.</p>
<p>Peleus enrugou os hombros sen definir-se.</p>
<p>- Vale, por que non?-, asentiu. &#8211; Pero mais vale que non nos vexa.</p>
<p>- Ese é o desafío», recoñeceu Dióxenes. «Pero sempre podemos dicir que estabamos perdidos, e que tentábamos que nos recollese. Así que podíamos pedir-lle que nos axude a volver a casa. Vale?».</p>
<p>- Nunca vai crer iso-, murmurou Peleus.</p>
<p>- Daquela mais vale que non nos pille -, dixo Dio mentres as súas sandálias palmeaban o pavemento. &#8211; Mentres nos manteñamos fieis á nosa história estaremos ben.</p>
<p>A parella de rapaces seguiu ao profesor polas ateigadas rúas e prazas, sabendo que o desafío real sería se el entraba nalgunha calella e se miraba atrás no intre inaxeitado. Seguíro-no a distáncia, cuchicheando e rindo de cando en vez.</p>
<p>- Xeno debería estar aquí-, díxo-lle Peleus.</p>
<p>Dióxenes e Peleus tiñan moitos outros amigos en común e o mais próximo era Xenófanes. Pero Xeno tiña o hábito de durmir até o derradeiro intre e logo sair correndo á escola mesmo sen lavar-se ou sen unha cunca de leite. A família de Xeno era probábelmente a mais rica do seu círculo de amigos, por moi pequeno que fose, pero o tímido e intermitente Xeno sempre cheiraba. Todos se burlaban del de cando en vez, pero a el non lle importaba. Xeno era o mais caladiño de todos os seus amigos, pero divertía-se do seu própio xeito.</p>
<p>Dióxenes sorriu ao pensar no que se estaba a perder hoxe, e a ollada que tería na face cando lle contaran sobre isto! Se Xeno era espelido, comezaría a se erguer un pouco antes polas mañás. Dio mirou camelos e burros cargados, tentando averiguar a onde ía Herón.</p>
<p>Peleus ficou alí, pegadiño a el para non separar-se na melé de pes e tráfego de animais. Esquivaron os carros e os bocois, homes e cabalos, bois e cans, e gatos, e as sempre presentes gaivotas procurando comida. Todo xunto facía un sordo ruxido de fondo. O cuchicheo de Peleus era rouco e alto. Semellaba que o seu senso satírico da diversión ficara resentido polo potencial desta situación.</p>
<p>- Preguntei-me decote o que faría no seu día libre-, bromeou Peleus, case dobrando o seu regocixo e satisfacción por esta incursión.</p>
<p>Dióxenes era se cadra mais sério, pero daquela a Peleus non lle gustaba o coléxio tanto coma a el. Decatou-se diso cun comezo de comprensión. Era certo que a situación tiña os seus perigos. Era coma se non poidera evita-lo algunhas veces. Divertidísimo coma o seu amigo, tamén estaba un pouco nervoso. Se cadra algún pequeno consolo podería axudar. Pensou axiña.</p>
<p>- Todo o que temos que facer é superar ao Mestre nos olivares da académia- , apuntou Dióxenes; abondo sen alento para estar seguro, &#8211; e estaremos ben -.</p>
<p>Desgrazadamente, simplemente non saiu así.</p>
<p style="text-align: center;">&#8211;</p>
<p><strong>Heron sacou a chave da porta e abriu-na de par en par&#8230;</strong></p>
<p>Heron sacou a chave da porta e abriu-na de par en par. Non planeara outra cousa que facer montaxe esta mañán, e polas portas entrou unha chea de luz, pero pechou-nas decontado para evitar os ollos curiosos dos extraños que pasaran. Collendo unha tabliña de madeira dunha xarriña nun estante xunto a porta, decidiu conseguir algo de luz aquí.</p>
<p>Fixo chispas cun isqueiro nunha mecha coidadosamente situada no cabo do facho. Cando prendeu, utilizouno para acender as lámpadas, cheas dun alcool que mercara ao alquimista de mais abaixo. Estaba destilado do bitume. O fluido claro e aromático ardeu cunha chama azul e clara pero quente cunha punta amarela.</p>
<p>Cando as chamas acadaron os recunchos, a habitación acendeu-se e uns poucos detalles fixéron-se visíbeis, se ben na escuridade pasarían uns poucos intres antes de que poidera chegar a traballar comodamente. Heron ficou alí un intre admirándo a cousa. El chamába-a «motor reaccionário» a falla dun millor termo. Á súa esquerda estaba o enorme cilindro óco, cun fogón baixo dela. Este fervería o auga e produciría vapor. Os tubos ían dende a parte de enriba da caldeira, facían vários xiros en ángulo e espallában-se apoiados por abrazadeiras até o cabo dunha grande esfera rotatória, que era o auténtico descobremento na súa mente.</p>
<p>A ideia en si era tomar unha forza liñal e converte-la nun movemento rotatório, con forza abondo para facer un traballo útil. E sen proba-la non tiña nin ideia de que era capaz ou mesmo se pagaba a pena tenta-lo. Deixara unha parte do eixo libre para poder montar unha polea nel, despois fixo os cálculos e averiguou como de grande bebía ser a circunferéncia. O problema coa polea, ou unha engranaxe dese tipo, era cando tuiña un burato redondo. O óco era redondo. Como podería soste-la ao óco co agarre abondo para vencer ao par de torsión e que non esbara-se?</p>
<p>Inventara a ideia dunha ranura no óco e unha no interior da polea, e unha chave cadrada que se axustara. Funcionaría? E que se funcionaba? Que pasa se o resto da máquina non funciona? O que racharía primeiro, esencialmente, e por que?</p>
<p>O que construira impresionába-o. Non crira que fora posíbel, ao princípio. Moitos dos pequenos problemas tácticos semellaran insolúbeis cando concebira ao comezo a máquina na cabeza.</p>
<p>Como facer unha cámara, forte abondo, e dura abondo para aturar esa presión?</p>
<p>Os preceptos matemáticos que governan a presión danzaron na súa cabeza, unha simboloxía arcana falando unha língua que só os deuses podían escoitar. E se ún perdía a fe?</p>
<p>E se tiña dúbidas?</p>
<p>E como facer xuntas de rotación que foran ócas, para que a presión do vapor poidera pasar por elas sen racha-las? Heron rematara facendo selos, curtados coidadosamente con coiro, e engraxadas con aceite de ovella. Fundira, purificara e moldeara pequenos tapóns redondos, cun fino burato curtado ao través, coma superfícies que debían soportar a presión do tanque rotando por riba. Pasara días, seica, redondeando as partes exteriores, axustándo-as forte abondo nos seus ócos.</p>
<p>Sofrira uns cantos pesadelos, tentando averiguar como taladrar ócos en pequenos moldes redondeados.</p>
<p>E como de grande debía facer o burato nas aspas? Mirara o tamaño da caldeira e logo seguira adiante cos seus instintos. Precisaba ter moito vapor pasando pola cámara e saindo moito mais apresa&#8230; esa era a súa teoría. Pero precisabas ter un punto de início. E como de grande debía ser a caldeira? Cando non tiña moita ideia práctica de canta auga e canto aire meter ou durante canto tempo unha cantidade dada de auga podía fornecer á máquina, ou cada canto tempo debía cambiar a leña para mante-lo fervendo, ou miles doutros problemas, todos molestos, e todos dos que ninguén tentara antes ningunha desas técnicas. Ainda que os inventores bateran paneis curvos anteriormente e os remacharan despois, nunca ninguén tentara face-los a proba de alta presión. Ninguén tentara antes ferver auga nun recinto sen aire, sen face-lo estourar todo, ou alomenos rachando as xuntas. Isto sempre traía consecuéncias desastrosas para o construtor. Ainda que o entusiasmo semellaba dirixir sempre o proxecto, tiña que mante-lo en perspectiva e non voar a súa maldita cabeza aloucada no proceso. Deseñara unha válvula de rosca para permitir que o auga se quencese axeitadametne antes de escomezar o proceso. Construíra un tapón de mola para eliminar a presión antes de que o recipiente estoura-se coa presión, algo do que tan só podía imaxinar o resultado. Unha vez que decedira usar o tapón de mola para controlar a cantidade de vapor que saía da caldeira, tivo que contastar á pregunta de como de aberto debía ser, e cando. Os problemas non tiñan fin. Tan só continuaban e continuaban.</p>
<p>Heron aprendera moito sobre si mesmo mentres debuxaba e construía este artefacto.</p>
<p>Por raro que semellara, cando miraba no debuxo, as partes reais semellaban terríbelmente pequenas, así que rachara os planos e escomezara todo outra vez. Odiaba iso, porque todo custaba un pouco de diñeiro e algunhas cousas custaran unha cantidade abraiante de diñeiro, coma unas poucas onzas de estano, chumbo e antimónio de Bretaña polos portes. Levára-lle semanas de Vulcanoloxía dar cunha boa aleación lixeira para as superfícies pulidas. Con sorte, os tapóns de coiro aturarían presión abondo cando se axustaran. Condensar o aparello de resorte de Arquímedes nunha miniatura de axuste fora un auténtico golpe de xénio, pero&#8230; pero. Demasiados «ses», «es» e «peros», para a súa forma de pensar. Funcionaría realmente? Taladrar buratos e curtar pequenas espirais dentro levára-lle semanas de pacente proba-e-error. Non sabía se algo, calquera cousa nesta máquina funcionaría tal e coma fora deseñada. Heron inventara literalmente ferramentas para facer ferramentas. Un taladro que curtaba resortes, un xeito de facer e selar tubos de cobre. Unha válvula, ou un resorte forte e moi pulido con tensión abondo. Todo era un desafío.</p>
<p>Outra molesta consideración era que Heron semellaba estar só case todo o tempo.</p>
<p>Unha vez relembrou que tiña uns cantos amigos.</p>
<p>O que acontecera con eles? Onde estaban agora? A grande pregunta era: o que lle acontecera a el? Para inspira-lo, para estimula-lo, para face-lo escoller esta obsesión? Había intres nos que seriamente se preguntaba que error cometera. Era coma unha espécie de enfermidade, que debía ter contraído respirando algún aire pestilente nalgures.</p>
<p>Heron recoñeceu que se podía crear unha m&#8217;quina que producía a forza de vinte ou trinta cabalos, unha que fora abondo pequena e portátil, podería averiguar un xeito de tirar dos vagóns no raíl de Tsiolkos, qeu se usaba para transportar mercancía polo istmo de Conríntio. O camiño surcado e con travesaños era tecnoloxía punta daquela, pero estaba a mosar as súas limitacións, considerando o tráfico potencial que pdoería levar se se incrementa-se a súa velocidade. E incrementar a velocidade podería sinificar incrementar as tarifas. Podería poñer o seu motor nun vagón, e usa-lo para tirar doutros vagóns, se cadra mais dun á vez!</p>
<p>Non só sería un home rico, e iso xa era bó abondo. Tamén sería famoso para sempre, e iso era algo a considerar realmente. Unha das cousas que aprendera sobre si mesmo era que tiña un ego. En certo xeito, era agradecido, ainda que a humildade era unha millor política a longo prazo. Pero había veces que se preguntaba se o ego era a única cousa que o mantiña ás veces.</p>
<p style="text-align: center;">&#8211;</p>
<p><strong>Os rapaces entraran na calella.</strong></p>
<div id="attachment_6578" class="wp-caption alignleft" style="width: 242px"><img class="size-full wp-image-6578" title="Herón de Alexandría" src="http://novafantasia.com/wp-content/uploads/heron.jpg" alt="" width="232" height="326" /><p class="wp-caption-text">Herón de Alexandría</p></div>
<p>Os rapaces entraran na calella, e logo atrás do edifício. Atoparan un día mais ou menos estábel, porque o sol estaba a ser abrasador. Case todos os días eran cun ceo sen nubes. Era só un posto, cun tellado baixo e inclinado. Dentro había unha pila de palla e un bebedeiro con auga morna. Non había gando dentro hoxe, ainda que había un carro e un boi detrás do seguinte edifício. O boi tiña unha bolsa de comida diante do morro, masticando amodo nun feixe de gran, pero non había ninguén por alí. Tiña unha saba branca delgada e transparente por riba para afasta-la do sol. Algunhasvoces lonxanas viñan da porta traseira daquel edifício, pero coma era unha carnicería e eles sabían que había uns cantos clientes dentro, a posibilidade de que alguén saíra por alí a curto prazo era pequena. Todas as portas anónimas na calella estaban pechadas por dentro. Ainda que tiñan pequenos mirillas, a posibilidade de que alguén estivese a mirar por elas nese intre era pequena. A tranquilidade era case abraiante aquí, despois de todo o ruido e o barullo das rúas.</p>
<p>Ambos rapaces botaron unha ollada rápida e tentaron escoitar. Estaban na cara noroeste do edifício. Unha vez as súas sombras, que se moveron polo chan dentro dun almacén, lles meteran nun grande problema, ou case, de non ser porque fuxiron polos tellados até etaren a média milla de distáncia. Non querían que acontecese así, é só que os tellados eran por completo outro mundo, e tiñan enerxía abondo para escalar.</p>
<p>O sol tras as súas cabezas traizoára-os, ademais do feito de que a xente dentro do lugar estaba acougada, ocupada nos seus própios asuntos. A simple curiosidade fora case a súa perdición.</p>
<p>O pai de Peleus advertíra-o: «Se os centurións te traen a casa unha vez mais, será á rúa a onde vaias».</p>
<p>O pai de Dióxenes dixera algo semellante, «Non esperes que vaia ao centro da cidade no médio da noite e te dea seguridade&#8230; podes apodrecer alí cos bébedos, os asasinos e os lunáticos até que atope os cartos&#8230;» e Dios pillara o chiste.</p>
<p>- Arriba-, murmurou Dióxenes, e Peleus mirou con medo aos postes en ángulo.</p>
<p>Ainda non era peor que a baixante que levaba ao durmitório trasiero do insulae, un pequeno apartamento de tres divisións onde vivía a média milla do forum de Augusto.</p>
<p>Dióxenes puxo as mans xuntas e Peleus escalou por elas. Cun empurrón do robusto Dióxenes ergueu-se no aire cun pequeno refungo polo esforzo. Unha vez no aleiro do tellado, Peleus volveu-se, deslizou-se ao redor até que estivo mirando polo borde mentres Dióxenes desataba e logo ataba con coidado o seu cinto.</p>
<p>- Non está mal, asubiou Peleus, informando da condición do tellado e do seu valor friccional.</p>
<p>A parella fixera isto antes. Peleus espallou-se coma un águia, as pernas moi abertas e agarrado. Peleus fixo oscilar o seu brazo sobre o borde, totalmente relaxado, e alongándo-o o mais posíbel. Dio alcanzou-no, agarrou-lle polo pulso e descolgou-se coma un mono, deixándo o corpo laxo polos brazos e as articulacións e balaceando os pes, con Peleus tirando do seu cinto.</p>
<p>Logo entraron silandeiros pola primeira ventá, notando que o seu exterior estaba ainda nas sombras e que estaba cuberta de pó, raiaduras e arañeiras. Escoitando atentamente e vixiando ambos sentidos da calella cada poucos segundos, a parella de rueirosfitou polos recunchos mais baixos do groso e distorsionado cristal e tentou localizar a Heron.</p>
<p>O que miraron dentro era tan sorprendente e tan distinto que tiveron problemas para falar delo. Ambos rapaces deron un grito afogado de medo e consternación cando o sinificado da escena debaixo deles entrou nas súas mentes abraiadas.</p>
<p>O seu profesor Heron estaba de costas a eles e semellaba estar fronte a tres indivíduos, espallados dous deles esquerda e á dereita de Heron, cun mais ca sinistro propósito. Ambos rapaces recoñeceron a situación nun chisco. As dúas cabezas se volveron coma unha e souberon que tiñan que facer algo, pero o que? Instintivamente e nunha fracción de segundo de tempo, comunicáron-se en silenzo, con pequenos acenos e aumentándo-os cuns poucos asubíos.</p>
<p>Ambos rapaces botaron outra longa ollada dentro, e daquela Dio palmeou a Peleus no ombro. Logo Dióxenes deslizou-se abaixo polo tellado, xa sen ciudar o silenzo, canto mais ruido millor.</p>
<p>Bateu na area branda do chan, conténdo-se e apretando a correr pola rúa e por diante do almacén.</p>
<p>mesmo nese intre puido escoitar a Peleus batendo e dando golpes na ventá e berrando malditos asasinos con todas as suas forzas.</p>
<p style="text-align: center;">&#8211;</p>
<p><strong>Á luz derramada&#8230;</strong></p>
<p>Á luz derramada a través da porta que se abriu de súpeto, Heron estaba enfrontándo-se a tres homes, que estaban aquí claramente por un motivo. O estómago deu-lle un tumbo cando viu os coitelos.</p>
<p>O barullo destraiu a Heron nun mal intre, pero funcionou ben. Estivera preguntándo-se cando facer algún movemento, pero se hai que dicir a verdade, eles xa se estaban a mover e era demasiado tarde. Non había lugar onde fuxir.</p>
<p>Os ruídos que viñan de arriba e de atrás de Heron foran xusto abondo para distraer a súa atención. O profesor agarrou ao pequeno da súa esquerda e cun rápido xiro partiu-lle o pescozo. Morto antes de chegar ao chan, a figura que caía fora abondo para lle mercar outra fracción de tempo. Duas parellas de ollos abraiados miraron o corpo, logo enriba de novo&#8230; o da dereita era o mais próximo. Tamén era moi pequeno.</p>
<p>O seu pe calzado con sandálias varreu as canillas do que estaba á súa dereita, espidas e expostas no canto de envoltas nun caftán; e Heron curtou-lle brutalmente a gorxa. Este home estaría caído alomenos durante os seguintes alentos, que eran o único tempo que lle quedaba.</p>
<p>O terceiro home, o do médio, botára-se para atrá, de feito chimpou para atrás cando os os outros dous se botaran cara adiante. Danzou alí, atrás e adiante cos pes, a folla do coitelo extendida un brillo de humor nos ollos, listo e confiado.</p>
<p>Todo o asunto fora crudamente silencioso até entón. Heron sabía dalgún xeito que este era o autenticamente malvado, dalgún xeito moito mais perigoso ca os dous matóns de bazar. Algo na pequena e áxil figur, que levaba pantalóns escuros e unha chaqueta curta con capucha e ollos ardentes, barba gris e negra perfectamente recurtada. Os ollos de negro carbón ardían fitando a Heron dende o interior da capucha.</p>
<p>Este home era un profesional, un facho fortemente atado de enerxía e fúria controlada.</p>
<p>- Sabía que eras diferente! &#8211; bufou o ameazador extraño. «Pero el advertiu-me, para ser xustos&#8230;».</p>
<p>- Quen es tí? &#8211; berrou Heron con súbito medo, &#8211; De que vai isto?</p>
<p>- O Areópago, &#8211; dixo a voz do home, e Heron atopou-se perdido. Non estivera en Atenas dende había vinte anos. O poderoso governo civil nominal non tiña ren contra el, ou alomenos ningún que el soubera. Era un irrelevante vestíxio da antiga glória, un recordo dun pasado que foi útil.</p>
<p>O asasino mencionou un nome, e o sangue de Heron conxeou-se. Un amigo dun amigo dun amigo&#8230; ou un inimigo. E ese inimigo odiaba aos atomistas, ou aos suspeitosos de atomistas. Mesmo un rumor abondaba para que o matasen a un. E un inimigo podía espallar un rumor, se era malvado abondo.</p>
<p>- Por que? &#8211; preguntou desconcertado polo que podería ter provocado isto.</p>
<p>- El ten unha memória moi boa &#8211; dixo o outro nun tón conversacional, escoitando as pisadas afóra diante de Herón, e recoñecendo o seu sinificado. Estaba polo momento desbordado por unha entidade descoñecida.</p>
<p>- Deixa ir aos rapaces &#8211; dixo Herón cun berro sufocado no segundo exacto no que o asasino de aluguerse abalanzaba cara el, coa súa brillante espada lista, e coa man esquerda botando unha nube de fume ou pó ou&#8230; pementa!</p>
<p>- Non!</p>
<p>- O ruído sa súa própia espada pequena batendo na conca do ollo do asasino foi un pequeno consolo, xa que o mesmo Herón ficara cego, e fuxindo do forte agarrón do outro&#8230; o fétido alento do home atrapando-o pola parte de atrás da súa gorxa, obrigándo-o a tusir descontroladamente. O rouco alento do profesor desgarrou precariamente no seu peito e gorxa mentres agardaba aterrado. As pernas cruzadas, agarrando cada ún ás do outro, os homes empurrándo-se e loitando con ódio e medo. Heron puido escoitar o pequeno berro de Dio cando viu o cadro paralizado, os dous homes tentando matar-se o un ao outro.</p>
<p>Grazas aos deuses polo servizo militar e o duro adestramento de Mellobaudes, o Primus Pilus sarmacián, que non sofría por manter vivos aos parvos. E cando se dicía así, era literalmente. Pero fixéra-lle actuar antes de pensar o antes posíbel. Ficara completamente cego&#8230;</p>
<p>Heron ficou agardando que a espada do asasino o matase, os ollos cheos de bágoas, e escoitando a voz do seu estudante Dióxenes de toda a xente berrando de medo e chamándo-o polo seu nome. O pulso do matón, o brazo que agarraba o coitelo estaba fortemente atrapado no sorte apretón de Herón! Case sentíu os seus intestinos deixar-se ir cando se decatou de que gañara. Unha pequena sombra moveu-se pola porta.</p>
<p>- Mestre! &#8211; berrou a voz estremecida de Dio.</p>
<p>- Dióxenes! &#8211; berrou o profesor, horrorizado de que o rapaz estivera aquí para ver isto, o que acontecera&#8230;</p>
<p>Amodo o corpo, empapado de sangue e suor, comezou a relaxar o seu agarre, e puido deixar caer ao morto nos poirentos tablóns do chan. Dalgún xeito no médi doe toda a loita o segundo matón se erguera e tambaleára-se fóra da porta. Dióxenes e Peleus correron a fume de carozo, lanzando pedras e berrando maldicións. A aguda comprensión bateu ao filósofo e berrou para eles con presa e desacougo pola súa seguridade.</p>
<p>- Rapaces! Rapaces! &#8211; berrou Herón &#8211; Volvede aquí!</p>
<p>As súas palabras foron devoltas burlonamente polo eco, abraiantemente forte no repentino silenzo que caíra. Os xeonllos de Heron estaban moi febles e tremorosos&#8230; o seu estómago tremía incontrolábel.</p>
<p>Por toda a habitación, coa eolípila facendo vulto aí no médio, a repentina paz burlába-se del e das súas pretensións dunha ciéncia civilizada. Sentiu unha súpeta e urxente necesidade de vomitar, mentres se dirixía a un pequeno taburete para sentar e recupear o alento. O corazón semellaba incapaz de se calmar. Terríbelmente, os ruidos da rúa afóra semellaron continuar coma se nada acontecera. Pero había dous homes mortos aos seus pes, e ainda podía escoitar ao rapaces berrando a médio bloque de distáncia. Non podías discutir con iso. Herón secou-se as bágoas dos ollos co borde da súa túnica.</p>
<p>Así que Domiciano estaba aínda tras del, todos eses anos despois. Herón sentou-se alí contemplando a súa fermosa eolípila con desesperación, agardando que os nenos puideran regresar axiña.</p>
<p>- Polo cuspe de Caronte o barqueiro!</p>
<p>Maldeciu, suavemente unha e outra vez, á penas capaz de ver a luz do portal a través das bágoas que ainda fluían pola súa face demacrada.</p>
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		<title>Porque o mundo lhe pertence às palavras (e III)</title>
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		<pubDate>Sun, 26 Jun 2011 20:17:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>A.C. Tyger</dc:creator>
				<category><![CDATA[Relatos]]></category>
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		<description><![CDATA[Anteriormente em Porque o mundo… Sei que sabes que não há problemas intrínsecos como tais, só dificuldades para manter uma realidade estratificada e evidente. Mas lembra que a essência do guerreiro poeta é uma re-ordenação desintencionada, mantém conscientemente a direcção da repetição mas não deixa emergir a ordem até um [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><em>Anteriormente em Porque o mundo…</em></p>
<p><em>Sei que sabes que não há problemas intrínsecos como tais, só dificuldades para manter uma realidade estratificada e evidente. Mas lembra que a essência do guerreiro poeta é uma re-ordenação desintencionada, mantém conscientemente a direcção da repetição mas não deixa emergir a ordem até um ponto arbitrário de espontaneidade consciente. E é exactamente esta espontaneidade o que eu procuro. Ocorre quando a variação é no ponto certa, quando a mutação é similar a si mesma num grau alto abondo e distante abondo. </em></p>
<p><em>Um ponto crítico exacto!</em></p></blockquote>
<h2 style="text-align: center;"><strong>Finale</strong></h2>
<p>Há uma rachadura na composição do tempo, uma fenda na construção do espaço, que é por onde passam os pensamentos para nos fazerem volver, séndomos de tal feito conscientes, o acordo.</p>
<p>Sim, compreendo que ao não estares lá sentado connosco e observares o universo  esgaçar-se simplesmente porque alguém recita poesia, e poesia caótica ainda por riba, poderias crer que tudo isto é fantasmagórico.</p>
<p>Quando o nosso guerreiro poeta começou a recitar a sua poesia ao primeiro notámos que incrementava o fluxo sanguíneo na <a title="Formaçao reticular" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Forma%C3%A7%C3%A3o_reticular" target="_blank">formação reticular</a>, mas depois aconteceu algo extraordinário: o seu córtex frontal, ou pelo menos parte dele, começou a desactivar-se espontaneamente, como se estiver desconectado do conjunto da actividade mental.</p>
<p>Inspeccionámos as nossas máquinas e ecrãs para vermos se não  assistíamos a algum funcionamento defeituoso imprevisível e achámos, como era de aguardar, que tudo estava em ordem, assim que, contro! o que estava a acontecer?</p>
<p>Devagar vinhemos a perceber que o que estávamos a olhar era a linguagem como actuador  no processo de transformação da coerência, não diferente de como os antigos xamãs costumavam dizer das palavras que nomeiam as ânimas,  já sabes, isso que pensávamos era esbardalhar, e que tens de ter tino com os nomes que usas quando te referes à matéria do mundo porque &#8230; bem, basicamente porque a expressão correcta chama pela força assim nomeada.</p>
<p>As palavras que usou eram incompreensíveis para nós mas isso não mudou o feito de que mentres escutávamos essas palavras, esses sons, essas estranhas sílabas, a minha mente se abrira. Deixa-me reformular isto, sou um cientista afinal de contas e ti és um filósofo, assim que não podemos permitir-nos uma aproximação sem sentido dizendo o como simplesmente tal e como é, ou agora podemos? Assim que não vou dizer que a minha mente se abrira, o que vou fazer é simplesmente repetir todo o facto assim: mirei para o ecrã e disse: &#8216;Ou! Meu Deus! Mira! (a ninguém em particular) e de supetão o ecrã mostrava não o seu cérebro mas o meu, literalmente o meu cérebro, e eu olhava, e via as palavras saindo da minha boca convertendo-se em forças expositivas, uma paleta com formatos de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Reflex%C3%A3o_(matem%C3%A1tica)" target="_blank">linhas de reflexão</a>, buligando umas por riba das outras e revertendo os efeitos do cérebro que estava a ver, mudando a forma do cérebro mesmo, reformulando a sua forma para algo desconhecido.</p>
<p>Era consciente das modificações no meu córtex visual, as cores estendiam-se elas mesmas em novos horizontes, transformando as formas em sons e os sons em factores euclidianos, reforçando de modo regular o posicionamento do meu pensamento consciente noutro sítio, primeiro no mesmo quarto e depois&#8230;</p>
<p>E depois eu era um observador incorpóreo, flotando confortavelmente em riba e entre as linhas da sensação, devindo caladinhamente a parte principal de uma reconfiguração do mundo, indo inexoravelmente para dentro e para fora da coerência, sem avisar a ninguém em particular, simplesmente porque não havia ninguém em particular&#8230;</p>
<p>Era como se o próprio significado do termo conforto, ou se calhar confortável, estivesse a colher vida, apropriando-se da realidade e remodelando-a para encaixar com o seu significado, uma força da natureza epistémica, desontologizando o imediato, deconstruindo a consistência da matéria e restaurando no seu lugar uma subtil concatenação de causas, botando para fora uma nova realidade.</p>
<p>É-che assim, velalô tava eu, e ao che escrever a tal hora no meu processador de textos parece quase que incompreensível, um sonho abofé, mália não ser sonho. E ainda que escrevi velalô tava eu não havia um eu do que falar, não que eu enxergara, que eu fosse; era algo distinto, uma desintegração total se preferes, ainda que ao leres estas palavras poderias pensar na desintegração em negativo, quando a realidade era que a desintegração era agradável e tudo abrangia: um momento no que de supetão a realização conceitual de um eu distribuído fugiu de supetão para uma nova dimensão da realidade existencial.</p>
<p>Velalô che tava daquela, e não havia um eu para o velalô, havia e ainda há um pichar de confortos; sim, sei que não faz muito sentido, o que é um pichar de confortos? Ao melhor um regueiro de prazer seria uma melhor descrição, mas ainda não satisfaria bem o estado que estou tentando descrever&#8230; de qualquer modo a sensação do momento era de que o conhecimento que está implantado na mente proto-consciente, e neste caso era o conhecimento do que é o conforto, estava a ser liberado das suas constrições sintéticas e ceivado das ligações da expressão contextual, estava a apagar a realidade, e a de-coeri-lo a um cara a uma maior coerência&#8230;</p>
<p>Naquele preciso momento compreendi que, ainda que é certo que o ser humano está longe de ser o centro da realidade, havíamos ser quem, baixo certas condições, de redefinirmos a autoridade do momento anulando a cláusula estar a tempo.</p>
<p>Não sei o que acontecerá quando diga a palavra, se quadra nada, se quadra tudo, mas desconfio de que quando a palavra humano seja pronunciada algo fundamental sobre o despotismo do tempo vá ser ceivado e há re-coerir a nossa história futura&#8230;</p>
<p>A minha percepção sensorial extrapolada numa visão de atemporalidade é que o humano neutralizará a nossa violência inata e virará as tábuas do destino, creio que isto é o que o guerreiro poeta queria que captássemos ao se pôr disponível para a nossa investigação.</p>
<p>Agora igual percebes por que vou dizer a palavra e ver a onde me leva, independentemente das possíveis consequências para o meu entendimento e alcance. São as bifurcações de momentos de inspiração como estes as que nos fazem sermos quem somos e se quadra, só se quadra, ao dizeres humano e quereres dizer uma outra cousa, a força semântica da natureza do entendimento, apoiada pela beleza, acompanhada pela paixão, capacitada pelo imediato e compreendendo totalmente o enxebre vougo sobre o que a interdependência flutua, permitirá a materialização da alteração.</p>
<p>Sei que muitos poucos volveram para o dizer, aguardo eu faça de outra maneira, se não por mais nada do que a necessidade de estenderes a tua existência através dos tempos, seja porque todas as grandes acções são no fundo altamente singulares e conduzem a um motivo que é outro do que o eu.</p>
<p>Abur meu amigo, deseja-me sorte.</p>
<p><strong>HUMANO</strong></p>
<p><em>Tradução:  <a href="http://afonsoxavier.wordpress.com" target="_blank">afonsoxavier.wordpress.com</a></em></p>
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		<title>Porque o mundo lhe pertence às palavras (II)</title>
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		<pubDate>Thu, 26 May 2011 11:42:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>A.C. Tyger</dc:creator>
				<category><![CDATA[Relatos]]></category>
		<category><![CDATA[computador]]></category>
		<category><![CDATA[palavras]]></category>
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		<description><![CDATA[No capítulo anterior de Porque o mundo&#8230; Mas o que sucede quando a mesma função que estabelecemos para computar é uma póla iterativa do significado? Que acontece quando a ordenação mesma da matéria re-coere ela de seu continuamente para se adaptar ao desejo da função disponível que é um não-dado [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<blockquote><p><em>No capítulo anterior de Porque o mundo&#8230;</em></p>
<p><em>Mas o que sucede quando a mesma função que estabelecemos para computar é uma póla iterativa do significado?</em></p>
<p><em>Que acontece quando a ordenação mesma da matéria re-coere ela de seu continuamente para se adaptar ao desejo da função disponível que é um não-dado na poesia caótica?</em></p>
<p><em>Eu te direi o que sucede porque o vi com os meus próprios olhos e escutei com os meus próprios ouvidos.</em></p>
<p><em>O que sucede é que todas as dimensões se abrem simultaneamente e todos os significados se desligam, o tempo dissolve-se, o espaço expõe-se e a porta das percepções vira transparente e, de supetão, vês.</em></p></blockquote>
<hr />
<p style="text-align: center; font-size: 20px;"><strong>Parte II</strong></p>
<p>Meu benquerido amigo, se che pareço um algo incoerente e embrulhado é porque estou tentando escrever-che tão ligeirinho como posso antes de que aconteça&#8230; Mas para enxergares o que pode suceder preciso dar-che algumas aclarações&#8230;</p>
<p>Assim que antes de seguir deixa-me explicar-che a armação conceitual com a que começámos. Supusemos, como se for o caso de&#8230; de haver uma estreita correlação entre os fundamentos das verdadeiras convicções, dentro das falsas convicções e até o nível super-abstracto das convicções ficcionais que ainda que não verdadeiras são contudo altamente úteis como propriedades funcionais de aplicações não teleo-semânticas na vida do dia a dia. A razão era bem simples, demos por certa a ideia de que sem tais convicções ficcionais não podemos organizar a civilização humana actual, e ainda mais na nossa actual conceitualização do tempo, da matéria, e muito particularmente da consciência.</p>
<p>Percebemos bem aginha nas nossas investigações que o imaginário mental, o que é comummente chamado vivência quase-perceptual, pode permitir uma forma de mentalização vivenciada que não requer visualização mas é, por dizê-lo dalguma maneira, dabondo amorfa, ainda que o que é vivenciado é uma classe de forma &#8211; digo uma classe de forma mas o que quero dizer realmente é que é algo mais parecido com o modo no que vemos a água em movimento &#8211; se congelas a imagem do ínterim poderias dizer que a água tem forma, porém na constância das ondas não há forma definida, embora ocorre um contínuo processo de transformação duma forma na outra, e, claro, ocorre como uma progressão ininterrompida.</p>
<p>Esta progressão, meu amigo, de forma em forma, um movimento amorfo de diversificação, foi a chave, foi a chave para entendermos como os níveis de abstracção coerem e recoerem eles mesmos numa continuidade aparente.</p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-6140" title="O computador de Konrad Zuse" src="http://novafantasia.com/wp-content/uploads/zuse11.jpg" alt="" width="193" height="225" /></p>
<p>Em certo modo não é distinto das metáforas conceituais. Sim! O conceito exacto do que nos ocupámos há anos ressurgiu de maneira bem chamativa.</p>
<p>Se lembras, as metáforas conceituais implicam que podes usar frequentemente um género de metáfora para entenderes uma outra. Mas o que chegámos a perceber por via do nosso &#8216;guerreiro poeta&#8217; era que o próprio termo entender era uma metáfora, esvaziando níveis e dimensões uns nos outros. Este foi um achado importante porque era a chave do enigma.</p>
<p>Para daquela já estávamos bem nos domínios conceituais da poesia caótica mas ainda o não víamos, ninguém de nós podia vê-lo, que parvos éramos! Não puséramos as nossas mentes na equação do experimento pensando durante tantos anos que existe uma realidade objectiva e discreta alô fora. Simplesmente esqueceu-nos que nós somos parte da equação. Nós éramos os experimentadores mas estávamos sendo experimentados ao mesmo tempo.</p>
<p>Na verdade o sujeito X estava realmente a usar-nos. Não! &#8216;Usar&#8217; é palavra incorrecta, porque ele não estava a fazer nada intencionalmente, ou planejado, estava simplesmente a fazer o que nós supostamente lhe solicitáramos, estava recitando poesia como lhe pedíramos. Mas nós estávamos a escutar, claro que estávamos a escutar! Esse era o objectivo geral do experimento, não sim? Escutarmos as palavras e depois traçarmos o mapa usando o fluxo sanguíneo do seu cérebro como um sinal para entendermos o modo em que a língua se mapea no cérebro.</p>
<p>Mas não todos os cérebros têm as mesmas conexões nem todos os domínios conceituais permitem harmonizar o mesmo tipo de realidades numa só. Claro que poderias objectar que perifericamente é bem conhecido, mas o que não acertarias a entender agora, como tampouco nós acertámos daquela, é o considerares que na sua maior parte essas diferenças de conexão são inconsequentes mas às vezes, ai! às vezes estas diferenças tornam surpreendentemente catastróficas!!!</p>
<p>Uso o termo catastrófico não no sentido negativo comum mas com o significado de <a href="https://secure.wikimedia.org/wikipedia/en/wiki/Catastrophe_theory" target="_blank">teoria da catástrofe</a>, porque justo como na teoria da catástrofe as pequenas variações, ainda que estáveis no tempo, permitem um dimorfismo total do cérebro específico no que acontecem. Sim ho! Claro que é aleatório a grande escala! Mas nos pormenores é altamente ordenado e pode em certo sentido ser manipulado para coerir a geometria da mente consciente e com isso dar-lhe forma ao entendimento imediato da mente em questão para &#8216;VER&#8217; as metáforas a se esvaziarem no mesminho processo de transformação em dimensões não correlacionadas originalmente, em tempo real.</p>
<p>Imagina-o, em tempo real&#8230;</p>
<p>E no nosso caso o sujeito X, o guerreiro poeta, era competente justinho neste tipo de aumento auto-iterativo da mente usando as ferramentas da poesia caótica do não-dado. Mas, aguarda! Isso não che é tudo, porque se, como ti sabes, compreendes como os sistemas dinâmicos operam conjugando escalas de progressão, sabes que eliminam a direccionalidade da flecha do tempo, essa que a mais dos humanos lhes esquece esquecer perante as suas maiores capacidades, perante o seu desejo de existência.</p>
<p>Devo dizer que Johanna, que era, casualmente, ou se calhar não agora que o penso, a única profissional de entre nós matemática especialista na teoria do caos, foi quem mais pronto cachou as implicações dos sistemas de auto-organização. Sim, claro, todos sabíamos da correlação das equações simples com os comportamentos complexos, e todas as extrapolações metafóricas do &#8216;<a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Efeito_borboleta" target="_blank">efeito borboleta</a>&#8216; e pelo estilo, mas o que ela aginha compreendeu e nós mais devagar, reconheço-o agora, foi que as ligeiras variações não são físicas em e de si mesmas, são matéria sim, mas as regras de comportamento não são físicas, mas linguísticas, ou formais se o preferes. Quem poderia ter adivinhado isto? Eu não, seguro. Supô-lo-ias ti?</p>
<hr />
<p>Já bom foi de explicações, bem sei que me entendes como nenhum outro, mas esta vez preciso bulirmos nisto. Direi-che como aconteceu e depois julgarás por ti mesmo. Mas, como um amigo, peço-che o favor de adiares a tua opinião até teres acabado de me escutar. Faz como fazemos quando olhamos um filme, uma suspensão temporal da incredulidade.</p>
<p>Pelo menos por um alongado momento&#8230;</p>
<p>Envio-che também algumas notas que escrevi durante a sessão, desordenadas, bem sei, mas poderiam ajudar-che a compreender aonde vou com tudo isto&#8230;</p>
<p>Os guerreiros poetas vêem padrões onde nós vemos anarquia e caos, portanto entendemos que vêem uma realidade que nós não podíamos perceber, a mesma imagem mas maior, desconhecida, teimosa em certo sentido, sem uma direcção sistemática que seguir, um domínio de ocorrências naturais&#8230;</p>
<p>Eram as formas, dizia ele, as formas de pólas a iterarem a sua própria ramificação numa auto-semelhança infinita, mas a escalas menores o galhar de dimensões reitera o esvaziamento da sintaxe em semântica.</p>
<p>Repetir a palavra poderia substituir a auto-semelhança em geometria de fractais.</p>
<p>Não era artificial e no entanto tampouco era sobrenatural, mas não era natural no sentido regular e do sensos comuns.</p>
<p>Uma arroutada se cadra, mas contudo fundamental, todos os sinais da linguagem do eterno, complexo, iterativo, multidimensional e porém tão surpreendentemente simples que chama à risa.</p>
<p>Naturalmente que os sistemas complexos vêm de regras simples, mas daquela a simplicidade das regras é decididamente ilusória, é o ligeiramente diferente o que faz a diferença, ai é onde a livre vontade aparece e explica como surdiu a vida e por que o cosmos é tão admirável, e por que tudo se abre quando a palavra é vem ou bem.</p>
<p>Algumas coisas que ele disse:</p>
<p>Onde quer que fora nada topava, mas ele era feliz com este vougo. Ele estava, ou tal pretendia, extasiado com isso, extasiado duma maneira que chamava primária: como as folhas recebendo as suas primeiras pingueiras de chuvisca, nada, como o amor -dizia- como sentir-se obsoleto e sentir prazer em que tudo for carente de significado&#8230; daquela ocorre a compreensão, como o correr de um rio&#8230;</p>
<p>Takã, Lakã, Maghakarã, Jutã, Diparkalã&#8230; Isso foi o que ele disse.</p>
<p>Uma viçosa complexidade lhe chamava ele&#8230; Uma funda, profunda e altamente inesperada conexão, cósmica talvez, entre a ordem e o caos e a nada.</p>
<p>Escrevo-che todas estas cousas acô nesta carta que che envio porque penso que precisas algumas indicações a maiores das que che dou eu a conhecer directamente&#8230;</p>
<p>Sei que sabes que não há problemas intrínsecos como tais, só dificuldades para manter uma realidade estratificada e evidente. Mas lembra que a essência do guerreiro poeta é uma re-ordenação desintencionada, mantém conscientemente a direcção da repetição mas não deixa emergir a ordem até um ponto arbitrário de espontaneidade consciente. E é exactamente esta espontaneidade o que eu procuro. Ocorre quando a variação é no ponto certa, quando a mutação é similar a si mesma num grau alto abundo e distante abundo.</p>
<p>Um ponto crítico exacto!</p>
<hr />
<p><em>Derradeiro capítulo em breve&#8230;</em></p>
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		<title>Porque o mundo lhe pertence às palavras (I)</title>
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		<pubDate>Thu, 05 May 2011 07:55:13 +0000</pubDate>
		<dc:creator>A.C. Tyger</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Não é que tivera uma avaria, não foi exactamente uma avaria. Quero dizer, oi! quem poderia predizer as consequências de uma tecnologia que parecia tão simples, tão coerente logicamente com o que conhecemos ou, conforme resultou, com o que pensávamos que conhecíamos da maneira na que funciona o mundo? O [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Não é que tivera uma avaria, não foi exactamente uma avaria.</p>
<p>Quero dizer, oi! quem poderia predizer as consequências de uma tecnologia que parecia tão simples, tão coerente logicamente com o que conhecemos ou, conforme resultou, com o que pensávamos que conhecíamos da maneira na que funciona o mundo?</p>
<p>O ponto, olha, é que ainda que a tecnologia fora simples, ou assim no-lo parecia daquela, estávamos muito longe de termos esclarecido as implicações ontológicas e os resultados derivados dela.</p>
<p>De facto nem sequer estávamos conscientes de que havia uma ontologia da que falar, não neste nível de deterioro quântico pelo menos. Claro que falámos sobre o alto nível filosófico das implicações de traçar o mapa da actividade cerebral de palavras específicas, mesmo fazíamos brincadeiras sobre estarmos a criar o primeiro aparelho de tecno-telepatia e lermos as mentes dos demais talmente como lemos livros.</p>
<p>E claro que falámos da ética e meta-ética de aplicarmos uma tal tecnologia a um mundo que era em grande parte Neolítico, e das implicações no sistema judicial, da moralidade e mesmo do amor e as relações interpessoais.</p>
<p>Ainda que, a sério, só estávamos medindo diferenças no fluxo sanguíneo quando a mente escuta distintos tipos de palavras, e a traçarmos depois o mapa das flutuações neuronais e posteriormente a correlatividade sináptica com verbos e adjectivos.</p>
<p>Nada sério, realmente.</p>
<p>Um de nós, cuido que foi o Wilbur, disse em brincadeira que gostaria de mapear-se ele mesmo mentres meditava e recitava os sutras e não, antes de mo perguntares, ninguém o tomou a sério e nunca chegámos a traçar o mapa do verdadeiro OM.</p>
<p>O que fizemos foi bastante simples quando o pensas. Usámos ressonância magnética, magneto-encefalografia, aplicando um ampla gama de <a href="http://en.wikipedia.org/wiki/SQUID" target="_blank">SQUIDs</a> e não, não considerámos que medindo campos magnéticos tão baixos e extremadamente frouxos se chegaria a interferir com o substrato da realidade coerente.</p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-6140" style="margin: 8px;" title="O computador de Konrad Zuse" src="http://novafantasia.com/wp-content/uploads/zuse11.jpg" alt="" width="193" height="225" />Olha, não posso fazer-me inteiramente responsável de tudo o que sucedeu, também porque realmente não sabemos exactamente em que vão ir dar as coisas. Pode ser que tudo vá bem ao final se aprendemos a linguagem.</p>
<p>De qualquer modo, ao primeiro simplesmente traçámos o mapa da evidente correlação da actividade neuronal com nomes triviais como “cadeira” e “porta” e pelo estilo. Depois mostrámos-lhe aos sujeitos algumas frases nominais simples como ‘”porta marrom” e “cadeira verde”. Então a primeira coisa que descobrimos foi que não havia associação com áreas comummente correlacionadas no processamento de expressões linguísticas complexas. As áreas de Broca e Wernicke pareciam não desempenharem função nenhuma. Estávamos surpreendidos mas não sobressaltados e assim seguimos por um tempo até que, claro, o sujeito X chegou às nossas vidas.</p>
<p>Estou a dizer-te tudo isto porque, como poderás ter adivinhado já, vou tentar pronunciar a “palavra” e ver a onde me leva. Assim que pensei que ti, como o meu melhor amigo, gostarias de saber um pouco do “por que” de todo isto.</p>
<p>A dizer verdade ninguém de nós realmente entendia a correlação mais profunda das palavras com a actividade neuronal e a comunicação intracelular, com a encapsulação neuroquímica, e ainda mais importante, do estrato de interferência subjectiva do pensamento linguístico consciente com a construção da realidade computacional.</p>
<p>Éramos um tanto conhecedores do trabalho de <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Konrad_zuse" target="_blank">Konrad Zuse</a> especialmente no que presumíamos compreender (e descobrimos ser errado) do espaço computacional e como sei no que estás a pensar, meu amigo, deixa-me corrigir-te, os universos de rápida computabilidade NÃO são mais prováveis do que os outros, e as Máquinas de Turing simples são extremadamente raras e se quadra até não existem. Certamente não o sei, digresso.</p>
<p>O sujeito X era um poeta, pelo menos isso foi o que escreveu na sua ficha de candidatura, e naturalmente gostámos imenso da ideia de estudarmos as correlações cerebrais de alguém bem instruído em matéria de língua, na enorme complexidade do manejo da palavra, e também, esqueceu-me dizê-lo, de alguém que dizia conhecer várias línguas, assim que com muito entusiasmo e muito alegremente procedemos a trabalhar nele.</p>
<p style="text-align: center;">—</p>
<p>Leva em conta que daquela nós nem sabíamos que um conceito tal como “guerreiro poeta” existia e ainda menos as possíveis implicações duma poesia incoerente sobre a realidade. Tenho uma teoria infundada, uma especulação realmente, de que as mentes que operam com várias línguas simultaneamente, e são um fenómeno raro de facto, são uma mutação do paradigma do pensamento lateral, de alguma maneira estas mentes mantêm uma contínua diversificação de dimensões paralelas porque em certo sentido não podem esquecer a palavra que estão a procurar, é como se os termos que buscam com urgência continuaram a mutar, a se morfarem se o preferires, um no outro, usando em cada instância uma língua diferente, e pelo tanto nunca lhe falta o termo apropriado, e por este simples facto a coerência do regueiro do seu pensamento é um fluxo contínuo que nunca dorme, simplesmente flutua em intensidade e densidade.</p>
<p>Isto leva-me ao ponto crucial. O que sabemos agora e não sabíamos daquela era que a nossa suposição comummente aceitada de que o todo é maior do que as partes é totalmente errada e fundamentalmente incorrecta. O que descobrimos é que a relação intersubjectiva do todo com as partes é duma natureza e magnitude completamente distinta. Para simplificar: percebemos que partes dentro de todos podiam ser maiores do que o todo do que formavam parte baixo certas circunstâncias. Estas circunstâncias, como já hás-de-ter adivinhado, implicam a estratificação de diferentes línguas usando leves variações num sentido particular da percepção.</p>
<p>O que nos perdeu ao princípio foi o feito de tomarmos a linguagem como se for unicamente línguas verbais, foi de facto muito difícil para nós o termos que lembrar constantemente que quando falávamos de línguas o que se queria dizer era diferentes tipos de línguas, meios de comunicação de diferentes dimensões dispostos para objectivos distintos.</p>
<p>Não foi singelo recordar que uma representação visual duma cadeira e o termo cadeira e a verbalização sonora do mesmo termo “cadeira” não são o mesmo. Isso explica-te por que quando fizemos os primeiros experimentos não percebíamos como obtínhamos esses resultados tão estranhos, principalmente o efeito de decoerência da realidade imediata.</p>
<p>A linguagem da química e as moléculas, a linguagem dos campos magnéticos, de formas e coordenadas de espaços e tempos e a linguagem da energia, todas estas e muitas, muitas outras, podíamos compreendê-las, existem de modo contínuo e superposto, só uma parte vem à superfície e se situa em paralelo com as outras. Portanto o que é percebido normalmente é só superficial e aparentemente traduzido a outra língua, a diferença não só era de tipo, e pelo tanto de quantidade, mas também de qualidade.</p>
<p>Podes dizer que descobrimos quantidades duma sorte de dimensões esvaziadas, estas dimensões, múltiplas conforme as línguas se esvaziam umas nas outras, com o mesmo esvaziamento a lhes conceder uma coerência aparente.</p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-6139" style="margin: 8px;" title="Computronium" src="http://novafantasia.com/wp-content/uploads/computronium1.jpg" alt="" width="200" height="300" />Consequentemente sim, naturalmente, a realidade esgalha e re-esgalha de maneira iterativa e se eu for um filósofo como és ti, teria relembrado as linhas de voo de <a title="Gilles Deleuze" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Gilles_Deleuze" target="_blank">Deleuze</a><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Gilles_Deleuze" target="_blank"></a>, mas não o sou e não o vou ser, embora lhes deves dar aos filósofos o seu cometido, algo descobriram.</p>
<p>Assim que deixa-me ir directamente ao ponto no que se tornou realmente interessante. O sujeito X sentara na cadeira e estava todo encolchetado e nós sentámos e olhámos os monitores e eu tinha a minha taça de café matutino ainda a aquecer os meus um tanto frios dedos e simplesmente a modo de aquecimento pedimos-lhe que recitara alguma poesia em qualquer língua que julgasse mais vinha ao caso. Olha, nada mais estávamos que ajustando os nossos aparelhos nesse ponto, assim que certamente não estávamos preparados, quero dizer, como poderíamos estar preparados para o que sucedeu depois?</p>
<p>Lembras a conversa que tivemos há alguns anos sobre o <a title="Computronium" href="http://en.wikipedia.org/wiki/Computronium" target="_blank">computronium</a>? Sim, claro que sim, mas lembras também a onde chegámos ao final daquela noite quando levamos a ideia ao límite, lembras que falámos da probabilidade de que a computação de seu não seja a última medida da realidade senão aquilo do que trata a computação? Noutras palavras, o que disséramos daquela e eu em primeiro não entendi mas entendo agora foi que a computação dependia da ordenação e a ordenação dependia da função especificada, do que quisermos computar.</p>
<p>Mas o que sucede quando a mesma função que estabelecemos para computar é uma póla iterativa do significado? Que acontece quando a ordenação mesma da matéria re-coere ela de seu continuamente para se adaptar ao desejo da função disponível que é um não-dado na poesia caótica?</p>
<p>Eu te direi o que sucede porque o vi com os meus próprios olhos e escutei com os meus próprios ouvidos.</p>
<p>O que sucede é que todas as dimensões se abrem simultaneamente e todos os significados se desligam, o tempo dissolve-se, o espaço expõe-se e a porta das percepções vira transparente e, de supetão, vês.</p>
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		<title>O ladrón do tempo</title>
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		<pubDate>Sun, 13 Jun 2010 19:26:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Steve Stanton</dc:creator>
				<category><![CDATA[Relatos]]></category>
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		<category><![CDATA[Steve Stanton]]></category>
		<category><![CDATA[tempo]]></category>

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		<description><![CDATA[Nunca sabes o que vai vender nestes tempos. É un problema para os auténticos ladróns de tempo profesionais coma min. Podes estudiar perfís culturais, analizar tendéncias do Mercado, contratar chamáns da publicidade&#8230; e ainda así fallar na secuéncia. Non hai garantías nin explicacións. Simplemente non podes dicir por adiantado quen [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Nunca sabes o que vai vender nestes tempos. É un problema para os  auténticos ladróns de tempo profesionais coma min. Podes estudiar perfís  culturais, analizar tendéncias do Mercado, contratar chamáns da  publicidade&#8230; e ainda así fallar na secuéncia. Non hai garantías nin  explicacións. Simplemente non podes dicir por adiantado quen é o que  terá o tempo mais valioso.</p>
<p>Non era así nos vellos días. Tiñamos todos aqueles praceres  indirectos que fornecer, todos eses usuários famentos dunha nova  experiéncia. Os atletas tiñan un tempo de mercado, os paracaidistas, os  escaladores no cúmio da montaña. Mesmo pilotar un trineo lixeiro por un  brillante túnel de xelo? Ese foi ún dos meus millores daquela. Ou correr  diante dos touros en Pamplona? Ou loitar cunha anaconda no bosque  tropical do Amazonas? Esas eran grandes vendas no seu día.</p>
<p>O porno tamén era bó, unha emoción escandalosa sen risco de  contáxios. Fixen unha chea de sórdidas sincronizcións durante os meus  primeiros tempos de aprendiz – o que fora con tal de enchera a miña  cuota – e un traballo longo e duro, non tes nin ideia. As prostitutas  eran un obxectivo óbvio e doado, pero se souberas o que tiñan na cabeza  levarían-te á castidade de puro aburrimento. A cea para os nenos, a  colada, vai ter este tipo un ataque ao corazón estando enriba de min ou?  Como algunhas delas facían un espectáculo animado non-o comprendo. A  maioría non pagaban a pena o tempo de computador por soubar a secuéncia.  Precisas un auténtico fanático mesmo para o porno marxinal.</p>
<p>E por lle dar o mesmo tempo á outra face da moeda, relembremos as  vellas secuéncias de evanxeo. Relembras <em>Carismanía</em>? Recordas presidir  unha reunión de milleiros de persoas, rodeado dun mar de mans alzadas en  oración, o espírito da glória camiñando sobre as augas, movéndo-se no  teu corazón, falando cos teu beizos – esa foi a miña primeira venda  millonária, unha que confirmou a miña reputación coma ladrón de tempo  por exceléncia. Eses foron os bós vellos días.</p>
<p>Agora o público está saciado, normal. Cada acto que poidas concebir  nun ser humán xa está gravado. Roubou-se tempo abondo para volver ao  Pleistoceno. É simplemente imposíbel abraiar ao usuário moderno e  sofisticado, traer outra novela á súa vasta experiéncia. Xa gañou o  campionato do mundo e foi elixido Presidente dos Estados Unidos. Xa  estivo no espazo sen gravidade e fíxo-o con Marilyn Monroe, posíbelmente  todo ao mesmo tempo. O que pode engadir un ladrón de tempo a iso?</p>
<p>Concentrar-se na técnica, iso é o que lle digo aos meus millores  estudantes hoxe. O roubo do tempo é un arte, a suprema forma de  entretemento. Somos profesionais intelixentes roubando para usuários  intelixentes, e non conta o que revelamos senón o que damos a entender. A  experiéncia humana por si soa é só unha base na que construir, a  harmonía de fondo nunha sinfonía experimental. Con boa técnica un ladrón  de tempo pode converter <em>O Descanso do Bibliotecário</em> nun supervendas.  Que secretos pensamentos se agochan após deses afábeis ollos? Que  exóticas imaxinacións? Podes explorar os niveis subconscientes se estás  ben sintonizado: tes que usar todos os avances tecnolóxicos. Estou a  traballar agora nunha nova xeración de secuéncias “superconscientes”. O  usuário discrimina hoxe&#8230;</p>
<p><a href="http://novafantasia.com/wp-content/uploads/lapas.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-4584" style="margin: 8px;" title="Heroe" src="http://novafantasia.com/wp-content/uploads/lapas.jpg" alt="" width="299" height="200" /></a>Por onde ía? Algunha vez miraches a miña secuéncia de <em>Heroe</em>? Ás veces  das cun clásico coma ese sen un chisco de previsión. Estaba na miña  unidade móbil aquel día, escaneando as rúas por calquera cousa para  facer a miña cuota, cando decatei-me do edifício ardendo, unha casa de  ladrillo de dous pisos con lapas que saían pola porta de diante e unha  brétema de fume enroscándo-se sobre os aleiros. O edifício chuchaba aire  cun són audíbel, resoprando por osíxeno coma un forno de leña  sobrequentado. Había unha multitude ao redor. Os bombeiros estaban a  afastar aos pais para que non volveran dentro. Podías de feito oír aos  nenos berrando a través das fiestras dos pisos de arriba.<br />
Activei o meu sistema e comecei e escanear visualmente aos peóns. Estaba  á procura dunha base emocional particular, esa sensación de sede de  sangue que ás veces atopas nunha secuéncia de morte – só unha insensíbel  secuéncia comercial de fiasco para os semanários. Decatei-me dun xoven  fitando embelesado para arriba, a face paralizada coa tensión, e coidei  que atopara un obxectivo que pagaba a pena. Probei e atopei bó contido  emotivo. Bloqueéi-no en modo cerebral completo e comecei a ampliar os  meus filtros. Horror, pánico, &#8211; un sinal irresistíbel. Afinei a visión  para corrixir un pequeno astigmatismo e maximicei o sinal olfativo do  fume. Aumentei os niveis das amígdalas e do hipocampo para o efecto  artístico e rebaixei a cognición verbal, que semellaba enredada nunha  rutina circular sobre axentes sobrenaturais. Sincronicei e comecei o  traspaso da secuéncia.</p>
<p>Eu/nós estabamos alí, saboreando o fume coma ácido quente, oindo os  berros dos nenos sobre a charla da multitude, retrocedendo interiormente  e rebotando a unha consciéncia completa, rebotando coma nun tambor,  coma unha lente enfocando e desenfocando unha escena demasiado  truculenta para contemplar. Eu/nós non podiamos aceptar a realidade, a  tortura dos inocentes.</p>
<p>Algo rachou-se &#8211; así é ainda coma o describiría no día de hoxe. Unha  reorganización conceptual completa. Do caos xurdiu a determinación, do  terror unha resolución invencíbel. Eu/nós corrimos cara o lume, polas  escaleiras ennegrecidas, cegados polo fume e xadeando, nunca temendo á  morte. Eu/nós eramos invencíbeis, sobrehumáns. Eu/nós seguimos os  berros, abrimos portas a patadas, gateamos por alfombras fumeantes. Dous  nenos baixo dunha cama e un bebé inconsciente nun berce. Eu/nós  axuntámo-los coma sacos da colada, enrolámo-los en sabas e alzámo-los.  Eu/nós notei dór daquela, mareo, debilidade. Eu/nós tivemos arcadas co  fume e vomitamos bile e tropezamos cara adiante.</p>
<p>Xa experimentaches a secuéncia, coñeces a peculiar auséncia de tempo  da fuga do heroe. Mesmo agora en retrospectiva pregúnto-me coma mantiven  visión profesional abondo para sinalar o computador por mais tempo. Os  avogados déron-se presa en criticar tal acción, coma é o seu dereito,  pero os usuários adicados entenden por que me pasei de tempo con <em>Heroe</em>.  Tiña que colle-lo todo, con ou sen enmendas contractuais. Estiven alí a  primeira vez, sufrín a versión sen editar, non me digas como debo facer o  meu traballo.</p>
<p>As mans e os pes do heroe ficaron mutiladas para sempre, a face  desfigurada, os pulmóns queimados e ennegrecidos. Os nenos foron  tratados no hospotal por inhalació nde fume e dados de alta. Os pais  converteron-se ao cristianismo. O heroe mais tarde dixo aos xornalistas  que non recordaba ren do que aconteceu. Por suposto que non &#8211; eu roubara  o episódio enteiro. Enviei ao heroe unha cópia prepublicada e  ofrecin-lle o dez por cento para chegar a un acordo extraxudicial polo  tempo extra roubado. (A edición final deixou a secuéncia en sete  minutos, coma xa sabes) El é un home rico hoxe en día.</p>
<p>A min preguntan-me de seguido se influin no heroe dalgún xeito para  que levara a cabo o seu arriscado rescate, se a miña sincronización e  roubo da súa actividade cerebral dalgún xeito fabricou a secuéncia, o  que, por suposto, é absurdo. O roubo de tempo é puramente pasivo, non se  nota nin se pode rastrear polo suxeito. Nunca se intentou unha  comunicación de dúas vías fóra do laboratório, e os resultados non valen  a pena de se publicaren &#8211; conversas telefónicas glorificadas. O heroe  se arroxaría ás lapas con ou sen min, e pode agradecer-llo a todos os  santos.</p>
<p>Por onde ía? De acordo, imos coa ética cuestionábel. Primeiro  decíde-me, quen vai botar de menos realmente cinco minutos de proceso  mental? A xente malgasta mais ca iso nun atasco de tráfico ou meditando  no wáter. Alguna xente está tan drogada que perden as principais  funcións cerebrais durante a maior parte do día. Unha cultura sen  respecto polo tempo pode permitir-se perfectamente perder unha fracción  inconsistente a mans dos ladróns coma min. Se deus quixer que os nosos  pensamentos e sentimentos fosen privados non permitiría que se  desenvolve-se a tecnoloxía de seguimento &#8211; e non estou tentando ser  gracioso, vin abondo cousas estrañas para denegar totalmente a súa  existéncia. Confesarei o pior e deixarei que xulgues. Recordas a <em>Noiva  Virxe</em>? Esta rapaza pode ter algún motivo de queixa. Aqueles cruciais  catro minutos e cincuenta e cinco segundos poden de feito ter unha certa  iportáncia sentimental &#8211; coma home eu só podo supoñer até que nivel &#8211;  pero pensa na gratificación indirecta que forneceu a millóns, homes e  mulleres, virxes ou o que sexa. Ela contribuiu ao gelstalt social, ela  influiu no contorno contemporáneo. Ela sempre pode comprar a secuéncia,  estou seguro que xa está en masa no mercado agora. En calquera caso&#8230;</p>
<p>Maldición, iso é desconcertante. Por onde ía? A cualidade é a palabra  chave estes días. Un bó produto de cualidade nunca pasará de moda. Non  está gravado en granito ningures que o mercado comercial non aceptará as  sutilezas da expresión artística. Calquera ladrón de tempo pode dominar  a perfección técnica, e moitos poden aprender a rachar as regras  estándar para obtér un bó efecto, pero só os millores estudantes amosan  esa muxica de orixinalidade, ese amor polo tema e pola forma precisos  para ter unha secuéncia clásica. O resto seguirá as modas pasaxeiras do  seu tempo; fornecerán de bó traballo aos semanários e se cadra farán os  gráficos agora e sempre con esforzo supremo e un pouco de sorte. E  ninguén estará a salvo do seu foco. Cando a realeza se resinta  descenderán coma animais de présa sobre os reis e raíñas por todo o  mundo, cando un novo papa é elixido revolotearán coma moscas sobre  donuts de azucre. Eu seguín as tendéncias durante a maior parte da miña  carreira, así que non malinterpretes as miñas críticas. Só estou decindo  que a busca das novidades ten que rematar nalgures, nalgún intre.</p>
<p>Os usuários estiveron no Mar da Tranquilidade e miraron a Terra por  riba deles nunha paisaxe luar chea de cráteres. Os usuários danzaron ao  ritmo de tambores tribais nunha chaira africana ao redor dunha fogueira.  Os usuáriostomaron prestado o cerebro dun físico subatómico para poder  coñecer os primeiros nanosegundos da creación, cando to do o universo  non era mais grande ca un átocomo de hidróxeno. E ainda así após de  todos estes anos, a procura da secuéncia suprema non mostra sinais de  decaer, os semanários berran por mais, o público trága-o, crítico,  demandando, e agora a atención semella enfocar-se nos ladróns de tempo  en si mesmos. Ás veces eu quixer&#8230;</p>
<p>Por onde ía?</p>
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		<title>O Gondoleiro</title>
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		<pubDate>Thu, 28 Jan 2010 21:14:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gareth D Jones</dc:creator>
				<category><![CDATA[Relatos]]></category>
		<category><![CDATA[ciéncia ficción]]></category>

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		<description><![CDATA[A negra proa da miña góndola corta suavemente as calmadas augas dos canais. A lustrosa embarcación serviume ben durante moitos anos, levando aos pasaxeiros a través dos canais da cidade baixo as mans dirixentes das xeracións dos meus antepasados. O sol ocultábase sobre a antiga cidade, tornando as augas nunha cinta [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>A negra proa da miña góndola corta suavemente as calmadas augas dos canais. A lustrosa embarcación serviume ben durante moitos anos, levando aos pasaxeiros a través dos canais da cidade baixo as mans dirixentes das xeracións dos meus antepasados.</p>
<p>O sol ocultábase sobre a antiga cidade, tornando as augas nunha cinta negra estendida entre os edificios de pedra arenisca. Respirei fondo a fresca airexa do serán.</p>
<p>Haberá algún sitio máis fermoso que esta marabillosa cidade de canais? Mentres a barca entraba coidadosamente na súa amarradoira, parei a contemplar con satisfación cómo se escurecían os ceos de Marte.</p>
<p style="text-align: center;">Fin</p>
<p>(Tradución de <strong>Ana Xaubet</strong>)</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>A novela do pó branco</title>
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		<pubDate>Sat, 26 Dec 2009 00:09:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Arthur Machen</dc:creator>
				<category><![CDATA[Relatos]]></category>
		<category><![CDATA[Arthur Machen]]></category>
		<category><![CDATA[terror]]></category>

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		<description><![CDATA[O meu nome é Leicester; meu pai, o comandante xeneral Wyn Leicester, distinguido oficial de artillería, sucumbiu fai cinco anos a unha complexa enfermidade do fígado, adquirida no letal clima da Índia. Un ano despois, Francis, o meu único irmán, volveu a casa após dunha carreira excepcionalmente brillante na universidade, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://novafantasia.com/wp-content/uploads/machen3.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-3846" style="margin: 8px;" title="Vinum Sabbati" src="http://novafantasia.com/wp-content/uploads/machen3.jpg" alt="" width="180" height="300" /></a>O meu nome é Leicester; meu pai, o comandante xeneral Wyn Leicester, distinguido oficial de artillería, sucumbiu fai cinco anos a unha complexa enfermidade do fígado, adquirida no letal clima da Índia. Un ano despois, Francis, o meu único irmán, volveu a casa após dunha carreira excepcionalmente brillante na universidade, e aqui ficou, resolto como un ermitaño a dominar o que con razón se chamou o grande mito do Dereito. Era un home que semellaba sentir unha total indiferenza cara todo o que se chama pracer; ainda que era mais guapo que a maioría dos homes e falaba coa ledícia e mais o enxeño dun vagamundo, evitaba a sociedade e pechaba-se no grande cuarto da parte alta da casa para se converter en avogado. Ao princípio, estudaba teimudo durante dez horas diárias; desde que o primeiro lóstrego de luz aparecía no leste até ben avanzada a tarde ficaba pechado cos seus libros. Só adicaba meia hora a comer  comigo, como se se laiase do tempo que perdia niso, e despois saía a dar un curto paseo cando comezaba a cair a noite. Eu coidaba que tanta adicación seria prexudicial, e tratei de aparta-lo suavemente da austeridade dos seus libros de texto, pero o seu ardor semellaba mais ben aumentar que diminuir, e medrou o número de horas diárias de estudo. Falei sériamente con el, suxerin-lle que ocasiónalmente tomase un descanso, ainda que fose só pasar unha tarde de lecer lendo unha novela doada; pero el riu e dixo que, cando tiña vontade de se distrair, lia verbo do réxime de propriedade feudal e burlou-se da ideia de ir ao teatro ou de pasar un mes ao ar libre. Confeso que tiña boa fasquía, e non semellaba sofrir polo seu traballo, pero sabia que o seu organismo acabaria por protestar, e non me enganaba. Unha expresión de desacougo asomou nos seus ollos, via-se débil, até que finalmente confesou que non se atopaba ben de saúde.</p>
<p>Dixo que se sentia inquieto, con sensazón de vertixe, e que polas noites acordaba, aterrorizado e bañado en suor frio, por mor duns horrorosos pesadelos.</p>
<p>- Coidarei-me -dixo-, asi que non te preocupes. Onte pasei toda a tarde sen facer ren, recortado nese cómodo sillón que ti me regalaches, e esgaravellando parvadas nunha folla de papel. Non, non; non me carregarei de traballo. Porei-me ben nunha ou duas semanas, has ver.</p>
<p>Nombergantes, mália as suas afirmacións, decatei-me de que non melloraba, se non que empioraba cada dia. Entraba no salón cunha expresión de abatimento, e esforzaba-se en aparentar ledícia cando eu o observaba. Semellaba-me que tales sintomas eran un mal agoiro, e ás veces, aterrecia-me a nervosa irritación dos seus acenos e a sua estraña e enigmática ollada. Moi en contra sua, convencin-o de que accedera a deixar-se examinar por un médico, e por fin chamou, de moi mala vontade, ao noso vello doutor.</p>
<p>O doutor Haberden animou-me, despois da consulta.</p>
<p>- Non é nada grave -díxo-me-. Sen dúvida lé demasiado, come de présa e volve aos libros con demasiada precipitación e a consecuencia natural é que teña transtornos dixestivos e algunha mínima perturbación do sistema nervoso. Pero coido, señorita Leicester, que poderemos curá-lo. Xa lle receitei unha medicina que obterá bos resultados. Asi que non desacougue.</p>
<p>O meu irmán insistiu en que un farmacéutico da colónia lle preparase a receita. Era un estabelecemento estraño, pasado de moda, exento da estudada coquetería e o calculado esplendor que aledan tanto os escaparates e andeis das modernas boticas. Pero Francis tiña-lle moita simpatia ao ancián farmacéutico e acreditaba totalmente na escrupulosa pureza das suas drogas. A medicina foi enviada ao seu debido tempo, e observei que o meu irmán a tomaba regularmente despois da comida e da cea.</p>
<p>Era un pó branco de fasquía común, do cal disolvia un pouco nun vaso de auga fría. Eu o axitaba até que se diluía, e desaparecia deixando o auga limpo e incoloro. Ao princípio, Francis semellou mellorar notábelmente; o cansazo desapareceu do seu rosto, e volveu-se mais alegre mesmo que cando saiu da universidade; falaba animadamente de se reformar, e recoñeceu que perdera o tempo.</p>
<p>- Adiquei demasiadas horas ao estudo do Dereito &#8211; dicía rindo; coido que me salvaches xusto a tempo. Ben, de calquera modo, serei chanceler, pero non debo esquecer-me de vivir. Faremos unha viaxe a París, divertiremo-nos, e manteremo-nos afastados por un tempo da Biblioteca Nacional.</p>
<p>Hei de confesar que me sentin encantada co proxecto.</p>
<p>- Cando imos? -perguntei-. Poderíamos sair pasado mañá, se che parece.</p>
<p>- Non, é demasiado axiña. Despois de todo, non coñezo Londres ainda, e supoño que un home debe comezar por se entregar aos praceres do seu próprio país. Pero sairemos nunha ou duas semanas, asi que pratica o teu francés. Pola miña parte, de Franza só coñezo as leis, e me temo que iso non nos servirá de nada.</p>
<p>Estabamos a rematar de comer. Tomou a sua medicina con aceno de catador, como se fose un viño da cava mais selecta.</p>
<p>- Ten algun sabor especial? -perguntei.</p>
<p>- Non; é como se fora só auga-. Ergueu-se da cadeira e comezou a pasear enriba e abaixo polo cuarto, sen decidir o que facer.</p>
<p>- Imos ao salón a tomar café? -perguntei-lle-. Ou prefires fumar?</p>
<p>- Non; coido que vou dar un paseo. A tarde está moi agradábel. Olla ese lusco-fusco: é como unha grande cidade en lapas, como se, entre as casas escuras, choivese sangue. Si. Vou sair. Axiña estarei de volta, pero levo a miña chave. Boas noites, querida, se é que non che vexo mais tarde.</p>
<p>A porta pechou-se de súpeto tras del, e vin-o camiñar pola rua, balanceando o seu caxado-, e sentin-me agradecida co doutor Haberden por esta melloria.</p>
<p>Coido que o meu irmán volveu a casa moi tarde aquela noite, pero á mañá seguinte atopaba-se de moi bo humor.</p>
<p>- Camiñei sen pensar onde ía &#8211; dixo &#8211; gozando da frescura do ar, e vivificado pola multitude cando me achegaba aos barrios mais transitados. Despois, en meio da xente, atopei-me con Orford, un antigo parceiro da universidade, e despois&#8230; ben, fomos por aí a nos divertir. sentin o que é ser mozo e home. Descobrin que teño sangue nas veas coma os demáis. Citei-me con Orford para esta noite; algúns amigos reuniremo-nos no restaurante. Si, divertirei-me durante unha semana ou dúas, e todas as noites oirei as badaladas dos doce. E despois ti e eu faremos a nosa pequena viaxe.</p>
<p>Foi tal o troco de carácter do meu irmán, que en poucos dias converteu-se nun amante dos praceres, nun indolente asiduo dos barrios alegres, nun cliente fiel dos restaurantes opulentos e nun excelente crítico de baile. Engordaba ante os meus ollos, e non falaba xa de París, pois claramente atopara o seu paraíso en Londres. Eu alegrei-me, pero non deixaba de me sorprender, porque na sua ledícia atopaba algo que me desagradaba, ainda que non podia definir a sensazón. O troco sobreveu-lle pouco a pouco. Seguia volvendo nas frías madrugadas; pero eu xa non lle ouvia falar das suas diversións, e unha mañá, cando almorzabamos xuntos, ollei-mo de súpeto aos ollos e vin a un estraño fronte a min.</p>
<p>- Ouh, Francis! -exclamei-, Francis, Francis! O que fixeches?</p>
<p>E deixando fuxir o pranto, non puiden dicir nen unha palabra mais. Retirei-me chorando ao meu cuarto, pois ainda que non sabia ren, sabía-o todo, e por un estraño xogo do pensamento, lembrei a noite en que saiu por primeira vez, e o cadro da posta de sol que iluminaba o ceo ante min: as nubes, coma unha cidade en lapas, e a chúvia de sangue. Nembergantes, loitei contra eses pensamentos, e considerei que se cadra, despois de todo, non pasara nada malo. Á tarde, á hora de comer, decidin presiona-lo para que fixase o dia de comezar as nosas férias en París. Estabamos a charlar tranquilamente, e o meu irmán viña de tomar a sua medicina, que non suspendera para nada. Ía eu abordar o tema, cando as palabras desapareceron da miña mente, e perguntei-me por un segundo o que peso xelado e intolerábel esmagaba o meu corazón e me alasaba como se me pechasen viva nunha caixa.</p>
<p><a href="http://novafantasia.com/wp-content/uploads/machen1.jpg"><img class="alignright size-full wp-image-3847" style="margin: 8px;" title="Vinum Sabbati" src="http://novafantasia.com/wp-content/uploads/machen1.jpg" alt="" width="196" height="229" /></a>Coméramos sen acender as velas. O cuarto pasara da penumbra á lobreguez, e as paredes e os recunchos confundian-se entre sombras indistintas. Pero dende onde eu estaba sentada podía ver a rúa, e cando pensaba no que ia dicir-lle a Francis, o ceo comezou a se envermellar e a brillar, como durante aquela noite que tan ben relembraba; e no espazo que se abria entre os dous escuros blocos de casas apareceu o horríbel resplandor das lapas: arrepiantes remuíños de nubes retortas, enormes abismos de lume, masas grises como o vafo que se desprende dunha cidade fumeante e unha luz maligna brillando nas alturas coas línguas do mais ardente lume, e na terra, coma un imenso lago de sangue. Volvín os ollos ao meu irmán; as palabras á penas formaban-se nos meus beizos, cando vin a sua man sobre a mesa. Entre o polgar e o índice tiña unha marca, unha pequena mancha do tamaño dunha moeda de seis peniques e a cor dun moretón. Nombergantes, por algun sentido indefinibel, souben que non era un golpe. Ah!, se a carne humana puidese arder en lapas, e se a lapa fose negra como a noite&#8230; sen pensamento nen palabras, o horror invadiu-me ao vé-lo, e no mais profundo do meu ser comprendin que era un estigma. Durante algúns interminábeis segundos, o manchado ceo escureceu-se como se se tratase da medianoite, e cando a luz volveu, atopaba-me soa no silencioso cuarto. Pouco despois, puiden ouvir como saía o meu irmán.</p>
<p>Mália que xa era tarde, puxen o sombreiro e fun visitar ao doutor Haberden, e no seu amplo consultório, mal iluminado por unha vela que o doutor trouxo consigo, con beizos trémulos e voz vacilante pese á miña determinación, contei-lle todo o que acontecera desde o dia en que o meu irmán comezou a tomar a medicina até a horríbel marca que descobrira facia magoas meia hora.</p>
<p>Cando acabei, o doutor me ollou durante un momento cunha expresión de grande compaixón no seu rosto.</p>
<p>- A miña querida señorita Leicester -dixo- vosté desacougou polo seu irmán; preocupa-se moito por el, estou seguro, nonsí?</p>
<p>- Si, ten-me preocupada &#8211; dixen. Desde fai unha ou duas semanas non estiven tranquila.</p>
<p>- Moi ben. Xa sabe vosté o complicado que é o cerebro.</p>
<p>- Comprendo o que quere vostede dicir, pero non estou enganada. vin cos meus próprios ollos todo o que acabo de lle dicer.</p>
<p>- Si, si; por suposto. Pero os seus ollos estiveran contemplando ese extraordinário lusco-fusco que tivemos hoxe. É a única explicación. Mañá comprobará-o á luz do dia, estou seguro. Pero lembre que sempre estou á sua disposición para lle emprestar calquera axuda que estea ao meu alcance. Non duvide en acudir a min ou mandar-me chamar se se atopa nun apuro.</p>
<p>Marchei desacougada, completamente confusa, chea de tristura e temor, e sen saber o que facer. Cando nos reunimos o meu irmán e eu ao dia seguinte, lle dirixin unha rápida ollada e descobrin, co corazón esmagado, que levaba a man direita envolta nun pano. A man na que vira aquela mancha de lume negro.</p>
<p>- O que tes na man, Francis? -perguntei-lle con firmeza.</p>
<p>- Nada importante. Anoite curtei-me un dedo e saiu-me moito sangue. Vendei-mo o mellor que puiden.</p>
<p>- Eu curarei-cho ben, se queres.</p>
<p>- Non, grazas, querida, isto abondará. Que che parece se almorzamos? Teño moita fame.</p>
<p>Sentámo-nos, e eu observaba-o. Comeu e bebeu moi pouco. Tiraba-lle a comida ao can cando coidaba que eu non ollaba. Habia unha expresión nos seus ollos que nunca lle vira; cruzou pola miña mente a idea de que aquela expresión non era humana. Estaba firmemente convencida de que, por horroroso e incríbel que fose o que vira a noite anterior, non era unha ilusión, nen era nengun engano dos meus sentidos agobiados, e, no transcurso da mañá, fun de novo á casa do médico. O doutor Haberden moveu a cabeza contrariado e incrédulo, e semellou reflexionar durante uns minutos.</p>
<p>- E di vosté que continua tomando a medicina? Pero, por que? Segundo teño entendido, todos os síntomas de que se queixaba desapareceron fai tempo. Por que segue tomando esa beberaxe, se xa se atopa ben? E, a propósito, onde encarregou que lle preparasen a receita? Con Sayce? Nunca envío a ninguén alá; o anciano está-se a volver descuidado. Subpoño que non terá vostede inconveniente en vir comigo á sua casa; gostaria-me falar con el.</p>
<p>Fomos xuntos á tenda. O vello Sayce coñecía ao doutor Haberden, e estaba disposto a lle dar calquera clase de información.</p>
<p>- Segundo teño entendido, vostede leva varias semanas preparando esta receita miña ao señor Leicester -dixo o doutor, entregando-lle ao anciano un anaco de papel.</p>
<p>- Si -dixo-, e xa me queda moi pouco. É unha droga moi pouco comun, e tiven-a adegada durante moito tempo sen a usar. Se o señor Leicester continua o tratamento, terei que encarregar mais.</p>
<p>- Por favor, deixe-me ver o preparado -dixo Haberden.</p>
<p>O farmacéutico deu-lle un tarro. Haberden sacou-lle o tapón, cheirou o contido e ollou con estrañeza ao anciano.</p>
<p>- De onde quitou isto? -dixo-. O que é? Ademais, señor Sayce, isto non é o que eu prescrebin. Si, si, xa vexo que a etiqueta está ben, pero lle digo que ésta non é a medicina correcta.</p>
<p>- Tiven-a moito tempo &#8211; dixo o ancián, estarrecido -. Merquei-lla a Burbage, como de costume. Non ma piden con frecuéncia, e a tiven desde fai alguns anos. Como ve vosté, xa fica moi pouco.</p>
<p>- Seria mellor que mo dese -dixo Haberden-. Témo-me que houbo un engano.</p>
<p>Marchamos da tenda en siléncio; o médico levaba baixo o brazo o tarro envolto en papel.</p>
<p>- Doutor Haberden -dixen, cando xa levábamos un pouco camiñando-, doutor Haberden.</p>
<p>- Si -dixo el, ollando-me sóbriamente.</p>
<p>- Quixese que me diga o que estivo a tomar o meu irmán duas veces ao dia durante pouco mais dun mes.</p>
<p>- Francamente, señorita Leicester, non o sei. Falaremos disto cando cheguemos á miña casa.</p>
<p>Continuamos camiñando sen pronunciar palabra, até que chegamos á sua casa. Pediu-me que sentase, e comezou a pasear dun estremo ao outro do cuarto, coa face ensombrecida por temores nada comúns.</p>
<p>- Ben -dixo ao fin-. Todo isto é moi estraño. É natural que se sinta alarmada, e debo confesar que estou moi lonxe de me sentir tranquilo. Deixemos a un lado, rogo-llo, o que vosté me contou anoite e esta mañá, ainda que persiste o feito de que durante as últimas semanas o señor Leicester estivo a saturar o seu organismo cun preparado completamente descoñecido para min. Como lle digo, iso non é o que eu lle receitei. Non obstante, está por ver o que contén realmente este tarro.</p>
<p>Desenvolviu-no, verteu cautelosamente uns poucos gráns de pó branco nun anaquiño de papel e examinou-nos con curiosidade.</p>
<p>- Si -dixo-. Semella sulfato de quinina, como vosté di; forma escamiñas. Pero chéire-o.</p>
<p>Tendeu-me o tarro, e eu inclinei-me a cheirar. Era un olor estraño, empalagoso, etéreo, irresistíbel, como o dun anestésico forte.</p>
<p>- Mandarei-no analisar -dixo Haberden-. Teño un amigo que se adica á química. Despois saberemos o que facer. Non, non; non me diga nada sobre a outra cuestión. Non quero escoitá-lo de momento. Siga o meu consello e procure non pensar mais niso.</p>
<p>Aquela tarde, o meu irmán non saiu como sempre despois da comida.</p>
<p>- Xa me divertin abondo &#8211; dixo cun riso estraño &#8211; e debo voltar aos meus vellos costumes. Un pouco de leis será o descanso axeitado, tras unha dose tan sobrecargada de pracer -sorriu para si mesmo. Pouco despois subiu ao seu cuarto. A sua man seguia vendada.</p>
<p>O doutor Haberden pasou por casa uns dias mais tarde.</p>
<p>- Non teño nengunha notícia especial para vosté -dixo-. Chambers está fora da cidade, asi que non sei nada que vosté non saiba sobre a substáncia. Pero gostaria-me ver ao señor Leicester, se está na casa.</p>
<p>- Está no seu cuarto -dixen-. Direi-lle que está vosté aqui.</p>
<p>- Non, non; eu subirei. Quero falar con el con toda tranquilidade. Atreveria-me a dicer que nos alarmado moito por moi pouca cousa. Ao fin e ao cabo, sexa o que sexa, semella que ese pó branco lle sentou ben.</p>
<p>O doutor subiu, e, ao pasar polo recebedor, oín-o chamar á porta, abrir-se esta, e pechar-se despois. Estiven a esperar no siléncio da casa durante mais dunha hora, e a quietude voltaba-se cada vez mais intensa, mentres as maniñas do reloxo movían-se amodo. Oí enriba o ruído dunha porta que se abria vigorosamente, e o médico baixou. Os seus pasos cruzaron o recebedor e detiveron-se ante a porta. Respirei longamente e con dificuldade, vin a miña face, nun espello, demasiado esbranquizada, mentres el voltaba e paraba na porta. Habia un indecibel horror nos seus ollos; sustivo-se cunha man no apoio dunha cadeira, o seu beizo inferior tremia como o dun cabalo; tragou cuspe e tatexou unha série de sons inintelixíbeis, antes de falar.</p>
<p>- Vin a ese home -comezou, nun áspero susurro-. Acabo de pasar unha hora con el. Deus meu! E estou vivo e inteiro! Eu que me enfrontei toda a miña vida coa morte e coñezo as ruínas da nosa fortaleza&#8230; Pero iso non, Deus meu, iso non! &#8211; e cobriu-se o rosto coas mans para apartar de si algunha horríbel visión.</p>
<p>- Non me mande chamar outra vez, señorita Leicester -dixo, recobrando un pouco a compostura-. Nada podo facer xa por esta casa. Adeus.</p>
<p>Vin-o baixar os chanzos tremoroso, e cruzar o calzado en dirección á sua casa. Deu-me a impresión de que envellecera dez anos desde a mañá.</p>
<p>O meu irmán ficou no seu cuarto. Dixo-me con voz á penas recoñecíbel que estaba moi ocupado, que lle gostaria que lle deixase a súa comida afóra da porta, e que me fixese cargo dos criados. Desde aquel dia, semellou-me que o arbitrário conceito que chamamos tempo desaparecera para min. Vivia coa contínua sensazón de horror, levando a cabo a rotina da casa, e falando só o imprescindibel cos criados. De vez en cando saía a pasear unha hora ou dúas e logo voltaba a casa. Pero tanto dentro coma fóra, o meu espírito se detiña ante a porta pechada do cuarto de enriba, e tremendo, esperaba que se abrise.</p>
<p>Dixen que á penas me daba conta do tempo, pero subpoño que deberon transcorrer un par de semanas, desde a visita do doutor Haberden, cando un dia, despois do paseo, volvía a casa reconfortada cunha sensazón de alivio. O ar era dóce e agradábel, e as formas louvanas das follas verdes aboiaban na praza como unha nube; o perfume das flores enfeitizaba os meus sentidos. Sentia-me feliz e camiñaba con lixeireza. Cando ía cruzar a rúa para entrar na casa, detiven-me un momento a esperar que pasase un carro e ollei por casualidade cara as xanelas. De contado encheron-se os meus ouvidos dun fragor tumultuoso de augas profundas e frías; o corazón deu-me un volco e caiu nun pozo sen fondo, e fiquei sobrecollida dun terror sen forma nen figura. Estendin cegamente unha man na escuridade para non cair, mentres as pedras tremían baixo os meus pés, perdian consisténcia e semellaban afundir-se. No momento de ollar cara a xanela do meu irmán, abriu-se a persiana, e algo dotado de vida asomou-se a contemplar o mundo. Non, non podo dicer se vin un rosto humano ou algo semellante; era unha criatura vivinte con dous ollos chameantes que me ollaron desde o centro de algo amorfo representando o símbolo e o testemuño de todo o mal e a sinistra corrupción. Durante cinco minutos fiquei inmóbel, sen forza, présa da angustia, a repunáncia e o horror. Ao chegar á porta, corrin chanzos enriba, até o cuarto do meu irmán, e chamei-no.</p>
<p>- Francis, Francis! -berrei-. Polo amor de Deus, contesta-me. O que é esa besta horrorosa que tes no cuarto? Quita-a, Francis, chimpa-a fóra de aqui!</p>
<p>Ouvín un ruído como de pés que se arrastraban, lentos e cautelosos, e un son afogado, como se alguén loitase por dicir algo. Despois, o són dunha voz, rota e apagada, pronunciou unhas palabras que á penas puiden entender.</p>
<p>- Aqui non hai ren -dixo a voz-. Por favor, non me amoles. Non me atopo ben hoxe.</p>
<p>Voltei-me, horrorizada pero impotente. Perguntaba-me por que me mentiría Francis, pois vira, ainda que só fose por un momento, a aparición aquela, demasiado nítida para me enganar. Sentei en siléncio, consciente de que fora algo mais, algo que vira no primeiro intre de terror antes de que aqueles ollos chameantes se fixasen en min. E de contado lembrei-no. Ao ollar cara enriba, as persianas estaban-se a pechar, pero tiven tempo de ver a aquela creatura, e ao evoca-la, comprendin que a imaxe non se borraria xamais da miña memória. Non era unha man; non habia dedos que sostivesen o postigo, se non un muñón negro que a empurraba. O torpe movemento da pata dunha besta gravara-se nos meus sentidos, antes de que aquela onda de terror me chimpase ao abismo. Horroricei-me ao lembrar isto e pensar que aquela horrorosa preséncia vivia con meu irmán. Subin de novo e chamei-no, pero non me contestou. Aquela noite, un dos criados veuo ao meu cuarto e contou-me con certo receo que habia tres dias que colocaba regularmente a comida xunto á porta e despois retiraba-a intacta. A serventa petara, pero sen obter resposta; só ouviu os mesmos pés arrastrándo-se que eu ouvira. Pasaron os dias, un tras outro, e seguiron deixando-lle ao meu irmán as comidas diante da porta e retirando-as intactas, e ainda que petei repetidamente á porta, non conseguin xamais que me contestase. A servidume quixo entón falar comigo. Seica estaban tan alarmados coma eu. A cociñeira dixo que cando o meu irmán se pechou por vez primeira no seu cuarto, ela comezou a ouvir-lle sair pola noite, e deambular pola casa; e unha vez, segundo dixo, ouviu abrir-se a porta do recebedor, e pechar-se despois. Pero habia varias noites que non oía ruído algun. Por último, a crise desencadeou-se; foi na penumbra do serán. O salón onde me atopaba foi-se povoando de trevas, cando un alarido terríbel desgarrou o siléncio e ouvín uns precipitados pasos escabulir-se pola escaleira. Agardei, e un segundo despois irrompeu a doncela no cuarto e ficou diante de min, esbranquizada e tremorosa.</p>
<p>- Oh, señorita Helen! -bisbillotou-. Por Deus, señorita Helen! O que aconteceu? Olle a miña man, señorita, olle esta man!</p>
<p>Conducin-a até a xanela, e vin unha mancha húmida e negra na sua man.</p>
<p>- Non che comprendo -dixen-. Queres explicar-te?</p>
<p>- Estaba a arrobar o seu cuarto hai un momento &#8211; comezou-. Estaba a mudar as sabas, e de súpeto caiu-me na man algo mollado; ollei cara enriba e vin que era o teito, que estaba negro e pingaba xusto por riba de min.</p>
<p>Primeiro ollei-na con severidade e logo mordin-me os beizos.</p>
<p>- Ven comigo -dixen-. Trae a tua vela.</p>
<p>O cuarto onde eu durmia estaba embaixo do do meu irmán, e ao entrar sentín que eu tremia tamén. Ollei o teito; nel habia unha mancha negra e húmida, que pingaba persistente sobre un charco horríbel que enchoupaba a branca roupa da miña cama.</p>
<p>Lancei-me escaleirs enriba e petei con forza a porta.</p>
<p>- Francis, Francis, irmán meu! O que che pasou?</p>
<p>Puxen-me a escoitar. Houbo un són afogado; logo, un gorgorexo e un vómito, pero ren mais. Chamei mais forte, pero non contestou.</p>
<p>A pesar do que o doutor Haberden dixera, fun buscá-lo.</p>
<p>Contei-lle, cos ollos arrasados en bágoas, o que acontecera, e el escoitou-me cunha expresión de dureza no semblante.</p>
<p>- En lembranza de seu pai &#8211; dixo finalmente-, irei con vosté, ainda que nada podo facer por el.</p>
<p>Saímos xuntos; as ruas estaban escuras, silenciosas e mestas polo calor e a sequidade de várias semanas. Baixo os farois de gas, o rosto do doutor via-se branco. Cando chegamos a casa, tremían-lle as mans.</p>
<p>Non duvidamos, se non que subimos directamente. Eu sustiña a lámpada e el chamou con voz forte e decidida:</p>
<p>- Señor Leicester, oe-me? Insisto en ve-lo. Conteste de contado.</p>
<p>Non houbo resposta, pero os dous ouvimos aquel gorgorexo que xa mencionei.</p>
<p>- Señor Leicester, estou a esperar. Abra a porta neste intre, ou verei-me obrigado a botá-la abaixo -dixo. E chamou unha terceira vez, cunha voz que fixo eco por todo o edifício: Señor Leicester! Por última vez, ordeo-lle abrir a porta.</p>
<p>- Ah! -exclamou, despois duns pesados momentos de siléncio-, estamos a perder o tempo. Seria tan amabel de me proporcionar un atizador ou algo semellante?<br />
Corrin a un pequeno cuarto onde gardabamos as cousas vellas e atopei unha espécie de sacho que coidei lle serviria ao doutor.</p>
<p>- Moi ben &#8211; dixo-, isto funcionará. Poño no seu coñecemento, señor Leicester &#8211; berrou polo ollo da pechadura-, que vou estragar a porta!</p>
<p><a href="http://novafantasia.com/wp-content/uploads/machen2.jpg"><img class="alignright size-medium wp-image-3848" style="margin: 8px;" title="Vinum Sabatti" src="http://novafantasia.com/wp-content/uploads/machen2-228x300.jpg" alt="" width="228" height="300" /></a>Entón comezou a descarregar golpes co sacho, facendo saltar a madeira en estelas. De pronto, a porta abriu-se cun berro horroroso dunha voz inumana que, como un ruxido monstruoso, brotou inarticuladamente na escuridade.</p>
<p>- Sosteña a lámpada -dixo entón o doutor. Entramos e ollamos  por todo o cuarto.</p>
<p>- Aí está &#8211; dixo o doutor Haberden, deixando escapar un suspiro-. Olle, nese recuncho.</p>
<p>Sentin unha punzada de horror no corazón. No chan habia unha masa escura e pútrida, fervendo de corrupción e horrorosa podredume, nen líquida nen sólida, que se derretia e transformaba-se perante os nosos ollos cun gorgorexo de burbullas oleaxinosas. E no centro brillaban dous pontos chameantes, coma dous ollos.<br />
E vin, tamén, como se abanou aquela masa nunha contorsión tremorosa, e como tratou de se erguer algo que ben podia ser un brazo. O doutor avanzou, alzou o sacho e descarregou un golpe sobre os dous pontos brillantes; e petou unha e outra vez, enfurecido. Finalmente reinou o siléncio.</p>
<p>Un par de semanas mais tarde, cando xa me recobrara da terríbel impresión, o doutor Haberden veu a me visitar.</p>
<p>- Traspasei o meu consultório -comezou-. Mañá emprendo unha longa viaxe por mar. Non sei se voltarei a Inglaterra algun dia; é moi probabel que merque un pequeno terreno en Califórnia e fique-me alá o resto da miña vida. Trouxen-lle este sobre, que vosté poderá abrir e ler cando se sinta con forza e valor para iso. Contén o informe do doutor Chambers sobre a mostra que lle remitin. Adeus señorita, adéus.</p>
<p>Encanto marchou, abrin o sobre e lin os papeis. Non podia esperar. Aqui está o manuscrito, e, se mo permiten, lles lerei a asombrosa história que narra:</p>
<blockquote><p>«<em>O meu querido Haberden -</em>comezaba a carta<em>-: Pido-lle mil perdóns por me ter demorado en contestar a sua pergunta sobre a substáncia branca que me enviou. A dicir verdade, duvidei un tempo sobre o que determinación tomar, pois hai tanto fanatismo e ortodoxia nas ciéncias físicas como na teoloxia, e sabia que se eu me decidia a lle contar a verdade, poderia ofender prexuízos que algunha vez me foron queridos. Non obstante, decidin ser sincero con vostede, asi que, en primeiro lugar, permíta-me entrar nunha breve aclaración persoal.</em></p>
<p><em>«Vosté coñece-me, Haberden, dende hai moitos anos, como un escrupuloso home de ciéncia. Vosté e eu falamos decote das nosas profisións, e discutido o abismo insondabel que se abre aos pés de quen coidan atinxir a verdade por camiños que se apartan da via ordinária da experiéncia e a observación da matéria. Lembro o desdén con que me falaba vosté unha vez daqueles científicos que escarbaron un pouco no oculto e insinuaron que se cadra, despois de todo, non son os sentidos a raia eterna e impenetrabel de todo coñecemento, o imudábel limite, alén do cal nengun ser humano chegou xamais. Rimos cordialmente, e coido que con razón, das parvadas do &#8216;ocultismo&#8217; actual, disfrazado baixo nomes diversos: mesmerismos, espiritualismos, materializacións, teosofías, e toda a complicada infinidade de imposturas, coa sua maquinária de trucos e esconxuros, que son a verdadeira armazón da máxia que se ve polas ruas londinenses. Con todo, a pesar do que lle dixen, debo confesar-lle que non son materialista, tomando este termo na sua acepción mais común. Fai moitos anos convencin-me -convencin-me mália do meu anterior escepticismo-, de que a miña vella teoria da limitación é absoluta e totalmente falsa. Quizais esta confesión non lle surprenda na mesma medida en que lle surprende-se fai vinte anos, pois estou seguro de que non deixará de observar que, desde fai algun tempo, certas hipótese foron superadas por homes de ciéncia que non son nada menos que transcendentais; e temo-me que a maior parte dos modernos químicos e biólogos famosos non duvidarian en subscrebir o díctum da vella escolástica, </em>Omnia exeunt in mysterium<em>, que sinifica que toda póla do saber humano, se nos remontamos ás suas orixes e primeiros princípios, esvaéce-se no mistério. Non teño por que agobia-lo agora cunha relazón detallada dos dolorosos pasos que me conduciron ás miñas conclusións. Uns cantos experimentos do mais simples me deron motivo para duvidar do meu próprio ponto de vista, o tren de pensamento que xurdiu naquelas circunstáncias relativamente paradóxicas, levou-me lonxe. A miña antiga concepción do universo veu-se abaixo; estou nun mundo que me resulta tan estraño e temíbel como as interminábeis ondas do océano aos ollos de quen o contempla por primeira vez desde Darien. Agora sei que os limites dos sentidos, que resultaban tan impenetrabeis que semellaban pechar-se no ceo e afundir-se nunhas trebas de profundidade inalcanzabel non son as barreiras tan inexorabelmente herméticas que pensáramos, se non os veos finísimos e etéreos que se desfan ante o investigador e se disipan como a brétema matinal dos regatos. Sei que vosté non adoptou xamais unha postura materialista; vosté non tratou de estabelecer unha negación universal, pois o seu sentido comun o apartou de tal absurdo. Pero estou convencido de que atopará o que digo estraño e repugnante á sua habitual forma de pensar. Non obstante, Haberden, o que digo é certo; e na nosa linguaxe común, trata-se da verdade única e científica, probada pola experiencia. E o universo é mais espléndido e mais terríbel do que imaxinábamos. O universo enteiro, o meu amigo, é un tremendo sacramento, unha forza, unha enerxia mística e inefabel, velada pola forma exterior da matéria. E o home, e o sol, e as demáis estrelas, a flor, e a herba, e o cristal do tubo de ensaio, todas e cada un, son tanto materiais coma espirituais e están suxeitas a unha actividade interior.</em></p>
<p><em>Probabelmente perguntará-se vosté, Haberden, onde vou con todo isto; pero coido que unha pequena reflexión poderá aclará-lo. Vosté comprenderá que, desde semellante ponto de vista, muda a concepción enteira de todas as cousas, e o que nos semellaba incríbel e absurdo poderia ser posíbel. En resumo, debemos ollar con outros ollos a lenda e as crenzas, e estar preparados para aceitar feitos que se converteran en fábulas. En verdade, esta esixéncia non é excesiva. Ao fin e ao cabo, a ciéncia moderna admite xa moitas cousas. É certo que non se trata de crer na bruxería, pero há-se conceder certo crédito ao hipnotismo; as pantasmas están pasadas de moda, pero ainda hai moito que dicir sobre a teoria da telepatía.</em></p>
<p><em>Poña-lle un nome grego a unha superstición e acredite nela, e será case un provérbio.</em></p>
<p><em>«Até aqui a miña aclaración persoal. Agora ben, vosté enviou-me un tarro tapado e selado, que contiña unha pequena cantidade dun pó branco e escamoso, e que certo farmacéutico proporcionou a un dos seus pacientes. Non me surprende que vosté non conseguise ningún resultado nas suas análises. É unha substáncia que hai moitos centos de anos caiu no esquecimento e que é xa descoñecida hoxe en dia. Xamais esperaba que me chegase dunha farmácia moderna.</em></p>
<p><em>Seica non hai nengunha razón para duvidar da veracidade do farmacéutico. Efectivamente, como di, puido mercar nun almacén as sales que vosté prescribiu; e é moi posíbel tamén que ficasen no seu andel durante vinte anos, ou talvez mais. Aqui comeza a intervir o que chamamos chou ou casualidade: durante todos estes anos, as sales desa botella estiveron expostas a certas variacións periódicas de temperatura; variacións que probabelmente abalan entre os cinco e os 30 graus centígrados. E, polo que se apreza, tales alteracións, repetidas ano tras ano durante períodos irregulares, con distinta intensidade e duración, provocaron un proceso tan complexo e delicado que non sei se un moderno aparello científico, manexado coa máxima precisión, poderia producir o mesmo resultado.</em></p>
<p><em>O pó branco que vosté me enviou é algo moi diferente do medicamento que vosté receitou; é o pó con que se preparaba o Viño Sabático, o Vinum Sabbati. Sen dúvida lería vosté algo sobre os aquelarres das meigas, e riría-se dos relatos que facian tremer aos nosos maiores: gatos negros, vasoiras e maldicións formuladas contra a vaca dalgunha pobre vella.</em></p>
<p><em>Desde que descobrin a verdade, pensei decote que, en xeral, é unha grande sorte que se acredite en todas estas supercherías, pois deste modo se agochan moitas outras cousas que é preferíbel ignorar. Non obstante, se se toma a moléstia de lér o apéndice á monografía de Payne Knight atopará que o verdadeiro Sabbath era algo moi diferente, ainda que o escritor moi felizmente evitara imprimir todo o que sabía. Os segredos do verdadeiro Sabbath datan de tempos moi remotos, e sobreviviron até a Idade Meia. Son os segredos dunha ciéncia maligna que existia moitísimo antes de que os ários entrasen en Europa. Homes e mulleres, seducidos e sacados dos seus fogares con pretextos diversos, ian a se axuntar con certos seres especialmente calificados para asumir con toda xustiza o papel de demos. Estes homes e estas mulleres eran conducidos polos seus guias a algunha paraxe solitária e despovoada, tradicionalmente coñecida polos iniciados e descoñecida para o resto do mundo. Quizais a unha cova, nalgun monte pelado e varrido polo vento, ou a un recóndito lugar, nalgún bosque imenso. E alá celebraba-se o Sabbath. Alá, á hora mais escura da noite, preparaba-se o Vinum Sabbati, enchia-se o cáliz diabólico até os bordes e oferecia-se aos neófitos, quen participaban dun sacramento infernal; </em>sumintes caficem principis inferorum<em>, como o expresa moi ben un autor antigo. E de súpeto, cada un dos que beberan via-se atraído por un acompañante (mistura de feitizo e tentación ultraterrea) que o levaba aparte para lle proporcionar goces mais intensos e mais vivos cós do ensoño, mediante a consumación das nupcias sabáticas.</em></p>
<p><em>É difícil escribir sobre estas cousas, príncipalmente porque esa forma que atraía cos seus encantos non era unha alucinación se non, por horroroso que semelle, o home mesmo. Debido ao poder do viño sabático &#8211; uns poucos gráns de pó branco disoltos nun vaso de auga-, a morada da vida abria-se en dous, disolvendo-se a humana trindade, e o verme que nunca morre, o que dorme no interior de todos nós, transformaba-se nun ser tanxíbel e externo, e vestia-se coa roupaxe da carne. E daquela, á medianoite, repetia-se e representaba a caída orixinal, e o ser horroroso oculto baixo o mito da Árbore do Ben e do Mal era novamente enxendrado. Tales eran as </em>nuptiae sabbati<em>.</em></p>
<p><em>«Prefiro non dicir mais. Vosté, Haberden, sabe, tan ben coma eu que non poden infrinxir-se  as leis mais triviais da vida, e que un acto tan terríbel como éste, no que se abría e profanaba o sítio mais íntimo do templo</em><em>, era seguido dunha vinganza feroz. O que comezaba coa corrupción, remataba tamén coa corrupción.</em>«</p></blockquote>
<p>Debaixo está o seguinte, da man do doutor Haberden:</p>
<blockquote><p>«<em>Por desgraza, todo isto é estrita e totalmente certo. O seu irmán confesou-mo todo a mañá en que estiven con el. O primeiro que me chamou a atenzón foi a sua man vendada, E obriguei-no a que ma amosase. O que vin eu, un home de ciéncia, puxo-me enfermo de ódio. E a história que me vin obrigado a escoitar foi infinitamente mais horrorosa do que seria capaz de imaxinar. Até sentin-me tentado a duvidar da Bondade Eterna, que permite que a natureza ofereza tan abominabeis posibilidades. E se non vise vosté o desenlace cos seus próprios ollos, lle pediria que non acreditase a nada de todo isto. A min non me fican mais ca unhas semanas de vida, pero vosté é moza, e quizais poda esquecé-lo</em>.</p>
<p><em>Dr. Joseph Haberden.</em></p></blockquote>
<p>Ao cabo de dous ou tres meses escoitei que o Dr. Haberden morrera no mar pouco despois de que o seu barco saíse de Inglaterra.</p>
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		<title>Coa súa man, ela succiona-te</title>
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		<pubDate>Tue, 13 Oct 2009 21:19:12 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Doug Smith</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Coa súa man, ela succiona-te. Coa súa boca, ela aspíra-te. Esperanza e soños e alma devorados. Perdidos para ti, o que poderían ser. Coa súa man, ela succiona-te&#8230; Joe maldiciu cando viu a Cath debuxando un neno. Deixára-a só un minuto, para coller unha cervexa na caseta do peirao antes [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;"><em>Coa súa man, ela succiona-te.<br />
Coa súa boca, ela aspíra-te.<br />
Esperanza e soños e alma devorados.<br />
Perdidos para ti, o que poderían ser.</em>
</p>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;"><strong>Coa súa man, ela succiona-te&#8230;</strong></p>
<p style="text-align: left;"><img class="alignright size-medium wp-image-3508" style="margin: 8px;" title="Praia" src="http://novafantasia.com/wp-content/uploads/stpete-300x120.jpg" alt="Praia" width="300" height="120" />Joe maldiciu cando viu a Cath debuxando un neno. Deixára-a só un minuto, para coller unha cervexa na caseta do peirao antes de que pechara pola noite. Camiñando de volta agora, puido ver a Cath na súa banqueta, axeonllada co caderno de bocexos, a brisa do océano movendo o seu pelo claro. Unha nena sentou noutro banco enfronte dela, un home e unha muller, os seus pais, supuxo, atrás da nena.</p>
<p style="text-align: left;">A nena non ten mais de sete anos, pensou. Cath prometeu-me que non habería nenos. Ela prometeu-mo.<br />
O sol estaba a se pór e o aire volvéra-se frío, pero a xente aínda enchía o paseo. Joe moveu-se entre a multitude tan rápido coma puido sen chamar a atención. Cath puxéra-se máis lonxe da praia esta noite, no fondo dunha costa de herba que baixaba dende a autoestrada onde agardaba o seu vello Ford gris.
</p>
<p style="text-align: left;">“A derradeira noite esta noite”, dixera Cath cando aparcaran o coche antes. “Quere ir-se. Podo sentir o cambio”.</p>
<p style="text-align: left;">Joe tragara cuspe e apagou o coche. Nunca estaba cómodo falando diso. “Cara onde vai?”.</p>
<p style="text-align: left;">Cath só movera a cabeza, sorrindo. “Non-o sei. Iso é parte da diversión, nonsí? Non saber onde imos ir? Iso é divertido, non, Joe?”.</p>
<p style="text-align: left;">Si, moi divertido, pensou agora mentres se achegaba a Cath e aos seus clientes. Antes era divertido, cando se coñeceran, antes de saber o que facía Cath, o que tiña que facer. Cando o seu amor por ela non estaba mesturado co medo polo que ela lle faría a alguén.</p>
<p style="text-align: left;">Ou a el.</p>
<p style="text-align: left;">Os pais da nena ergueron a vista cando Joe se puxo atrás de Cath. O pai frunciu o ceño. Joe sorriu, tentando agochar o trago que coma dedos fríos lle pasaba pola gorxa. Poñéndo-se de costas a eles, comezou a susurrar no oído de Cath. Ese arrecendo a flores que ela tiña chegou-lle cálido e doce á súa face.</p>
<p style="text-align: left;">Un velório, pensou. Ela cheira coma un maldito velório.</p>
<p style="text-align: left;">“Cath, só é unha nena”, susurrou-lle ao oído.</p>
<p style="text-align: left;">Cath moveu a cabeza. Os seus ollos revoloteaban dende a nena ao caderno. “Mala noite. Estou esfameada”, mascullou, ignorando a Joe.</p>
<p style="text-align: left;">Joe mirou ao debuxo. Era bo. Pero sempre eran bos. Cath tiña auténtico talento, mais do que tiña Joe. Ela poñía-se todas as noites onde paseaba a xente, cos debuxos xunto dela coma trofeos de caza. A xente paraba a mirar, ás veces marchaba, outras veces sentaba-se para facer-se un retrato.</p>
<p style="text-align: left;">Ao cabo Joe e Cath marcharían tamén. Cando a cidade se baleirase, dixo Cath. Cando a cousa dentro dela quixera marchar. Pasaran esta semana nun pequeno centro de vacacións en Nova Inglaterra. A lo menos estaban indo cara o sul ultimamente, pensou. O verán estaba a rematar e Joe desexaba pasar o inverno ao sol. Durmir era raro para Joe dende que coñecera a Cath. Os invernos aí no norde sinificaban longas noites nos bares. As cousas pechaban daquela, pechaban ao seu redor. Nesas noites, espertaría na súa cama no motel, sentindo os ollos de Cath enriba del, sentindo a súa fame.</p>
<p style="text-align: left;">Mirou ao debuxo, á nena capturada alí, perfecta agás polo baleiro dos ollos, de todos os ollos que debuxaba Cath. E a boca.</p>
<p style="text-align: left;">Onde debía estar a boca, había papel en branco. Cath deixaba a boca para o final. Os retratos sempre amolaban a Joe cando estaban así. Para el, as imaxes non estaban agardando a seren completadas, agardando un derradeiro anaco que engadir. Para Joe, algo vital fora arrincado dalgo que estaba enteiro, deixando atrás un oco que ameazaba con sorber o mundo ao seu redor. Unha cousa baleira pero insaciábel. Agardando sorbe-lo a el tamén.</p>
<p style="text-align: left;">“Cath”, susurrou. “Prometíches-mo”.</p>
<p style="text-align: left;">Ela ignorouno outra vez. Joe rodeou cos dedos o delgado pulso que suxeitaba o caderno. “Prometíches-mo”.<br />
Cath ergueu a cabeza para fulmina-lo coa mirada. A Joe se lle curtou a respiración cando viu a fame nos seus ollos grises, converténdo-se nalgo vivo, algo que ía chimpar a por el.
</p>
<p style="text-align: left;">O pai aclarou-se a gorxa e a cousa nos ollos de Cath retrocedeu. Cath dirixiu-se aos pais. “Sínto-o, non-a podo facer ben. Poden ficar con isto”. Arrincando o debuxo do caderno, entregou-no á nai. “Temos que marchar”. Cath púxo-se en pé e pregou a súa banqueta mentres a nena corría a botar unha ollada dende atrás das pernas de seu pai. Joe colleu o outro taburete e a bolsa de lenzos coas cousas de Cath. Puxo un brazo ao redor da cintura de Cath, sacándo-a dalí.</p>
<p style="text-align: left;">O pai comezou a protestar. “Pero xa case a tiñas rematada. Só tiñas que lle debuxar a boca”.</p>
<p style="text-align: left;">Cath parou e Joe maldiciu. Só quería saca-la de alí. Ela camiñou até o home que intercambiaba miradas coa súa esposa. Cath púxo-se un dedo nos beizos. “As bocas son a parte mais difícil”, dixo. “Todo o mundo&#8230; din ‘os ollos son as fiestras do alma’. Din ‘Oh, fixeches uns ollos perfectos’. Non saben. Non saben que é a boca a que tes que facer perfecta. Iso é o que fai que un cadro cobre vida. Coma se fora comezar a&#8230; respirar”.</p>
<p style="text-align: left;">O pai aclarou-se a gorxa, pero a nai tirou-lle da camisa. Joe agarrou o brazo de Cath e tirou dela. O home musitou algo, pero Joe non fixo caso.</p>
<p style="text-align: left;">Levou a Cath a un sendeiro de grava que conducía cara enriba da cuíña até a autoestrada. A médio camiño había unha zona de observación do peirao e o paseo. Cath afastouse del cun quebro. Había un muro de pedra baixo na beira do camiño e dúas farolas a cada estremo. Poñendo a súa banqueta baixo da luz mais próxima, comezou a poñer os seus debuxos contra a parede.</p>
<p style="text-align: left;">Joe tirou o outro taburete e sentou. A fatiga que sempre vivía con el comezou a enguli-lo. Sentía-se morto por dentro, utilizado, coma o xeito no que lle facían sentir os cadros de Cath, agardando ser absorbidos ao baleiro. “Tiñamos un trato”, dixo.</p>
<p style="text-align: left;">Cath sentou-se, mirando cara arriba e abaixo do sendeiro. “Estou esfameada”.</p>
<p style="text-align: left;">“Nenos non, lembras?”, dixo Joe. “E ninguén cunha família que dependa del”. Tentou que a súa voz soa-se mais forte, pero as mans lle tremían.</p>
<p style="text-align: left;">Ela abriu o seu caderno. “Iso son moitos impedimentos, Joe”.</p>
<p style="text-align: left;">“Usa ún dos esbozos que apartaches”,</p>
<p style="text-align: left;">Cath riu. Un són amargo e baleiro. Joe imaxinou as bocas que ela debuxaba facendo esa clase de són. Cath mirou-no por fin. “Xa non hai mais. Usei-nos todos”.</p>
<p style="text-align: left;">Joe sentiu de novo o baleiro, un baleiro aí abaixo, absorbéndo-o. Inclinou-se cara adiante, coa cabeza entre as mans, os dedos apresando forte na sen, tendo facer marchar o seu medo.</p>
<p style="text-align: left;">“Foder, Cath. Todos?”. Buscou algunha esperanza na cara dela.</p>
<p style="text-align: left;">Cath enrugou-se de ombros. “A nena ten que comer”. Fitou alén del e el escoitou pegadas na grava. Joe xirou-se, tocando coa man cun acto reflexo o coitelo no interior da súa bota.</p>
<p style="text-align: left;">Un home gordo con pantalóns negros, camisa branca e garabata estampada desatada ao redor do pescozo, baixaba penosamente polo sendeiro dende a autoestrada, cunha cadeira de praia en cada brazo. Camiñou en zigzag até o muro de pedra e puxo as cadeiras no chan para descansar. Saudou coa cabeza a Joe e a Cath e mirou aos debuxos. Comezou a afastar-se pero logo mirou atrás. Os seus ollos pasaron polos retratos aliñados no muro coma prisioneiros perante un pelotón de execución. O home asubiou.</p>
<p style="text-align: left;">Joe suspirou, de mágoa e alívio. Cath comería esta noite.</p>
<p style="text-align: left;"><strong>Coa súa boca, ela aspíra-te.<br />
</strong>
</p>
<p style="text-align: left;"><img class="size-full wp-image-3509 alignleft" style="margin: 8px;" title="Debuxo a lapis" src="http://novafantasia.com/wp-content/uploads/lapis1.jpg" alt="Debuxo a lapis" width="219" height="300" />O nome do gordo era Harry. Regateou con Cath polo prezo e logo sentou, e Cath comezou a debuxar. Joe mirou ás dúas cadeiras que Harry trouxera pero non viu un anel de voda así que ficou en silenzo.</p>
<p style="text-align: left;">Cath traballou ás presas, a súa man raxando a páxina, parando só para mudar a cór do seu lapis. Cando só ficou a boca por rematar, puxo o caderno no cólo.</p>
<p style="text-align: left;">Harry mirou ao debuxo. “Non ten boca”.</p>
<p style="text-align: left;">“As bocas son especiais, Har”, dixo Cath. Frunciu o ceño e Harry riu, un són nervoso e chirriante. Cath puxo un dedo da man coa que debuxaba nos beizos de Harry. El soltou esa risiña outra vez pero non se apartou. Cath percorreu amodiño os seus beizos coa punta do dedo, trazando cada curva e contorno. Sentado no muro de pedra, Joe pensou nos dedos dela na súa pel pola noite na cama, trazando as liñas do seu corpo. Amor e medo e luxúria&#8230; con Cathy todos se mesturaban, córes nun cadro flotando cadaún dentro dos outros até que non-os podes separar.</p>
<p style="text-align: left;">Ela baixou a súa man ao papel, os seus ollos aínda na boca de Harry. Collendo un lapis vermello e baixando os ollos a súa man comezou a acoitelar o papel con golpes curtos e urxentes. Aboca medrou baixo os seus dedos mentres Joe miraba. Ela rematou nuns segundos. Quitando a folla do debuxo, Cath entregouna a Harry. El contemplouna durante un momento, gruñiu a súa aprobación e pagou. Co retrato baixo o seu brazo, recolleu as súas cadeiras e dixo adeus coa cabeza.</p>
<p style="text-align: left;">Após de mirar a Harry marchar abaixo cara o paseo, Joe camiñou até onde Cath estaba sentada no chan, co caderno no colo. Ela ergueu coidadosamente unha folla de papel carbón no caderno. Unha cópia do debuxo que viña de facer de Harry fitou a Joe en branco e negro. Sen cór, pensou Joe. Coma se toda a vida fose chuchada del. Non, pensou. Non toda. Aínda non.</p>
<p style="text-align: left;">Da súa bolsa de lenzos, Cath quitou unha caixiña de pau de rosa, coa tapa gravada con letras nunha caligrafía que Joe coidaba que era árabe. Nunca o comprobara, querendo saber o menos posíbel sobre o tema. Cath abriu a tapa e sacou o que semellaba o lapis de cera dun neno pero sen papel que o cubrise.</p>
<p style="text-align: left;">A cera era tan longa coma o dedo médio de Joe, pero mais grosa, e dun vermello tan escuro que era case negro. Joe lembrou cando debuxaba de neno, as ceras, os nomes das córes. Azul de medianoite, verde folla, amarelo luz de sol. Sabía o nome que levaría este: vermello sangue. Escintilou coa luz do sol coma se fose pegañento ao tacto, pero Joe nunca o tocara así que non-o sabía de seguro. Non-o quería saber.</p>
<p style="text-align: left;">Encorvada sobre a cópia do retrato, Cath comezou a retrazar todas as liñas da boca coa cera vermella, engadindo cór e sombras. Traballaba cunha lentitude case dolorosa. Joe relembrou como unha vez ela cometera un erro neste paso, como a fúria xurdira dela coma unha cousa salvaxe encerrada demasiado tempo.</p>
<p style="text-align: left;">Ao cabo, Cath enderezou-se. Deu á boca unha derradeira mirada de loubanza e logo devolveu a cera á caixa de pau de rosa. Joe regresou ao muro baixo de pedra. Sabía que regresaría para vixia-la. Sempre o fixo.<br />
Mais abaixo, Harry chegara ao paseo. O home grande deixou unha cadeira para saudar a alguén na praia. O estómago de Joe tensou-se. Unha muller devolveu o saúdo a Harry, e un neno e unha nena correron para lle abrazar. Merda, non, pensou Joe.
</p>
<p style="text-align: left;">Deu a volta. Cath estaba sentada encorvada sobre o retrato de Harry no colo. Joe correu canda ela, rezando para que non fose demasiado tarde, unha oración que morreu cando mirou o debuxo. Xa comezara.</p>
<p style="text-align: left;">A boca do retrato estaba a se mover, os beizos gordos rebiricándo-se coma viscosos vermes vermellos sobre o papel. Un fino e pequeno vapor pálido xurdía daqueles beizos. Cath inclinou a cabeza sobre a boca e chuchou daquela cousa bretemosa que Joe nunca quería nomear.</p>
<p style="text-align: left;">Un berro xurdiu na praia. O berro dunha muller, algo de dor e medo. Entre os saloucos, Joe escoitou nenos chorar.<br />
Camiñou de volta ao muro baixo e mirou á xente axuntar-se onde Harry caíra. Joe ficou alí, os ollos fixos na figura quieta de Harry, sentindo o baleiro abrir-se baixo del outra vez. “Cath, temos que saír de aquí”.<br />
Cath non lle respondeu. Joe quitou os ollos da escena de abaixo e volveu-se cara ela. Ela estaba agora de pé, mirando ao sul, á liña de costa. “Quere marchar”, dixo.</p>
<p style="text-align: left;"><strong>Esperanza e soños e alma devorados.<br />
</strong>
</p>
<p style="text-align: left;">Joe conduciu fitando a liña branca que dividía a estrada de dous carrís, coma brochazos de Deus nun longo lenzo negro. Branco sobre negro, pensou. A imaxe en negativo dos retratos secretos de Cath. Branco sobre negro, negro sobre branco. Só faltaba o vermello. Só ese vermello sangue.</p>
<p style="text-align: left;">Canto tempo pasaría até que algún poli o relacionase? Unha cadea de mortes, todas as vítimas debuxadas por unha muller nova branca cun compañeiro masculino. Foder, Harry morreu cun debuxo na man.</p>
<p style="text-align: left;">Cath espertou ao seu lado e daquela el sentiu os ollos dela enriba. Sempre podía sentir a súa mirada, coma un contacto físico, coma unha brocha mollando nel, debuxando algo del. É así coma o fas, Cath? Como colles a cousa que colles? Captúra-la nos teus ollos e logo a engaiolas entre os dedos á páxina? Estiveches a te alimentar de min tamén?</p>
<p style="text-align: left;">“Aínda teño fame”, dixo Cath. A súa voz era pequena, case coma a dun neno na escuridade.</p>
<p style="text-align: left;">El sabía o que ela quería dicir. “Chegaremos á cidade axiña”, dixo. Pero serían as tres da mañá cando chegasen. Ninguén polos arredores. Ninguén que debuxar . E a ela non lle quedaban imaxes. Cath non dixo ren pero mirou ao lonxe. Após dun rato, supuxo que ficara durmida. Logo sentiu os seus ollos outra vez.</p>
<p style="text-align: left;">“Non quero facer dano á xente, Joe”.</p>
<p style="text-align: left;">El tragou cuspe. Isto era novo. Ela nunca falara sobre iso, mesmo cando Joe si. El debería dicir algo agora, algo intelixente, algo que os sacara disto. Debería, pero non lle ficaba ren que dicir. Só puido asentir coa cabeza. “Seino, nena”.</p>
<p style="text-align: left;">“Pon-se moi famento. Póño-me a esfamear”.</p>
<p style="text-align: left;">“Sei-no”.</p>
<p style="text-align: left;">“Non podo parar. Segue empurrándo-me, facéndo-me&#8230;”.</p>
<p style="text-align: left;">Joe puido sentir a sua dor nesas palabras. E o seu medo.</p>
<p style="text-align: left;">“Estou cansa”, dixo. “Tan cansa que desexaría ir a durmir e nunca espertar. Algunha vez estiveches tan canso, Joe?”.<br />
Joe tragou cuspe outra vez. Todo o tempo, pensou, pero só asentiu. Cath mirou a outro lado e el respirou coma se estivese a esperar polo aire”.
</p>
<p style="text-align: left;">“Estou famenta”, dixo de novo.</p>
<p style="text-align: left;">“Sei-no”.</p>
<p style="text-align: left;">Os seus ollos pousaron-se nel outra vez coma unha besta no seu peito.</p>
<p style="text-align: left;">“Podería debuxar-te a ti, Joe”.</p>
<p style="text-align: left;">As mans de Joe apretaron-se sobre o volante. Cath dixéra-o do xeito que un neno te diría que se pode dar unha volta en bici ou atar-se o sapato. As liñas pasaban aprésa nas luces dos faros. Branco sobre negro, sen vermello.</p>
<p style="text-align: left;">“Non preciso nin mirar-te”, dixo ela. “Coñézo-che moi ben”.</p>
<p style="text-align: left;">Joe fitou á estrada. Non mires, pensou.</p>
<p style="text-align: left;">“Coñezo a túa face coma a miña”, dixo ela.</p>
<p style="text-align: left;">A carga da súa ollada alixeirou-se. El mirou para ela.</p>
<p style="text-align: left;">Os seus ollos estaban pechados e as súas mans movéron-se no colo, imitando os movementos ao debuxar. “Nin sequera preciso luz. Podería debuxar-te cos ollos pechados”. A súa man parou e botou a cabeza para atrás. Uns poucos minutos despois, Joe puido escoita-la respirar amodo e profundamente.</p>
<p style="text-align: left;">Así que aquí está, pensou. Sempre soubo que chegaría a isto. Isto era polo que ficara, mesmo despois de saber o que Cath era, o que facía. Temeroso de que cando marchara, cando Cath xa non-o precisara mais, ela o afogaría. Succionado á páxina de memória, logo bebería del coma con todos os outros.</p>
<p style="text-align: left;">As liñas da estrada voaban cara el coma coitelos brancos pola noite. Coitelos brancos e negrura. Só faltaba o vermello sangue. Quitando unha man do volante, tocou dentro da súa bota, percorrendo cos dedos o mango de oso do seu coitelo.</p>
<p style="text-align: left;">Uns poucos quilómetros mais adiante, atopou unha berma ancha e parou nela, apagando o motor e mais as luces<br />
Cath aínda durmía. Coas mans tremendo, Joe quitou o coitelo da bota. É autodefensa, pensou. Pero só ficou sentado suxeitando o coitelo. Era o mellor. A cantos mais ía matar ela? Pero aínda a amaba. Podería face-lo? Estaba canso, moi canso. Botou-se para atrás. Agora só durmía cando Cath o facía, cando non sentía os seus ollos. Pechou os ollos. O alento dela lle rozaba os oidos, suave e profundo, suave e profundo, suave&#8230;
</p>
<p style="text-align: left;">Joe espertou co són das riscaduras no papel. Mirou por riba. Enmarcada no luar, Cath estaba sentada encorvada sobre o seu caderno, coa man movéndo-se en pinceladas curtas e seguras.</p>
<p style="text-align: left;">“Éche moi tarde para debuxar, nonsí, Cath?”, preguntou Joe. Tiña a gorxa seca. Revolveu no colo buscando o coitelo.<br />
“Famenta”, dixo ela, a sua voz á penas audible.
</p>
<p style="text-align: left;">“Escuro tamén”, dixo el, co sangue retumbando-lle nos oídos.</p>
<p style="text-align: left;">“Non preciso luz. Debuxo de memória”, susurrou ela.</p>
<p style="text-align: left;">Debuxando de memória. Debuxándo-o a el. El soubo que estaba a lle debuxar a el. “Non, Cath”. O seu polgar atopou o botón da folla da navalla.</p>
<p style="text-align: left;">“Estou cansa de estar famenta”. Sentou-se outra vez, cos ollos no bocexo.</p>
<p style="text-align: left;">Joe non podía ver o retrato, pero mirou o lapis vermello na sua man. Ela rematara a boca. “Por favor, non-o fagas”, dixo Joe. Sentiu as meixelas frías e húmidas. Joe decatou-se de que estaba chorando.</p>
<p style="text-align: left;">Cath ergueu o papel até a súa face. Ela tamén estaba a chorar.</p>
<p style="text-align: left;">“Non!” berrou Joe. A folla da navalla abriu-se.</p>
<p style="text-align: left;">“Adeus, Joe. Sínto-o”. Cath respirou a través dos seus beizos.</p>
<p style="text-align: left;"><img class="alignright size-medium wp-image-3510" style="margin: 8px;" title="Debuxo a lapis" src="http://novafantasia.com/wp-content/uploads/lapis2-217x300.jpg" alt="Debuxo a lapis" width="217" height="300" />Joe viu unha pálida voluta erguer-se do papel e mover-se cara á súa boca. Viu a súa man agarrando o coitelo e mover-se cara adiante. Viu a folla rachar a súa camiseta branca entre as costelas.</p>
<p style="text-align: left;">Viu o vermello, o sangue vermello, manar sobre o branco da súa camiseta e mesturar-se co negro da noite e das sombras.</p>
<p style="text-align: left;">Cath deu un espasmo e caeu ao seu carón. Sorpresa mesturada con paz na súa face. “Grazas&#8230; Joe”, susurrou. Os ollos pecháron-se e a cabeza bateu cara atrás. Unha voluta de brétema fuxiu dos seus beizos. Ese son eu, pensou Joe. Saloucando, apretou os seus beizos contra os dela, chuchando o alento e a brétema gris da súa boca.</p>
<p style="text-align: left;">Amarga e ácida, a cousa queimou-lle a gorxa mentres a aspiraba. Algo ía mal. Joe sentiu a presenza de algo escuro, algo&#8230; famento.</p>
<p style="text-align: left;">Coa cabeza xirando, Joe moveu-se ao luar. O sangue empapaba a súa camisa onde Cath tropezara con el, o retrato ainda agarrado na man. Joe mirou ao bocexo e un berro formou-se na súa mente.</p>
<p style="text-align: left;">Unha face familiar devolveu-lle a mirada dende a páxina, unha face que Cath coñecía de memória. A face que millor coñecía de todas.</p>
<p style="text-align: left;">Non era a face de Joe.</p>
<p style="text-align: left;">Era a de Cath.</p>
<p style="text-align: left;">Ela non estaba a debuxa-lo a el. Ela estaba a alimentar consigo mesma á cousa que vivía dentro dela. Cath estaba a matar-se.</p>
<p style="text-align: left;">O baleiro que era a boca nos debuxos de Cath abriu-se baixo del e Joe sentiu que era succionado.</p>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;"><strong>Perdidos para ti, o que poderían ser<br />
</strong>
</p>
<p style="text-align: left;">Unha tarde de febreiro, en St. Pete’s Beach. Joe estaba sentado na súa banqueta, coas costas voltas ao solpor do Golfo. Os seus retratos xacían espallados na area ao seu redor coma os mortos nun campo de batalla. Unha muller e un home miraron para eles mentres Joe esperaba. A muller suxeitaba as mans dunha nena e dun neno. Xemelgos, supuxo Joe. Os nenos non podían ser moitos mais de sete, pensou. Lembrou cando iso podería ter sinificado algo para el, antes de que Cath morrera, antes&#8230;</p>
<p style="text-align: left;">A nena tirou da man da nai. “Todos semellan moi tristes, mamá”. A nai calou á nena mentres o pai regateaba o prezo con Joe. O día pasara amodo, así que Joe acordou facer aos dous nenos polo prezo dun.</p>
<p style="text-align: left;">Joe comezou a debuxar. A súa man chimpou sobre o papel, e as imaxes dos nenos medraron ao redor do baleiro onde debían estar as súas bocas. Unha bágoa correu abaixo pola súa meixela, pero seguiu debuxando.</p>
<p style="text-align: left;">Tiña que facelo. Estaba esfameado.</p>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: center;"><em>Fin</em></p>
<p style="text-align: center;">
<hr />
<blockquote><p><a title="Ir á Web de Doug Smith" href="http://www.smithwriter.com" target="_blank">Doug Smith</a> é un autor canadiano de fantasía e ciéncia-ficción, gañador de multitude de prémios coma o Aurora e finalista do John W. Campbell. A súas obras foron publicadas xa en 23 línguas en 28 países. <em>Coa súa man, ela succióna-te</em> apareceu publicado por primeira vez en <em>The Third Alternative </em>(nº28) no Reino Unido en 2001 e en <em>The Mammoth Book of Best New Horror, nº13</em> e  foi finalista para os prémios Aurora en 2002 ao millor relato.</p></blockquote>
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		<title>Alimentar ao gato</title>
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		<pubDate>Sun, 04 Oct 2009 23:32:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Cynthia Ward</dc:creator>
				<category><![CDATA[Relatos]]></category>
		<category><![CDATA[gatos]]></category>

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		<description><![CDATA[«Moochie, o que queres de cea?» «In-cha» «O que é iso?» «In-cha!» «Rincha? Vale». Jim abriu unha lata de comida para gatos de rincha e baleirouna na cunca. A súa mascota modificada xenéticamente cheirou o contido. «Puaf!» «Dixeches que querías cabala!» «Tuun» «Atún? Estás seguro, Moochie?» «Tuun». «Vale». Jim abriu [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-full wp-image-3480" title="Alimentar ao gato" src="http://novafantasia.com/wp-content/uploads/feed.jpg" alt="Alimentar ao gato" width="200" height="233" />«Moochie, o que queres de cea?»</p>
<p>«In-cha»</p>
<p>«O que é iso?»</p>
<p>«In-cha!»</p>
<p>«Rincha? Vale».</p>
<p>Jim abriu unha lata de comida para gatos de rincha e baleirouna na cunca. A súa mascota modificada xenéticamente cheirou o contido.</p>
<p>«Puaf!»</p>
<p>«Dixeches que querías cabala!»</p>
<p>«Tuun»</p>
<p>«Atún? Estás seguro, Moochie?»</p>
<p>«Tuun».</p>
<p>«Vale».</p>
<p>Jim abriu unha lata de comida para gatos de atún. Moochie cheirou.</p>
<p>«Xa sabes que ódio o atún!”</p>
<p>«Que é o que che gusta?”</p>
<p>«Plo!»</p>
<p>Jim botou unha lata de polo na cunca para a comida do gato.</p>
<p>«Parvo! Isto non é o que quero! Quero carne!»</p>
<p>Jim baleirou outra lata. Moochie trabouna.</p>
<p>«A carne apesta!»</p>
<p>«Moochie, ti pediches carne!»</p>
<p>«Non tal. Dá-me noxo!»</p>
<p>«Ouh, Deus. Por favor, Moochie. Por favor simplemente di-me o que queres de verdade”.</p>
<p>Cinco latas despois, Moochie estaba agachado diante da súa cunca, facendo ruidiños ao tragar.</p>
<p>Jim berrou: «O que vou facer agora con todas estas latas abertas?»</p>
<p>«Gárda-as para o almósss».</p>
<p>A mañá seguinte, Jim colleu unha lata aberta da neveira e baleirouna no prato de Moochie.</p>
<p>Moochie cheirou a comida para gatos e marchou, movendo o rabo.</p>
<p>«<span style="text-decoration: underline;">Están resesas!</span>«</p>
]]></content:encoded>
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		<item>
		<title>Onde caen os anxos</title>
		<link>http://novafantasia.com/arquivos/3459</link>
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		<pubDate>Sat, 03 Oct 2009 18:58:26 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jean-Louis Trudel</dc:creator>
				<category><![CDATA[Relatos]]></category>
		<category><![CDATA[anxos]]></category>
		<category><![CDATA[fantasía]]></category>
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		<category><![CDATA[Jean-Louis Trudel]]></category>

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		<description><![CDATA[A cidade está cuberta de anxos caídos. A meirande concentración de corpos atópa-se nos xardíns públicos baixo os outeiros. Algúns están empalados nos estadullos dos valados de ferro forxado. Outros xacen na area preto dos bambáns; vistos desde atrás, semellan estaren aniñados coma se durmisen. Na súa maior parte, son [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-full wp-image-3461" style="margin: 8px;" title="Anxos" src="http://novafantasia.com/wp-content/uploads/angel.jpg" alt="Anxos" width="154" height="241" />A cidade está cuberta de anxos caídos.</p>
<p>A meirande concentración de corpos atópa-se nos xardíns públicos baixo os outeiros. Algúns están empalados nos estadullos dos valados de ferro forxado. Outros xacen na area preto dos bambáns; vistos desde atrás, semellan estaren aniñados coma se durmisen.</p>
<p>Na súa maior parte, son os querubíns que fallaron no seu primeiro golpe de ás, convencidos de que o outro lado era tan bó coma o que xa acadaran só porque o acantilado domina por riba dos xardíns. Cando vexo eses nenos fracos caer dando voltas dende as alturas ou atópo-os crucificados na herba, decáto-me a miúdo de como os seus pequenos dedos nunca están pechados. Os recén nados moi a miúdo non saben como agarrar o que queren, nen sequera a própia vida.</p>
<p>Cando teñen mais experiéncia, os anxos prefiren despegar dende o Cabo dos Trebóns.</p>
<p>A súa rochosa columna non é tan alta coma os outeiros sobre os xardíns, pero o río é mais estreito ao pé do cabo. Os anxos que o elixen coma lugar de despegue saben que non terán que voar tan lonxe.</p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-3462" style="margin: 8px;" title="Anxos" src="http://novafantasia.com/wp-content/uploads/angel2.jpg" alt="Anxos" width="176" height="241" />Eses anxos nunca caen dentro dos límites da cidade, xa que só unha rúa se debuxa entre a costa e a parede de rocha por baixo do cabo. En cámbio, caen ás frías augas río arriba. Cando a maré empurra cara atrás a corrente do río, as amargas augas corren a través das artérias da cidade e varren aos cadavres anxélicos deixándo-os xacer no pavemento. Pero cando a preamar retrocede, o seu refluxo mistúra-se cos remuíños do río, e eu albisquei moitas veces entre os refugallos os corpos frotando dos anxos que chimparon dende o promontório. Pasan por baixo das miñas fiestras, sorrindo sereamente, para sempre de dez ou doce anos, esa idade na que é tan difícil distinguir aos nenos das nenas.</p>
<p>Os anxos mais sábios aprenden a voar xuntos a casa antes de se lanzar dende os altos cúmios. Ás veces, cando regreso do supermercado, míro-os practicando sobre os tellados, movéndo-se en eslálom entre as chemineas. Aínda así, se aprazan o seu cruce durante demasiado tempo, poden ficar exhaustos. E tamén estrelarán-se nas beirarrúas da cidade, obrigando aos viandantes a evita-los ou a pasar por riba das súas carcasas extendidas, até que a maré limpadora corra outra vez polas nosas rúas.</p>
<p>Pero os anxos mais valentes cruzan sen fallos a extensión de auga que separa a nosa cidade da outra beira. Neses días, alertados por unha ominosa premonición, todos os habitantes da cidade saen, abarrotando os balcóns e os peiraos. Xa sabemos que un anxo abarcará coas súas ás batentes a distáncia completa dende os ruinosos acantilados ás nosas costas ao mundo diante de nós. Só agardamos a rara oportunidade de ver aparecer ún, seguir o seu vóo até que acade a beira oposta, se cadra agarrar unha pruma que caiu dando voltas&#8230;</p>
<p>Pola miña banda, eu saco os meus prismáticos para ver a face do anxo. Tenso pola presión ou beatífico polo éxito anticipado, o seu rosto non amosa ningún medo. Mentres eu fique incapaz de comprender como os anxos obteñen esta abraiante intrepidez, sei que a morte non me transformará nun querubín. E continuarei temendo este vóo que só se pode intentar unha vez, rematando nas nubes sulfurosas que agochan a outra beira de nós. Seguramente non estou feito para ser un anxo, se — mentres fito os vapores que sofocan ao anxo vitorioso, ás lapas que murchan a súa pel e ennegrecen a súa inmaculada plumaxe, ás descoñecidas calceiras volcánicas preparadas para a súa cremazón — se estou atormentado pola dúbida: cando a glória é tan breve, debería o prezo ser tan alto?</p>
<p>Ao cabo, sempre rexeito e todo o que reteño é a imaxe do anxo aparentemente conxeado entre as ondas, as súas poderosas ás removendo o aire xa sulfuroso, que marchou pero que ainda non chegou.</p>
<p>&nbsp;</p>
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		<title>Viaxe por Números</title>
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		<pubDate>Fri, 11 Sep 2009 16:33:27 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gareth D Jones</dc:creator>
				<category><![CDATA[Relatos]]></category>
		<category><![CDATA[ciéncia-ficicón]]></category>

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		<description><![CDATA[Todos os outros pasaxeiros abandoaran xa o transbordador antes de que Basil desabrochara o cinto e se erguera do asento. Detestaba os espazos hacinados nos que fora obrigado a viaxar, e non podía aturar a ideia de ir ombro con ombro xunto aos seus compañeiros de viaxe. Xa era malo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-medium wp-image-3304" style="margin: 8px;" title="Viaxe por números" src="http://novafantasia.com/wp-content/uploads/readmind2-300x225.jpg" alt="Viaxe por números" width="300" height="225" />Todos os outros pasaxeiros abandoaran xa o transbordador antes de que Basil desabrochara o cinto e se erguera do asento. Detestaba os espazos hacinados nos que fora obrigado a viaxar, e non podía aturar a ideia de ir ombro con ombro xunto aos seus compañeiros de viaxe. Xa era malo abondo sentir o caótico remuíño de tantas mentes tan preto – un regalo, ou mais ben unha maldición, que o deixara demasiado consciente da sordidez da vida. Afortunadamente cando estaba preto de mais dunha parella de persoas todo se facía borroso e podía ignorar as emocións individuais. Só podía tolerar o pensamento de compartir o aire con eles porque sabía que estaba desinfectado no sistema de recirculación.</p>
<p>A sorrinte azafata fronte a el ollouno expectante mentres percorría o longo da cabina, contando cada paso que daba. Sentiu unha vaga de impaciéncia sobre el mentres se achegaba. Once pasos.</p>
<p>- Que teña un bó día &#8211; , dixo ela mentres el atravesaba a porta de saída, con coidado de non roza-la. Alívio, irritación e cansazo burbullearon nela, lapeando nos seus ombros e deminuíndo a medida que se afastaba. Vintesete pasos cara abaixo do tubo de abordaxe e sete para atravesar a zona de recepción cara o mostrador de seguridade, todo o rato tocando co dedo a identificación no peto de atrás. Atacou unha esfera de aburrimento.</p>
<p>Unha oficial que só levaba un sorriso vago estendeu a man pedíndo-lle a tarxeta de identificación. El sacouna, coidadosamente suxeita entre o polgar e a palma, parou e volveu a garda-la. Logo quitouna outra vez. E volveu garda-la. Unha Terceira vez, case a entregou na man antes de que un impulse o obrigase a garda-la. A exposición a demasiadas conciéncias dos demais, e a compulsión de manter as súas rutinas privadas: Basil non estaba seguro de cal era a causa e cal o efecto.</p>
<p>Unha curtante vaga de enfado bateu-lle enriba e o pequeno sorriso desapareceu. Entregou a tarxeta, aliviado de que se cumprise o ritual. Todos os outros pasaxeiros xa pasaran e estaban dentro do <em>Astropolis</em>, unha mistura de paixón e unha dúcia doutras emocións estourando en cada ún e disipándo-se antes de que a súa forza enteira puidese alcanza-lo. Outros dez pasos alén do mostrador, atravesou unha portiña e entrou nun corredor amplo e con luz brillante. Várias persoas pasaron na outra dirección, pero afortunadamente non foron abondo para causar unha aglomeración. As ondas das súas emocións eran mais doadas de ignorar cando os que as levaban pasaban xunto a el.</p>
<p>Un mapa do sítio na parede estaba a só seis pasos no muro. Após de secar a pantalla suavemente cun pano hixiénico, tocou o seu número de residéncia no panel. A localización do seu cuarto apareceu como un punto verde escintilando no mapa da estación. Un home alto con fasquía graxenta cun bigote caído púxo-se xunto ao cóbado de Basil, agardando o seu turno na pantalla. Un leve desacougo corría nel. Basil mirouno con irritación.</p>
<p>- Un pouco de privacidade, por favor -, dixo con dureza. O home semellou sorprendido, pero deu un paso cara atrás e unha onda de agrávio bateu en Basil un segundo despois, coma obedecendo unha das leis de Newton. Estudou os plans coidadosamente, comprobando onde estaba esta dársena en relación co seu apartamento, calculando cantos pasos habería por cada sección de corredor até que puidese estar de volta nun território mais familiar. Con tanto fóra do seu control, a súa obsesión coa exactitude dába-lle un sentimento de poder. O home do bigote tusiu impaciente, sen saber que grandes ondas da mesma emoción facían o seu tusido innecesário. Basil ignorouno, calculando os seus pasos, imbuíndo-se cun aura de calma. Trinta e seis pasos até o cruce, xirar á esquerda, catorce pasos ao ascensor. Subir dous niveis&#8230;</p>
<p><img class="size-full wp-image-3305 alignleft" style="margin: 8px;" title="Viaxe por números" src="http://novafantasia.com/wp-content/uploads/readmind1.jpg" alt="Viaxe por números" width="195" height="300" />O home do bigote deambulou á procura doutro panel, deminuindo as emocións que lapeaban as costas de Basil coma unha marea que retrocede. Basil continuou os seus cálculos até que ao cabo, en paz cos seus arredores, comezou a camiñar. Virou lixeiramente para evitar á xente ao seu encontro, con coidado de que non afectase á lonxitude dos seus pasos. As luces se apagaron.</p>
<p>Houbo saloucos e berros apagados de toda a xente arriba e abaixo polo corredor. Grandes vagas de pánico e medo asaltaron a Basil dende cada lado, batendo contra a súa mente nun ataque constante. Ninguén se moveu. Unha voz nos altofalantes xurdiu da escuridade após duns poucos segundos.</p>
<p>- Aquí o xefe de mantemento Algie Bradislaw. As luces veñen de fallar en todo o hábitat. Por favor, teñan a seguridade de que ningún outro sistema está afectado e que non hai perigo &#8211; . Houbo unha pausa. &#8211; As luces de emerxéncia xa deberían estar acesas, pero seica hai un atraso. Por favor fiquen onde están até que volvan as luces para evitar accidentes. Manterei-nos informados.</p>
<p>Houbo moitas queixas e rezongos nas figuras invisíbeis no corredor. As grandes ondas deminuíron e frontes mais pequenas de anoxo e desacougo tomaron o seu lugar. Estas axiña se misturaron nun mar ignorábel de ondas picadas e de escume dispar. Basil sorriu para si mesmo mentres continuou contando os seus pasos. Burbullas de emocións misturadas alertábano da presenza próxima dos outros, menos hixiénicos, xente que lle permitía evitar colisións. En só uns poucos intres xa fixera o seu camiño até o contorno seguro do seu apartamento onde o deseño estaba practicamente impreso na súa mente.</p>
<p>Unha hora mais tarde, os outros, menos exactos habitantes aínda ficaban sentados na negra escuridade dos corredores, ignorantes dos sentimentos dos seus veciños. Basil roncaba suavemente na súa cama inmaculadamente limpa, onde non había ninguén abondo preto para lle afectar a mente.</p>
<p style="text-align: center;">Fin</p>
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		<title>Sem acudimento</title>
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		<pubDate>Sat, 02 May 2009 11:07:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Frank Roger</dc:creator>
				<category><![CDATA[Destaques]]></category>
		<category><![CDATA[Relatos]]></category>
		<category><![CDATA[Frank Roger]]></category>

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		<description><![CDATA[Capítulo 1 Fui afora à horta por ver se a silveira precisar uma demouca, quando um homem roxo apareceu de supetão. Tão pronto como reparou em mim, berrou-me: “Acude-me, Eric. Venha ho! Esta pode ser a tua derradeira oportunidade. Não me falhes!” Fitei-no, surpreendido de mais para dar uma fala. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>Capítulo 1 </strong></p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-2633" style="margin: 8px;" title="Viaxe no tempo" src="http://novafantasia.com/wp-content/uploads/viaxe.jpg" alt="Viaxe no tempo" width="245" height="184" />Fui afora à horta por ver se a silveira precisar uma demouca, quando um homem roxo apareceu de supetão. Tão pronto como reparou em mim, berrou-me:</p>
<p>“Acude-me, Eric. Venha ho! Esta pode ser a tua derradeira oportunidade. Não me falhes!”</p>
<p>Fitei-no, surpreendido de mais para dar uma fala. Quem era este homem? Como sabia o meu nome? Como abrolhou na minha horta deste modo? E de que estava a falar?</p>
<p>“Não fiques a olhar para os minhatos, Eric!” bradou, a sua voz estarrecente, a sua face retorta de dovente. “Deus, ho! Quantas vezes temos de volver por todo isto? Seica te não acordas de mim?”</p>
<p>“Acordar-me de ti?” Barbalhoei. “Para a minha ideia, nunca na vida contigo bati. Quem és ti?”</p>
<p>“Que dizes de não teres nunca comigo batido? Ou Deus, já a cachei ! Se esta é a tua primeira vez que batemos, daquela isso quer dizer que este é o meu derradeiro arrandeo. Não há modo de ires ser quem de &#8230;”</p>
<p>Foi interrompido no meio da frase conforme piscava a sua existência, tão misteriosamente como tinha chegado. A minha horta estava como decote estivera. Acontecera todo isto realmente? Sonhara esperto ou alucinara? Aguardei uns segundos, mas a situação ficou normal. Agora, a silveira. Cecília pregara-me inspeccionar se cumpria decotá-la. Caminhei cara ao cabo da horta, desfrutando as raiolas da primavera e o ar de calmuço.</p>
<p><strong>Capítulo 2<br />
</strong><br />
À silveira cumpria-lhe aquelá-la de vez. Dei uma volta e ia de caminho cara ao palhote quando o homem roxo surdiu de novo, de supetão, “como decote”.</p>
<p>“Eric,” choromicou, “louvado seja Deus que ainda estás acó. Tens de me acudir antes que seja tarde de mais.”</p>
<p>“És ti outra volta”, respondi. “Estiveste acó há um momento. Quem és ti? Como chimpas e te esvaeces de tal modo? E por que na minha horta?».</p>
<p>“Já to disse todo isso” respondeu, acenando enfurrunhado. “Não há tempo para leriarmos sobor de todo isso mais uma vez. Preciso que me acudam, e tal semelha seres o único nesta volta.”</p>
<p>“Gostaria de ter algumas explicações primeiro.” Disse eu. “Acontece que esta é a minha horta e gostaria de saber o que estás a fazer acó.”</p>
<p>“Por Deus, Eric, estamos a estragar um tempo precioso deste jeito. Não podes simplesmente aceitar a situação tal e como é e acudires-me antes que seja tarde de mais?” Estava claramente a perder a paciência e a tornar todo alporizado, ainda que não tão arrepiado como da vez primeira. Mas, que dianho pretendia este guicho?</p>
<p>“Muito bem daquela,” disse eu. Se cadra deveria dar-lhe uma oportunidade ao homem. Depois de todo podia ser uma pessoa com creto à que verdadeiramente lhe cumpria acudir-lhe. “Que posso fazer por ti?”</p>
<p>“Olha,” disse ele, por fim soava um algo acougado. “Gostaria de que tu&#8230;” Foi interrompido no meio da frase de novo. Fitei o ar vougo e cuidei, bem, este homem parece ter um problema decerto.</p>
<p>Andei derredor e a modo cara ao palhote. Parecia como se fosse começar a trabalhar na silveira num chisquinho.</p>
<p><strong>Capítulo 3<br />
</strong><br />
Estava caminho de volta ao palhote com os meus aprechos quando o homem se apareceu à vista por terceira vez.</p>
<p>“És ti mais uma vez”, carpiu conforme me olhou.</p>
<p>“Colheste-me a palavra da boca,” respondi. “Não precisas que te acudam?”</p>
<p>“Essa é a ideia que estou a perceber. Semelha que estou a choutar de acó para acolá desde o meu ponto de origem. Não estou certo do que deu erro, mas cuido que começo a cachar a natureza da situação.”</p>
<p>“Qual é o teu ponto de origem?” Perguntei. “E o que queres dizer com choutares de acó para acolá? Como devo compreender o teu apuro?”</p>
<p>“Estou a oscilar entre coordenadas temporais. O experimento deveu atoar espectacularmente. Se não sou quem de controlar este efeito, bem poderia acabar esbandalhado, desligado da minha âncora no espaço e tempo e esvair na nada, implodir, como se nunca eu tiver existido!”</p>
<p>“Lamento não ter nem ideia do que me estás a falar. Poderias-mo repetir em termos mais leigos?”</p>
<p>“Desculpas, não há tempo para isso. De qualquer modo, não cumpre atingir completamente a minha situação para me valeres.”</p>
<p>“Daquela di-me o que achas devo fazer. E de contadinho. Tendes a aparecer e desaparecer antes que possas acabar mais de uma oração.”</p>
<p>“Sim? Queres dizer que apareço aqui de modo regular? E simplesmente por um chisco?”</p>
<p>“Exactamente.”</p>
<p>“Meu Deus! Nesse caso&#8230;” O homem liscara. Ergui os ombreiros e apanhei os meus aprechos. Melhor pôr-me a trabalhar na silveira antes de ser interrompido de novo.</p>
<p><strong>Capítulo 4<br />
</strong><br />
A silveira estava a meio aquelar quando o homem apareceu por quarta vez.</p>
<p>“Eric! Gosto de te ver de novo, ainda que não contava escorrer para acó uma outra volta.”</p>
<p>“Agora olha, não percamos tempo muito precioso. Di-me o que tenho de saber, e especialmente o que preciso para te acudir.”</p>
<p>“Acudires-me? Devo de ter feito alguns choutos inesperados no tempo, mas eu suponho que arranjarei o problema em por mim. O que te faz pensar que cumpre acudir-me?</p>
<p>“Isso é o que estás a me dizer. A primeira vez que te olhei, estavas mesmo absolutamente arrepuinhado. Agora, podemos ir ao miolo do assunto? “</p>
<p>“Queres dizer que apareci aqui por mais de alguma vez?”</p>
<p>“Sim, segues a volver aqui.”</p>
<p>O homem franziu as sobrancelhas. “Bem, isso não é boa nova. Isto só pode significar que&#8230;”</p>
<p>A sua voz esvaiu-se conforme semelhava perder-se em cavilações.</p>
<p>“Mentaste um experimento que se estragou. Não cumpre entrarmos nos detalhes, mas se é de eu te acudir, terei de saber abondo pelo menos para me guiar. Agora, se fazes o favor, di-me o que é todo isto.”</p>
<p>O homem fitou-me, aparvado. “Não me é permitido divulgar nada. Mas se te disse já todo isso, devia de estar verdadeiramente desesperado.”</p>
<p>“Disseste algo sobre choutares de acó para acolá”.</p>
<p>“Sim, bem, obviamente apenas presenciaste os chiscos que boto neste quadro temporal particular, ao raro mas abondo para te oferecer uma imagem completa desta missão, que che é um assuntinho secreto. Assim que por razões óbvias não te posso dizer o que acontece na outra beira dos meus arrandeos&#8230;”</p>
<p>O homem desapareceu, levando o seu secreto e os seus rogos de lhe acudirem com ele. O jeito em que o guicho continuava a choutar de volta, de cada vez chegando num ponto mais cedo no tempo, não era o ideal para levarmos conversações normais, para explicar situações complexas ou oferecer ajuda. Contudo, pouco lhe podia fazer eu. Tinha também que rematar a silveira.</p>
<p><strong>Capítulo 5<br />
</strong><br />
Botei-lhe uma derradeira olhada à silveira, acaroada à perfeição, e estava a piques de carrejar de volta os meus aprechos para o palhote quando o homem surdiu mais uma vez.</p>
<p>“Eis o é, outra volta,” disse eu. “Agora, como te posso acudir?”</p>
<p>“Conhezes-me?” perguntou o homem, abraiado. “Onde é que pudermos ter batido? E em que é que me queres acudir?</p>
<p>“O meu nome é Eric,” disse eu. “És um visitante regular aqui. Semelhas estar a choutar de acó para acolá no tempo, e estás a desacougar por seres acudido. Bem, estavas a primeira vez que apareceste aqui. Desde o teu ponto de vista, aquela foi a derradeira vez. Ou mais bem seria a derradeira vez. É um pouco confuso.”</p>
<p>“Não tenho nem ideia do que estás a falar,” disse o homem, olhando-me receoso. “E estou certo de não termos batido antes. Agora, se fazes o favor, gostaria de que me deixasses ficar só e não falasses mais deste, chamemos-lhe, problema temporal.”</p>
<p>“Não me podes pedir que te deixe só quando surdes deste jeito na minha horta,”, objectei. “Mas aguarda um intre, aguarda um intre.”</p>
<p>Começava a cachar o assunto. “Quando te vi da primeira volta, tu já tinhas falado comigo numa série de ocasiões, e estavas desesperado por arranjares este teu terrível problema. Sem dúvida daquela já matinaras no que estava errado e o sério que era. Mas para ti, arestora é a primeira vez, e não tens nem ideia do que me vais dizer nas vindeiras vezes sobor de experimentos secretos que amolam a um bem amolado, e provavelmente te perguntes quem sou eu e por que te estou a dizer todo isto.”</p>
<p>O homem lançou-me uma olhada irritada e disse: “Francamente, não sei o que dizer. Isto está a ir longe de mais. Agora, se fazes o favor, se me desculpas, tenho que me assegurar de&#8230;”</p>
<p>Foi interrompido outra volta, e eu estava só de novo. Agora se esta fora certamente a primeira cambadela do homem, devera não voltar a olhá-lo mais. Aguardei uns segundos, e quando nada aconteceu fui ao palhote recolher os aprechos.</p>
<p>Aparentemente estivera no certo. O homem provavelmente não havia surdir mais.</p>
<p>Entrei de volta e alanquei a pé de Cecília, justinho vinha de tomar o seu banho.</p>
<p>“Ouvi-te falar,” disse-me ela, a sua fala a lindar a preocupação. “Havia alguém na nossa horta? Quem era esse homem?”</p>
<p>“Isso tanto tem,” respondi sossegando-a. “Não há problema nenhum. Simplesmente um guicho ao que se lhe não podia acudir. Já liscou. Não tenhas carraxe”.</p>
<p style="text-align: right;"><em>Tradução de <strong>Alfonso Javier Canosa Rodríguez</strong></em></p>
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		<title>Os ventos de não-mudar</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Dec 2008 17:37:16 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Frank Roger</dc:creator>
				<category><![CDATA[Relatos]]></category>
		<category><![CDATA[fantasía]]></category>
		<category><![CDATA[Frank Roger]]></category>

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		<description><![CDATA[Este deve ser o lugar, cuidou Henry. Estacionou o seu carro na beira da estrada, saiu e rubiu amodo pelo outeiro que lhe fora descrito tantas vezes. Por fim poderia comprovar por si mesmo se havia alguma verdade nas histórias que a gente contava sobre este lugar “fantasmagórico”, onde tudo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-full wp-image-1722" style="margin: 8px;" title="arroio" src="http://novafantasia.com/wp-content/uploads/arroio.jpg" alt="arroio" width="289" height="181" />Este deve ser o lugar, cuidou Henry. Estacionou o seu carro na beira da estrada, saiu e rubiu amodo pelo outeiro que lhe fora descrito tantas vezes. Por fim poderia comprovar por si mesmo se havia alguma verdade nas histórias que a gente contava sobre este lugar “fantasmagórico”, onde tudo estava, supostamente, em moção constante, onde mudar era a única constante. Mais da gente que pensa racionalmente desentendia-se das histórias sobre o lugar como folclore supersticioso, produtos da imaginação com sentido apenas para os simples, para pessoas dadas facilmente ao voo da fantasia num esforço por escaparem da cinza monotonia e do tédio sem fim da vida diária. Sem embargo, ele seria o primeiro em demonstrar que a gente a pensar racionalmente deve aplicar o método empírico para verificar a validez de qualquer história fantástica. Desde um ponto de vista científico as crenças baseadas em noções preconcebidas e preconceitos eram tão inaceitáveis como as crenças baseadas na superstição.</p>
<p>Chegara agora ao bico do outeiro e deixou que os seus olhos percorreram a redonda que se estricava aos seus pés. Uma branha, pintegada de queirogas e salgueiros, descendia, suave, à baixa. A cem metros da sua posição avantajada um regacho estreito cortava um mando de juncos, e mais lá as queirogas e salgueiros espessavam numa fraga que cobria os rilheiros acima cara ás peniqueiras no limite da sua visão.</p>
<p>Henry apercebeu-se de que se não viam animais, exactamente como se dizia. Os animais sentiam instintivamente que algo estava errado neste lugar, segundo o conto, e evitavam-no a toda custa. De facto, não viu pássaros a baterem as asas no céu, nem esquios a brincarem a fume de caroço, nem insectos a barulharem ou bulirem ao redor. O lugar estava premonitoriamente calmo.</p>
<p>Por quê não o olhamos mais de perto –cuidou o Henry- e começou a caminhar rilheiro abaixo. Um vento lixeiro despenteou o seu fino cabelo roxo. Até aqui, tudo parecia formosamente calmo e normal. Então, onde estavam as parvas mutações que supostamente aconteciam nesta redonda? A branha, a água reluzente com o sol de manhãzinha do verão, a fraga ao longe, o céu azul e uns feixes de nuvens não pareciam serem sujeitos de mutação nenhuma. Para além da ausência de animais, até onde se podia detectar simplesmente olhando em volta, não havia nada especial neste lugar.</p>
<p>Harvey acenicou a cabeça. Deveria sabê-lo. Realmente aguardava sofrer alguma transformação mágica aqui? A normalidade ao seu redor, simplesmente, confirmava o que  decote pensara sobre o assunto. Mas ainda, agora que já se molestara em vir até aqui, poderia também caminhar um pouco ao redor e desfrutar a beleza e tranquilidade do lugar.</p>
<p>Lançou para trás o seu envolto cabelo de rastafari, atado num rabo-de-cavalo sobre as costas e desceu mais abaixo no rilheiro. Este seria um lugar ideal para um picnic, cuidou. Aqui em baixo não havia praticamente vento e estava bastante morno. Quitou a sua jaqueta de pana e colheu caminho cara ao rio. O débil fervenzar da água era o único som a romper o silêncio.</p>
<p>Harry olhou ao redor a redonda em todas as direções, mas nada mudara desde que ele chegara: a branha, o rio, a fraga nas abas das peniqueiras na distância, o céu azul, a ausência de animais. Fechou os olhos por um momento, desfrutando da energizante sensação do sol a bater na sua cabeça limpamente rasurada. Este lugar pode ser que não guarde mágia nenhuma, cuidou, mas é maravilhoso abondo o mesminho. Quitou as suas botas e meias e tripou na água fria. Era tão refrescante que quitou as calças e roupa íntima e a sua camisa quadriculada também, e lá se mergulhou durante uns minutos na água que lhe chegava até o peito.</p>
<p>Bem, cuidou Hector mentres rubia de volta sobre a erva, é tempo de voltar. Aguardou até que enxugara o seu corpo e usou a sua camiseta para secar as suas guedelhas longas até o peito, negras como o carvão. Então pôs o seu kilt, deslizou os seus pés de novo nas suas sandálias e botou o seu abrigo de pele de urso ao ombro.</p>
<p>Caminhou amodinho cara arriba até o outeiro do que vinhera. Quando chegou ao bico, Horácio virou-se e lançou-lhe uma última olhada à redonda detrás de si. A branha, o rio, a fraga e as piniqueiras estavam ainda como decote estiveram desde que chegara aqui, e provavelmente não mudaram em anos. Começou a rir e abanou a cabeça. Gente supersticiosa e simples! Pelo menos agora podia rejeitar as suas fantásticas asseverações com o argumento de que ele sabia-o melhor, porque ele estivera lá, olhara com os seus próprios olhos como realmente era.</p>
<p>Horvath desceu rapidamente o outeiro até onde estacionara o seu carro. Entrou e arrebolou o seu abrigo e a camiseta molhada no assento de atrás. É estranho, cuidou. Não estava a sentar-se comodamente, como se alguém muito mais pequeno do que ele reajustara o seu assento mentres ele estivera fora. Empurrou o assento de novo cara a sua posição regular e ligou o motor. Para a sua surpresa, os pedais de algum modo não pareciam estar onde os seus pés acostumavam atopa-los. Se cadra medraram os seus pés por se ter metido nu na água fria?</p>
<p>Estas incomodidades menores aginha foram esquecidas, porém. E agora Horvath estava voltando à casa, ledo de olhar confirmadas as suas ideias baseadas no pensamento racional.</p>
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		<title>O Horla</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Dec 2008 18:28:57 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Guy de Maupassant</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Horla]]></category>
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		<description><![CDATA[8 de maio Que fermoso día! Fiquei toda a mañán tendido sobre a herba, diante da miña casa, baixo o enorme plataneiro que a cobre, a resgarda e lle dá sombra. Adoro esta rexión e gústa-me vivir aquí porque botei raíces aquí, esas raíces profundas e delicadas que unen ao [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>8 de maio</strong></p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-1751" style="margin: 8px;" title="horla2" src="http://novafantasia.com/wp-content/uploads/horla2.jpg" alt="horla2" width="139" height="398" />Que fermoso día! Fiquei toda a mañán tendido sobre a herba, diante da miña casa, baixo o enorme plataneiro que a cobre, a resgarda e lle dá sombra. Adoro esta rexión e gústa-me vivir aquí porque botei raíces aquí, esas raíces profundas e delicadas que unen ao home coa terra onde naceron e morreron os seus avós, esas raíces que o unen ao que se pensa e ao que se come, aos costumes coma aos alimentos, aos modismos rexionais, á forma de falar dos seus habitantes, aos perfumes da terra, das aldeas e do aire mesmo.</p>
<p>Adoro a casa onde medrei. Dende as miñas fiestras vexo o Seine que corre atrás do camino, ao longo do meu xardín, case dentro da miña casa, o grande e ancho Seine, coberto de barcos, no tramo entre Rouen e Le Havre.</p>
<p>Ao lonxe e á esqueda está Rouen, a vasta cidade de tellados azuis, coas súas numerosas e agudas torres góticas, delicadas ou macizas, dominadas pola frecha de ferro da súa catedral, e povoadas de campás que tañen no aire azul das mañás fermosas enviando-me o seu suave e afastado murmúrio de ferro, o seu canto de bronce que me chega con maior ou menor intensidade segundo que a brisa aumente ou deminúa.</p>
<p>Que fermosa mañán!</p>
<p>A iso das once pasou frente á miña ventá un longo convoi de navíos arrastrados por un remolcador grande coma una mosca que arquexaba de fatiga lanzando pola súa cheminea un fume espeso. Despóis pasaron dúas goletas inglesas cuxas vermellas bandeiras flameaban sobre o fondo do ceo e un soberbo bergantín brasileiro, branco e admirábelmente limpo e relocente. Saudei o seu paso sen saber por que, pois sentín pracer ao contempla-lo.</p>
<p><strong>11 de maio</strong></p>
<p>Teño algo de febre dende hai algúns días. Sínto-me dorido ou máis ben triste. De onde veñen esas misteriosas influenzas que transforman o noso benestar en desacougo e a nosa confianza en angúria? Diría-se o que o aire, o aire invisíbel, está povoado do descoñecido, de poderes cuxa misteriosa proximidade experimentamos. Por que ao acordar sinto unha grande ledícia e gañas de cantar, e logo, despois de dar un curto paseo pola costa, volvo desolado como se me agardase unha desgraza na miña casa? Talvez unha lufada fría ao rozarme a pel alterou-me os nervos e ensombreceu-me a alma?</p>
<p>Seica a forma das nubes ou a cor tan variabel do dia ou das cousas perturbou-me o pensamento ao pasar polos meus ollos? Quen pode sabé-lo? Todo o que nos rodea, o que vemos sen ollar, o que rozamos inconscientemente, o que tocamos sen apalpar e o que atopamos sen reparar niso, ten efectos rápidos, espantosos e inexplicábeis sobre nós, sobre os nosos órganos e, por conseguinte, sobre os nosos pensamentos e o noso corazón.</p>
<p>Que profundo é o mistério do invisíbel! Non podemos explora-lo cos nosos mediocres sentidos, cos nosos ollos que non poden perceber o moi grande nin o moi pequeno, o moi próximo nin o moi afastado, os habitantes dunha estrela nin os dunha pinga de auga&#8230; cos nosos ouvidos que nos enganan, transformando as vibracións do ar en ondas sonoras, como se fosen fadas que converten miragrosamente en són ese movemento, e que mediante esa metamorfose fan xurdir a música que transforma en canto a muda axitación da natureza&#8230; co noso olfacto, mais débil có do can&#8230; co noso sentido do gusto, que á penas pode distinguir a idade dun viño.</p>
<p>Cantas cosas descobriríamos ao noso redor se tivésemos outros órganos que realizasen para nós outros milagres!</p>
<p><strong>16 de maio</strong></p>
<p>Decididamente, estou enfermo. E pensar que estaba tan ben o mes pasado!Teño febre, unha febre atroz, ou, mellor dito, unha nervosidade febril que afecta por igual a alma e o corpo.</p>
<p>Teño contínuamente a angustiosa sensación dun perigo que me ameaza, a aprensión dunha desgraza inminente ou da morte que se aproxima, o presentimento suscitado polo comezo dun mal aínda descoñecido que xermola na carne e no sangue.</p>
<p><strong>18 de maio</strong></p>
<p>Veño de consultar ao médico pois xa non podía durmir. Atopou-me o pulso acelerado, os ollos inflamados e os nervos alterados, pero ningún síntoma alarmante. Debo dar-me duchas e tomar bromuro de potásio.</p>
<p><strong>25 de maio</strong></p>
<p>Non sinto ningunha milloria! O meu estado é realmente estraño. Cando se aproxima a noite, inváde-me unha inexplicábel inquedanza, como se a noite agochase unha terríbel ameaza para min. Ceo rápidamente e logo trato de ler, pero non comprendo as palabras e á penas albisco as letras. Camiño logo dun extremo a outro da sala sentindo a opresión dun temor confuso e irresistíbel, o temor de durmir e o temor da cama. Ás dez subo ao cuarto.</p>
<p>En canto entro, dou dúas voltas á chave e corro os ferrollos; teño medo&#8230; de que?&#8230; Até agora nunca sentira temor por nada&#8230; abro os meus armários, ollo baixo da cama; escoito&#8230; escoito&#8230; o que?&#8230; Seica pode abraiar que un malestar, un trastorno da circulación, e talvez unha lixeira conxestión, unha pequena perturbación do funcionamento tan imperfecta e delicada da nosa máquina vivinte, converta nun melancólico ao mais alegre dos homes e nun covarde ao mais valente? Entón deito-me e espero o soño como se esperase ao verdugo. Espero a súa chegada con horror; o meu corazón latexa intensamente e a miñas pernas estremecen-se; todo o meu corpo treme no médio do calor da cama até o momento no que caio bruscamente no soño como se afogase nun abismo de auga estancada. Xa non sinto chegar como antes a ese soño pérfido, oculto preto do meu, que me axexa, se apodera da miña cabeza, pecha-me os ollos e me aniquila.</p>
<p>Durmo durante dúas ou tres horas, e entón non é un soño se non un pesadelo o que se apdoera de min. Sei perfectamente que estou deitado e que durmo&#8230; comprendo-o e sei-no&#8230; e sinto tamén que alguén se aproxima, ólla-me, tóca-mea, sobe sobre a cama, se axeonlla sobre o meu peito e tomando o meu pescozo entre as súas mans aperta e aperta&#8230; con todas as suas forzas para me estrangular.</p>
<p>Trato de me defender, impedido por esa impoténcia atroz que nos paraliza nos soños: quero berrar e non podo; trato de me mover e non podo; con angustiosos esforzos e xadeante, trato de me ceibar, de rexeitar ese ser que me esmaga e me asfixia, pero non podo!</p>
<p>E de pronto, acordo toleado e coberto de suor. Acendo unha lampada. Estou só.</p>
<p>Despois desa crise, que se repite todas as noites, durmo por fin tranquilamente até o mencer.</p>
<p><strong>2 de xuño</strong></p>
<p>O meu estado agravou. O que é o que teño? O bromuro e as duchas non me producen ningún efecto. Para me fatigar mais, a pesar de que xa me sentía canso, fun dar un paseo polo bosque de Roumare. Nun princípio, semellou-me que o aire suave, lixeiro e fresco, cheo de arrecendos de herbas e follas verquía un sangue novo nas miñas veas e novas enerxías no meu corazón.</p>
<p>Camiñei por unha grande avenida de caza e despois por unha estreita alameda, entre dúas ringleiras de árbores desmesuradamente altas que formaban un teito verde e espeso, case negro, entre o ceo e mais eu.</p>
<p>De pronto sentín un estremecemento, non de frío se non un estraño tremor angustioso. Apurei o paso, inquieto por me atopar só nese bosque, amedoñado sen razón polo profundo siléncio. De súpeto, semellou-me que me seguian, que alguén marchaba atrás de min, moi preto, moi preto, case pisando-me os calcañares.</p>
<p>Voltei-me cara atrás con brusquidade. Estaba só. Vin atrás de min o resto e amplo carreiro, baleiro, alto, pavorosamente baleiro; e do outro lado estendia-se tamén até perder-se de vista de modo igualmente solitário e amedoñante.</p>
<p>Pechei os ollos, por que? E púxen-me a xirar sobre un pé como un trompo. Estiven por cair; abrín os ollos: as árbores bailaban, a terra aboiaba, tiven que sentar-me. Despois xa non souben por onde chegara até alá. Que estraño! Xa non lembraba ren. Tomei cara a dereita, e cheguei á avenida que me levara ao centro do bosque.</p>
<p><strong>3 de xuño</strong></p>
<p>Pasei unha noite horríbel. Vou-me ir de aquí durante algunhas semanas. Unha viaxe breve sen dúbida acougará-me.</p>
<p><strong>2 de xullo</strong></p>
<p>Volvo restabelecido. A viaxe foi deliciosa. Visitei o monte Saint-Michel que non coñecía. Que fermosa visión se ten ao chegar a Avranches, como cheguei eu ao cair a tarde! A cidade atópa-se sobre unha cuíña. Cando me levaron ao xardín botánico, situado nun extremo da povoación, non puiden evitar un berro de admiración. Unha extensa baía estendia-se ante os meus ollos até o horizonte, entre dúas costas afastadas que se esfumaban no médio da bruma, e no centro desa inmensa baía, baixo un dourado ceo despexado, erguía-se un monte estraño, sombrío e puntiagudo nas areas da praia. O sol viña de se agochar, e no horizonte aínda vermello recurtaba-se o perfil dese fantástico alcantilado que leva no seu cúmio un fantástico monumento.</p>
<p>Ao amencer dirixin-me cara alá. O mar estaba baixo como a tarde anterior e a medida que me achegaba via erguer-se gradualmente a sorprendente abadía. Logo de várias horas de marcha, cheguei ao enorme bloque de pedra en cuxo cúmio atópa-se a pequena povoación dominada pola grande igrexa. Despois de subir pola rúa estreita e empinada, penetrei na mais admirábel morada gótica construída por Deus na terra, vasta como unha cidade, con numerosos recintos de teito baixo, como esmagados por bóvedas e galerías superiores sostidas por fráxiles columnas. Entrei nesa xigantesca xoia de granito, lixeira coma un encaixe, cuberta de torres, de esbeltos torreóns, aos cales se sobe por intrincadas escadas, que destacan no ceo azul do día e negro da noite as súas estrañas cúpulas ourizadas de quimeiras, diaños, animais fantásticos e flores monstrosas, unidas entre si por finos arcos labrados.</p>
<p>Cando cheguei ao cúmio, dixen ao monxe que me acompañaba:</p>
<p>— Que ben se debe estar aquí, padre!</p>
<p>— É-lle un lugar ben ventoso, señor — respondeu-me. E puxémo-nos a conversar mentres ollábamos subir o mar, que avanzaba sobre a praia e semellaba cubrí-la cunha coraza de aceiro.</p>
<p>O monxe refereu-me histórias, todas as vellas histórias do lugar, lendas, moitas lendas.</p>
<p>Unha delas abraiou-me moito.Os nacidos no monte aseguran que de noite se escoitan voces na praia e despois perceben-se os balidos de dúas cabras, unha de voz forte e a outra de voz débil. Os incrédulos afirman que son os graznidos das aves mariñas que se asemellan a balidos ou a queixas humanas, pero os pescadores rezagados xuran ter atopado merodeando polas dunas, entre dúas marés e ao redor da pequena povoación tan afastada do mundo, a un vello pastor cuxa cabeza nunca puideron ver por a levar cuberta coa súa capa, e diante dela marchan un macho cabrío con rostro de home e unha cabra con rostro de muller; ambos teñen longos cabelos brancos e falan sen cesar: discuten nunha língua descoñecida, interrumpendo-se de pronto para balar con todas as súas forzas.</p>
<p>— Acredita vosté niso? — preguntei ao monxe.</p>
<p>— Non lle sei — contestou-me.</p>
<p>Eu proseguín:</p>
<p>— Se existisen na terra outros seres diferentes de nós, coñeceríamo-los dende hai moito tempo; como é posíbel que non os miráramos vosté nin eu?</p>
<p>— Seica miramos — respondeu-me — a cenmilésima parte do que existe? Observe por exemplo o vento, que é a forza mais poderosa da natureza; o vento, que derruba homes e edifícios, que arrinca de callo as árbores e ergue montañas de auga no mar, que destrue os acantilados e que chimpa contra eles ás grandes naves, o vento que mata, asubía, xeme e ruxe, seica viu-no algunha vez? Seica pode-o ver? E sen embargo existe.</p>
<p>Ante este sinxelo razoamento optei por me calar. Este home podía ser un sábio ou talvez un parvo. Non podía afirma-lo con certeza, pero me chamei a silenzo. Con moita frecuéncia pensara no que me dixo.</p>
<p><strong>3 de xullo</strong></p>
<p>Durmin mal; evidentemente, hai unha influenza febril, pois o meu cocheiro sofre do mesmo mal ca eu. Onte, ao tornar, observei o seu estraño palidez. Preguntei-lle:</p>
<p>— O que ten, Jean?</p>
<p>— Xa non podo descansar; a miñas noites desgastan os meus días. Desde a partida do señor semella que padezo unha espécie de feitizo.</p>
<p>Os demáis criados están ben, pero temo que volvan as crises.</p>
<p><strong>4 de xullo</strong></p>
<p>Decididamente, as crises volven comezar. Volvo ter os mesmos pesadelos. Anoite sentín que alguén se inclinaba sobre min e coa súa boca sobre a miña, bebía a miña vida. Si, bebía-a coa mesma avidez que unha sanguesuga. Entón incorporou-se saciado, e eu acordei tan extenuado e aniquilado, que á penas podia mover-me. Se iso se prolonga durante algúns días volverei a me ausentar.</p>
<p><strong>5 de xullo</strong></p>
<p>Perdin a razón? O que pasou, o que vin anoite, é tan estraño que cando penso niso perdo a cabeza! Pechara a porta con chave, como todas as noites, e entón sentín sede, bebin médio vaso de auga e observei distraídamente que a botella estaba chea.</p>
<p>Deitei-me deseguida e caín nun dos meus horrorosos soños do cal puiden sair preto de dúas horas despois cunha abanada mais horríbel aínda. Imaxinen-se vostés un home que é asasinado mentres durme, que acorda cun coitelo chantado no peito, xadeante e coberto de sangue, que non pode respirar e que morre sen comprender o que aconteceu.</p>
<p>Despois de recobrar a razón, sentín novamente sede; acendín unha lámapda e dirixin-me cara á mesa onde deixara a botella. Erguin-a inclinando-a sobre o vaso, pero non había unha pinga de auga. Estaba baleira, ,completamente baleira! Ao princípio non comprendin nada, pero de súpeto sentín unha emoción tan atroz que tiven que sentar-me ou, mellor dito, caín sobre unha cadeira.</p>
<p>Entón incorporei-me dun salto para ollar ao meu o redor. Despois volvín sentar-me diante do cristal transparente, cheo de abraio e terror. Fitába-o, tratando de imaxinar o que pasara. A miñas mans tremían. Quen se bebera a auga? Eu, eu sen dúbida. Quen podía ter sido se non eu? Entón&#8230; eu era sonámbulo, e vivía sen o saber esa dobre vida misteriosa que nos fai pensar que hai en nós dous seres, ou que ás veces un ser estraño, descoñecido e invisíbel anima, mentres durmimos, o noso corpo cativo que lle obedece como a nós e mais que a nós.</p>
<p>Ah! Quen poderá comprender a miña abominábel angúria? Quen poderá comprender a emoción dun home mentalmente san, perfectamente cordo e no uso de razón ao contemplar horrorizado unha botella que se baleirou mentres durmía? E así fiquei até o amencer sen me atrever a volver á cama.</p>
<p><strong>6 de xullo</strong></p>
<p>Perdo a razón. Pola noite tamén beberon a auga da botella, ou talvez a bebín eu!</p>
<p><strong>10 de xullo</strong></p>
<p>Acabo de facer espantosas comprobacións. Decididamente estou tolo! E sen embargo&#8230;</p>
<p>O 6 de xullo, antes de me deitar puxen sobre a mesa veu, leite, auga, pan e amorodos. Beberon — ou bebín — toda a auga e un pouco de leite. Non tocaron o viño, nin o pan nin os amorodos.</p>
<p>O 7 de xullo repetín a proba con idénticos resultados.</p>
<p>O 8 de xullo suprimín a auga e mais o leite, e non tocaron ren.</p>
<p>Por último, o 9 de xullo puxen sobre a mesa soamente a auga e o leite, tendo especial coidado de envolver as botellas con lenzos de muselina branca e de atar os tapóns. Entón esfreguei-me con grafito os beizos, a barba e as mans e deitei-me.</p>
<p>Un soño irresistíbel apoderou-se de min, seguido pouco despois polo atroz acordar. Non me movera; nin sequera a miñas sabas estaban manchadas. Corrín cara a mesa. Os lenzos que envolvían as botellas seguían limpos e inmaculados. Desatei os tapóns, palpitante de emoción.</p>
<p>Beberan toda a auga e todo o leite! Ah! Deus meu…!</p>
<p>Partirei de seguido cara París.</p>
<p><strong>12 de xullo</strong></p>
<p>París. Estes últimos días perdera a cabeza. Talvez fun xoguete da miña enervada imaxinación, salvo que eu sexa realmente sonámbulo ou que sofrese unha desas influenzas comprobadas, pero até agora inexplicábeis, que se chaman suxestións. De todos modos, o meu extravío riscaba na deméncia, e abondaron vintecatro horas en París para recobrar a cordura. Onte, despois de paseos e visitas, que me renovaron e vivificaron a alma, acabei o dia no Théatre-Francais. Representába-se unha peza de Alexandre Dumas fillo. Este autor vivaz e vigoroso acabou de me curar. É evidente que a soidade resulta perigosa para as mentes que pensan de mais. Necesitamos ver ao noso redor a homes que pensen e falen.</p>
<p>Cando ficamos sós durante moito tempo, povoamos de fantasmas o baleiro.</p>
<p>Volvín moi ledo ao hotel, camiñando polo centro. Ao me axuntar coa multitude, pensei, non sen retranca, nos meus terrores e suposicións da semana pasada, pois crin, si, crin que un ser invisíbel vivía baixo o meu teito. Que débil é a nosa razón e que axiña extravia-se cando nos estremece un feito incomprensibel.</p>
<p>En lugar de rematar con estas simples palabras : «Eu non comprendo porque non podo explicar-me as causas», imaxinámo-nos deseguida impresionantes mistérios e poderes sobrenaturais.</p>
<p><strong>14 de xullo</strong></p>
<p>Festa da República.paseei polas rúas. Os foguetes e bandeiras divertiron-me como a un neno.Sen embargo, semella-me unha parvada pór-se ledo un dia determinado por decreto do governo. O povo é un rebaño de parvos, ás veces parvo e paciente, e outras, feroz e rebelde. Di -se-lle: «Diverte-te». E diverte-se. Di -se-lle: «Vai combater co teu veciño». E vai combater. Di-se-lle: «Vota polo emperador». E vota polo emperador. Despois: «Vota pola República». E vota pola República.</p>
<p>Os que o dirixen son igualmente parvos, pero en lugar de obedecer a homes ateñen-se a princípios, que polo mesmo que son princípios só poden ser nécios, estériles e falsos, é dicir, ideas consideradas certas e inmudábeis, tan fóra deste mundo onde nada é seguro e onde a luz e o són son ilusórios.</p>
<p><strong>16 de xullo</strong></p>
<p>Onte vin cousas que me preocuparon moito. Ceei na da miña curmá, a señora Sabel, casada co xefe do reximento 76 de cazadores de Limoges. Coñecin alá a dúas señoras xoves, casada unha delas co doutor Parent que se adica intensamente ao estudo das enfermidades nervosas e dos fenómenos extraordinários que hoxe dan orixe ás experiéncias sobre hipnotismo e suxestión.</p>
<p>Referiu-nos detalladamente os prodixiosos resultados obtidos polos sábios ingleses e polos médicos da escola de Nancy. Os feitos que expuxo me semellaron tan estraños que manifestei a miña incredulidade.</p>
<p>— Estamos por descubrir un dos mais importantes segredos da naturaleza — dicía o doutor Parent—, é dicir, un dos seus mais importantes segredos aquí na terra, posto que hai evidentemente outros segredos importantes nas estrelas. Desde que o home pensa, desde que aprendeu a expresar e a escribir o seu pensamento, sínte-se tocado por un mistério impenetrabel para os seus sentidos groseiros e imperfeitos, e trata de suprir a impoténcia de ditos sentidos mediante o esforzo da sua intelixéncia. Cando a intelixéncia ficaba aínda nun estado rudimentário, a obsesión dos fenómenos invisíbeis adquiría formas comunmente terroríficas.</p>
<p>«Daí as crenzas populares no sobrenatural. As lendas das almas en pena, as fadas, os gnomos e os aparecidos; atrevería-me a mencionar mesmo a lenda de Deus, pois as nosas concepcións do artífice creador de calquera relixión son as invencións mais mediocres, estúpidas e inaceptábeis que poden saír da mente amedoñada dos homes. Nada é mais certo que este pensamento de Voltaire: «Deus fixo ao home á súa imaxe e semellanza pero o home tamén procedeu así con el».</p>
<p>«Pero desde fai algo mais dun século, semella perceber-se algo novo. Mèsmer e algúns outros sinalan-nos un novo camiño e, efectivamente, sobre todo desde fai catro ou cinco anos, obtiveron-se espantosos resultados.</p>
<p>A miña curmá, tamén moi incrédula, sorría. O doutor Parent dixo-lle:</p>
<p>— Quere que a hipnotice, señora?</p>
<p>— Si; semella-me ben.</p>
<p>Ela sentou nun sillón e el comezou a fita-la. De improviso, dominou-me a turbación, o meu corazón latexaba con forza e sentía unha opresión na gorxa. Vía pechar-se pesadamente os ollos da señora Sabel, e a súa boca se crispaba e semellaba arquexar. Ao cabo de dez minutos durmía.</p>
<p>— Póña-se atrás dela —díxo-me o médico.</p>
<p>Obedecín a súa indicación, e el colocou nas mans da miña curmá un cartón de visita ao tempo que lle dicia: «Isto é un espello; o que ve nel?»</p>
<p>— Vexo a meu curmán — respondeu.</p>
<p>— O que fai?</p>
<p>— Atusa o bigote.</p>
<p>— E agora?</p>
<p>— Quita unha fotografía do peto.</p>
<p>— Quen aparece na fotografía?</p>
<p>— El, o meu curmán.</p>
<p>Era certo! Esa mesma tarde entregaran-me esa fotografía no hotel.</p>
<p>— Como aparece nese retrato?</p>
<p>— Atópa-se de pé, co chapeu na man. Evidentemente, vía nese cartón de cartulina o que miraría nun espello.</p>
<p>As damas dicían horrorizadas: «Abonda! Abonda, por favor!»</p>
<p>Pero o médico ordenou: «Vosté erguerá-se mañá ás oito; logo irá ver ao seu curmán ao hotel onde se aloxa, e lle pedirá que lle empreste os cinco mil francos que lle pide o seu esposo e que lle reclamará cando volva da súa próxima viaxe». Entón espertou-na.</p>
<p>Mentres volvía ao hotel pensei nesa curiosa sesión e me asaltaron dúbidas, non sobre a insuspeitábel e total boa fe da miña curmá a quen coñecía desde a infáncia como a unha irmá, se non sobre a seriedade do médico. Non agocharía na súa man un espello que mostraba á xoven durmida, ao mesmo tempo que o cartón? Os prestidixitadores profisionais fan cousas semellantes.</p>
<p>Non ben volvín deitei-me.</p>
<p>Pero ás oito e media da mañá espertou-me o meu criado e dixo-me:</p>
<p>— A señora Sabel quere falar de contado co señor.</p>
<p>Vestin-me de présa e fíxen-a pasar.</p>
<p>Sentou moi turbada e dixo-me sen erguer a ollada nen sacar o veo:</p>
<p>— Querido curmán, teño que lle pedir un grande favor.</p>
<p>— De que se trata, curmá?</p>
<p>— Cústa-me moito dici-lo, pero non teño mais remédio. Necesito urxentemente cinco mil francos.</p>
<p>— Pero como! E logo vosté?</p>
<p>— Si, eu, ou mellor dito o meu esposo, que me encarregou conseguí-los.</p>
<p>Fiquei tan abraiado que á penas podía balbucir as miñas respostas. Pensaba que ela e o doutor Parent estaban a se burlar de min, e que iso podía ser unha mera farsa preparada de antemán e representada á perfección. Pero todas a miñas dúbidas disiparon-se cando a fitei. Tremia de angustia. Evidentemente esta xestión resultaba-lle moi penosa e advertín que á penas podía reprimir o pranto.</p>
<p>Sabía que era moi rica e dixen-lle:</p>
<p>— Como é posíbel que o seu esposo non dispoña de cinco mil francos? Reflexione.Está segura de que lle encarregou pedir-mos a min?</p>
<p>Vacilou durante algúns segundos como se lle custase moito lembrar, e entón respondeu:</p>
<p>— Si&#8230; si&#8230; estou segura.</p>
<p>— Escribeu-lle?</p>
<p>Vacilou outra vez e volveu pensar. Advertin o penoso esforzo da súa mente. Non sabia. Só lembraba que debía pedir-me ese empréstito para o seu esposo. Por conseguinte, decidiu-se a mentir.</p>
<p>— Si, escribeu-me.</p>
<p>— Cando? Onte non me dixo ren.</p>
<p>— Recibí a súa carta esta mañá.</p>
<p>— Pode amosar-ma ?</p>
<p>— Non, non&#8230; contiña cousas íntimas&#8230; demasiado persoais&#8230; e hei-na&#8230; queimei-na.</p>
<p>— Así que o seu home ten débedas.</p>
<p>Vacilou unha vez mais e entón bisbillotou:</p>
<p>— Non sei.</p>
<p>Dixen-lle: — Pero neste momento, querida curmá, non dispoño de cinco mil francos.</p>
<p>Deu unha espécie de berro de desesperación:</p>
<p>— Ai! Por favor! Rogo-llo! Trate de os conseguir &#8230;</p>
<p>Exaltada, unía as súas mans como se se tratase dun rogo. A súa voz mudou de ton; choraba bisbillotando cousas inintelixibeis, molesta e dominada pola orde irresistíbel que recebira.</p>
<p>— Ai! Suprico-lle&#8230; se soubese como sofro&#8230; precíso-os para hoxe. &#8211; Sentin piedade por ela.</p>
<p>— Terá-os de calquera maneira. Prometo-llo.</p>
<p>— Oh! Grazas, grazas! Que bondadoso é vosté!</p>
<p>— Lembra o que pasou onte á noite na súa casa? — preguntei-lle entón.</p>
<p>— Si.</p>
<p>— Lembra que o doutor Parent hipnotizou-na?</p>
<p>— Si.</p>
<p>— Pois ben, foi el quen lle ordenou vir esta mañá a me pedir cinco mil francos, e neste momento vosté obedece á súa suxestión.</p>
<p>Reflexionou durante algúns intres e entón respondeu:</p>
<p>— Pero é o meu esposo quen mos pide. Durante unha hora tratei infrutuosamente de convencé-la . Cando marchou, corrín á do doutor Parent. Dixo-me:</p>
<p>— Convenceu-se agora?</p>
<p>— Si, non hai mais remédio que crer.</p>
<p>— Imos ver á súa curmá.</p>
<p>Cando chegamos durmía nun sofá, rendida polo cansazo.O médico tomou-lle o pulso, ollou-na durante algún tempo cunha man estendida cara os seus ollos que a rapaza pechou por mor do ao influxo irresistíbel do poder magnético.</p>
<p>Cando durmiu, o doutor Parent lle dixo:</p>
<p>— O seu esposo non precisa os cinco mil francos! Polo tanto, vosté debe esquecer que rogou ao seu curmán para que llos empreste, e se lle fala diso, vosté non comprenderá.</p>
<p>Entón espertouna. Logo quitei a miña billeteira.</p>
<p>— Aquí ten, querida curmá.O que me pediu esta mañá.</p>
<p>Mostrou-se tan abraiada que non me atrevín a insistir. Tratei, sen embargo, de refrescar a súa memória, pero negou todo , crendo que me burlaba, e pouco faltou para que se anoxase.</p>
<p>&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;&#8230;.</p>
<p>Veño de regresar. A experiéncia abraiou-me tanto que non puiden xantar.</p>
<p><strong>19 de xullo</strong></p>
<p><img class="alignright size-medium wp-image-1752" style="margin: 8px;" title="horla1" src="http://novafantasia.com/wp-content/uploads/horla1-300x226.jpg" alt="horla1" width="300" height="226" />Moitas persoas a quen referín esta aventura se riron de min. Xa non sei o que pensar. O sábio dixo: «Quizais».</p>
<p><strong>21 de xullo</strong></p>
<p>Ceei en Bougival e despois estiven no baile dos remeiros. Decididamente, todo depende do lugar e do medio. Acreditar no sobrenatural na illa da Grenouillère seria o colmo do desatino&#8230; pero, non é asi no cúmio do monte Saint-Michel, e na Índia? Sufrimos a influencia do que nos rodea. Regresarei a casa a semana próxima.</p>
<p><strong>30 de xullo</strong></p>
<p>Onte regresei a casa. Todo está ben.</p>
<p><strong>2 de agosto</strong></p>
<p>Non hai novidades. Fai un tempo espléndido. Paso os días ollando correr o Seine.</p>
<p><strong>4 de agosto</strong></p>
<p>Hai problemas entre os meus criados. Aseguran que alguén rompe os vasos nos armários pola noite. O mordomo acusa á cociñeira e ésta á lavandeira quen á súa vez acusa aos dous primeiros. Quen é o culpabel? O tempo dirá-o.</p>
<p><strong>6 de agosto</strong></p>
<p>Esta vez non estou tolo. Vin-o &#8230;vin-o! Xa non teño a menor dúbida&#8230; vin-o!</p>
<p>Ainda sinto frío até nas uñas&#8230; o medo penétra-me até a médula&#8230; Vin-o!&#8230;</p>
<p>Ás duas da tarde paseaba a pleno sol polo meu rosal; camiñaba polo carreiro de roseiras de outono que comezan a florecer. Detíven-me a observar un fermoso exemplar de géant deas batailis, que tiña tres flores magníficas, e vin entón con toda claridade preto de min que o tallo dunha das rosas se dobraba como movido por unha man invisíbel: entón, vin que se quebraba como se a mesma man o curtase! Entón a flor ergueu-se, seguindo a curva que describiría un brazo ao levar á cara unha boca e permaneceu suspendido no ar transparente, moi só e inmóbel, coma unha pavorosa mancha a tres pasos de min.</p>
<p>Azorado, chimpei sobre ela para a tomar . Pero non puiden facé-lo: desaparecera. Sentín entón raiba contra min mesmo, pois non é posíbel que unha persoa razoábel teña semellantes alucinacións. Pero, tratábase realmente dunha alucinación? Voltei cara a roseira para buscar o tallo curtado e de seguido atopei-no, recén curtado, entre as dúas rosas que ficaban na póla. Regresei entón a casa coa mente alterada; en efecto, agora estou convencido, seguro coma da alternáncia dos días e as noites, de que existe preto de min un ser invisíbel, que se alimenta de leite e auga, que pode tocar as cousas, tomá-las e mudá-las de lugar; dotado, por conseguinte, dun corpo material aínda que imperceptíbel para os nosos sentidos, e que habita na miña casa coma min&#8230;</p>
<p><strong>7 de agosto</strong></p>
<p>Durmín repousadamente. Bebeu a auga da botella pero non perturbou o meu soño. Pregunto-me se estou tolo. Cando ás veces paseo a pleno sol, ao longo da costa, dubidaba da miña razón; non son xa dúbidas incertas como as que tiven até agora, se non dúbidas precisas, absolutas. Vin tolos. Coñecín algúns que seguían sendo intelixentes, lúcidos e sagaces en todas as cousas da vida menos nun punto. Falaban de todo con claridade, facilidade e profundidade, pero de pronto o seu pensamento chocaba contra o escollo da tolémia e facía-se anacos, voaba en fragmentos e afundía-se nese océano sinistro e furioso, cheo de ondas fragorosas, brumosas e borrascosas que se chama «demencia».</p>
<p>Certamente, estaría convencido da miña tolémia, se non tivese perfecta conciéncia do meu estado, ao examiná-lo con toda lucidez. En suma, eu só sería un alucinado que razoa. Produciría-se na miña mente un deses trastornos que hoxe tratan de estudar e precisar os fisiólogos modernos, e dito trastorno provocaría en min unha profunda ruptura no referinte ao orde e á lóxica das ideas. Fenómenos semellantes producen-se no soño, que nos mostra as fantasmagorías mais inverosímiles sen que iso nos sorprenda, porque mentres dorme o aparello verificador, o sentido do controlo, a faculdade imaxinativa vixía e traballa. Seica deixou de funcionar en min unha das imperceptíbeis teclas do teclado cerebral? Hai homes que a raíz de accidentes perden a memória dos nomes próprios, das cifras ou só das datas.Hoxe comprobou-se a localización de todas as partes do pensamento. Non pode sorprender entón que neste momento deminuíse a miña faculdade de controlar a irrealidade de certas alucinacións.</p>
<p>Pensaba en todo iso mentres camiñaba pola beira do río. O sol iluminaba a auga, os seus lóstregos embelecían a terra e enchían os meus ollos de amor pola vida, polas andoriñas cuxa axilidade constitúe para min un motivo de alegría, polas herbas da beira cuxo estremecemento é un pracer para os meus ouvidos.</p>
<p>Sen embargo, paulatinamente invadia-me un malestar inexplicábel. Semellaba-me que unha forza descoñecida detiña-me, paralizaba-me, impedindo-me avanzar, e que trataba de me voltar atrás. Sentín ese doloroso desexo de volver que nos esmaga cando deixamos na nosa casa a un enfermo querido e presentimos unha agravación do mal.</p>
<p>Regresei entón, a pesar meu, convencido de que atoparía en casa unha mala nova, unha carta ou un telegrama. Nada diso había, e fiquei mais sorprendido e inquieto aínda que se tivese unha nova visión fantástica.</p>
<p><strong>8 de agosto</strong></p>
<p>Pasei unha noite horríbel. El non apareceu mais, pero o sinto preto de min. Espía-me, Ólla-me, introdúce-se en min e domina-me. Así me resulta mais temíbel, pois ao agochar-se deste modo semella manifestar a súa presenza invisíbel e constante mediante fenómenos sobrenaturais. Sen embargo puiden durmir.</p>
<p><strong>9 de agosto</strong></p>
<p>Nada aconteceu. Pero teño medo.</p>
<p><strong>10 de agosto</strong></p>
<p>Nada: o que acontecerá mañá?</p>
<p><strong>11 de agosto</strong></p>
<p>Nada, sempre nada; non podo ficar aquí con este medo e estes pensamentos que dominan a miña mente; vou-me.</p>
<p><strong><br />
12 de agosto, 10 da noite</strong></p>
<p>Durante todo o dia tratei de partir, pero non puiden. Tentei realizar ese acto tan doado e simples — sair, subir no meu coche para me dirixir a Rouen — e non puiden. Por que?</p>
<p><strong>13 de agosto</strong></p>
<p>Cando nos atacan certas enfermidades os nosos mecanismos físicos semellan fallar. Sentimos que nos faltan as enerxías e que todos os nosos músculos se releixan; os ósos semellan tan moles como a carne e a carne tan líquida como a auga. Todo iso repercute no meu espírito de maneira estraña e desoladora. Carezo de forzas e de valor; non podo dominar-me e nen sequera podo facer intervir a miña vontade. Xa non teño iniciativa; pero alguén fai-no por min, e eu obedezo.</p>
<p><strong>14 de agosto</strong></p>
<p>Estou perdido! Alguén domina a miña alma e dirixe-a! Alguén ordena todos os meus actos, os meus movementos e os meus pensamentos. Xa non son nada en min; non son mais ca un espectador prisioneiro e aterrorizado por todas as cousas que realizo. Quero saír e non podo. El non quere e teño que ficar-me, azorado e tremoroso, no sillón onde me obriga a sentar-me. Só desexo erguer-me, incorporar-me para me sentir aínda dono de min. Pero non podo! Estou chantado no meu asento, e o meu sillón adere-se ao chan de tal modo que non habería forza capaz de nos mover.</p>
<p>De súpeto, sinto a irresistíbel necesidade de ir ao horto a cortar amorodos e comé-los. E vou.</p>
<p>Corto amorodos e cómo-os. Oh Deus meu! Deus meu! Será seica un Deus? Se o é, salvade-me! Librade-me! Socorrede-me! Perdón! Piedade! Misericórdia! Salvade-me! Oh, que sufrimento! Que suplício! Que horror!</p>
<p><strong>15 de agosto</strong></p>
<p>Evidentemente, así estaba posuída e dominada a miña curmá cando foi a me pedir cinco mil francos. Obedecía a un poder estraño que penetrara nela como outra alma, coma unha alma parásita e dominadora. É seica a fin do mundo? Pero, quen é o ser invisíbel que me domina? Quen é ese descoñecido, ese merodeador dunha raza sobrenatural?</p>
<p>Por conseguinte, os invisíbeis existen! Pero como é posíbel que aínda non se manifestaran dende a orixe do mundo nunha forma tan evidente coma se manifestan en min? Nunca lin nada que se asemellara ao que aconteceu na miña casa. Se puidese abandoná-la, ir-me, fuxir e non volver mais, me salvaría, pero non podo.</p>
<p><strong>16 de agosto</strong></p>
<p>Hoxe puiden escapar durante dúas horas, como un preso que atopa casualmente aberta a porta do seu calabozo. De pronto, sentín que estaba libre e que el se achaba lonxe. Ordenei xunguir os cabalos axiña e dirixín-me a Rouen. Que alegría poder dicir-lle a un home que obedece: «Imos a Rouen!».</p>
<p>Fixen deter a marcha fronte á biblioteca onde solicitei en empréstito o grande tratado do doutor Hermann Herestauss sobre os habitantes descoñecidos do mundo antigo e moderno. Despois, cando me dispuña a subir ao meu carro, quixen dicir: «Á estación!» e berrei — non dixen, berrei — cunha voz tan forte que chamou a atención dos transeúntes: «A casa», e caín pesadamente, tolo de angustia, no asento. El atopara-me e voltaba a se posesionar de min.</p>
<p><strong>17 de agosto</strong></p>
<p>Ah! Que noite! Que noite! E sen embargo semella-me que deberia alegrar-me . Lin até a unha da madrugada. Hermann Herestauss, doutor en filosofía e en teogonía, escribiu a história e as manifestacións de todos os seres invisíbeis que merodean ao redor do home ou foron soñados por el. Describe as súas orixes, os seus domínios e os seus poderes. Pero ningún deles semella-se ao que me domina. Diría-se que o home, desde que puido pensar, presentiu e temeu a presenza dun ser novo mais forte ca el — o seu sucesor no mundo — e que como non puido prever a natureza deste amo, creou, en medio do seu terror, todo ese mundo fantástico de seres ocultos e de pantasmas misteriosas xurdidas do medo. Despois de ler até a unha da madrugada, sentei xunto á miña xanela aberta para me refrescar a cabeza e o pensamento coa apacíbel brisa da noite. Era unha noite fermosa e tépeda, que noutra ocasión me gustaría moito. Non había lúa. As estrelas brillaban nas profundidades do ceo con estremecedores lóstregos.</p>
<p>Quen vive naqueles mundos? Que formas, que seres viventes, animais ou plantas, existirán alá? Os seres pensantes deses universos, serán mais sábios e mais poderosos ca nós? Coñecerán o que nós ignoramos? Talvez calquera destes días un deles atravesará o espazo e chegará á Terra para conquista-la, así como antigamente os normandos sometían ás aldeas mais débiles.</p>
<p>Estamos tan indefensos, inermes, ignorantes e pequenos, sobre este anaco de lama que xira disolto nunha pinga de auga.</p>
<p>Pensando niso, adurmiñei-me en medio do fresco vento da noite.</p>
<p>Pero despois de durmir uns corenta minutos, abrín os ollos sen facer un movemento, esperto por non sei que emoción confusa e estraña. Nun princípio non vin nada, pero de pronto semellou-me que unha das páxinas do libro que deixara aberto sobre a mesa acababa de se da volta soa. Non entraba ningunha corrente de ar pola xanela. Esperei, surprendido. Ao cabo de catro minutos, vin, si, vin cos meus próprios ollos, que unha nova páxina se erguia e caía sobre a outra, como movida por un dedo. O meu sillón estaba baleiro, aparentemente estaba baleiro, pero comprendín que el estaba a ler alá, sentado no meu lugar. Cun furioso chimpo, un chimpo de fera irritada que se rebela contra o domador, atravesei o cuarto para atrapa-lo, estrangulá-lo e matá-lo! Pero antes de que chegase, o sillón caiu diante de min como se el fuxise&#8230; a mesa abalou, a lámpada rodou polo chan e apagou-se, e a xanela pechou-se como se un malfeitor surprendido escapase pola escuridade, tomando con ambas mans os batentes.</p>
<p>Escapara; sentira medo, medo de min!</p>
<p>Entón, mañá&#8230; pasado mañá ou calquera a destes&#8230; poderei té-lo baixo os meus puños e esmagá-lo contra o chan. Seica ás veces os cans non morden e degolan aos seus amos?</p>
<p><strong><br />
18 de agosto</strong></p>
<p>Pensei durante todo o dia. Oh!,si, vou obedece-lo , seguirei os seus impulsos, cumprirei os seus desexos, serei humilde, submiso e covarde. El é mais forte. Até que chegue o momento&#8230;</p>
<p><strong>19 de agosto</strong></p>
<p>Xa sei&#8230; xa sei todo! Acabo de ler o que segue na Revista do Mundo Científico: «Nos chega unha nova moi curiosa de Rio de Janeiro. Un andazo de tolémia, comparábel ás demencias contaxiosas que asolaron aos povos europeos na Idade Media, se produciu no Estado de San Paulo. Os habitantes despavoridos abandoan as súas casas e foxen dos aldeas, deixan os seus cultivos, crendo-se posuídos e dominados, coma un rebaño humano, por seres invisíbeis aínda que tanxíbeis, por espécies de vampiros que se alimentan das súas vidas mentres os habitantes dormen, e que ademais beben auga e leite sen lles apetecer aparentemente ningún outro alimento. «O profesor don Pedro Henriques, en compañía de vários médicos eminentes, partiu para o Estado de San Paulo, a fin de estudar sobre o terreo a orixe e as manifestacións desta espantosa tolémia, e poder aconsellar ao Emperador as medidas que xulgue convenientes para apaciguar aos delirantes povoadores».</p>
<p>Ah! Agora lembro o fermoso bergantín brasileiro que pasou fronte ás miñas xanelas remontando o Seine, o 8 de maio último! Semellou-me tan fermoso, branco e alegre. Alá estaba el que viña de lonxe, do lugar de onde é orixinária a súa raza! E viu-me! Viu tamén a miña branca vivenda, e saltou do navio á costa. Oh Deus meu!</p>
<p>Agora xa o sei e o presinto: o reinado do home rematou.</p>
<p>Veu aquel que inspirou os primeiros terrores dos povos primitivos. Aquel que exorcizaban os sacerdotes inquietos e que invocaban os meigos nas noites escuras, aínda que sen o ver inda. Aquel a quen os presentimentos dos transitórios donos do mundo adxudicaban formas monstruosas ou graciosas de gnomos, espíritos, xénios, fadas e trasnos.</p>
<p>Despois das groseiras concepcións do horror primitivo, homes mais perspicaces presentírono con maior claridade. Mèsmer suspeitaba-o, e fai xa dez anos que os médicos descubriron a natureza do seu poder de maneira precisa, antes de que el mesmo puidese exercé-lo.</p>
<p>Xogaron coa arma do novo Señor, cunha faculdade misteriosa sobre a alma humana. Denominárona magnetismo, hipnotismo, suxestión&#8230; o que sei eu! Vin-os divertir-se como nenos imprudentes con este terríbel poder! Desgrazados de nós! Desgrazado do home!</p>
<p>Chegou o &#8230; o&#8230; como se chama?&#8230; o&#8230; seica coma se me berrase o seu nome e non o ouvise&#8230; o&#8230; si&#8230; berra&#8230; Escoito&#8230; como?&#8230; repite&#8230; o&#8230; Horla&#8230; ouvin&#8230; o Horla&#8230; é el&#8230; o Horla&#8230; chegou!&#8230;</p>
<p>Ah! O buitre comeu-se á pomba, o lobo devorou ao año; o león devorou ao búfalo de agudos cornos: o home deu morte ao león coa frecha, o puñal e a pólvora, pero o Horla fará co home o que nós fixemos co cabalo e o boi: converterá-o na súa cousa, o seu servidor e o seu alimento, polo só poder da súa vontade.</p>
<p>Desgrazados de nós!</p>
<p>Non obstante, ás veces o animal se rebela e mata a quen o domestica&#8230; eu tamén quero&#8230; eu podería facer o mesmo&#8230; pero primeiro hai que coñecé-lo, tocá-lo e vé-lo. Os sábios afirman que os ollos dos animais non distinguen as mesmas cousas cós nosos&#8230; E os meus ollos non poden distinguir ao recén chegado que me esmaga. Por que? Oh! Lembro agora as palabras do monxe do monte Saint-Michel: «Seica vemos a cenmilésima parte do que existe? Observe, por exemplo, o vento que é a forza mais poderosa da natureza, o vento que derruba homes e edifícios, que arrinca de callo as árbores, e ergue montañas de auga no mar, que destrue os acantilados e chimpa contra eles ás grandes naves; o vento, que asubía, xeme e ruxe. Seica viu-no vosté algunha vez? Seica pode vé-lo ? E sen embargo existe!»</p>
<p>E eu seguía pensando: os meus ollos son tan débiles e imperfectos que nin sequera distinguen os corpos sólidos cando son transparentes coma o vidro&#8230; Se un espello sen mercúrio o meu camiño chocarei contra el como o paxaro que penetra nun cuarto e racha a cabeza contra os vidros. Polo demáis, mil cousas enganan-nos e desorientan. Non pode estrañar entón que o home non saiba percibir un corpo novo que atravesa a luz.</p>
<p>Un ser novo! Por que non? Non podía deixar de vir! Por que nós íamos ser os últimos? Nós non os distinguimos pero tampouco nos distinguían os seres criados antes ca nós. Iso explica-se porque a súa natureza é mais perfecta, mais elaborada e mellor acabada cá nosa, tan endébel e torpemente concebida, trabado por órgaos sempre fatigados, sempre forzados como mecanismos demasiado complexos, que vive coma unha planta ou coma un animal, nutrindo-se penosamente de aire, herba e carne, máquina animal acosada polas enfermidades, as deformacións e as putrefaccións; que respira con dificuldade, imperfeita, primitiva e estraña, enxeñosamente mal feita, obra groseira e delicada, bosquexo do ser que podería converter-se en intelixente e poderoso.</p>
<p>Existen moitas espécies neste mundo, desde a ostra ao home. Por que non podería aparecer unha mais, despois de se cumprir o período que separa as sucesivas aparicións das diversas espécies?</p>
<p>Por que non pode aparecer unha mais? Por que non poden xurdir tamén novas espécies de árbores de flores xigantescas e resplandecentes que perfumen rexións enteiras? Por que non poden aparecer outros elementos que non sexan o lume, o ar, a terra e a auga? Só son catro, nada mais ca catro, eses pais que alimentan aos seres! Que pena! Por que non serán corenta, catrocentos ou catro mil? Todo é pobre, mesquiño, miserábel! Todo deu-se con avarícia, inventou-se secamente e fixo-se con torpeza! Ah! Canta graza hai no elefante e o hipopótamo! Que elegante é o camelo! Poderá-se dicer que a bolboreta é unha flor que voa. Eu soño cunha que sería tan grande coma cen universos, con ás cuxa forma, beleza, cór e movemento nin sequera podo describir. Pero vexo-o&#8230; vai de estrela a estrela, refrescando-as e perfumando-as co sopro harmonioso e lixeiro do seu voo&#8230; E os povos que alá habitan a ollan pasar, extasiados e marabillados&#8230;</p>
<p>Que é o que teño? É o Horla que me enfeitiza, que me fai pensar esas tolémias. Está en min, converte-se na miña alma. Matarei-no!</p>
<p><strong>19 de agosto</strong></p>
<p><img class="alignleft size-medium wp-image-1753" title="horla3" src="http://novafantasia.com/wp-content/uploads/horla3-300x289.jpg" alt="horla3" width="300" height="289" />Matarei-no. Mirei-no! Pola noite eu estaba sentado á mesa e simulei escribir con grande atención. Sabía perfectamente que viría a rondar ao meu redor, moi preto, tan preto que talvez podería tocá-lo e asi-lo. E entón!&#8230; Entón tería a forza dos desesperados; disporía das miñas mans, os meus xeonllos, o meu peito, a miña fronte e os meus dentes para o estrangular, esmagá-lo, mordé-lo e esnaquizá-lo.</p>
<p>Eu axexaba con todos os meus sentidos sobreexcitados. Acendera as dúas lámpadas e as oito bombillas da cheminea, como se fose posíbel distinguí-lo con esa luz. Fronte a min está a miña cama, unha vella cama de carballo, á dereita a cheminea; á esquerda a porta pechada coidadosamente, despois de a deixar aberta durante longo rato a fin de o atrair; atrás de min un grande armário con espellos que todos os días me servía para me barbear e vestir-me e onde acostumaba ollar-me de pés a cabeza cando pasaba fronte a el.</p>
<p>Como dixen antes, simulaba escribir para o enganar, pois el tamén me espiaba. De pronto, sentín, sentín, tiven a certeza de que lía por riba do meu ombro, de que estaba alá rozándo-me a orella. Erguin-me coas mans estendidas, xirando con tal rapidez que estiven por caer.</p>
<p>Pois ben&#8230; via-se como se fose pleno dia, e sen embargo non me mirei no espello!&#8230; Estaba baleiro, claro, profundo e resplandecente de luz! A miña imaxe non aparecía e eu estaba fronte a el! Vía aquel vidro totalmente limpo de enriba abaixo. E ollaba-o con ollos extraviados; non me atrevía a avanzar, e xa non tiven valor para facer un movemento mais. Sentía que el estaba alá, pero que se me escaparía outra vez, co seu corpo imperceptíbel que me impedía reflectir-me no espello. Canto medo sentin! De súpeto, a miña imaxe volveu a se reflectir pero como se estivese envolta na brétema, como se a observase a través dunha capa de auga. Semellaba-me que esa auga deslizaba-se amodo de esquerda a dereita e que paulatinamente a miña imaxe adquiria maior nitidez. Era coma o final dun eclipse. O que a agochaba non semellaba ter contornos precisos; era unha espécie de trasparéncia opaca, que pouco a pouco se aclaraba. Por último, puiden distinguir-me completamente como todos os días.</p>
<p>Vira-o! Conservo o horror que aínda me fai estremecer.</p>
<p><strong>20 de agosto</strong></p>
<p>Como poderei matá-lo se está fóra do meu alcance?</p>
<p>Envelenando-o? Pero el verá-me misturar o veleno na auga e talvez os nosos velenos non teñan ningún efecto sobre un corpo imperceptíbel. Non&#8230; non&#8230; decididamente non. Pero entón&#8230;o que farei entón?</p>
<p><strong>21 de agosto</strong></p>
<p>Chamei a un cerralleiro de Rouen e encarreguei-lle persianas metálicas coma as que teñen algunhas residéncias particulares de París, na planta baixa, para evitar os roubos. Farei-me ademáis unha porta similar. Debe-me ter tomado por un covarde, pero non importa&#8230;</p>
<p><strong>10 de setembro</strong></p>
<p>Rouen, Hotel Continental. Aconteceu&#8230; aconteceu&#8230; pero, morrerá? O que vin me trastornou.</p>
<p>Onte, despois que o cerralleiro colocou a persiana e a porta de ferro, deixei todo aberto até medianoite a pesar de que comezaba a facer frío. De súpeto, sentín que estaba aquí e invadiu-me a alegría, unha enorme alegría. Erguin-me amodo e camiñei en calquera dirección durante algún tempo para que non sospeitase nada. Entón saquei-me os botins e me puxen distraídamente unhas pantuflas. Pechei despois a persiana metálica e regresei con paso tranquilo até a porta, pechando-a tamén con duas voltas de chave. Regresei daquela cara a xanela, pechei-na cun ferrallo e gardei a chave no peto.</p>
<p>De súpeto, comprendín que se axitaba ao meu redor, que el tamén sentía medo, e que me ordeaba que lle abrise. Estiven por ceder, pero non-o fixen. Acheguei-me á porta e a entreabrín abondo como para poder pasar recuando, e como son moi alto a miña cabeza chegaba até o dintel. Estaba seguro de que non puidera escapar e alá o acurralei só, completamente só. Que alegría! Caira no meu poder! Entón descendín correndo á planta baixa; tomei as dúas lámpadas que se achaban na sala situada embaixo do meu cuarto, e co aceite que contiñan rociei a alfombra, os móbeis, todo. Entón prendin-lles lume, e me puxen a salvo despois de pechar ben, con dúas voltas de chave, a porta de entrada.</p>
<p>Agochei-me no fondo do meu xardín tras un macizo de loureiros. Que longa me semellou a espera! Reinaba a mais completa escuridade, grande quietude e silenzo; non sopraba a menor brisa, non había unha soa estrela, nada mais ca montañas de nubes que aínda que non se vían facían sentir o seu grande peso sobre a miña alma. Ollaba a miña casa e esperaba. Que longa era a espera! Cría que o lume xa se extinguira por si só ou que el o extinguira. Até que vin que unha das xanelas se facía lascas debido á presión do incéndio, e unha grande laparada vermella e amarela, longa, flexíbel e acariñante, ascender pola parede branca até rebasar o teito. Unha luz reflectiu-se nas árbores, nas pólas e nas follas, e tamén un estremecemento, ,un estremecemento de pánico! Os paxaros espertaban; un can comezou a ladrar; semellaba que ia amencer. De contado, estouraron outras xanelas, e puiden ver que toda a planta baixa da miña casa xa non era mais ca un horroroso braseiro. Pero ouviu-se un berro en medio da noite, un berro de muller horríbel, sobreagudo e desgarrador, ao tempo que se abrían as xanelas de dous bufardas. Esquecéra-me dos criados! Vin os seus rostros tolear e os seus brazos que se axitaban!&#8230;</p>
<p>Despavorido, botei a correr cara á aldea berrando: «Socorro! Socorro! Lume! Lume!»</p>
<p>Atopei xente que xa acudía ao lugar e regresei con eles para ver.</p>
<p>A casa xa só era unha fogueira horríbel e magnífica, unha xigantesca fogueira que iluminaba a terra, unha fogueira onde ardían os homes, e el tamén. El, o meu prisioneiro, o novo Ser, o novo amo, o Horla!</p>
<p>De súpeto o teito enteiro derrubou-se entre as paredes e un volcán de lapas ascendeu até o ceo. Vía esa masa de lume por todas as xanelas abertas cara ese enorme forno, e pensaba que el estaría alá, morto nese forno&#8230;</p>
<p>Morto? Será posíbel? Seica o seu corpo, que a luz atravesaba, podía destruir-se polos mesmos medios que destrúen os nosos corpos?</p>
<p>E se non morrese? Talvez só o tempo pode dominar ao Ser Invisíbel e Temido.</p>
<p>Para que ese corpo transparente, ese corpo invisíbel, ese corpo de Espírito, se tamén está exposto aos males, as feridas, as enfermidades e a destrución prematura?</p>
<p>A destrución prematura? Todo o temor da humanidade procede dela! Despois do home, o Horla. Despois daquel que pode morrer todos os días, a calquera hora, en calquera minuto, en calquera accidente, chegou aquel que morrerá soamente un día determinado nunha hora e nun minuto determinado, ao chegar ao limite da súa vida.</p>
<p>Non&#8230; non&#8230; non hai dúbida, non hai dúbida&#8230; non morreu&#8230; entón terei que me suicidar&#8230;</p>
<p style="text-align: right;"><em>(Tradución de <strong>Fran Morell</strong>)</em></p>
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		<title>Os gatos de Ulthar</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Dec 2008 17:17:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>H.P. Lovecraft</dc:creator>
				<category><![CDATA[Relatos]]></category>
		<category><![CDATA[gatos]]></category>
		<category><![CDATA[H.P. Lovecraft]]></category>
		<category><![CDATA[terror]]></category>

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		<description><![CDATA[Disque en Ulthar, unha aldea situada alén do rio Skai, ninguén pode matar un só gato; cousa que acredito firmemente cando contemplo o que teño ronroneando perante o lume. Pois o gato é enigmático, e está familiarizado coas cousas estrañas que os homes non poden ver. É a alma do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignright size-full wp-image-1745" style="margin: 8px;" title="ulthar1" src="http://novafantasia.com/wp-content/uploads/ulthar1.jpg" alt="ulthar1" width="148" height="240" />Disque en Ulthar, unha aldea situada alén do rio Skai, ninguén pode matar un só gato; cousa que acredito firmemente cando contemplo o que teño ronroneando perante o lume. Pois o gato é enigmático, e está familiarizado coas cousas estrañas que os homes non poden ver. É a alma do antigo Exipto, e depositário das lendas das cidades esquecidas de Meroe e Ophir. É parente dos señores da selva, e herdeiro dos segredos da vella e sinistra África. A Efíxie é a sua curmá, e lembra o que ela esqueceu.</p>
<p>En Ulthar, antes de que os seus deputados proibisen matar gatos, vivían un vello campesiño e a súa esposa que desfrutaban poñendo trampas aos gatos do vecindário para os mataren. Non sei por que o facian; hai quen detesta os maullidos pola noite, e non lles gosta que os gatos anden furtivamente por pátios e xardíns ao anoitecer. Sexa cal for o motivo, este vello matrimónio gozaba atrapando e matando todo gato que se achegaba á sua casucha miserábel; e polo que se ouvia despois na noite, moitos dos lugareños suspeitaban que tiñan un modo de os mataren do mais singular. Nembergantes, non falaban disto co vello matrimónio, debido á habitual expresión dos seus rostos enrugados, e a que a sua choza era moi pequena e estaba agocha e escurecida baixo uns umeiros corpulentos, no fondo dun pátio abandoado. En verdade, ainda que os donos dos gatos odiaban a estes vellos, temíanos ainda mais; e en vez de tacha-los de brutais asasinos, limitaban-se a coidar que ningún dos seus adorados gatos se aproximara á afastada casucha agocha baixo as árbores sombrías. Cando por un descuido inevitábel se perdia algún, e se ouvian os maullidos pola noite, o seu dono choraba con impoténcia, ou se consolaba dando grazas ao Destino por non ter sido ún dos seus fillos o desaparecido deste modo. Pois a xente de Ulthar era simples, e non sabia de onde viñeran os gatos ao princípio.</p>
<p>Un dia entrou polas estreitas e lastradas ruas de Ulthar unha caravana de estraños vagamundos que procedian do sul. Eran trotamundos atezados, distintos daquelas xentes ambulantes que pasaban pola aldea duas veces ao ano. Dicían a boaventura en troques de prata nas prazas, e mercaban ledos abalórios aos mercaderes. Ninguén sabía de que país viñan estes vagamundos; pero observaron que eran dados a rezar estrañas pregárias, e que ás beiras dos seus carromatos levaban pintadas estrañas figuras con corpo humano e cabeza de gato, de falcón, de león ou de carneiro. E o xefe da caravana levaba un tocado con dous cornos e un curioso disco entremédias.</p>
<p>Ía nesta singular caravana un neno que non tiña pai nin nai, senón só un gatiño pequeno e preto ao que coidaba. A peste non fora amábel con el, ainda que lle deixara este ser deminuto e peludo que docificaba a sua dór; cando se é moi novo, ún pode atopar grande acougo nas vivarachas trastadas dun gatiño negro. Así, o neno a quen as atezadas xentes chamaban Menes sorría cada vez máis, e choraba cada vez menos, cando se sentaba a xogar co seu gracioso gatiño nas escadas dun carromato decorado de singular maneira.</p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-1746" style="margin: 8px;" title="ulthar2" src="http://novafantasia.com/wp-content/uploads/ulthar2.jpg" alt="ulthar2" width="250" height="187" />Á mañá do terceiro día de estáncia en Ulthar, Menes non puido atopar ao seu gatiño; ao ver-lle saloucando na praza, os lugareños falaron-lle da vella e da súa esposa, e do que se ouvia pola noite. Ao escoitar todo aquilo, os seus saloucos deron paso á reflexión, e finalmente á pregária. Estendeu os brazos cara ao sol e rezou nunha língua que os lugareños non entenderon; ainda que non puxeron moito empeño en entender, xa que lles acaparaban a atenzón o ceo e as formas curiosas que adoptaban as nubes. Era moi estraño, pero tan axiña coma o neno rematou a sua oración, semellaron formar-se no alto as figuras brumosas e escuras duns seres exóticos, creaturas híbridas coroadas cos cornos e o disco entremédias. A Natureza está chea de tales ilusións para suxestionar a quen son imaxinativos.</p>
<p>Esa noite, os trotamundos foron-se de Ulthar, e non se lles volveu ver. E os habitantes sentiron-se consternados ao se decataren de que non habia un só gato en toda a aldea. De cada ún dos lares desaparecera o gato familiar; os grandes e os pequenos, os negros, os grises, os riscados, os amarelos e os brancos. O vello Kranon, que era o burgomestre, xurou que foran as xentes atezadas quen llos levaran en vinganza pola morte do gatiño de Menes; e maldiciu á caravana e ao neno. Pero Nith, o fraco notário, declarou que o vello campesiño e a sua esposa eran mais suspeitosas ainda, xa que o seu ódio aos gatos era coñecido por todos, e mais atrevido cada vez. Nembergantes, ninguén se atreveu a acusar ao sinistro matrimónio, ainda cando o fillo do pousadeiro, o pequeno Atal, aseguraba ter visto a todos os gatos naquel pátio maldito, baixo as árbores, avanzando con paso medido, amodo e ceremoniosamente, e descrebendo un círculo ao redor da choza en fileira dedous, coma se executasen algun inaudito ritual. Os lugareños non sabian se acreditar no rapaz; e ainda que temian que o malvado matrimónio enfeitizase e exterminase a todos os gatos, preferían non se enfrentar co vello campesiño mentres non saíse do seu pátio tebroso e noxento.</p>
<p>Así que a aldea de Ulthar se deitou embargada pola ira e a impoténcia; e eis que ao acordar pola madrugada, cada gato volvera ao seu fogar respectivo! Os grandes, os pequenos, os negros, os grises, os riscados, os amarelos e os brancos; non faltaba ningún. Todos apareceran gordos e lustrosos, emitindo sonoros ronroneos de satisfación. Os cidadáns falaban marabillados do caso. O vello Kranon insistiu unha vez máis en que fora o povo atezado quen llos levara, posto que os gatos xamais volvían vivos da choza do vello matrimónio. Pero todos cadraron nunha cousa: que a negativa dos gatos a probar as suas respectivas racións de comida e o seu prato de leite era sumamente singular. E durante dous dias enteiros, os lustrosos e preguiceiros gatos de Ulthar non tocaron alimento algún, e se limitaron a dormitar xunto ao lume ou ao sol. Unha semana transcorreu, até que os lugareños observaron que non habia luz, pola noite, nas xanelas da choza oculta baixo as árbores. Entón, o fraco Nith comentou que ninguén vira ao vello nin á vella desde a noite en que desapareceran os gatos. Unha semana despois, o burgomestre decidiu vencer o seu temor e visitar a vivenda estrañamente silandeira; como era o seu deber, ainda que tivo o coidado de se facer acompañar por Shang o ferreiro e Thul o canteiro coma testemuñas. E cando botaron abaixo a fráxil porta non atoparon outra cousa ca dous esqueletes humanos limpos e mondos no chan de terra, e unha morea de cascudas que corrian polos recunchos escuros.</p>
<p>Moito falou-se despois entre os habitantes de Ulthar. Zath, o alguacil, deu longamente con Nith, o fraco notário; e Kranon e Shang e Thul foron abrumados a perguntas. Encanto ao pequeno Atal, o fillo do pousadeiro, foi interrogado a fondo, e deu-se-lle unha lambetada en recompensa. Falaron do vello campesiño e a súa muller, da caravana de atezados vagamundos, do pequeno Menes, do seu gatiño negro, da pregária de Menes e o troco do ceu, da acción dos gatos a noite en que se foi a caravana, asi como que atoparon mas tarde na choza que hai baixo as árbores sombrías do pátio noxento.</p>
<p>Ao cabo, os deputados aprobaron esa famosa lei de que falan os mercaderes en Hatheg, e da que falan os viaxeiros de Nir; a saber: que en Ulthar, ninguén pode matar un só gato.</p>
<p style="text-align: right;"><em>(Tradución por <strong>Fran Morell</strong>)</em></p>
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		<title>Relatos circulares</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Dec 2008 17:05:21 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Milenko Županović</dc:creator>
				<category><![CDATA[Relatos]]></category>
		<category><![CDATA[Milenko Zupanovic]]></category>
		<category><![CDATA[terror]]></category>

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		<description><![CDATA[Aquela noite estaba moi canso, conducía o meu coche coma un maníaco. Desgrazadamente, perdín o control do coche e matei un peón.]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-full wp-image-1739" title="circulares" src="http://novafantasia.com/wp-content/uploads/circulares.jpg" alt="circulares" width="483" height="120" /></p>
<h3>Homes sen faces</h3>
<p>Aquela noite estaba moi canso, conducía o meu coche coma un maníaco.</p>
<p>Desgrazadamente, perdín o control do coche e matei un peón.</p>
<p>Nese intre, tres homes de negro correron a me capturar. Non lles mirei as caras.</p>
<p>Pero colléron-me e metéron-me no coche. Nese intre, decatei-me de que non tiñan rostro. – Axuda, acudíde-me! – Berrei, pero ninguén me escoitou. Leváron-me ao lugar do accidente, pero nese lugar había agora unha igrexa.</p>
<p>Entrei na igrexa.</p>
<p>Decatei-me de que o cura e mais os fregueses non tiñan faces – Axuda, acudíde-me! – Berrei, e nese intre espertei e vin que perdera o control do meu coche. Desgrazadamente, matara un peón.</p>
<p>Cando me acheguei, vin que o peón era eu!</p>
<p>Entrei no coche e mirei no espello.</p>
<p>Vin a un home sen rostro.</p>
<h3>Soños</h3>
<p>- Érguete cariño, tes un pesadelo! &#8211; dixo a súa muller.</p>
<p>- Oh, teño os mesmos soños todas as noites – dixo Mario</p>
<p>Ao día seguinte foi ao psiquiatra.</p>
<p>- Por favor, doutor, axúde-me. – dixo Mario.</p>
<p>- Por suposto, só ten que tomar estas pílulas – dixo o psiquiatra.</p>
<p>- Grazas, tiven ese soño, pero meu pai está ben, xa sabe – dixo Mario. – Soñei que mataba a meu pai&#8230; Cando era neno meu pai matou á miña nai. Adéus doutor&#8230;</p>
<p>Cando rematou a terápia, foi canda seu pai.</p>
<p>E matouno.</p>
<p>- Fillo, esperta, tes eses pesadelos! – dixo a nai de Mario.</p>
<p>- Oh, mamá, onde está o pai?</p>
<p>Marchou moi cediño – dixo a súa nai.</p>
<p>Mentres a súa nai limpaba a casa, Mario xogaba cunha pelota.</p>
<p>Nun pequeno ángulo da casa o rapaz atopou a pistola de seu pai&#8230;</p>
<p>E xogou coa pistola.</p>
<p>Desgrazadamente, Mario matou á súa nai con esa pistola.</p>
<p>- Mamá, mamá, esperta por favor – dixo Mario.</p>
<p>Pero a súa nai estaba morta.</p>
<p>- Esperta, fillo, tes o mesmo pesadelo“ – dixo a nai de Mario.</p>
<p>- Oh, mamá, estás viva! – dixo Mario.</p>
<p>Nese intre o seu pai entrou á casa e matou á súa muller.</p>
<p>- Mamá, mamá, esperta &#8230; – dixo Mario.</p>
<p>Pero a súa nai estaba morta.</p>
<h3>A Chave</h3>
<p>O ladrón colleu do banco o máis importante tesouro. Esa preciosidade era a chave dourada da igrexa de Santa Catalina. Esa chave abre una porta do paradiso!</p>
<p>Cando saiu do banco o policía matouno.</p>
<p>Pero ese policía colleu unha chave dourada das mans do ladrón morto, e comezou a procurar una igrexa de Santa Catalina.</p>
<p>Cando atopou a igrexa, entrou, e nese intre da igrexa saiu o ladrón morto.</p>
<p>Cando o policía entrou na igrexa, todo estaba escuro.</p>
<p>Nese intre, alguén prendeu a luz e o policía estaba no banco! Nas mans tiña una chave dourada e mais a pistola. Cando saiu do bando, a policía interceptouno e matouno.</p>
<p>Nese intre un trebón do deserto levou-se a todos daquel lugar.</p>
<p>Nas areas do deserto había unha chave dourada.</p>
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		<title>Desaparecida</title>
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		<pubDate>Thu, 11 Dec 2008 16:32:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Frank Roger</dc:creator>
				<category><![CDATA[Relatos]]></category>
		<category><![CDATA[Frank Roger]]></category>
		<category><![CDATA[terror]]></category>

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		<description><![CDATA[- O señor O’Keefe? Podo roubar-lle un minuto? Timothy O’Keefe ollou a través da xanela de vidros raiados e mirou que o home que petará á porta era un poli. Isto non podían ser boas novas. Decatou-se de que as súas opcións estaban limitadas, abriu a porta e dixo: - [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>- O señor O’Keefe? Podo roubar-lle un minuto?</p>
<p>Timothy O’Keefe ollou a través da xanela de vidros raiados e mirou que o home que petará á porta era un poli. Isto non podían ser boas novas. Decatou-se de que as súas opcións estaban limitadas, abriu a porta e dixo:</p>
<p>- Bós días oficial. Pase. Como podo axuda-lo?</p>
<p>Mentres entraba o policía, Timothy ordeou ao seu can que ficara. “Quieto, César”, dixo con autoridade. Debería manter vixiado ao animal.</p>
<p>Os ollos do policía revisaron a súa caravana, ao can, as súas escasas e humildes posesións. O que estaba a procurar? -</p>
<p>Podo facer-lle unhas preguntas?</p>
<p>- Sen problema, oficial.</p>
<p>- Tivo vostede unha visita aquí onte? Unha muller nova?</p>
<p>- Si -, dixo Timothy. &#8211; Veu unha traballadora social a falar dun problema.</p>
<p>- Fále-me diso.</p>
<p>- Díxo-me que houbera queixas. Algunha xente non pode aceptar o meu modo de vida. Vivo unha vida sinxela aquí na mina caravana, afastado do resto da humanidade. César aquí é a mina única compañía. Son un pouco un prisioneiro, podería dicir-se. Non preciso moito, non pido ren a ninguén, preocúpo-me dos meus própios asuntos e acepto o que a natureza me dá. Só que algúns guichos consideran parte da natureza coma da súa propiedade, e cando acepto algún galano da natureza, eses tíos din que eu roubei o que lles pertence a eles. Podería dicir-se que houbo un conflito de intereses.</p>
<p>- Si, Sr. O’Keefe, estou ao tanto da súa reputación. Chegaron a un acordo vostede e mais a traballadora social?</p>
<p>- Esa é unha maneira de dici-lo. O asunto está aclarado. Non debería haber máis problemas.</p>
<p>- O que aconteceu após da súa conversa? Dixo ou fixo algo especial a señorita Sanchez antes de marchar?</p>
<p>Timothy moveu a cabeza. César erguera-se e comezara a cheirar nas botas do policía. Timothy humedeceu os beizos e dixo: “Toda esta conversa dá-me sede. Quere un grolo tamén? Témo-me que o único que lle podo ofrecer é auga. E se cadra un pouco para comer.</p>
<p>Remexeu nun dos seus improvisados armariños, sacou dous vasos, unha xerra de auga e unha pequena bandexa con anacos de comida. Timothy bebeu o seu vaso, o policía sorbeu do seu pero non tocou os “aperitivos”. Sen dúbida, non quería expoñer-se aos gustos gastronómicos (ou o que fosen) do seu anfitrión.</p>
<p>- A señorita Sanchez está desaparecida dende onte -, explicou finalmente o policía. &#8211; Estamos a falar con todas as persoas coas que se entrevistou, agardando atopar aunha pista. Vostede está entre as derradeiras persoas que a viron. Se hai algo que vostede saiba que poida ser de utilidade, gostaría escoita-lo. Non dubide en se poner en contacto comigo se relembra algunha cousa útil máis tarde. Calquera cousa pode valer-nos.</p>
<p>- Entendo &#8211; , dixo Timothy. &#8211; Témo-me que non podo axuda-lo.</p>
<p>- Ben, teño que ir-me xa. Grazas polo seu tempo.</p>
<p>O poli revisou a súa caravana unha vez máis, como se agardara atopar o corpo da señorita Sanchez de súpeto, limpamente gardado nun dos armários. Logo saíu e volveu camiñando ao seu coche. Timothy tirou o resto dos aperitivos no chan, onde César deu axiña boa conta deles.</p>
<p>Tirou o vaso de auga do policía e meneou a cabeza. Non se supuña que a policía debía segue as pistas e atopar ás persoas desaparecidas? Seica non todos eran tan bós no seu traballo. O poli nin sequera recoñeceu os anacos de carne que eran todo o que ficaba da señorita Sanchez, e tivéra-os diante del. Afortunadamente esta vez César comportára-se. Non como cando viñera aquela pequena entremetida. Discutiran o problema entre mans, e daquela a señorita Sanchez fixera un movemento que César malinterpretou. O can, famento e irritábel, Afundíra-lle os dentes na súa perna antes de que el puidera intervir, e ela berrara. Timothy tivera que asegurar-se de que os berros pararan, o que podería ter traído algunha atención indesexada. E como el e César aceptaban o que a natureza lles ofrecía e a natureza fora tan amábel de lles ofrecer á señorita Sanchez… Había tempo que non comían carne. Ela supuxo un cámbio benvido no canto dos malditos cogomelos e as froitas que atopaba (ou “roubaba”). E foi abraiante o que pode papar un can famento. Arroxara os restos aos cans que sempre andaban polos arredores, e laboriosamente eliminou todos os rastros reveladores. Timothy comera a súa parte, pero non gardou moito – sen unha neveira non tiña moito sentido. Ainda así, o poli perdéra-se un trato pouco frecuente.</p>
<p>Estaba contento de non ter mentido realmente ao poli. De feito chegara a unha espécie de acordo coa traballadora social, o asunto resolvéra-se e non habería máis problemas. E non había nada máis que el puidera facer. Exactamente as súas palabras.</p>
<p>E o poli non tiña motivos para se queixar. Eses tipos eran duros e difíciles de dixerir. Se decataría algunha vez do afortunado que fora?</p>
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		<title>M.A.P.R.H.U.</title>
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		<pubDate>Wed, 12 Dec 2007 10:58:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Jorge Maqueda Merchan</dc:creator>
				<category><![CDATA[Relatos]]></category>

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		<description><![CDATA[Era meio dia, meio dia dun dia calquera nun planeta calquera. Un forte vento ergueu-se nas vellas instalacións do centro de comunicacións abanando as enormes e enferruxadas antenas instaladas sobre ún dos módulos de administración, causando unha inquedante e indescriptíbel cacofonía que retumbaba no amplo complexo. Ao lonxe, dun xeito [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;"><span><img class="alignleft size=medium wp-image-1790" style="margin: 10px;" title="maprhu1" src="http://novafantasia.com/wp-content/uploads/maprhu1-300x53.jpg" alt="maprhu1" width="300" height="53" />Era meio dia, meio dia dun dia calquera nun planeta calquera. Un forte vento ergueu-se nas vellas instalacións do centro de comunicacións abanando as enormes e enferruxadas antenas instaladas sobre ún dos módulos de administración, causando unha inquedante e indescriptíbel cacofonía que retumbaba no amplo complexo. Ao lonxe, dun xeito tan inesperado como vertixinoso, un manto de nubes vermellas xurdiu ameazante sobre o horizonte, advertindo dun temporal que embravecería por momentos, levado por un arrouto de incontrolabel fúria, azoutando todo aquilo que encontrase ao seu paso. Placas de alumínio soltas que se achaban sobre o desabrido chan desapareceron entre remoíños de ar mentres, a árida e abrasada area, comezaba a se elevar do chan. En tan só uns minutos, a até entón clara atmosfera viu-se tinxida dunha corrupta cór ocre, dificultando enormemente a visibilidade aos poucos moradores daquel esquecido lugar.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span>En meio daquel inferno de area e pó, unha sillueta enorme, con forma humana, ficaba imóbel ás portas do complexo. Firme ante o temporal. Ignorando a abrasiva abanada da area no seu rosto e do vento que non cesaba nas suas enfáticas embestidas. Coa vista perdida alén, sobre o horizonte e a mente mergullada e algun incomprensibel lugar a figura mantiña-se inanimada baixo a atenta ollada de vários androides situados no interior da estación que non lle sacaban ollo e, que amodo, ían aumentando en número ao redor da xanela desde onde podian ver, sen atopar unha explicación, o que estrañamente acontecía ante os seus ollos: a indiferenza, a apatía daquela figura imóbel, dun dos seus irmáns. Un irmán maior neste caso: un Dron. Pasarian vários minutos, até que un dos androides que se atopaban no interior das instalacións se dirixiu ao seu encontro, do Dron, expoñéndo-se tamén asi ás duras condicións que se daban naquel preciso intre no exterior. Amodo, cauto, aproximou-se á impoñente inanimada figura.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span>- Non podes ficar aqui por mas tempo! &#8211; Apenas se puideron escoitar aquelas palabras entre o són do vento, mentres o Dron semellaba seguir ausente; coa ollada ainda perdida entre as nubes, onde alén destes, os seus procesadores lle indicaban, atopába-se unha estrela, unha pequena e singular estrela.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span>- Por favor volta ao interior.- dixo, insistindo o androide, ao tempo que subtilmente suxeitaba ao Dron polo brazo, convidando-lle a entrar xunto a el, ao interior das instalacións. Só entón, ao sentir a presión sobre o seu brazo, semellou dar sinais de vida a impoñente máquina, xurdindo unhas palabras do interior desta. Eran tímidas palabras, que se confundian co son bárbaro da trevoada.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span>- Por que nos abandonaron?- preguntou sen retirar a vista do alto horizonte. &#8211; Por que non viñeron a buscar-nos? Onde están as persoas que nos dixeron que virian?- Seguirá a Terra alá? &#8211; As palabras xurdian co tón e o tempo que nunha máquina descrebe un proceso ao que non atopa resposta ou solución algunha. Un proceso, ao que os humanos, &#8211; e por atopar algún semellante emocional &#8211; califican de angústia.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span>- Imos &#8211; insistiu novamente o androide, que seguia ao seu lado, pegado a éste e collido firmemente ao seu brazo aturando o indecíbel &#8211; Debes tornar ao interior da estación. Tes que me acompañar. É perigoso ficar por mas tempo aqui afóra &#8211; insistia &#8211; Axiña a trevoada empeorará. Arrasará-o todo. Por favor&#8230; entra comigo.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span>- Hoxe fai un dia fermoso – contestou-lle o Dron. &#8211; Lembra-me á Terra. Alá, todos &#8211; os humanos &#8211; chamaban-me MAPRHU.</span></p>
<p style="text-align: left;"><span>Daquela o Dron, ante a fixa ollada do androide, emitiu un singular són: aquel que indica a autodesconexión das fontes de alimentación e baterias de reserva. Os seus ollos apagaron-se. O androide, que non era a primeira vez que presenciaba aquela singular escena soltouno pouco antes de que este caise ao chan: esborrallado. O diminuto androide voltou-se para entrar no interior das instalacións. Xusto naquel momento semellaba que comenzaban cair as primeiras pingas de auga, que eran como pequenos heraldos que viñan avisar do que ainda estaba por chegar. Un trono enxordecedor fixo tremer o chan, mentres á modo novos androides dirixian-se cara unha das xanelas para ver aquel estraño acontecemento. Cando o androide que ficara ao lado do Dron até os seus últimos momentos entrou na sala onde se encontraban os seus irmáns, ún de tantos adiantou-se ao resto e lle preguntou: &#8211; É asi como morreremos todos?</span></p>
<p style="text-align: left;">- Ignoro-o. – Respondeu.</p>
<p style="text-align: left;">O androide, sen dar mas importáncia ao acontecido, seguiu camiñando até entrar nunha sala contigua. Alá detivo-se un breve intre para voltar a cabeza. Sen saber moi ben porque, voltou a vista cara unhas estrañas coordenadas que por algún motivo, e desde había uns segundos non deixaban de se repetir no seu interior, interrompindo algúns dos seus procesos. Un inesperado trevón fixo-lle voltar de novo, reanudando as suas rutinas. Xirou-se e seguiu camiñando. Camiñaba en silenzo, pero xa non era igual. De contado decatou-se. Agora algo, algo que non comprendia insistia no seu interior. Era unha forza? Un impulso? Un vírus se cadra?. Só sábia que non podia apartar ese lugar, esas coordenadas dos seus programas. Só sabía que era cuestión de tempo. Tempo para que aquela subrutina sobrecargase todos os seus circuitos, e saise ao pátio; fixando a vista naqueles eixos, sobre un ponto lonxano: unha pequena estrela, unha estrela antes esquecida, perdida entre tantas outras estrelas esquecidas, afundida no infindo pélago ao que os homes antes chamaban Cosmos.</p>
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		<title>Vellos superheroes en descarte</title>
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		<pubDate>Wed, 12 Dec 2007 10:50:20 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Javier Perez</dc:creator>
				<category><![CDATA[Relatos]]></category>

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		<description><![CDATA[O Vingador Prateado chegou cedo aquela tarde. Non é que tivese nada mellor que facer en calquera outra parte, de todos modos. Chegar cedo mesmo lle axudaria a gañar pontos diante de segundo quen. O proceso de recriazón da Era Dourada semellaba ter-se convertido en algo custoso e, por o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">O Vingador Prateado chegou cedo aquela tarde. Non é que tivese nada mellor que facer en calquera outra parte, de todos modos. Chegar cedo mesmo lle axudaria a gañar pontos diante de segundo quen.</p>
<p align="justify">O proceso de recriazón da <em>Era Dourada</em> semellaba ter-se convertido en algo custoso e, por o que non dici-lo, estancado, con olor a cerrazón e arelo por seguir adiante, de (por gracioso e paradóxico que semelle) pasar páxina; e uns cantos méritos de mais, cando os primeiros tambores de guerra empezaban a soar ao lonxe e os rumores se convertian en conxecturas que, por alquímia transpersoal, acabarían resultando ser certos, non virían mal.</p>
<p align="justify">Pero quizais non fixese falta pasar-se co tremendismo. O Vingador Prateado non era un calquera; de feito, segundo o informe Worm-H da semana pasada, ainda seguia tendo un tirón mais ca importante ao outro lado, os rapaces seguian lendo as suas histórias. Como aos de enriba lles gostaba dicir: ainda xeraba diñeiro. E ainda que xa fixese algun tempo desde a última vez que se mencionara entregar-lle unha série própria, el seguia sendo un dos puntais indiscutibeis do editorial.</p>
<p align="justify">Demos, mesmo se acostumara ir pola rua coa armadura posta. Por suposto, era moito mais sinxelo facer como a imensa maioria e tentar pasar desapercibido vestindo a sua identidade secreda, pero aquilo non axudaba a criar «imaxe de marca», e esas pequenas cousas son as que os de enriba aprezan.</p>
<p align="justify">Asi pois, cos últimos lóstregos de sol lanzando relostros desde a sua armadura a calquera ollo curioso por saber se era certo que no centro de proxección os dinosáuros continuaban existindo, o Vingador Prateado cruzou as portas do estudo número cinco meia hora antes de que o fixesen os seus parceiros da Patrulla Omega.</p>
<p align="justify">— Sabe unha cousa, Vingador? — espetou unha voz á sua dereita, xusto despois de pasar ao vestíbulo do estudo, antes de que os seus ollos puidesen sequera adaptarse á diferenza de onda na luz que se coaba a través do visor do seu casco. Despois de tantos anos, ainda me impresiona ver-lle entrar asi, coa armadura e toda a parafernália&#8230;</p>
<p align="justify">Era o recepcionista da tarde. Un de tantos (quizais un pouco mais visíbel, pero un mais) dos moitos membros do intrincado sistema de recursos humanos da editorial. O Vingador Prateado voltou-se cara el, nun arremedo abondo logrado dos reflexos supostamente aumentados dos que facia gala o seu personaxe. O enésimo exemplo da sempiterna «imaxe de marca».</p>
<p align="justify">Baixou o ton de voz unha oitava e meia, como fixera tantas veces antes, e saudou, simple e autoritario:</p>
<p align="justify">— Como estamos esta tarde, mozo?</p>
<p align="justify">O recepcionista deu unha involuntária palmada sobre o mostrador tras o que se parapetaba. Sorriu e entrecerrou os ollos.</p>
<p align="justify">— Iso estivo ben, si señor&#8230; — a admiración esbaraba polos beizos do rapaz ao se dirixir ao heroe. — É como se aparecera vosté aqui para nos salvar a todos dunha incursión terrorista ou algo&#8230;</p>
<p align="justify">Era un fanático, diso non cabia dúvida. Co tempo, ún aprende a calibrar as reaccións da xente, e a encorsetar esas mesmas reaccións en determinada categoría, adxacente a outras varias categorias, polo xeral igual de vás, até que as persoas se volven aburridas e predecíbeis. Non fai falta ser un superheroe para iso, só estar canso de moitas cousas. O inevitábel efeito colateral de ser carismático.</p>
<p align="justify">O Vingador Prateado, polo tanto, soubo decontado que aquel rapaz, vestido cunha camisa azul ceo un par de tallas demasiado grande e vaqueiros negros (que agachaba, tras unhas grosas gafas con montura de pasta negra, uns ollos que perdian toda capacidade inquisitória perante a presenza dos que, dalgun modo, consideraba superiores e que, a pouco que o heroe estivese no certo no seu xuízo a priori, consideraria que aquel traballo escravo, mal pago e perigosamente caduco era a epítome dos seus soños) resultaba un produto mais da dinámica do editorial e as suas ramificacións. Quizais algo do que sentir-se culpabel, se non fose porque non lle importaba en absoluto.</p>
<p align="justify">Sen embargo, deixando-se levar polo ego e, só en parte, polo resíduo de medo aos dias por vir, o Vingador se permitiu un par de desmáns para satisfacer ao desgrazado rapaz.</p>
<p align="justify">Respirou profundamente, facendo vibrar o aire ao redor do seu casco coa suavidade dos graves que saían da sua gorxa, deu un par de pasos en enderezo ao mostrador da recepción e, mantendo o ton de voz que se lle subpuña, dixo:</p>
<p align="justify">— Non é o caso, pero non coido que un simple comando terrorista sexa rival para&#8230; — deixou un par de segundos en siléncio, amasando a reverberación do seu nom de guerre na mente do fanático, e sentenciou: — O VINGADOR PRATEADO.</p>
<p align="justify"><img class="alignleft size-full wp-image-1785" style="margin: 8px;" title="descarte1" src="http://novafantasia.com/wp-content/uploads/descarte1.jpg" alt="descarte1" width="200" height="200" />E é que asi era como se facian as cousas na <em>Idade Dourada</em>, e asi era como o rapaz imaxinara sempre un encontro con algun dos seus herois. As demáis consideracións ao respecto da pouca adecuación á hora de escoller o ton e as palabras, a teatralidade esaxerada e, en certo modo, ridícula, e a irrealidade de todo o asunto, non importaron en absoluto durante o breve lapso de tempo en que o superheroe tardou en pronunciar ambas palabras. Sobre o papel, en certo modo, o mundo era asi. Por que non viver en duas dimensions un pouco, apenas o intre entre os latexos dun corazón entregado á causa?</p>
<p align="justify">Antes de que as perguntas e as poses acumulasen-se, saturadas pola incómoda posibilidade de meter a pata, o ídolo desapareceu na relativa escuridade do corredor que levaba aos vestiários do estudo, deixando ao seu admirador o abondo satisfeito como para non pór a ambos nunha situación da que non soubesen sair.</p>
<p align="justify">Após a consolidación, seria de supoñer que encontros como aquél xa non terian nengun sentido; non alomenos alá, na dimensión paradóxica. Pero o ser humano é un animal de costumes tanto como de marabillas, e necesita aferrarse a ambas pulsions como se a vida lle fose niso.</p>
<p align="justify">— Teño que deixar de lle dar voltas a todas esas chorradas. — Se dixo a si mesmo o Vingador Prateado, mentres os plafons de contención sináptica do corredor abrian-se, anticipando o seu paso.</p>
<p align="justify">Empezaban a lle doer os xoellos polo peso da armadura cando finalmente chegou ao vestiário, localizou o asento co seu nome e sentou. Ía ser unha noite moi longa.</p>
<p align="justify">O espello devolveu-lle a imaxe maxestosa dunha bala para matar lobishomes antropomorfa. Aquél fora precisamente o argumento dunha das suas primeiras aventuras: a Patrulla Omega contra o Lobishome. Como calquera pudese prever, mesmo daquela, el mesmo foi quen deu a pontiña ao enxendro da natureza cando, despois de trece páxinas de persecuzón e loita, outro dos membros da Patrulla lembrou as antigas supersticións e conminou ao Vingador Prateado a forzar as suas capacidades físicas aumentadas para se lanzar como un canonazo de enxebre prata ao estómago da besta.</p>
<p align="justify">A ollo ispo, non perdera un ápice de lustre en todos aqueles anos. A ollo ispo, claro&#8230; coa armadura recén abrilantada e a ponto de entrar en acción&#8230; O que habia baixo a coraza e a hipérbole era outra história, unha completamente distinta.</p>
<p align="justify">— Outra vez non, por Deus — dixo-se. Non agora que estamos por comezar o segundo arco argumental&#8230;</p>
<p align="justify">Despois do de Mirta e a saga dos Metahumanos comprendera o pernicioso de se levar os problemas de casa ao estudo. Non queria repetir aquilo. Mirta non ía voltar con el, non mentres o heroe seguise empeñado en pontificar con todo aquel que se atrevese a compartir a sua vida privada acerca do grande, poderoso, bravo e indestrutíbel que era; até que o seu subconsciente non se rendise á evidéncia de que o que pasa no papel, no papel fica, e nen ainda asi. Pode que Mirta xamais comprendese que sen todo aquilo, sen as bravuconadas e os desplantes, os cadros de texto e os globos de diálogo acabasen soando ocos, ainda mais irreais. Ou quizais si o comprendeu, pero chegou un momento no que, sinxelamente, deixaron de lle compensar as subas e baixadas de ánimo, os pontos álxidos en público, asinando autógrafos e marcando músculo, xusto antes do descalabro no fondo do vaso de vodka e os monosílabos cuspidos ao anoitecer. En calquera caso o seu con ela xa non existia. E non voltaria a cair no erro de saltar ao Paxinador Dimensional co cerebro embotado polo fracaso.</p>
<p align="justify">Algunhas noites, ainda podia ouvir o cruxido da tráquea daquel neno con devezos de protagonismo. O pescozo do capitán dos Metahumanos, rompendo-se baixo as suas mans&#8230;</p>
<p align="justify">O siseo do plafón de contención ao seu lombo devolveu-lle ao presente antes de que fose demasiado tarde. Habia que recoñecer que Neutronium tiña o don da ubicuidade.</p>
<p align="justify">— Hei, Vingador&#8230; — Saudou o enmascarado, o seu segundo de abordo na Patrulla, que tamén decidira facia uns dias deambular por aí co traxe de combate.</p>
<p align="justify">— Como imos, Neutronium?</p>
<p align="justify">— Soas un pouco raro.</p>
<p align="justify">— Estou ben&#8230; — mala eleizón de palabras; todos, desde os demáis membros da Patrulla aos xefazos da editorial, advertiran-lle acerca de que estados de humor non pensaban permitir despois do «incidente». Así que o Vingador se obrigou a facer unha finta: — Despois de comer fiquei durmido mirando un documental, sen ter posto o espertador, e xa sabes o que pasa cando un fai unha sesta de mais de meia hora&#8230;</p>
<p align="justify">— Cala, cala&#8230; Eu mesmo, á que durmo un pouco mais da conta, acordo feito anacos, como se me metesen unha malleira.</p>
<p align="justify">— Pois iso&#8230;</p>
<p align="justify">E non é que tivesen moito mais que se diciren. Ninguén o acababa de admitir, pero case todos o sabían: o tempo da Patrulla Omega pasara. Era normal, pois, que iso se notase no mesmo trato que tiñan entre eles. A Patrulla Omega, como Mitra, xa non era se non unha bonita cicatriz na memória.</p>
<p align="justify">— Que che parece a páxina de hoxe? — preguntou Neutronium, rompendo subtilmente, e con sabedoria, o silenzo que se apoderaba do vestiário dos herois.</p>
<p align="justify">— Non é tan mala coma a anterior, pero tampouco coido que sexa para tirar foguetes&#8230;</p>
<p align="justify">— Ben, estamos no paso antes do seguinte arco.</p>
<p align="justify">— Un número de recheo&#8230; —  irrompeu unha voz atronadora na estanza. Nunca tivemos problemas antes cos números de recheo.</p>
<p align="justify">Era Mentalux, quen se non. Quizais o membro da Patrulla menos capaz de disociar a sua persoalidade heroica da normal e corrente. Sempre se obrigaba a si mesmo a aparecer da forma mais sinistra e pomposa posíbel; e aquela tarde materializara-se no vestiário sen facer ruído, bloqueando con algun dos dispositivos demenciais que sempre andaba inventado (e cos que, en segredo, desexaba facer-se rico algun dia para poder deixar atrás todo o asunto dos superheroes) o plafón de entrada tras o paso de Neutronium, surprendendo asi a todos cunha entrada silandeira marca da casa.</p>
<p align="justify">A ningún dos lá presentes lles facia graza aquela clase de parvadas, pero ninguén dixo ren. Que sentido tiña rifar xusto antes entrar na páxina dun número de recheo?</p>
<p align="justify">— Supoño que, para variar, ainda non estamos todos, nonsí? — sentenciou Mentalux, o home prodíxio de intelixéncia mutante ao outro lado que, en éste, non era mais ca un pomposo insufribel que xamais se perdoaría a si mesmo por se ter deixado arrebatar o liderazgo do grupo. Non eran a família mais feliz do mundo, desde entón.</p>
<p align="justify">— Faltan a Pricesa do Vórtice e mais o Home Sístole — interveu Neutronium, apaciguador.</p>
<p align="justify">— Ainda é cedo — mascullou, pola sua parte, o Vingador Prateado.</p>
<p align="justify">
<p align="justify">Todos en posición. Mália a ausenza de lugares predeterminados desde os que cada ún debia pasar polo Paxinador, os membros da Patrulla Omega se distribuiron como o costume lles imbuira; exactamente igual que aparecian naquela xa mítica portada do número 23: o Vingador Prateado no centro, de brazos cruzados, franqueado por Mentalux e A Princesa do Vórtice, tras os cales, coroando por ambos lados a figura en forma de delta, se situaban o Home Sístole e Neutronium.</p>
<p align="justify">Un vello costume pactado para un feixe de vellos superheroes en descarte, de capa caída.</p>
<p align="justify"><em>Atenzón na ponte de paso do Paxinador</em>, restallou unha voz triscante, falsa, provinte de ningunha parte. Só ún dos técnicos cumprindo co protocolo de rigor.</p>
<p align="justify"><em>Programa </em>Era Dourada<em> inicializando. Descarrega dos motores sinápticos en cinco, catro, tres, dous, un&#8230; </em></p>
<p align="justify">— Non sei se algun dia chegarei a acostumar-me do todo a isto — musitou a Princesa do Vórtice a ninguén en particular, mentres un rumbido provinte dalgun lugar baixo os pés do grupo de herois aumentaba a sua intensidade.</p>
<p align="justify">— Preocúpa-te por mercar un relóxio cando volvamos&#8230;— dixo, insolente, Mentalux, respondendo a unha pergunta que ninguén fixera.</p>
<p align="justify">— Eh, veña tíos&#8230; Sexamos profisionais — interveu o Home Sístole, quizais o mais xove deles baixo a sua máscara de saco.</p>
<p align="justify"><em>Motores sinápticos a rendemento dez. Paxinador en secuéncia e listo para o valeirado de tinta dimensional. Canal de Feedback a plena poténcia. Calibrando axuste a catro cores, sen dixitalización. Escala de grises ao corenta por cento e subindo</em>.</p>
<p align="justify">— Subindo? — preguntou o Vingador Prateado a Neutronium, ao que todos recorrian para esa clase de cousas.</p>
<p align="justify">— Sí, seica van soltar-nos nun entorno nocturno. Unha liorta nun calellón ou algo así&#8230;</p>
<p align="justify">— Merda. Cando a escala de grises está demasiado alta maréome e me dan gañas de trouxar. A luz non se filtra ben polo visor do casco&#8230;</p>
<p align="justify">— Queredes calar dunha puta vez? — interrumpiu Mentalux. Estamos por pasar ao outro lado, foder.</p>
<p align="justify"><em>Escala de grises ao setenta e tres por cento. Baleirado dos tanques de tinta completo. Marcación: A Patrulla Omega número 114, páxina 8 de 12. </em></p>
<p align="justify"><em>Ponto de entrada en liña co camiño entrópico. Tramas de realidade virtual caendo. Apertura dos tanques de tinta en cinco, catro, tres, dous, un&#8230; </em></p>
<p align="justify"><em>Acción! </em></p>
<blockquote>
<p class="style5" align="justify"><tt><span style="text-decoration: underline;">Páxina 8 viñeta 1</span>. </tt></p>
<p class="style5" align="justify"><tt>Exterior, noite. Miramos á Patrulla Omega no centro dun calellón abandoado, rodeados de baldes de lixo e desperdícios, situados na xa clásica formación en delta. O Vingador Prateado volta-se cara Mentalux cun rápido xiro de cadrís, surprendido polo feito de se ter materializado precisamente neste lugar. Mentalux, pola sua parte, encolle-se de ombros. O resto de membros da Patrulla olla ao seu redor. Un sorriso aparece na cara da Princesa do Vórtice (polo que semella, voltou a casa, á sua cidade). Un cadro de texto coroa a escena. </tt></p>
<p class="style5" align="justify"><tt>Texto: Mentres, no outro extremo do mundo, os nosos herois aparecen da nada nun lugar moi, moi recoñecíbel, lonxe da destrución e o holocausto que o Zapador continua provocando na illa... </tt></p>
<p class="style5" align="justify"><tt>Vingador Prateado: <em>Por que aqui, Mentalux? Poderias teletransportar-nos directamente á gorida do malvado Zapador. Alá achásemos a fonte de enerxia do Transductor Triónico e petado o seu calcañar de Aquis.</em> </tt></p>
<p class="style5" align="justify"><tt>Mentalux: <em>Sínto-o, Vingador Prateado. Os meus poderes psíquicos non son constantes coma a tuas fantásticas capacidades físicas aumentadas. Necesito recuperar enerxías nalgun lugar coñecido. </em></tt></p>
<p class="style5" align="justify">
<p class="style5" align="justify"><tt><span style="text-decoration: underline;">Páxina 8 viñeta 2</span>. </tt></p>
<p class="style5" align="justify"><tt>O plano concreto da viñeta anterior abre-se até un xeral do interior do calellón. Agachados tras unha das esquinas á entrada do mesmo, vemos dous indivíduos de baixa estofa, criminais, acarreando navallas e cadeas, conversando entre eles mentres, ao fondo da escena, a Patrulla segue discutindo a convéncia do rumo que tomaron os acontecimentos. </tt></p>
<p class="style5" align="justify"><tt>Criminal 1: <em>Olla a eses fantoches, Rick. A noite comeza a se pór interesante.</em> </tt></p>
<p class="style5" align="justify"><tt>Criminal 2: <em>Si, Veitch. Ainda que non quitemos moito diñeiro deles, sempre poderemos voltar a casa con eses traxes que levan. Seremos a envexa de todos no vindeiro Halloween. </em></tt></p>
<p class="style5" align="justify"><tt>Princesa do Vórtice: <em>É New York! Estamos en casa! O que ten de malo descansar un pouco? </em></tt></p>
<p class="style5" align="justify">
<p class="style5" align="justify"><tt><span style="text-decoration: underline;">Páxina 8 viñeta 3</span>.</tt></p>
<p class="style5" align="justify"><tt>O plano volve a se pechar sobre a Patrulla. De lombos a nós, encarándose cos herois vemos a Rick e Veitch, coas navallas en alto. O Vingador Prateado, ainda ocupando o centro do grupo de herois, avanza un paso, disposto para a iminente loita, mentres o resto dos seus parceiros lle segundan. </tt></p>
<p class="style5" align="justify"><tt>Veitch: <em>Vós, pallasos! Dade-nos todo o que levedes enriba ou atende ás consecuencias. </em></tt></p>
<p class="style5" align="justify"><tt>Rick: <em>Cartos, alfáias... Mesmo eses traxes tan estúpidos. Levaremo-no-lo todo. </em></tt></p>
<p class="style5" align="justify"><tt>Vingador Prateado: <em>ÁS VECES esquezo que o mal subxaz mesmo aqui, na casa, onde os tiranos se agochan mentres delincuentes de pouca monta ousan enfrentarse a quen xuraron defendelos... mália todo. </em></tt></p>
<p class="style5" align="justify"><tt>Neutronium: <em>Estou listo, Vingador. AO teu sinal...</em></tt></p>
<p class="style5" align="justify">
<p class="style5" align="justify"><tt><span style="text-decoration: underline;">Páxina 8 viñeta 4</span>. </tt></p>
<p class="style5" align="justify"><tt>Primeiro plano da metade superior do corpo do Vingador Prateado. O visor da armadura refulxe como só pode facé-lo cando o heroe está por atacar a plena poténcia coas suas capacidades físicas aumentadas. </tt></p>
<p class="style5" align="justify"><tt>Vingador Prateado: <em>Non conseguiremos negociar con estes desalmados, Neutronium. Pero tampouco quero ferilos demasiado. Os nosos poderes acarrean responsabilidades e non coido que poda conter o meu ataque, asi que encárga-te ti deles... Neutraliza os átomos das suas armas!</em> </tt></p>
<p class="style5" align="justify">
<p class="style5" align="justify"><tt><span style="text-decoration: underline;">Páxina 8 viñeta 5</span>. </tt></p>
<p class="style5" align="justify"><tt>Voltamos ao plano da viñeta 3. Os puños de Neutronium refulxen co seu peculiar poder e lanzan lóstregos desatomizadores en dirección ás navallas dos delincuentes, que se sobresaltan ao receber o impacto, comprendendo ao intre con quen se están a enfrentar. O Vingador Prateado, pola sua parte, sinala en dirección das vítimas do ataque do seu parceiro, lanzando unha orde ao ar, que é atendida polo Home Sístole. Un cadro de texto coroa a escena. </tt></p>
<p class="style5" align="justify"><tt>Texto: A Patrulla Omega enfrentou-se a criminais piores ca estes... E axiña a parella de delincuentes comprenden o erro que cometeron ao se enfrentar aos defensores do ben... </tt></p>
<p class="style5" align="justify"><tt>Vingador Prateado: A<em> eles, Home Sístole, agora que están desarmados! Paralisa-lles co teu ataque das sombras!</em> </tt></p>
<p class="style5" align="justify"><tt>Home Sístole: <em>Ouvido, Vingador Prateado! Pola fúria de Shao-Lin! </em></tt></p>
<p class="style5" align="justify">
<p class="style5" align="justify"><tt><span style="text-decoration: underline;">Páxina 8 viñeta 6</span>. </tt></p>
<p class="style5" align="justify"><tt>Plano concreto, no que vemos ao Home Sístole caindo sobre os desamparados malfeitores, os cales receben o fero golpe secreto dos puños do heroe e están por cair ao chan. </tt></p>
<p class="style5" align="justify"><tt>Home Sístole: <em>Ha, ha, ha, ha! </em></tt></p>
</blockquote>
<p align="justify">Mais ou menos asi debeu ser o Big-Bang. O universo en duas dimensions, a catro cores, despréga-se exponencialmente ao cruzar o canal de feedback sen són algun. O tempo volve correr nunha mesma dirección. A paleta cromática aumenta até o infinito, dando collida de novo ao espectro entre o ultravioleta e o infravermello.</p>
<p align="justify">A Patrulla Omega voltou á sua posición orixinal, de pé no centro da plataforma de lanzamento do Paxinador.</p>
<p align="justify"><em>Moi ben, rapaces. A corrente sináptica estabilizou-se e estamos a pechar motores. Xa está ben por esta noite.</em></p>
<p align="justify"><img class="alignright size-full wp-image-1787" style="margin: 8px;" title="descarte2" src="http://novafantasia.com/wp-content/uploads/descarte2.jpg" alt="descarte2" width="200" height="200" />De novo no vestiário do estudo número cinco, o Vingador Prateado ao fin puido quitar-se o casco. Lembrou que no despacho de billetes gardaba unha muda de roupa limpa, polo que decidiu voltar a casa vestido como un mais, confortabelmente resgardado na aperta da sua identidade secreta. Os xoellos estaban-lle a matar, e os tornocelos ameazaban con ir polo mesmo camiño de cansazo e dores futuras.</p>
<p align="justify">O Home Sístole estaba eufórico, dando pequenos chimpos de acá para lá mentres arremedaba o golpe de kárate co que pecharan a páxina do dia.</p>
<p align="justify">— Estivo ben, nonsí? — dixo.</p>
<p align="justify">— Non sei&#8230; — respondeu Neutronium desde o estremo contrário da estáncia, onde aparcara os seus case dous metros envoltos en brilante coiro azul mariño contra a parede, xunto ao plafón de entrada. Non coido que o ritmo fose moi fluido. Tanta léria para tan pouca acción&#8230;</p>
<p align="justify">O Vingador Prateado entendeu á perfeizón o que os seus colegas queria dicir con aquelas precisas palabras, pero negaba-se a crer que estaban a repetir o comezo da última grande discusión do grupo. Por iso ficou calado, empresto a intervir pero en exceso canso, abondo como para non ter nengun interese en atallar nada de raiz.</p>
<p align="justify">— Así é como se fan as cousas na <em>Era Dourada</em>, tronco — continuou argumentando o Home Sístole. Facemos o que podemos co que nos dan, nada de palabrotas, defendemos o ben&#8230; Todo ese rolo&#8230;</p>
<p align="justify">Aquilo non ia convencer a Neutronium, claro. Mália ser, para case todos, o verdadeiro cerebro cabal do grupo, de vez en cando tamén esixia o seu dereito a desfogar-se:</p>
<p align="justify">— É que&#8230; Deu-me a sensazón de que voltábamos a pasar-nos a paridade polo forro dos collóns, falando claro.</p>
<p align="justify">— Pero se todos tivemos texto. O que mais queres?</p>
<p align="justify">— Sí, todos tivemos texto, como se subpón debe ser. Pero a calidade, el&#8230;</p>
<p align="justify">Chorros de suor corrian pola fronte do Vingador Prateado, non na sua totalidade causados por ter levado posto o casco da sua armadura durante horas, cando se ergueu do seu asento e encarou-se, con todo o hastío envolto na leve fúria que caracteriza a ún que se cré na obriga de facer algo pero que non-o desexa de nengunha das maneiras, con Neutronium.</p>
<p align="justify">— Veña, di-o dunha vez&#8230; O que che fode é que nas oito páxinas que levamos deste número sexa eu quen leve a voz cantante — dixo.</p>
<p align="justify">— Claro que me fode! — chimpou, como un resorte, Neutronium. &#8211; Fode-me como me fodeu durante todo o arco argumental antes deste capítulo, e o de antes, e o de antes!</p>
<p align="justify">A tensión ao redor de ambos superheroes era unha nube de vapor negro antes da trevoada do conflito. Se Mentalux estivese alá, sen dúvida quitaría tallada daquela discusión, aproveitando de paso para os ridiculizar a ambos. Pero o membro ao que ninguén suportaba da Patrulla Omega, se escorregara cara nengunha parte tan pronto como o grupo abandonara o recinto do Paxinador; asi que o Vingador e Neutronium continuaron de pé, fronte a fronte, ollando-se aos ollos como se medisen a distáncia entre as suas respectivas almas, durante unha eternidade.</p>
<p align="justify">Unha eternidade que se fixo anacos encanto o Home Sístole abriu a boca:</p>
<p align="justify">— Tíos&#8230; Sodes un par de vellos capullos amargados.</p>
<p align="justify">Sorrisos. O ambiente distende-se cando a tensión fai un fundido a negro. Nalgures, por riba dos tres herois, onde o persoal de mantemento facia horas extras sumido no que sexa ao que se dedique o persoal de mantemento dun centro de provisión neural de histórias para cómics, soou algo semellante a un oubeo. O mundo, despois de todo, era todo aquilo que pasaba alén dos egos dunha panda de superheroes que, en realidade, non o eran. E naquel momento fixo-se mais patente ca nunca.</p>
<p align="justify">— Xa discutimos isto mesmo un millón de veces — dixo, en forma de primeiro paso, Neutronium. Pero non che vou dicir que o sinto.</p>
<p align="justify">O Vingador Prateado apartou a vista do que, no fondo, podia considerar o seu amigo.</p>
<p align="justify">— Sí que é verdade que es un vello capullo amargado&#8230; — sorriu, dando-se a volta en dirección ao asento fronte ao seu despacho de billetes.</p>
<p align="justify">Abriu o pequeno armario de chapa, descolgou a sua roupa de rua da percha e se despoxou da armadura tan apresa como os seus tendóns esgotados polo peso lle permitiron. Ao seu lombo, o Home Sístole facia o próprio co seu traxe de arpilleira cosido con grandes puntadas de fio negro, e Neutronium daba o primeiro paso do seu camiño cara a saída.</p>
<p align="justify">— Espero a alguén? Hoxe trouxen o coche&#8230; — dixo éste, antes de atravesar o plafón que facia as veces de porta.</p>
<p align="justify">— Non che mudas? — preguntou o Home Sístole, ainda a meio espir.</p>
<p align="justify">— Non. Vou directo a casa.</p>
<p align="justify">— Daquela paso. Quero dar-me unha ducha aqui, e eso&#8230;</p>
<p align="justify">— Vingador?</p>
<p align="justify">O aludido deu-se a volta, cos pantalóns na man e notando punzadas de dór no pescozo ao tentar limitar o xiro á metade superior do seu corpo.</p>
<p align="justify">— Apetéce-me camiñar.</p>
<p align="justify">— Vale, entón. Que conste que eu me ofrecin-me&#8230;</p>
<p align="justify">E Neutronium saiu do vestiário no que, a efeitos, non pasara nada en absoluto. Outro dia de traballo que toca ao seu fin.</p>
<p align="justify">Dez minutos despois, o Vingador Dourado seguiu-lle entre torpes despedidas dirixidas ao Home Sístole, as cales o xove heroe non pudo ouvir polo ruído da ducha entremisturándose cos seus canturreos.</p>
<p align="justify">A noite voaba baixo e devagar. O Vingador Prateado, naquel momento aparentando ser pouco mais ca outro dos moitos oficinistas que se balancean entre a responsabilidade, os soños a meio gas e un princípio de alcoolismo, aos que podes ver cada dia deixando-se mecer polas aceiras desta cidade, voltaba a unha casa que cada vez sentia menos sua, a que cada dia lle ficaba menos para acabar de pagar. Ese era o efeito que acostumaba causar-lle a sua personalidade secreta após dunha longa xornada de ser o superheroe invulnerabel que, noutra dimensión (segundo teorizaban os peritos), noutro universo mellor (segundo postulaban os relixiosos), era. A dór e os tirons, o cansazo e os restos de adrenalina se confabulaban na contra do simple e chan conceito de non ser mais que alguén que, en algun momento, cumpriu os requerimentos necesários para se enfundar nunha armadura de prata e chimpar polos tellados e loitar contra as ameazas de outra realidade falsa, á que nen sequera comprendia do todo como lograra chegar. El non era ún dos físicos que descobriran, eons atrás, que se podia viaxar desde un plano físico imediato a un mental hipotético, remoto. Non era ún dos pioneiros homes de negócios que deduciron que co que dician os físicos se podia facer diñeiro a ambos lados. Nen sequera era ún dos técnicos aos que se permitia accionar o Paxinador&#8230; Para el, a efeitos, a teoria, o funcionamento do negócio e os entresixos dos mecanismos non diferian demasiado dun truco de prestidixitación extraordináriamente aparelloso e rebuscado.</p>
<p align="justify">Canta negatividade para un só día&#8230; O Vingador Prateado, definitivamente, adoptara, se untara por completo, da sua identidade secreta.</p>
<p align="justify">Quizais se parase a comer un bocadiño no restaurante de baguetes que viñan de abrir a un par de portais da sua casa. Precisaba unha última dose de falsidade, ainda que fose de tan baixa intensidade como a comida rápida. Si, iso faría&#8230;</p>
<p align="justify">E mentres selecionaba ún dos pratos dun hipotético menú de bocadiños, apartando as arañeiras da sua conciéncia no camiño, un borrón á luz das farolas pasou correndo ao seu carón. O Vingador prateado apenas sentiu nada mais que o ar que a figura erguera ao seu paso. Seguiu camiñando, sen embargo, decantando a sua atenzón de novo cara o que pediria lle puxesen dentro da barra de pan á que se encamiñaba.</p>
<p align="justify">Ao chegar á seguinte esquina viu-lle: un home xove, quizais apenas rozando a trintena, de mediana estatura e delgado, coa pele tan branca e o pelo tan negro que, desde a posición na que se achaba o Vingador, semellaba que alguén se esquecera de colorir ao rapaz; vestia un pantalón vaqueiro negro raído, desgastado por unha infinitude de lavados, e unha camisola branca de tirantes. Non é que o superheroe, agachado naquel momento dentro da sua própria pele, estivese moi ao corrente das últimas tendéncias en moda, pero desde o primeiro momento lle deu a impresión de que aquel xove semellaba incoherente co seu entorno, mais fóra de tempo que de lugar. Algo saído do proxecto Neo-Noir, unha desas cousas pretendidamente hiperrealistas que se fraguaban no estudo número nove do centro de proxeccións neurais; en certo modo, unha falsa ícona, como el mesmo, deambulando pola rua ainda vestido co traxe de faena. Outra «imaxe de marca».</p>
<p align="justify">Cando o Vingador Prateado chegou a estar só a un par de pasos da figura discordante, algo brillou na man de éste. Un chasquido provinte do resorte da navalla comeu-se o resto de sons no que ficaba de noite por diante. O derradeiro pensamento do superheroe, antes do que pasou deseguido, foi totalmente irreflexivo, algo mais semellante a unha posesión que a unha revelación: <em>pobre diaño, non sabe que me enfrentei a criminais piores ca él&#8230;</em></p>
<p align="center">Fin</p>
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		<title>Os Cazademos</title>
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		<pubDate>Wed, 12 Dec 2007 09:05:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Joseph Remesar</dc:creator>
				<category><![CDATA[Relatos]]></category>
		<category><![CDATA[lobishome]]></category>
		<category><![CDATA[terror]]></category>

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		<description><![CDATA[«Even a man who is pure in heart And says his prayers at night May become a wolf when the wolf-bane blooms And the autumn moon is bright.» Kilkenny County, Irlanda A sombra, cuberta cunha carapucha que non permitia ver o seu rosto, camiñou a través da chúvia en dirección [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="right"><em>«Even a man who is pure in heart<br />
And says his prayers at  night<br />
May become a wolf when the wolf-bane blooms<br />
And the autumn moon is  bright.»</em>
</p>
<p align="justify"><strong>Kilkenny County, Irlanda</strong></p>
<p align="justify"><img class="alignright size-full wp-image-1774" style="margin: 8px;" title="cazademos1" src="http://novafantasia.com/wp-content/uploads/cazademos1.jpg" alt="cazademos1" width="203" height="280" />A sombra, cuberta  cunha carapucha que non permitia ver o seu rosto, camiñou a través da chúvia en  dirección á modesta igrexa; esta á penas se albiscaba no meio dunha praderia de  incribel verdor xusto diante dunha foresta e ainda que na distáncia as suas  pedras e campanário semellaban imaculados, notou a medida que se achegaba, a  desolación do lugar.</p>
<p align="justify">As árbores, nus no seu inverno, cinguían-se tétricos sobre as  suas paredes e o són do vento engadia un oubear que faría que calquera outra  persoa dese volta e voltase á aldea; pero a nosa personaxe non se imutou ante o  pequeno cemitério, de lápidas rotas e tortas, e cruces celtas de séculos, que  circundaba á igrexa e empurrou coas suas duas mans o portón, que cruxiu sobre os  seus goznes enferruxados.</p>
<p align="justify">Dentro o abandono era mais evidente e polo teito de trabes  queimadas entraban as pingas a raudais. Non ficaba nengun banco, nengun vestíxio  de que neste sítio se reunisen os fieis, nada. Nen siquieira un Cristo sobre o  que unha vez fora o sagrário. Todo estaba en ruínas.</p>
<p align="justify">Observou a ténue luz ao fondo, na porta que posíbelmente  comunicaba á sancristía, e dirixiu-se sen vacilación cara ela.</p>
<p align="justify">Atopou ao home aí, nun simples cuarto á luz das candeas, cun  catre, unha mesa e unha cadeira; un ténue calor saía dunha vella estufa de negro  ferro coado, onde algo que semellaba un estofado se quentaba.</p>
<p align="justify">- Pai O&#8217;Falherty? – perguntou a muller.</p>
<p align="justify">- Fai moito que deixei de ser sacerdote – dixo o home sen  deixar de cociñar.</p>
<p align="justify">- Pois vive vosté nunha sancristía.</p>
<p align="justify">- Mmm, deixan-me viver aqui por unha caridade, nada mais.</p>
<p align="justify">- Pero esta era a sua paróquia non?</p>
<p align="justify">O home non dixo ren, só a ollou con desdén e se sentou a comer  directamente da cacerola.</p>
<p align="justify">- Alomenos era-o antes do&#8230; exorcismo – dixo de súpeto a  muller descobrindo-se a carapucha e mostrando un fermoso rosto. Pelo negro  azabache, ollos rubís.</p>
<p align="justify">- Sabe vosté moito para ser unha simples turista americana –  dixo o home fitando para ela.</p>
<p align="justify">- O meu nome é Diana, represento unha axéncia que, digamos,  traballa para outras axéncias, o FBI, a Interpol, Scotland Yard&#8230;</p>
<p align="justify">- Non me digan que me van deter despois de tanto tiempo&#8230;</p>
<p align="justify">- O que ocorreu aqui – dixo a muller sinalando o lugar – non  foi a sua culpa. Vosté non desatou o incéndio.</p>
<p align="justify">- Son tan culpábel como o Diaño mesmo – dixo o pai detendo o  culler a metade de camiño da sua boca –</p>
<p align="justify">- vosté só fixo o seu traballo&#8230; de exorcista – e dicindo isto  a muller moveu-se para lle tomar as mans.</p>
<p align="justify">Unha visión do acontecido formou-se na mente do home como se  acabase de pasar. O rito do exorcismo. Un xove nun recuncho da sancristía, o seu  rosto grotescamente maligno. A xente da aldea reunida na igrexa, rezando pola  sua alma, polo seu corpo posuído. As palabras en latín saindo novamente da sua  boca. O lume acendendo cada anaco de madeira. A xente atrapada entre o fume. O  caos.</p>
<p align="justify"><em>Crux sancta sit mihi lux / Non draco sit mihi dux </em></p>
<p align="justify"><em>Vade retro satana / Nunquam suade mihi vana</em></p>
<p align="justify"><em>Sunt má quae libas / Ipse venena bibas</em></p>
<p align="justify">O pai respirou profundamente cando a muller o soltou.</p>
<p align="justify">- Vexo que ainda lembra moi ben eses versos.</p>
<p align="justify">- O que me fixo? Quen é vosté realmente? – perguntou o home con  voz entrecurtada.</p>
<p align="justify">- Xa lle dixen parte – dixo a muller quitando un sobre do seu  sobretodo – esta axéncia que represento adica-se a resolver casos pouco  ortodoxos. Aquilos que non poden resolver-se con meios tradicionais policíacos.  Agora quere contratar os seus servizos.</p>
<p align="justify">A muller puxo o sobre enriba da mesa.</p>
<p align="justify">- Atopará aqui un billete de avión para Itália, diñeiro e un  número de telefone onde chamar-me – dixo e comezou abandonar o lugar.</p>
<p align="justify">- Só esperarei 48 horas por vosté, despóis&#8230;</p>
<p align="justify">- Despois o que?</p>
<p align="justify">- Que Deus se apiade da sua alma atormentada, pai.</p>
<p align="justify"><strong>Monte Oliveto Maggiore, Itália</strong></p>
<p align="justify">A campesiña seguiu ao can un bo treito até divisar a ovella  perdida ao fondo da cuíña, no médio dunha lameira. Ainda non era de noite pero  xa unha lúa chea comezaba a se divisar no ceo.</p>
<p align="justify">- Vaia, que contrariedade! – se dixo a xove para si – Vou ter  que baixar por ela. Ti fica aqui – dixo-lle sériamente ao can – abondo teño con  ún metido na lama.</p>
<p align="justify">A muller baixou lixeira e comezou a quitar á ovella atrapada na  lama. O can comezou a gruñir, primeiro devagar, despois moi nervosamente.</p>
<p align="justify">- E a ti que che pasa? – berrou-lle a muller – xa che dixen que  fiques aí.</p>
<p align="justify">O can comezou a ladrar, e a xove decatou-se entón de que non  lle ladraba a ela.</p>
<p align="justify">Algo observaba-a ao outro lado da cuíña. Nun princípio pensou  que era un lobo, pero este se irgueu como un humano. Non podia vé-lo ben porque  estaba agocho entre a foresta; escoitou de súpeto un ouvido desgarrador que lle  puxo a pel de galiña e nese momento decidiu deixá-lo todo e aterrorizada, sair  correndo.</p>
<p align="justify">Foi demasiado tarde. Aquel ser, movendo-se de maneira inhumana,  atinxiu-na nun segundo. O último que a xove viu con vida foi ao can sair  correndo despavorido.</p>
<p align="justify"><strong>Roma, Itália – 48 horas despois</strong></p>
<p align="justify">O pai O&#8217;Falherty observou a cúpula de San Pedro desde a  cafetería onde estaba sentado, pensando o estraño que era estar aí despois de  tantos anos, outra vez vestido de sacerdote católico. Non sabia moi ben porque  aceitara vir a esta viaxe, el, que ainda non recuperaba a fe.</p>
<p align="justify">Diana chegou uns minutos despois, acompañada dun negro enorme  con face de malas pulgas, que non podia ocultar os seus músculos a través da  gabardina.</p>
<p align="justify">- Vexo que atopou o lugar sen problemas e xa esta vosté  instalado, pai.</p>
<p align="justify">- Vivin uns anos en Roma, estudando no Vaticano&#8230;</p>
<p align="justify">- Tamén sei iso – dixo ela sentando-se con elegáncia – esta vez  ia vestida á última moda italiana.</p>
<p align="justify">- Imaxino que haberá poucas cousas que non saiba de min.</p>
<p align="justify">- Moi poucas&#8230; por certo, apresentou-lle a Jim. É, digamos, o  noso brazo armado. Algunha vez foi mercenário.</p>
<p align="justify">O negro só fixo un movemento de cabeza para o saudar.</p>
<p align="justify">- Ah, que ben, aqui chegan os demáis – dixo Diana observando  unha parella que se achegaba á mesa –</p>
<p align="justify">- Bos dias pai O&#8217;Falherty – dixo a muller asiática en perfeito  inglés de Harvard – O meu nome é So Yee, o do meu parceiro, é Pepe.</p>
<p align="justify">- É un pracer – dixo o pai dando-lle a man aos dous –</p>
<p align="justify">- Moito gosto -</p>
<p align="justify">- Temo que Pepe non fala nada mais que en español – comentou  Diana – pero nos entende perfeitamente. É un mestre do inframundo do Internet,  noutras palabras un hacker.</p>
<p align="justify">Como para confirmar o dito, Pepe quitou o portátil que levaba e  puxo-se a teclear coma tolo.</p>
<p align="justify">So Yee chamou nese momento ao camareiro e ordenou, en perfeito  italiano, capuccinos para todos.</p>
<p align="justify">- Xa, non me diga – dixo O’Falherty – ela é a lingüista do  grupo.</p>
<p align="justify">- Boa, tamén é perita en artes marciais e en outras artes,  digamos, mas ocultas.</p>
<p align="justify">- Xa mo imaxino.</p>
<p align="justify">- Non sei se terá tempo de ler a prensa esta mañá – continuou  dicindo Diana – e imediatamente chimpou fronte a el a edición do Corriere della  Sera.</p>
<p align="justify">- «Sexta vítima atopada descuartizada» – dicia a primeira  páxina en grandes letras vermellas.</p>
<p align="justify">O pai puxo os lentes para ler o parágrafo.</p>
<p align="justify">- Aqui di que o autor dos crimes semella ser algun tipo de  animal non identificado -</p>
<p align="justify">- Non pensa que é un pouco estraño – nunha época de DNA e bases  de dados – que non se saiba que cousa está matando a esta xente?</p>
<p align="justify">- Pode haber mil explicacións.</p>
<p align="justify">- Non hai tantas cando nos contactaron a nós.</p>
<p align="justify">- O que?</p>
<p align="justify">- Esta é a razón pola que está vosté aqui con nós. Para atopar  á besta que esta facendo isto e&#8230; anulala.</p>
<p align="justify">- Eu non son nengun cazador, nunca disparei unha arma na miña  vida.</p>
<p align="justify">- Pai O&#8217;Falherty – dixo Diana mirando-lle aos ollos – vosté  mellor ca min sabe que para acabar cun demo, precísan-se outras armas.</p>
<p align="justify">- Non sei se poderei facer isto. A miña fe non é o que era.</p>
<p align="justify">- Será-o pai, será-o.– dixo ela tocando-lle o crucifixo que  levaba no seu peito &#8211; Benvido á equipa, aos cazademos.</p>
<p align="justify">A parella apresentou os seus credenciais ao carabiniere á  entrada da morgue e un home, vestido coa clásica bata branca, dirixiu-nos por un  longo corredor, iluminado tétricamente con fluorescentes violetas, até o salón  que buscaban, e aí deixounos sós. Mália o verán, o sítio estaba terríbelmente  frio.</p>
<p align="justify">- E ben? – preguntou o pai O&#8217;Flaherty observando o lugar e as  seis mesas, con corpos tapados.</p>
<p align="justify">- Estas son as vítimas – dixo Diana, e sen se imutar ergueu a  saba da primeira mesa.</p>
<p align="justify">O corpo dun home, abraiantemente mutilado xacía coma un  espectro sobre o pulcro alumínio. O pai non pudo evitar un aceno de noxo.</p>
<p align="justify">- Semella que o trabase unha xauría de animais – comentou.</p>
<p align="justify">- Pierre Rabos, 45, vendedor, atoparono asi ás afóras de Notre  Dame, en París. Hora aproximada da morte 11 da noite. Ninguén viu nen ouviu  nada.</p>
<p align="justify">- Todos os casos son coma este – seguiu dicindo Diana sinalando  os demáis corpos – diferentes cidades, idades, sexos. O CSI atopa o mesmo DNA en  todas as vítimas, pero non poden identificá-lo.</p>
<p align="justify">- A que se refire? Non teñen arquivos do posíbel suspeitoso ou  que?</p>
<p align="justify">- Non é iso, o DNA non é humano, nin tampouco de ningún animal  que coñezamos.</p>
<p align="justify">O pai semellou reflexionar por un intre as posíbeis  implicacións relixiosas.</p>
<p align="justify">- Só atopamos unha cousa en común a todos os casos – dixo Diana  en suspense – Todos os asasinatos foron cometidos en noites de lúa chea.</p>
<p align="justify">- Non me irá dicir que&#8230;</p>
<p align="justify">- Non suxiro nada – dixo ela achegando-se-lle – só presinto,  que moitas veces, cando toda explicación racional falla, só nos fica recorrer á  Fe nalgo.</p>
<p align="justify">- Está procurando esa Fe no indivíduo enganado.</p>
<p align="justify">- Si? – E Diana achegou-se mais a el, até lle tocar a cruz que  levaba no peito – Esta cruz é moi antiga, nonsí?</p>
<p align="justify">- Foi un regalo dun amigo antropólogo, subpón-se que é unha  relíquia bizantina do século V .</p>
<p align="justify">- Subpón-se?– interrogou ela acariñando a antigüidade, un  crucifixo de verde bronce, gastado e co débil contorno dun Cristo gravado nel.  Entón, de súpeto, voltou a lle tocar a man, sen soltar o crucifixo coa outra.</p>
<p align="justify">Imaxes de xente no coliseo romano, morrendo a mans de feras. Un  lexionario en plena loita contra un bárbaro, o crucifixo no seu peito. O mar e o  cheiro da galera. Unha enorme cidade entre dous istmos, meia oriental, meia  grega. O crucifixo esta vez no peito dun rico mercader. Despois en mans dunha  nena, o seu rosto elevado ollando a luz gótica dunha catedral.</p>
<p align="justify">Diana soltou ao pai O&#8217;Flaherty nese momento.</p>
<p align="justify">- Debe deixar de facer iso – dixo el nun salouco.</p>
<p align="justify">- Coido que para un home de pouca fe, leva vosté posta unha  verdadeira reliquia.</p>
<p align="justify">O&#8217;Flaherty non dixo ren.</p>
<p align="justify">- Temos que nos reunir co resto – dixo ela dirixindo-se á  saída.</p>
<p align="justify">Só entón o home decatou-se de que nunha das etiquetas que  identificaban aos occisos dicia «Padre Mauro».</p>
<p align="justify">- Pai Mauro?– perguntou o sinalando a etiqueta sobre o pé  espido.</p>
<p align="justify">- Ah, esquecia-se-me dicir-lle – contestou ela xa saindo – a  quinta vítima era un sacerdote. Foi o seu antecesor na equipa.</p>
<p align="justify">O pai O&#8217;Flaherty detivo-se un momento a reflexionar sobre o que  estaba a ler. O manuscrito era moi antigo, posíbelmente da Idade Meia, estaba  escrito nun latin comun e enchido de ilustracións detalladas dos lobishomes.</p>
<p align="justify">A mitoloxia e o folklore en si eran abraiantes, alén das lendas  urbás modernas, e viña dos gregos, co seu termo <em>lykánthropos </em>asociado á  transformazón dun home nalgo semellante a un lobo.</p>
<p align="justify">Pechou o libro e observou con curiosidade aos seus parceiros de  equipa; estaban a viver temporalmente nun amplo armacén, con grandes fiestras de  luz no teito, moi céntrico en Roma. So Yee adicaba-se a facer exercícios  acrobáticos de sabía Deus que tipo de arte marcial e Pepe estaba coma sempre  absorbido pola pequena pantalla; achegou-se a Jim, que semellaba estar moi  ocupado facendo as suas próprias balas.</p>
<p align="justify">- Que tipo de perdigóns son eses?– perguntou ao xigante mais  por simpatia que outra cousa.</p>
<p align="justify">- Son perdigons de prata – dixo o mercenário amosando as  pequenas bólas prateadas na palma da man &#8211; prefiro-os ás balas normais porque se  esparexen nunha ampla área. En distáncias curtas fan moito dano.</p>
<p align="justify">- Mmmm&#8230; Tómas-te este traballo moi en sério, realmente  acreditas nisto.</p>
<p align="justify">- Pai – comentou o home mentres baixaba con forza a panca e  pechaba outra bala – se vosté vise o que eu vin, acreditaria en moitas cousas.</p>
<p align="justify">O pai O&#8217;Flaherty lembrou entón que el mesmo vira e sentido  cousas inexplicábeis.</p>
<p align="justify">Diana entrou nese momento, co seu atuendo de guerreira outra  vez posto.</p>
<p align="justify">- Debemos estar preparados – dixo sen introdución – Hoxe é lua  chea, e sabemos que está en Roma ou nos seus arredores. Podo presentí-lo.</p>
<p align="justify">- Non che preocupes – dixo Jim recargando a sua escopeta cunha  sóa man – estámo-lo.</p>
<p align="justify">O home, vestido de  traxe e gravata, conseguiu finalmente estacionar o seu flamante Alfa Romeo nunha  das sempre ocupadas ruas laterais, recolleu o seu maletín e mais un pacote coas  típicas baguetes de pan, e se dirixiu á sua casa cruzando o pequeno parque que a  circundaba. Foi entón cando tivo esa impresión de que algo o vixiaba, e acelerou  o paso pensando nun ladrón.</p>
<p align="justify">Habia algo agocho na foresta, algo que gruñía coma un animal,  pero que era moito mais grande ca un can. Ese algo comezou a perseguí-lo, e  entón o home entrou en pánico, tirou o que levaba e correu despavorido pola sua  vida.</p>
<p align="justify">Conseguiu atinxir o portal do seu edifício e pechar a porta  xusto antes que unha pouta enorme se estrelase contra o vidro opaco.</p>
<p align="justify">Correu cara o ascensor, un deses vellos de ferro forxado, e  apertou o botón con desacougo mentres a cousa ruxia detrás do portón de entrada.  Tomou o elevador no momento que escoitou o ruído de cristais e madeira rompendo.</p>
<p align="justify">Pepe recebiu a notificación no seu portátil segundos antes que  a policia.</p>
<p align="justify">- Alguén chamou ao 091 – berrou en español – dicindo que un  monstro o perseguia. Aqui está o enderezo, e estou a facer o rastreo do móbil  desde onde chamou a persoa.</p>
<p align="justify">- É a tres ruas de aqui – dixo So Yee ao ler a nota.</p>
<p align="justify">- Poñan-se os auriculares – ordenou Diana – imos para lá –  Pepe, atrasa á policia local mentres chegamos e avísa-me tan pronto teñas a  localización exacta do móbil.</p>
<p align="justify">Os catro baixaron e sairon con rapidez do armacén. Diana ao  fronte, O&#8217;Flaherty na retagarda.</p>
<p align="justify">- Pai – dixo Diana mentres corrian – vosté e Jim vaian pola rúa  de atrás – no-los dous tomaremos o frente&#8230; Pepe&#8230; xa tes o rastreo?</p>
<p align="justify">- «<em>Edifício Quo Vadis, nº 7</em>» – contestou el a través  dos audífonos – o sinal está estático nestes momentos.</p>
<p align="justify">Diana e So Yee quitaron as suas armas, un vistoso revólver e  unha ballesta, e entraron ao estragado portal tan pronto chegaron; non se via  rena a nível da planta baixa asi que comezaron a subir con moito cuidado polas  escadas.</p>
<p align="justify">- Diana&#8230; &#8211; sinalou So Yee – hai alguén no ascensor, pero está  atorado entre dous andares.</p>
<p align="justify">Observaron entón os ferros retortos e as manchas de sangue.  Diana asomou pola apertura e chasqueou a língua con noxo ao ver ao corpo sen  cabeza do home.</p>
<p align="justify">- Jim? O&#8217;Flaherty? – dixo polos audífonos – xa non está aqui,  debe estar movendo-se cara vostedes – Óla, Óla, copiádes-me?</p>
<p align="justify">Pola outra rua, o pai O&#8217;Flaherty correu como puido atrás de  Jim, pero evidentemente ficou atrás. Parou-se uns segundos a descansar.</p>
<p align="justify">E entón, algo enorme saltou fronte a el.</p>
<p align="justify">Ficou paralisado mentres a Besta observaba-o cos seus ollos  amarelos, tan perto, que podia cheirar o seu alento nauseabundo. Era como un  lobo enorme, mais de dous metros, ergueito nas suas patas traseiras coma un  urso; as suas mans coma poutas, os seus cabeiros mármore como os dun grande  tigre siberiano, babeando cuspe.</p>
<p align="justify">Nunca soubo canto durou aquilo, o último que lembrou foron os  berros de Jim berrando-lle que se apartara e o son dun cañón, que todo o  envolveu en fume e lume.</p>
<p align="justify">A luz intermitente das patrullas de policia foi o primeiro que  viu ao acordar.</p>
<p align="justify">- Pai O&#8217;Flaherty, está vosté ben? – escoitou que lle dicia  alguén.</p>
<p align="justify">Entón viu ao grupo perto del. Diana, So Yee e Jim, este último  coa camisa desgarrada.</p>
<p align="justify">- Estou perfeitamente – dixo dubidando mentres tocaba-se o  corpo.</p>
<p align="justify">- O lobishome pasou como unha tromba entre nós – comentou Jim –  só lle deu un grande empurrón&#8230; en cámbio a min&#8230; ainda que lle acertei&#8230; &#8211; e  daquela amosou os sinais das poutas no chaleque anti-balas.</p>
<p align="justify">- Non entendo o que pasou – dixo o atordoado pai – só ficou aí,  ollando-me fixamente.</p>
<p align="justify">- A próxima vez, poña-se o audífono – dixo Diana recollendo-o  do andar – a Besta só estaba-o a recoñecer, gravando o seu cheiro. Non lle dará  outra oportunidade de o deixar vivo.</p>
<p align="justify">- Síntoo&#8230; &#8211; dixo apesadumado el &#8211; e agora o que?</p>
<p align="justify">- Non atacará por un tempo, esta ferido. Pero mudará de  localización, coma sempre. Temo-me que teremos que esperar outra vítima para  saber cal é o seu próximo território de cacería.</p>
<p align="justify">Os cinco ollaron a lua chea, que ainda brillaba no seu apoxeo.</p>
<p align="justify"><strong>New York – tres meses despois</strong></p>
<p align="justify">O home, elegantemente vestido, deixou o automóbil deportivo en  mans do aparcacoches e dirixiu-se á entrada do luxoso condomínio; tiña pouco  tempo vivindo aí pero o porteiro coñecia-o ben polas suas espléndidas propinas e  abriu-lle a porta dando-lle as boas tardes. Ante el mostrou-se un imenso lobby,  con grandes espazos para sillóns de refinado coiro e delicadas mesiñas con  amaños florais, onde un variopinto conxunto de persoas parolaban ou simplesmente  se relaixaban no agradábel ar acondicionado; os do mostrador tamén o saudaron  con cortesía antes de que se dirixise ao conxunto dos ascensores. Usou a sua  chave privada e o seu código para subir ao seu apartamento, no penthouse.</p>
<p align="justify">O lugar era dun extremado refinamento e só unha cousa  desentoaba: un altar cheo de figuras relixiosas e velas acesas. O home quitou a  chaqueta e a camisa, amosando un corpo fibroso cunha estraña tatuaxe no lombo,  tiña unha ferida vendada no seu ombro ezquerdo, e achegou-se ao altar a acender  outra candea. Sobre o altar habia un vello manuscrito cun título en Alemán: «Dás  Leben und der Tod von Peter Sumpp» e abriu-no delicadamente observando as  impresións medievais que amosaban diferentes e horrorosas escenas, desde  canibalismo até a morte dun home torturado terríbelmente e posto a arder nunha  fogueira. Abriu entón unha caixa que se atopaba baixo do altar e tomou un  curioso obxecto de dentro: un antigo cinto de coiro cunha fíbula repuxada e o  rosto dun feroz lobo gravado en ela.</p>
<p align="justify">Despois de meditar uns intres, o home puxo o cinto, e  dirixiu-se ao enorme ventanal á sua direita, onde a liña de rañaceos brillaba á  luz do serán, ao outro lado de Central Park.</p>
<p align="justify"><strong>Roma, Itália</strong></p>
<p align="justify">Non pasara ren durante mais de tres meses, e o pai O&#8217;Flaherty  comezaba a duvidar que algo ocorreria; ainda despois de ter visto á creatura, se  perguntaba se non fora victima dunha alucinación e haberia outra posibilidade  para explicar aqueles horrendos crimes.</p>
<p align="justify">- Teño algo – berrou Pepe ao fondo – e todos achegaron-se  cobizosos a ver a pantalla do portátil – informaron dun asasinato que cadra cos  nosos patróns.– un momento, vou acceder á base de dados do FBI.</p>
<p align="justify">- En New York City?! &#8211; exclamou Diana.</p>
<p align="justify">- Exactamente en Central Park – seguiu dicindo Pepe en español  – pero aqui ven o mais curioso – o informe da autópsia &#8211; a vítima, esta vez  desmembrada en catro partes, tiña restos de pelos. E miren&#8230;</p>
<p align="justify">- O análise do DNA cadra cos anteriores – comentou Jim.</p>
<p align="justify">- Ainda sen identificar o que é.</p>
<p align="justify">- A facer as maletas – ordenou Diana – Ímo-nos á Grande Mazá!</p>
<p align="justify">O pequeno jet corporativo cruzaba o atlántico a 30 mil pés con  abraiante facilidade; dentro, o pai O&#8217;Flaherty observaba aos seus parceiros sen  poder durmir. Pepe ao fondo movendo-se inconscientemente ao ritmo do seu iPod,  Jim estirado en dous asentos e roncando coma un bebé, So Yee nunha estraña  posición de loto. Diana acababa de acordar e achegou-se a el con duas cuncas de  café recén feito; mália os anos de celibato O&#8217;Flaherty non puido deixar de  observar as longas pernas e os turxentes peitos.</p>
<p align="justify">- Non semella ter durmido moito, pai – comentou ela sentando-se  fronte a el.</p>
<p align="justify">- Non deixo de pensar que é o que fago aqui – Eu non son un  guerreiro coma vostés.</p>
<p align="justify">- Se fose coma nós non-o necesitaríamos.</p>
<p align="justify">- Pero é que non consigo sentir-me útil – e me sinto xa vello  para estas loitas&#8230;</p>
<p align="justify">- Pai – dixo ela mirándoo aos ollos – non coida vosté que toda  apariéncia externa, incluindo a física, ten que ver cun proceso interno,  espiritual por asi dici-lo?</p>
<p align="justify">- Si, coido firmemente que somos reflexo do noso mundo  interior.</p>
<p align="justify">- Entón – alén de implicacións xenéticas – como explica a  existéncia dun home que se converte noutra cousa, nalgo non humán, de natureza  sinistra?</p>
<p align="justify">O pai cabeceou sen contestar.</p>
<p align="justify">- Direi-lle o que eu presinto – o lobishome é a manifestación  dun demo, de algo que se apodera do corpo físico dun humano e é capaz de o  transformar. E vosté mirou transformazóns. Pense niso a próxima vez que se  pergunte que fai nesta equipa.</p>
<p align="justify">E dicindo iso, volveu o seu asento e recostou-se a descansar.</p>
<p align="justify"><strong>New York City</strong></p>
<p align="justify"><img class="alignleft size-full wp-image-1775" title="cazademos2" src="http://novafantasia.com/wp-content/uploads/cazademos2.jpg" alt="cazademos2" width="236" height="280" />Xa pasara a hora ponta e o metro seguia relativamente cheo da  xente de todas as razas e todos os xeitos que povoan Manhattan; secretárias  volvendo dos seus labores, homes de negócios, obreiros, algunhas amas de casa  cos seus nenos, estudantes. E sempre habia algun ca outro grupo, amoreados todos  xuntos amosando a sua chulería, de adolescentes metidos a delincuentes por  oportunidade, por ignoráncia ou simplesmente por diversión. Un grupo de cinco  languidecían a un lado dunha das entradas, no último vagón, e a bela adolescente  á penas fixou-se neles cando subiu. Ía vestida cunha chaqueta vermella e unha  minisaia vaqueira, e levaba os seus libros no colo; sentou-se cara o final,  distraída mascando o seu chicle.</p>
<p align="justify">O rapaz guapo do grupo fixo-lle un aceno aos outros e case  decontado se achegou a ela, eslizando-se coma un lagarto ao seu carón.</p>
<p align="justify">- Vaia, vaia – dixo ollando-a descaradamente – mira o que temos  por aqui. Se semella Carapuchiña Vermella.</p>
<p align="justify">A rapaza ollouno un intre e abondou-lle para se mudar de posto;  pero a cuadrilla seguiu-na, coma sempre envalentonados en grupo, indiferentes á  ollada da xente.</p>
<p align="justify">- Pero onde vas tan á presa?– volveu-lle dicir o mesmo rapaz –  se non son o Lobo Feroz.</p>
<p align="justify">- Pero seguro que quererias comela, ha ha ha, &#8211; comentou outro  dos bribóns e os seus parceiros riron en coro.</p>
<p align="justify">- Anda nena – insistiu o rapaz poñendo-lle a man sobre o xoello  – porque non imos ti e mais eu a un sítio, digamos&#8230; menos transitado.</p>
<p align="justify">- Quítame as mans de encima – dixo a rapaza.</p>
<p align="justify">- Ui, ui, non che poñas farruca – riu el.</p>
<p align="justify">O grupo comezou a crear unha barreira entre ela e os demáis  pasaxeiros dunha maneira mais ca agresiva; ainda que a xente os miraba ninguén  semellou interesar-se. A rapaza ergueu-se para se afastar pero o rapaz guapo  detivo-a; houbo un lixeiro forcexeo e entón escoitou-se a voz profunda dun home.</p>
<p align="justify">- A dama dixo que a deixen en paz.</p>
<p align="justify">O grupo volveu-se para ver quen dixera iso; era un home sentado  só uns pasos mais alá, de mediana idade, vestido cunha elegante gabardina crema.</p>
<p align="justify">- Isto non é asunto teu – dixo de má gana o xove guapo e volveu  a toquetear á adolescente.</p>
<p align="justify">- Dixen que a deixedes en paz – dixo esta vez o home tocando o  seu ombro.</p>
<p align="justify">O rapaz guapo xirouse furioso, nen sequera sentira cando o home  se movera.</p>
<p align="justify">- Seica imos ter aqui un problema – dixo ameazante.</p>
<p align="justify">- Si, si, un problema – repetiron os outros.</p>
<p align="justify">- Non se os cabaleiros desistides e deixades á dama en paz –  dixo o home con tranquilidade ollando á nervosa rapaza.</p>
<p align="justify">- Anda, pero se temos aqui a un pomposo estranxeiro – comentou  un dos gamberros sen recoñecer o acento do home.</p>
<p align="justify">- Pois queres un consello? – dixo o rapaz guapo – volta á  maldita terra de onde viches e non te metas onde non te chamaron – e dicindo  isto empurrouno violentamente.</p>
<p align="justify">O home trastabillou uns pasos e entón dixo:</p>
<p align="justify">- Ah&#8230; iso foi un lamentábel erro.</p>
<p align="justify">- Si, si, e que vai facer ao respecto? – berrou-lle o mais  grandullón do grupo amosando un puñal.</p>
<p align="justify">A xente foi-se movendo cara diante, evitando ver-se  involucrada.</p>
<p align="justify">- NON TEÑO QUE FACER REALMENTE NADA – dixo cunha voz diferente  e profunda.</p>
<p align="justify">Os do grupo desviaron entón a sua atenzón ao home, que se  dobrou en dous, como se unha terríbel dór o envolvera.</p>
<p align="justify">- Que demos&#8230;</p>
<p align="justify">Os xemidos do home converteron-se entón en gruñidos, e caiu de  xoellos, coas mans na cabeza; o grupo de gamberros ollou-no desconcertado, sen  se mover. E daquela o incribel: daquela gabardina comezou a xurdir algo  xigantesco, peludo, grotesco, que foi transformando-se e medrando, rompendo a  pel e a roupa do home como se fosen só unha casca. Algo que se ergueu até o tope  do vagón, que xa non era nin humano, dobrando o metal e rompendo as luces.</p>
<p align="justify">- Ouh meu Deus – bisbillotou o rapaz grande deixando cair o  puñal ao chan xusto antes de que unha pouta enorme o desgarrara até a morte.</p>
<p align="justify">Veu entón a escuridade, alumeada polos lóstregos de  fluorescentes que ainda funcionaban, os oubeos e o caos e os berros. Os berros  daqueles que morrian e dos que fuxian; o rapaz guapo tivo tempo de quitar a sua  arma e disparar un par de veces, fogonazos na treboada, antes de cair ante a  Besta como se fose un monigote de papel e xeso. O metro seguia a velocidade  constante rumo á próxima estación pero os minutos alongaron-se coma horas.</p>
<p align="justify">Cando o axente da Policia Metropolitana Brian escoitou a alarma  soar, soubo decontado que o metro viña con problemas, pero nunca se imaxinou o  maremagnun de persoas saindo aterrorizadas dos vagons e a escena que se ia  atopar. Axudou ao condutor a dirixir á xente á saída, onde xa habia unha equipa  de emerxéncia esperando, e desenfundou o seu revolver mentres percorria os  vagons dun en un. Atopou a un adolescente completamente bañado de sangue no  penúltimo vagón.</p>
<p align="justify">- O que pasou aqui? – perguntou-lle revisando que o sangue non  fose de nengunha ferida.</p>
<p align="justify">- Aaaa, alá&#8230; monst&#8230; enor&#8230; todos &#8230;todos &#8211; balbuceaba a  rapaza incoherente.</p>
<p align="justify">O policia decatouse de que a rapaza estaba en estado de shock,  que non podia responder a nada nen a ninguén. O vagón ao fondo estaba  completamente escuro, sen nengun són. Deixou á rapaza sentada con cuidado e  quitou a sua lanterna, revolver en man. O axente Brian era un veterano de anos,  mais intelixente ca valente e non duvidou en entrar. Os seus pasos escoitaron-se  renxentes sobre vidros rotos e sobre algo mais viscoso; moveu amodo a sua  lanterna polo vagón, observando con abraio, con horror e noxo, como a luz ia  descobrindo anacos de corpos humanos estragados como nada que nunca antes vira,  nin como nada que voltaria ver.</p>
<p align="justify">Xa estaban todos aí cando chegaron á xuntanza; o Alcalde da  cidade, o xefe da policia, os médicos, os asesores do metro e mesmo o xefe de  bombeiros.</p>
<p align="justify">Foi o Alcalde o primeiro en lles dirixir a palabra.</p>
<p align="justify">- Isto é un desastre – dixo mostrando a pia de xornais – está  en toda a prensa&#8230; e ollen – e subiu o volume da tele – todas as canles están a  mostrar a notícia.</p>
<p align="justify">Unha coñecida xornalista de GNN comentaba desde a estación do  metro.</p>
<p align="justify">- «No que semella ser o mais cruento ataque terrorista en NYC  dende o 11 de setembro, alomenos cinco persoas, todos xoves, perderon a vida,  cando unha terríbel explosión detonou nun vagón do metro nesta estación&#8230;» &#8211; o  Alcalde apagou a tele.</p>
<p align="justify">- Tivemos que difundir ese rumor para evitar un maior pánico –  comentou o xefe de policia – Xa miraron o vídeo?&#8230; unha bomba, foder! Foi algun  tipo de criatura o que fixo iso&#8230;</p>
<p align="justify">- A criatura internou-se nos túneis despóis&#8230; – dixo un dos  asesores – temos todo tipo de cámaras aí abaixo&#8230; pero non vimos nada&#8230;</p>
<p align="justify">Diana achegou-se entón ao mapa de Manhattan que había na mesa.</p>
<p align="justify">- O ataque ocorreu mentres os vagóns ainda estaban en marcha –  seguiu dicindo o asesor – entre a estación do Museu de História Natural, nas  rúas 81 e 72.</p>
<p align="justify">- Esa liña é paralela ao Central Park – comentou a muller antes  de perguntar. &#8211; Teño entendido que hai unha testemuña ocular.</p>
<p align="justify">- A pesar de toda a xente que aí habia, só unha rapaza puido  dicir-nos algo – comentou o médico entón – non sae do estado de shock, pero  confirma o que vimos parcialmente nos vídeos&#8230; que un home se transformou en&#8230;  esa criatura e dezmou ao grupo de gamberros.</p>
<p align="justify">- Pero isto non ten sentido – dixo de pronto o pai O&#8217;Flaherty –  a plena luz do dia, con moitas testemuñas, arriscando-se a ser descoberto&#8230;  isto non cadra cos nosos anteriores casos&#8230;</p>
<p align="justify">Houbo un minuto de silenzo antes de que o Alcalde perguntase.</p>
<p align="justify">- E este quen é? Que fai a Igrexa metida neste asunto?</p>
<p align="justify">- O pai O&#8217;Flaherty esta aqui de maneira extraoficial&#8230;  está-nos axudando&#8230; &#8211; comentou Diana como toda resposta.</p>
<p align="justify">- Aqui hai algo mais ca unha simples transformazón – seguiu  dicendo o pai – isto é premeditado; alguén que está a usar o poder de  lobishome&#8230;</p>
<p align="justify">- O CSI confirma que é o noso home, mesma DNA&#8230;</p>
<p align="justify">- Pois temos entón a alguén que se transforma por vontade, non  polo ciclo da lúa ou o efeito dunha mutazón xenética&#8230;</p>
<p align="justify">- Non me importa o que sexa – dixo o Alcalde dando unha puñada  na mesa – só quiten a ese monstro importado das miñas rúas&#8230; e axiña!</p>
<p align="justify">Os outros tres parceiros esperábanos á saída do Concello.</p>
<p align="justify">- E entón? – perguntou So Yee por todos –</p>
<p align="justify">- Este tipo ten recursos – comentou Diana – e definitivamente a  sua área é ao redor de Central Park West, xa que estaba a usar a liña B do  metro.</p>
<p align="justify">- Non se afastaría moito da sua casa – dixo Jim – probabelmente  entre Columbus Circle e Cathedral Pky.</p>
<p align="justify">- Uff, son uns cantos bloques&#8230;</p>
<p align="justify">- Podo investigar todas as persoas que alugaron un condomínio  na zona desde hai uns tres meses – dixo Pepe toqueteando o seu portátil.</p>
<p align="justify">- Boa idea – dixo Diana – non temos moito tiempo&#8230; agora  sabemos que pode transformar-se a pracer. O pai e mais eu iremos cara o norte,  So Yee e Jim ao sul&#8230; estaremos constantemente en contacto.</p>
<p align="justify">- E que facemos con estes? – perguntou Jim sinalando á  alcaldía.</p>
<p align="justify">- Nós non traballamos para o maldito Alcalde – contestou Diana  baixando os chanzos.</p>
<p align="justify">Bloco por bloco, edifício por edifício, tenda por tenda, cada  un comezou o seu traballo de investigar, de perguntar no vecindário, de indagar  por cada acontecemento estraño ou inusual; ainda nunha cidade coma New York, ver  un lobishome correndo polas ruas, non era un acontecemento normal. E a último  transformazón fora o vista por suficientes testemuñas como para que os rumores  circularan polo vecindário.</p>
<p align="justify">- O que é ese edifício que semella un portal greco-romano? –  perguntou-lle O&#8217;Flaherty a Diana mentres ian camiñando.</p>
<p align="justify">- É o Museu Americano de História Natural.</p>
<p align="justify">- De verdade? – e ficou mirando para el – podemos entrar? –  teño unha corazonada con este sítio&#8230;</p>
<p align="justify">Diana ollou-no como perguntando-se algo pero entrou con el.</p>
<p align="justify">- Mira&#8230; &#8211; e o pai amosou-lle unha das exposicións que estaban  a anunciar «<em>Division of the vertebra Zoology &#8211; The world of the wolfs</em>«.</p>
<p align="justify">- Semella-me que isto é mais ca unha casualidade – comentou el  – deamos unha volta por aí.</p>
<p align="justify">Ambos cruzaron a enorme área principal, chea de fantásticos  esqueletes de dinosáuros e meteron-se na sala; estaba escura porque estaba a  pasar un filme sobre os lobos en Sibéria e chea de escolares e turistas.  Separaron-se por un breve momento, o pai pola esquerda, Diana pola dereita.</p>
<p align="justify">Foi ela quen o viu: era un home vestido cunha elegante  gabardina crema que non semellaba emprestar-lle atenzón á reportaxe e  nombergantes estaba fixo ollando un dos enormes lobos disecados. El viu-na e  ainda na escuridade Diana percebiu que a recoñecia; rozaron-se cando el decidiu  sair de sala, e ese roce foi todo o que ela necesitou para estar segura. Imaxes  da Besta, tan vívidas como se estivese aí presente, viñeron á sua mente.</p>
<p align="justify">O home ía-se e Diana tratou de localizar ao pai O&#8217;Flaherty ;  decidiu entón seguí-lo con sixilo. Sairon do museu e seguiron camiñando até o  número 146 de Central Park West, e á altura da rúa 74 meteu-se nun luxoso e moi  coñecido condomínio: o San Remo.</p>
<p align="justify">- O home ten estilo – dixo Diana para si mesma recoñecendo as  torres xemelgas estilo mansión barroca inglesa construídas nos anos 30.  Decontado quitou o seu móbil e chamou a Pepe.</p>
<p align="justify">- Olá – dixo éste sentado tomando un café co seu inseparábel  portátil – xa teño a lista de alugados&#8230; é unha longa lista&#8230;</p>
<p align="justify">- Ímola facér mais breve – dixo-lle Diana – Hai alguén que  alugase no San Remo?</p>
<p align="justify">- Uii, ese é moi exclusivo – contestou Pepe procurando na base  de dados – deixa-me ver&#8230; mmm&#8230; sabías que entre os inquilinos están Steven  Spielberg, Demi Moore, Steve Jobs, Dustin Hoffman, Bono, Bruce Willis&#8230;</p>
<p align="justify">- Vai ao grán, Pepe – dixo ela perdendo a paciéncia.</p>
<p align="justify">- Ah, surpresa! Pois hai un tal Peter Stumpp que alugou hai  algo mais de tres meses – vaia contactos e carteira que terá&#8230; un aluguer de  sete meses no penthouse, a torre norte.</p>
<p align="justify">- Avisa ao pai O&#8217;Flaherty e aos outros. É o noso home – e  dicindo isto colgou o móbil e dirixiu-se ao lobby.</p>
<p align="justify">- O que?!! Que onde está Diana? – perguntou o pai polo seu  móbil – pero se estabamos xuntos hai un momento no museu&#8230; que non contesta o  móbil?&#8230; Santa Bíblia bieita!&#8230; Vale, xa entendin o enderezo, mirámonos  alá&#8230;</p>
<p align="justify">O pai pechou o móbil con noxo pensando que Diana rompera a sua  própria regra, nunca ir só a resolver un caso, e se dirixiu correndo ao  condomínio.</p>
<p align="justify">A seguranza do edifício non semellou moi impresionada polas  suas credenciais e a sua roupa de sacerdote.</p>
<p align="justify">- Digo-lles que un axente de policía se atopa neste lugar –  insistiu.</p>
<p align="justify">- Pai-o-que-sexa, sen unha orde xudicial vosté non vai entrar  en ningun apartamento aqui.</p>
<p align="justify">- Alomenos chamen a ese señor Peter Stumpp – necesito falar con  el. Cousas de Deus, saben?</p>
<p align="justify">As duas da recepción trocaron olladas antes de que un deles  chamase ao inquilino. Houbo un troco de palabras e entón dixo:</p>
<p align="justify">- Esta ben, o señor di que pode vosté subir.</p>
<p align="justify">- Que? vai-me reciber?</p>
<p align="justify">- O ascensor da dereita por favor.</p>
<p align="justify">O pai O&#8217;Flaherty apresurouse a esperar o ascensor; nese intre  volveu soar o seu móbil.</p>
<p align="justify">- Si?&#8230; So Yee?</p>
<p align="justify">- Pai – dixo a oriental ao outro lado da liña – Pepe averiguou  algo moi túrbio sobre o nome este&#8230; escoite-me ben porque Jim e mais eu  tardaremos en chegar – En 1589 houbo un Peter Stumpp xulgado por bruxería; dicia  que o demo mesmo lle dera un cinto que ao pór-llo o metamoforseaba en «algo moi  semellante a un lobo esfameado por devorar, forte e poderoso, con ollos grandes  e amplos, que pola note refulxían coma se fosen de lume, unha boca grande e  ancha, con dentes afiados e crueis, un corpo enorme e poutas poderosas».</p>
<p align="justify">- De onde quitou Pepe esa información?</p>
<p align="justify">- Da transcrizón do xuízo mesmo – o home foi atopado culpábel,  puxérono na róda do tormento, onde lle arrincaron a pel con tenaces ao vermello,  e logo os brazos e as pernas. Logo foi decapitado e queimado nunha fogueira.</p>
<p align="justify">- Xa dicia eu que non podia ser o mesmo &#8230;</p>
<p align="justify">- Padre&#8230; o cinto nunca foi atopado&#8230;</p>
<p align="justify">- Nai de Deus&#8230;</p>
<p align="justify">O ascensor abriu-se nese momento e o pai entrou, colgando o  móbil.</p>
<p align="justify">O ascensor abriu-se en  plea sala de estar e o pai viu decontado ao home, fronte ao altar que semellaba  fóra de lugar aí, vestido cunha rechamante bata de veludo vermello e bordados  dourados; Diana xacía nun amplo sofá á outra beira.</p>
<p align="justify">- Eu fun unha vez tamén un home relixioso – dixo o home ao  dar-se a volta.</p>
<p align="justify">- Esta ela&#8230;? – perguntou o pai achegando-se á muller.</p>
<p align="justify">- Morta? Certamente non&#8230; son un cazador, un predador&#8230; non  mato sen sentido&#8230; tivemos un pequeno, digámolo asi, intercambio&#8230;</p>
<p align="justify">O pai notou que Diana tiña pulso, ainda que moi debil.</p>
<p align="justify"><img class="alignright size-full wp-image-1776" style="margin: 8px;" title="cazademos3" src="http://novafantasia.com/wp-content/uploads/cazademos3.jpg" alt="cazademos3" width="145" height="164" />- Acreditaba en Deus sobre todas as cousas – continuou dicindo  o home como se o pai non estivese aí – e daquela&#8230; descobrin esto&#8230; &#8211; e quitou  da caixa o labrado cinto &#8211; e o meu conceito sobre o Ben e o Mal mudou  radicalmente&#8230;</p>
<p align="justify">- Ese era o cinto de Peter Stumpp&#8230;</p>
<p align="justify">- Non poderá crer onde o atopei&#8230; abandoado durante séculos&#8230;</p>
<p align="justify">- Realmente transforma-o en&#8230;?</p>
<p align="justify">- Un lobishome&#8230; tampouco non eu o cria, pechada na miña  esquemática mente&#8230; puxenmo a primeira vez só por curiosidade, para ver como me  quedaba&#8230; ahhh!!, esa irrepetibel sensación&#8230; cando todo o poder do universo  se concentra no teu corpo e tes por primeira vez conciéncia de toda a forza da  natureza, do salvaxe&#8230;</p>
<p align="justify">- É unha natureza demoníaca&#8230; para matar&#8230;</p>
<p align="justify">- Ah, non-o sei&#8230; é como seguir o instinto&#8230; son seica  diabólicos os animais que buscan sobrevivir?</p>
<p align="justify">- Os animais non teñen conciéncia do que fan&#8230;</p>
<p align="justify">- Ah amigo, que é a conciencia se non un pequeno coñecemento de  nós mesmos?&#8230; algo que varía cando nós mudamos&#8230; direi-lle un segredo&#8230; non  existe tal cosa&#8230; é un mito moral&#8230;</p>
<p align="justify">- O que fai esta mal&#8230; déixe-me axudalo&#8230;</p>
<p align="justify">- Axudar-me? Quen&#8230; Vosté?&#8230; pero se vosté non pode axudar-se  nen a si mesmo pai O&#8217;Flaherty&#8230; Ouh si, o seu cheiro inconfundibel de cura  paroquial o delata&#8230; &#8211; e o home semellou cheiralo – ese cheiro a naftalina, a  traxe vello gardado, a incenso e fume&#8230; a suor de derrotado, de sen  esperanza&#8230;</p>
<p align="justify">- Non vou deixar que volvas facer-lle dano a ninguén – dixo o  pai quitando valor de onde non tiña.</p>
<p align="justify">- E como o vai impedir – dixo o home quitando-se nun dramático  aceno a bata e ficando completamente espido. – Coa sua cruz de cartón&#8230; &#8211; e se  puxo o cinto.</p>
<p align="justify">O pai achegou-se até estar fronte a el e con terror comezou a  ver a transformazón; comezou cun lixeiro tremor muscular, que se foi  incrementando até ver como ian medrando, e seguiu cun aumento maxilar e da  dentadura, onde poderosos cabeiros comenzaban a aparecer.</p>
<p align="justify">- Non draco sit mihi dux&#8230; Vade retro satana.</p>
<p align="justify">O home semellou ter un espasmo ao escoitar as palabras en  latin.</p>
<p align="justify">- Nunquam suade mihi vana&#8230; Sunt má quae libas.</p>
<p align="justify">A fibela do cinto semellou envermellar e comezou a soltar un  vapor; escoitou-se un seseo, como o de carne queimando-se.</p>
<p align="justify">- Ipse venena bibas!! – berrou o pai.</p>
<p align="justify">Esta vez o home soltou a fibela nun oubeo de dór. Sen o pensar,  O&#8217;Flaherty chimpou-se sobre el.</p>
<p align="justify">Como caídos do Ceu, So Yee e Jim chegaron nese momento.</p>
<p align="justify">- Rápido!! – axudáde-me a sacar-lle o cinto antes de que a  transformazón estea completa! – berrou o pai debatendo-se.</p>
<p align="justify">Houbo unha loita titánica, das tres encima daquel  pseudo-monstro que seguia mutando: So Yee o atacou cunha couce circular polo  abdome, Jim tratou de o suxeitar desde atrás e O&#8217;Flaherty forcexeaba co cinto.</p>
<p align="justify">Finalmente o pai conseguiu sacar-llo e rodou a un lado  esquivando as suas poutas.</p>
<p align="justify">Ainda sen o cinto, aquela cousa se ergueu nas suas patas e  cunha forza sobrehumana lanzou a Jim e a So Yee polos aires.</p>
<p align="justify">Escoitou-se entón un disparo, dous, tres, e a Besta recuou  levando as poutas ao peito; o cuarto disparo lanzou-no contra o ventanal, que  rompeu en anacos, caindo ao baleiro. Cando o pai conseguiu incorporar-se, viu a  Diana parada coa escopeta na man, ainda co fume saindo do seu cañón.</p>
<p align="justify">O xentio rodeaba o cordón policial, curiosamente morboso de ver  que habia baixo da saba ensanguentada na beirarrúa. Habia patrullas de policias  por doquier, coas luces e as sereas, unha camioneta da morgue e un par de  ambuláncias. O xefe da Policia de New York agachóse e deu-lle unha ollada ao  cadáver.</p>
<p align="justify">- Semella coma calqueroutro psicópata para min – comentou-lle á  muller, pelo negro, ollos rubís, que estaba parada ao seu carón.</p>
<p align="justify">- Non estaba asi cando caiu – replicou ela – créa-me.</p>
<p align="justify">- En fin – dixo o xefe erguendo-se e facendo o aceno de se  lavar as mans – isto acabou, no que respecta a nós&#8230;</p>
<p align="justify">A muller fixo un xesto, que podía ser un sorriso, despediu-se  cun aceno e foi-se reunir coa sua equipa, que a esperaba á outra beira da rua.</p>
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		<title>Os Maldonados</title>
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		<pubDate>Wed, 12 Dec 2007 08:50:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Teodosio Vesteiro e Torres</dc:creator>
				<category><![CDATA[Relatos]]></category>

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		<description><![CDATA[I Uma das mais singulares antinomias da Idade Média é o culto decidido e constante que os cavaleiros rendiam simultaneamente à religião de Cristo e à religião da Honra, que chegara a ser pouco menos do que um deus para os nossos maiores. Perdoar as injúrias é um preceito cristão. [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong>I</strong></p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-1770" style="margin: 8px;" title="maldonado" src="http://novafantasia.com/wp-content/uploads/maldonado.jpg" alt="maldonado" width="202" height="268" />Uma das mais singulares antinomias da Idade Média é o culto decidido e constante que os cavaleiros rendiam simultaneamente à religião de Cristo e à religião da Honra, que chegara a ser pouco menos do que um deus para os nossos maiores.</p>
<p>Perdoar as injúrias é um preceito cristão. Não tolerar (nem) a mais pequena, foi um preceito da cavalaria. Quando alguém se armava cavaleiro, o golpe que lhe dava o padrinho com a espada sobre os ombros significava que aquela era a última afronta que devia sofrer o dignatário. Isto sucedia no momento de jurar o jovem paladino morrer pela religião de Jesus.</p>
<p>Notório é quanto receosa se mostrou sempre a nobreza galega das suas honras e privilégios. A satisfação que tomou de uma injúria um cavaleiro dos Aldanas, constitue o objecto desta breve memória.</p>
<p>O feito celebrou-se então grandemente, como que foi origem dum ilustre apelido e de um brasão dos mais prezados.</p>
<p>Chegou a nós baixo a fé de Ozcariz Febrer, Pi Ferrer e outros escritores, quem lhe assignam a data de 839, reinando Afonso III. Ao referi-lo nós qual eles o referem, não podemos menos de protestar do anacronismo, pois Afonso III ainda não nascera em 839. Não faltará alguma outra circunstância pelo estilo, em descrédito da nossa história; mas esta, verdadeira em pouco ou em muito, serve para dar uma ideia do que eram os homens daquela idade.</p>
<p>Não sempre hão de ser feitos o objectivo da Musa do passado. Muitas vezes, mais do que cem feitos vale um símbolo.</p>
<p style="text-align: center;"><strong> II</strong></p>
<p>Fernão Peres de Aldana, -a seguir a sentença dos geneaologistas, que deliraram mais do que Ovídio nas Metamorfoses- descendia de Teodorico, rei dos ostrogodos, por linha de um Suero?, que passou à Galiza e fundou casa solarenga e infanzona em Aldana, comarcas de Santiago.</p>
<p>As armas da família eram dois lobos de gules em campo de ouro, com o timbre Ave Maria.</p>
<p>Depois de quarenta e seis anos de fadigas servindo a Afonso III, cujo almirante (?) foi, Fernão Peres de Aldana sentiu-se enfermo, e em vista da inutilidade dos meios humanos para combater o mal, apelou ao socorro divino, invocando à que é salus infernorum.</p>
<p>Tal fé tinha o poderoso valemento da sua excelsa padroeira, que, a pesar do estado no que se achava, não vacilou em pôr-se em caminho para visitar o santuário de Nossa Senhora de Montserrat, segundo voto que oferecera.</p>
<p>A moléstia da peregrinação fez que piorasse, e fui preciso levá-lo numa maca à celebrada igreja, objecto das suas ânsias.</p>
<p>Nesta disposição iniciou a novena.</p>
<p style="text-align: center;"><strong> III</strong></p>
<p>A afluência de gentes era imensa no santuário de Montserrat o dia 8 de setembro, festa do seu titular. Entre os forasteiros que acudiram aquele ano á famosa romaria, distinguia-se um, que pelo seu traje e servidume devia ser um grande personagem.</p>
<p>Durante os ofícios, coube-lhe estar junto ao leito do paciente Aldana, quem -dito seja de passo- não se trocava por cavaleiro nenhum daquela terra, julgando-se tão bom e nobre pelo menos como o que mais.</p>
<p>O estrangeiro, desejoso de ver melhor as cerimónias e prescindindo ele mesmo de todas, encaramou-se muito galanamente sobre a cama do infanção galego, que veio ficar como o demo baixo Santo Miguel.</p>
<p>Tamanho desaforo e tão indencente descortesia feriram Aldana no mais vivo: mas por respeito ao templo, houve de limitar-se a dizer ao ousado:</p>
<p>- Rogo-vos em cortesia, cavaleiro, busqueis outro sítio no que melhor podais estar, que vossos pés me incomodam.</p>
<p>- Não te incomodarão, se quem sou souberas &#8211; contestou o sobérbio.</p>
<p>- Mais cortesia me fizeras também tu, se quem sou souberas &#8211; replicou Aldana.</p>
<p>Longe de vir à razão, irrompeu o mal criado nestas frases:</p>
<p>- Nao me dês ocasião de pôr os pés de modo que os sintas.</p>
<p>Indignado então Aldana, exclamou:</p>
<p>- Cavaleiro: se esta divina senhora, a cuja devoção eu vim, me devolve a saúde, prometo-vos que vá tomar emenda e satisfação da injúria no seu santo templo recebida.</p>
<p>Acabou com isto o incidente.</p>
<p>Averiguando depois quem era o emperigotado personagem, resultou ser o duque de Normandia, sobrinho do rei de França.</p>
<p style="text-align: center;"><strong> IV</strong></p>
<p>Aldana curou-se, e não tendo ainda recuperado as suas forças, presentou-se a Afonso III dando-lhe conta do sucedido.</p>
<p>Grande pena cobrou o rei, assim pela qualidade do ofendido como pela do ofensor, e desejando arranjar o asunto o melhor possível, enviou um embaixador com Aldana à corte do soberano francês.</p>
<p>Ante isto expôs a sua querela o nosso cavaleiro, causando profunda pesadume no ânimo do monarca, que estimava muito aquele, ainda que naturalmente estimaria mais ao seu sobrinho.</p>
<p>O duque de Normandia compareceu no estrado e houve de confessar a sua falta, da que pediu perdão ao afrentado galego.</p>
<p>Não se contentava Aldana com tão pouca cousa, e exigiu que o duque se postrasse em terra, para pôr sobre ele um pé, em desagravo da injúria de Montserrat, e segundo lei do Talion.</p>
<p>O ofensor resistiu-se a humilhar-se de tal sorte, e não tendo avença, decidiu o rei de França que as duas partes elucidassem a questão pelas armas em singular combate.</p>
<p>Assim se efectuou. O dia da lide apareceram ambos os dois cavaleiros de punta em branco, e romperam em mil pedaços as suas lanças à primeira envestida.</p>
<p>Seguiu a peleja, usando da pesada maça, até que Aldana derrubou de um golpe o Duque de Normandia, que rodou ferido pela areia.</p>
<p>Com a celeridade que presta a sede de vingança, saltou Aldana do cavalo e dirigiu-se ao seu adversário com a firme intenção de cortar-lhe a cabeça. Pero o rei interpôs a sua espada, e advertiu-lhe ao espanhol que satisfeito ficaria a sua honra, se o duque morria da ferida, como era provável.</p>
<p>O nosso herói abandonou o campo.</p>
<p style="text-align: center;"><strong> V</strong></p>
<p>Quando o soberano francês dava por acabada a história, achou-se com Aldana, que voltava á sua presença demandando vingança.</p>
<p>Assombrado por aquele homem implacável e ansiando acabar de vez, ofereceu-lhe honras e riquezas a troco de uma honrosa transação.</p>
<p>Aldana observou que, sobrando-lhe tudo na sua casa não se molestara em ir por isso a casa alheia; e acrescentou que se retiraria a Espanha, não só queixoso do duque, mas também do rei.</p>
<p>Em tal ponto, este prometeu outorgar-lhe tudo o que lhe pedisse. Aldana pediu para o seu escudo um brasão de cinco flores de lis, já que os reis de França usavam só tres.</p>
<p>Comprometido o monarca pela sua palavra, contestou com estas que conservou a história:</p>
<p>- Je te las donne, bien qu&#8217;elles soyent maldonées. (Eu dou-tas, por mais que sejam mal dadas).</p>
<p>Explicam os tratadistas de heráldica o maldonées, não como referido a um dom que não se merecera, senão como dom arrancado por força maior, a despeito próprio.</p>
<p>Aldana então deu-se por cumpridamente vingado, e de tal vez benzeu a injúria que lhe oferecia uma reparação daquele género.</p>
<p style="text-align: center;"><strong> VI</strong></p>
<p>Para memória do sucesso, Fernão Peres de Aldana e os seus descendentes tomaram o apelido Maldonado, e engadiram-lhe aos seus brasões cinco lis de ouro sobre azur.</p>
<p>A sua casa engrandeceu-se por entronques com as primeiras famílias, e a história registrou muitas vezes as façanhas de Aldanas e Maldonados nas nossas lutas com os sarracenos.</p>
<p>Um cavaleiro desta descendência, João de Aldana, obteve do rei Jaime de Aragão por prémio das suas proezas três coroas e uma espada de ouro sobre gules.</p>
<p>Assim se deduz das nossas crónicas a origem dos Maldonados e o das lises nos escudos espanhóis.</p>
<hr />
<p style="text-align: right;"><em>Teodósio Vesteiro e Torres</em><br />
Madrid, agosto 1873.<br />
Tradución por <strong>Alfonso Javier Canosa Rodríguez</strong></p>
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		<title>O Médico</title>
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		<pubDate>Tue, 11 Dec 2007 17:54:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Francisco Ruiz Fernandez</dc:creator>
				<category><![CDATA[Relatos]]></category>
		<category><![CDATA[terror]]></category>

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		<description><![CDATA[John ollou o número que aparecia xunto á portiña de entrada. Os enferruxados díxitos de metal cadraban cos que tiña apontados, se se consideraba o nove desbocado e caído coma o seis da nota. Si, ése era o enderezo que lle indicaran por telefone. John avanzou con paso renqueante polo [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-1762" style="margin: 8px;" title="medico1" src="http://novafantasia.com/wp-content/uploads/medico1-300x163.jpg" alt="medico1" width="300" height="163" />John ollou o número que aparecia xunto á portiña de entrada. Os enferruxados díxitos de metal cadraban cos que tiña apontados, se se consideraba o nove desbocado e caído coma o seis da nota. Si, ése era o enderezo que lle indicaran por telefone. John avanzou con paso renqueante polo carreiro lastrado cara a entrada. Os escasos dez metros de lousas que lle separaban do acceso á mansión se adentraban nun mar de altos herballos.</p>
<p>Acodira de má vontade: os últimos dias sofrera unha forte dór nas pernas e na coluna, tan intensa que por momentos lle impedia camiñar. Pero a baixa médica que lle concederan podia ser anulada sen aviso e de forma irrevocábel: cando asinou o contrato coa ONG Mundo de Fame, en calidade de membro a soldo, sabía que podería atopar-se con esta situación. Unha cláusula ben clara rezaba en letra non exactamente pequena que se esixia del absoluta disposición. Absoluta. En troques diso, John cobraba un suculento e case desproporcionado plus mensual. Asi, a partir do intre no que deixou a sua empresa, convertera-se en médico auxiliar para o distrito de Arkham, sempre co móbil disposto. E, tendo en conta que o traballo lle caira literalmente do ceo, non podia queixar-se. Ainda lembraba a entrevista co representante da ONG, no seu agora xa arredado Vermont.</p>
<p>– O seu perfil é idóneo para poder traballar connosco, señor – dixera-lle aquel home cun frío sorriso. Ademais podemos informar-lle de que as análise e chequeos indican-nos que posue unha saúde de ferro. Non se arrepentirá de nos ter coñecido: daremos-lle un nova sentido á sua vida.</p>
<p>Nos dous meses que transcorreran desde aquela o móbil só soara unha vez, cando tivo que sandar a unha solitária anciana. Xamais estivera no bairro alto de Arkham, e a estrana arquitectura daquela mansión lle deixou desconcertado. Abrira-lle a porta un criado meio cego, a todas luces incapaz de coidar da sua señora ante unha emerxéncia. John surprendera-se pola decrepitude tanto da casa coma dos seus habitantes, creaturas enrrugadas e case tan enmohecidas coma os libros da colosal biblioteca onde a ferida lle esperaba. Xente dunha época anterior aferrándose á vida dentro dunha decrepita mansión. Fósiles.</p>
<p>A casa que agora visitaba sofria un abandono semellante ao daquela anciana; esta mansión e todas as demáis que vira desde a sua entrada en Innsmouth. A povoazón costeira era o mais semellante a unha aldea fantasma que nunca antes John mirara. As avenidas e rúas, suxas e cheas de montañas de follas secas, tiñan o asfalto (onde o había) estragado e cheo de socavons. As casas, na sua maior parte mansións de comezos do século XIX, proclamaban tempos de glória pretérita, agora convertida en horríbel e mofosa decadéncia. As fachadas perderan en múltiples zonas a pintura, dandolles un xeito leproso. A madeira ficara á intempérie, abandoada para que a fumidade salina do pret mar a corroera.</p>
<p>Innsmouth. Decenas de rumores, algúns sen dúbida disparatados, chegaran aos seus oidos desde que se trasladase a Arkham: ‘xente rara, perigosa, a de Innsmouth’, ‘millor non tomar o autobús da costa: é a sua liña, e son moi celosos de todo o seu’, ‘non gostan das visitas’. Antes de asinar o contrato, naquela escura secretaría fronte ao suxo Miskatonic, refereu-lle ao seu xefe todas aquelas faladurías. Éste contestou-lle cun sorriso estrano:</p>
<p>– Non há de ter medo de todo iso, xa que amosando o seu novo carné de Mundo de Fame non terá problemas.</p>
<p>John apalpou o carné no peto do seu pantalón, o seu salvoconduto en Innsmouth. No centro, sobre o seu nome e apelidos, á direita da sua sorrinte fotografia, habia un curioso debuxo. Representaba un globo do mundo rodeado dun estrano anelo de símbolos indescifrábeis; unha espécie de fitas esverdeadas xurdian desde detrás do círculo e apretaba a Terra con aparente desacougo.</p>
<p>Innsmouth. Avenida Marsh, número 276. Alí estaba. Deixou su maletín de médico no chan: o seu peso lle provocaba dorosos pinchazos no costado, aguilloadas que se propagaban da coluna ás pernas. Tocou o timbre, pero ningún són respondeu á pulsación. Estragado, sen dúbida. Unha aldaba coa forma da cabeza dun extrano polbo observába-o dende o centro da porta. Alomenos isto non necesitaba electricidade para funcionar, murmurou John, irritado. As pernas dolían-lle agora horrores. O curto paseo dende o coche até alí parecía ter-lle reavivado as dóres. Necesitaba aplicar-se un calmante. Máis tarde, unha vez rematara con esta emerxéncia. Agora debía cumprir co seu traballo. Propinou tres sonoros golpes co cefalópodo de bronce. Silenzo do outro lado da porta. Quizáis estean na planta superior. Calma. Pero a dór&#8230;</p>
<p>Mentres esperaba a que lle abrisen estudou o porche, claro exemplo da deixadez que reinaba na aldea: un desvencillado banco xacía feito anacos á esquerda, vítima da carcoma e a intempérie: as paredes perderan a pintura en enormes seccións, e os desconchóns deixaban a madeira ao ar para que lentamente se apodrecese; moitos dos listons foran substituídos con patente ineficiéncia, dando ao conxunto un xeito de parches moi pouco agrádabel á vista. Diversos utensílios mariñeiros colgaban, cheos de pó e suxwdade, aportando outra nota de tristura á casa.</p>
<p>Uns pasos soaron ao outro lado da porta. Ao mesmo tempo coidou oir un oubeo apagado: semellaba proceder do andar superior. John notou como os seus cabelos se ourizaban como escárpias. A cortina de ganchillo que cobria o cristal da porta descorreu-se, aparecendo un rosto sulcado de enrugas, de pele cetrina e enormes ollos saltons:</p>
<p>– É vosté o de Mundo de Fame?</p>
<p>John extraiu da sua carteira a acreditación. A face estudou o carné a través do cristal, e ao recoñecé-lo abriu moito mais ainda os ollos. Cun sorriso abriu-lle a porta: tiña unha boca mais ca enorme, e os seus beizos semellaban case inexistentes do finos que eran.</p>
<p>– Ah, vexo que vosté é o que agardabamos – dixo convidando-lle a pasar. Pola escada, por favor.</p>
<p>Non sen certa renuencia, John apañou o seu maletín e pasou ao recebedor. A atmosfera de dentro da casa resultaba sufocante e húmida. Os visillos trasnoitados que colgaban dos ventanais impedian o paso da luz, sumindo á casa nunha mesta penumbra. Seguindo as indicacións da anciá, John dirixiu-se á escada. Avanzaba con lentitude, ollando ao seu redor: se o xeito exterior da mansión deprimia a vista, o que se agochaba tras a fachada só podia calificar-se coma terríbel. Suxedade e abandono por todas partes. O pó acumulaba-se en mestas capas por todas partes: móbeis, lámpadas, cadros, chan. A pátina que cobria éste resultaba mais chocante ao comprobar a existéncia de carreiros ben visíbeis, rotas frecuentadas pola anciá no seu quefacer cotiá, e que contrastaba coa mais mesta e graxenta, alá por onde non camiñara quen sabe en cantos anos.</p>
<p>John xa estaba no andar superior. Perante el agardaban cinco portas pechadas.</p>
<p>– Onde&#8230;?</p>
<p>A muller respondeu ás súas costas, sinalando a unha trampiña:</p>
<p>– Enriba, alá é onde se lle require.</p>
<p>– Aí? Pero&#8230; iso é o faiado!</p>
<p>– Si, si: aí é, aí é.</p>
<p>John ollou desconcertado o rosto de papiro. Non habia dúbida posíbel: debia subir ao faiado.</p>
<p>Como para eliminar calquera duvida, outro laio resoou enriba da sua cabeza. A gorxa que o propuxera lle esperaba alén da trampiña.</p>
<p>John comezou a suar. Algo alá estarrecia-lle. Case semellaba estar inmerso nunha história de terror, das que se contan ao redor dunha fogueira nunha acampada de adolescentes.</p>
<p>– Abra, abra sen medo, non lle farán dano.</p>
<p>Descorreu o ferrollo con pulso tremoroso e deixou cair a portiña. Receoso, desenganchou a escada e a desplegou. Unha luz peneirada por cortiñas verdes asulagaba o ático. Un novo oubeo, esta vez con certo cariz de interrogación, xurdiu da penumbra glauca.</p>
<p>– Non vai deixar-me unha lanterna, ave &#8230; algo?</p>
<p>– Non, a luz ainda fai-lles dano. Suba, eu sigo-lle.</p>
<p>Ascendeu os chanzos amodo. As pernas e o lombo doían-lle horrores. E o maletín pesaba coma chumbo.</p>
<p>Veña, fai o que sexa, pero remata axiña con isto.</p>
<p>O cambio!O faiado estaba agora en silenzo: o seu habitante (non dixo antes ‘farán’? Canta xente hai aquí adentro?) quizáis se asustara ao ver ao recén chegado. As paredes estaban espidas, coas trabes ao ar. O chan estaba cuberto cunha grosa moqueta azulada, do ton semellante ao da curtiña que colgaba perante o único ventanal. A luz á penas podía atravesar o mesto tecido, sumindo ao desván en tebras azuladas. John non podía distinguir nin camas, nin armários nin ningún dos enseres habituais alí onde se supón que vive un enfermo.</p>
<p>Enfermos. Segundo dixo aquí debe haber vários enfermos.</p>
<p>A trampiña pechou-se ás súas costas, seguida dun golpeteo metálico. A anciá, que lle seguira ao interior do faiado, ficaba agachada sobre o acceso.</p>
<p>– Ben, xa puxen o ferrallo. Agora deixe o maletín e póñase xunto aos demáis.</p>
<p>– Perdón?</p>
<p><img class="alignright size-medium wp-image-1763" style="margin: 8px;" title="medico2" src="http://novafantasia.com/wp-content/uploads/medico2-201x300.jpg" alt="medico2" width="201" height="300" />John non comprendía ren. Observou cunha mistura de abraio e terror o enorme ferrallo e as cadeas que agora obstruían a portiña.</p>
<p>– Non, non&#8230; non entendo ren de todo isto. Onde está o enfermo ao que debo atender?</p>
<p>Unha sombra xurdiu de súpeto de entre as sombras, ás costas da muller. Un home espido. John retrocedeu horrorizado: a pel daquel individuo era extrana, escamosa e dun malsán tón verde azulado. Fitou outros detalles, a cada cal máis aberrante: entre os seus dedos tiña unha membrana, os seus beizos semellantes aos dun batrácio, e os ollos&#8230; a semellanza coa anciá abraiouno, dado que semellaba unha grotesca e antinatural rá humana.</p>
<p>– Atender a un enfermo? Quen – espetou a anciá – falou diso? Non llo explicaron?</p>
<p>Un latigazo de dór percorreu a coluna de John, obrigándo-o a se axenlloar.</p>
<p>– Ah, seica xa escomezou a sofrir dóres. Non acougue: eu estou aquí para coidar de vosté. Se o seu expediente que nos enviou a organización está ben, vosté forma parte dos de terceira xeración. Estea tranquilo, xa que nun par de meses retozará no mar cos demáis. Xa viu a Charlie. El sairá dentro dunha semana: o seu cambio case completou-se.</p>
<p>«Pero ben, señor Kasparek, alí está o seu recuncho. Si, onde esa argola baleira, xunto a Mike. Non teña medo: eu coidarei de vosté até que lle chegue o momento.</p>
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		<title>O Reloxo</title>
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		<pubDate>Tue, 12 Dec 2006 16:13:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rafael Avendaño</dc:creator>
				<category><![CDATA[Relatos]]></category>
		<category><![CDATA[ciéncia ficción]]></category>

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		<description><![CDATA[&#8230;o tempo físico non é máis ca, ao igual có resto do mundo físico, unha ficción derivada da realidade mental subxacente. George Berkeley (1685-1753) Todo comezou cando eu tiña trece anos. Atopaba-me nesa difícil idade na que inadvertidamente deixas atrás a nenez para encarar a complicada etapa da adolescéncia. Vivia [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="right"><span style="font-size: x-small;"><em>&#8230;o tempo físico non é máis ca,<br />
ao igual có resto do mundo físico,<br />
unha ficción derivada da realidade mental subxacente.</em><br />
<strong>George Berkeley</strong> (1685-1753)</span></p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-1827" style="border: 0pt none; margin: 8px;" title="reloxo1" src="http://novafantasia.com/wp-content/uploads/reloxo1.jpg" alt="reloxo1" width="210" height="163" />Todo comezou cando eu tiña trece anos. Atopaba-me nesa difícil idade na que inadvertidamente deixas atrás a nenez para encarar a complicada etapa da adolescéncia. Vivia con miña nai nun pequeno e luxoso chalet na zona residencial da cidade. O meu pai morrera había cinco anos. Mália o tempo transcorrido, ambas, especialmente a miña nai, seguiamos respirando a tristura da sua perda no ambiente. Sobre todo na terceira planta, a bufarda que o meu pai utilizara como despacho e como almacén para todos os obxectos que fora atesourando cos anos e dos que sempre fora reácio a se desprender. Decenas de caixas apiaban-se entre todo tipo de obxectos, andeis carregados de libros e revistas, instrumentos musicais, enormes mesas de gravación cubertas agora polo pó, e mesmo várias xerazóns de ordenadores. Todos aqueles obxectos tiveran o seu momento de glória antes de acabar finalmente apiados alá. O resultado era que apenas ficaba xa espazo alá enriba para mais nada.</p>
<p>O certo é que aquel sábado a miña nai pediu-me que subise a botar unha ollada e tentase facer algo de sítio desfacendo-me dalgúns vellos trastes inútis. Quería renovar alguns dos móbeis da casa e ía necesitar espazo para gardar o seu contido temporalmente. Lembro ter subido con desgana os chanzos que conducian á terceira planta. Tiña mellores planos que pasar a tarde do sábado carregando cousas escadas abaixo.</p>
<p>Estaba seguro de que a miña nai nunca voltara subir alá desde a morte de meu pai. Supoño que todos aqueles obxectos lle traían demasiadas lembranzas dorosas. Por iso surprendeu-me atopar unha fotografia de meu pai encol unha das caixas. Non lembraba té-la visto alá a última vez que subin. En realidade, non vira esa fotografia na miña vida.</p>
<p>O meu pai aparecía sorrinte no xardin, cunha lata de cervexa na man facendo un aceno de brinde. No seu pulso podia-se ver claramente a cadea de aceiro que suxeitaba o seu reloxo.</p>
<p>O reloxo do meu pai.</p>
<p>Non se trataba dun reloxo corrente, senón dun deses reloxos de peto que adoitan pendurar dunha longa cadea. Só que o meu pai substituira esa cadea por unha mais corta e mais grosa suxeita ao seu pulso. Até onde son capaz de lembrar, meu pai sempre levara aquel reloxo. Lembro-o especialmente porque a cotío falába-me del dunha forma que, mália miña nenez, podia recoñecer coma inquedante. Sempre insistia en que un dia eu o herdaria, do mesmo xeito que el o herdara do meu avó. Eu ollábao sen entender que podia ter de especial aquela antigalla.</p>
<p>O meu pai certamente fora unha persoa singular. Para comezar, era unha das poucas persoas no planeta que sofria a síndrome de Jackobson. Trata-se dunha estraña enfermidade dexenerativa que acelera o envellecemento até o ponto que, cando o meu pai morreu, ténia apenas cincuenta anos e aparentaba mais de oitenta. El, nembargantes, nunca mostrou a menor preocupación nen pesar pola sua enfermidade. Era, de feito, totalmente feliz, e cando a miña nai semellaba abatida ao velo envellecer daquela forma, era el quen a consolaba. Sempre dicia que non importaba o longa ou corta que poda ser a tua vida, senón como empregas o tempo que pasas nela. E o meu pai nunca perdia un segundo en nada que non fose do seu agrado. Non traballaba, e até onde eu sabia, non traballou en toda a sua vida. Nembargantes o noso nível de vida era razoabelmente alto. Viviamos nunha casa luxosa, tiñamos vários coches caros, os meus pais viaxaban con frecuéncia a lugares exóticos, sempre aloxándose nos mellores hoteis&#8230;</p>
<p>Segundo o meu pai, unha xenerosa herdanza do meu avó ben investida permitialle viver daquela forma polo resto da sua vida. Só nunha ocasión aconteceu un incidente que fixo á miña nai suspeitar que algo non estaba ben de todo. Un dia apresentou-se a policia na casa e detivo ao meu pai para lle interrogar en relazón ao roubo dun banco. Seica empregara diñeiro que estaba marcado e que se correspondía co desaparecido meses atrás. Sen embargo, despois de o reter várias horas tiveron que deixalo marchar ao non poder probar nada. O meu pai era unha persoa tranquila, ou alomenos foino até os últimos anos da sua vida. Conducia-se sempre cunha grande serenidade, nunca se alteraba, nunca amosaba desacougo ou irritación. A sua vida, ainda que acelerada pola sua enfermidade, transcorria dentro dunha grande calma.</p>
<p>Até que desapareceu o seu reloxo. Lembro perfeitamente aquel dia. É a pior lembranza da miña infáncia. Para un neno de oito anos, ver ao teu pai completamente fóra de si maldicindo violentamente a todo o mundo, non é algo que se esqueza. O dia anterior a miña nai e máis eu viaxáramos á casa dos meus avós maternos. Á nosa volta atopamos ao meu pai totalmente toleado. Dicia que aquela noite alguén entrara na casa e roubara-lle o seu reloxo, e que o ladrón era imune á influéncia do reloxo porque posuía ún igual. Cando a miña nai trataba de lle perguntar o que queria dicir, o meu pai encarraxábase ainda mais e respondia que non-o poderia entender. O certo é que o meu pai xa nunca foi o mesmo, até o ponto de que pasou o último ano da sua vida recluído nun hospital psiquiátrico.</p>
<p>Despois de contemplar a fotografía durante un pouco, sentín o pulo de voltar a abrir aquela caixa. Non sei por que o fixen. Supoño que a fotografia me produciu certo sentimento de morriña. Pescudara moitas veces naquelas caixas, esperando descobrir algunha marabilla oculta, ainda que o único que atopara foran decenas de vellas fitas de vídeo e centos de cedés de música demasiado ráncia para o meu incipiente gosto adolescente. A caixa estaba, efectivamente, chea a rebosar de fitas VHS obsoletas, pero sobre unha das moreas habia un reloxo. O reloxo do meu pai.</p>
<p>Durante uns intres fiquei abraiado, paralisado pola surpresa. Entón, sentindo que o corazón me daba un chimpo tomei o reloxo entre a miñas mans. Trataba-se do mesmo reloxo, lembraba-o abondo como para estar seguro. Pero se fora roubado, como chegara até alá? A primeira vista non tiña ren de especial. A esfera era branca. Tres agullas marcaban a hora, minutos e segundos, e un pequeno indicador amosaba o dia do mes e o ano. Tiña unha rodiña no lado direito, xunto a unha inscrición na carcasa que dicia «push». Probei a xirá-la suavemente e comprobei como as maniñas se desprazaban á vez que mudaba a data no pequeno rectángulo indicador. Voltei a deixar a data e hora correcta consultando co meu reloxo. Xa eran as duas, a miña nai debia estar esperando-me para comer. Case perdera o interese cando, cun movemento inconsciente calquei a rodiña que se afundiu cun imperceptibel «clic».</p>
<p>Entón aconteceu algo marabilloso. Ao calcar o botón, á vez que se detiñan as maniñas que marcaban a hora, xurdiu unha extraordinária música que me envolveu extasiado. Ainda hoxe, despois de a ter escoitado miles de veces, non poderia sequera aproximarme a descreber o que sentin ao escoitar esa melodía. Aquela sinfonía descoñecida acariñou a miña alma e elevou-na cara ao ceo. Escolle o mellor orgasmo que tiveses en toda a tua vida, multiplícao por dez e soma-lle o maior momento de relaxazón e paz que experimentases. Ainda estarás lonxe de sentir o que se sente escoitando a música que emanaba do reloxo. A eséncia do universo pode-se condensar e reducir a són para ser percebida por un ser humano.</p>
<p>Perdin a nozón do tempo deixando-me arrastrar até os remotos confins do universo. Só tiña trece anos pero sentinme coma se tivese mil. Sentin como se toda a miña vida, pasada e futura, acumuláse-se nun só intre, coma se voase entre as estrelas, coma se todas as pezas do crebacabezas encaixasen, como se toda a sabedoría do mundo estivese a susurrar aos meus ouvidos. Nietzsche era un aprendiz, eu tiña todas as respostas&#8230;</p>
<p>Entón voltei á realidade, ou alomenos unha parte de min fixo-o coa forza dabondo para calcar o pequeno botón do reloxo e deter aquela música. Tardei vários minutos en reaxir. Estaba conmocionado pola experiencia que acababa de viver, pero pouco a pouco a realidade foi-se impoñendo. A miña nai estaria-me a esperar, canto tempo pasara? O reloxo do meu pai detivera-se e só voltara a pór-se en marcha cando a música se detivo. Consultei o meu reloxo de pulso e comprobei horrorizado que pasara case unha hora desde que subira ao faiado. A miña nai debía de ter a comida lista había moi pouco, e alporizába-se moito cando chegaba tarde. Iso fixo-me esquecer-me por un momento do reloxo, que gardei no meu peto mentres baixaba as escadas a toda velocidade. Sen embargo, estrañou-me que a miña nai non me chamase a berros como facia habitualmente cando me distraía mirando a televisión ou xogando no xardin. Ou talvez si o fixera e a música do reloxo impedira-me ouvir o seu chamado. Nese caso a miña nai estaria moito máis alporizada ainda.</p>
<p>Cal foi a miña surpresa ao chegar á cociña e ver que, non só a miña nai non estaba enfadada, se non que se atopaba sumida en metade dos preparativos da comida.</p>
<p>- Xa baixaches? – díxome co seu habitual ton agarimoso- atopaches algo que tirar?</p>
<p>- Errr&#8230; si&#8230; coido que si. – dixen barballante.</p>
<p>- Ben, entón baixa-o deica o pátio. E entón vai estudar, ainda fica un pouco até que a comida estea lista.</p>
<p>- Si nai.</p>
<p>Antes de sair da cociña botei unha ollada ao reloxo de parede. Marcaba as duas e dez. O meu reloxo de pulso daba as tres e cuarto. Quitei o reloxo do meu pai e comprobei abraiado que tamén marcaba as duas e dez. Raios! O meu reloxo xogara-me unha mala pasada.</p>
<p>Pasei o resto do dia ocupado coas tarefas que a miña nai me asignaba, confortado pola agradábel lembranza da música do reloxo. Esperaba con impaciéncia que chegase o momento de ir durmir para poder pechar-me no meu cuarto e voltar deleitarme de novo con aquela música.</p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-1828" style="border: 0pt none; margin: 8px;" title="reloxo2" src="http://novafantasia.com/wp-content/uploads/reloxo2.jpg" alt="reloxo2" width="120" height="160" />Descobrir o que o reloxo era capaz de facer era tan só cuestión de tempo. O destino quixo que fose aquel mesmo dia. Ainda que era sábado madrugara para facer uns encargos da miña nai. Ademais, o ter pasado a tarde baixando caixas do trasteiro fixo que estivese terríbelmente canso. Despois da cea sentei xunto á miña nai a ver a televisión, pero axiña venceu-me o sono e fun ao meu cuarto. Metin-me na cama e «conectei» de novo o reloxo. A melodia celestial veu ao meu encontro. Percorreu-me unha intensa onda de pracer e fiquei dormido. Nunca dormira tan profundamente. Cando acordei a música seguia acariñando suavemente a miña alma, dando-me os bos dias. Ou en teoria o que deberian ser os bos días. De entrada surprendeu-me que ainda fose de noite. Detiven a música e o reloxo continuou a sua marcha no ponto onde ficara, as once e meia. Nembargantes o meu reloxo de pulso marcaba as sete da mañá. Xa tería que ter amencido. Sain do durmitório e fiquei abraiado ao ver que a miña mai seguia mirando adurmiñada a tele no salón.</p>
<p>- Ainda non foches durmir? – perguntou ao sentir-me tras dela.</p>
<p>- Nnn&#8230; sei &#8230;esquecín algo&#8230; – dixen mentres corria de novo ao durmitorio présa do pánico.</p>
<p>Deus santo! Non era posíbel, estaba seguro de que durmira durante horas. Comprobei a hora no reloxo da mesiña, no teletexto do pequeno televisor do meu cuarto&#8230; Todos indicaban algo mais das once e meia&#8230; exactamente igual que o reloxo de peto do meu pai. Pero eu vira-o deter-se ! Como era posíbel? Asaltou-me unha terríbel dúbida. Era unha tolémia, unha estupidez, pero tiña que comprobá-lo.</p>
<p>Puxen o reloxo da mesiña fronte a min, onde puidese vé-lo claramente. A pequena agulla do segundeiro avanzaba inexorabelmente. Tomei o reloxo do meu pai e calquei o botón que activaba a música. Ésta veu ao meu encontro tan cautivadora como nas duas ocasións anteriores. Pero o reloxo da mesiña detivera-se! Consultei o meu próprio reloxo de pulso e comprobei, tal e como supuxera, que seguia funcionando perfeitamente. Diaños, seica aquel reloxo xeraba algun tipo de sinal capaz de paralisar o resto de reloxos ao seu redor? Veña, acouga, non pode ser o que estás a pensar, díxen-me. Sain do meu cuarto co corazón nun puño. Habia un silenzo sobrecolledor en toda a casa. No salón, a televisión acendida non emitia nengún són, a imaxe estaba xeada. O corazón latexaba desbocado no meu peito. Movendo-me moi devagar rodeei o sofá para ver horrorizado á miña nai alá sentada, inmóbel, cos ollos abertos pero sen ver. Petrificada! Ou mellor dito, xeada, suspendida no tempo. Fiquei un bo rato observando-a, sen poder quitar-lle a vista de enriba. Era case como ver unha fotografia. A sua boca tiña un lixeiro rictus, estaba por sorrir, probabelmente o chiste que o showman da tele viña de contar. Meu Deus!</p>
<p>Non puiden atura-lo e sain correndo do salón. Debía de estar a soñar, iso é, un terríbel pesadelo, axiña acordaria e todo voltaria á normalidade. E nembargantes sabia que non era un pesadelo, non haberia un acordar, estaba a acontecer de verdade. Fun deica unha das xanelas e asomei-me á rua. Fóra todo era como un filme en pausa. Habia alguns coches detidos na metade da calzada. A miña veciña e o seu fastidioso can, abaixo na beirarrúa, paralisados no seguinte paso do seu paseo nocturno. As follas das árbores atopában-se totalmente inmóbeis, e até puiden distinguir aos insectos que revoloteaban ao redor da farola, alá suspendidos no ar.</p>
<p>O terror apoderou-se de min. A estas alturas o leitor intelixente xa comprenderá que é o que estaba a acontecer. Pero unha cousa é lé-lo e outra vivé-lo, sobre todo se es un rapaz inmaduro de trece anos. Présa do pánico e do desacougo corrín da cima para abaixo pola casa, comprobando todos os reloxos, procurando algo que tivese movemento, vida de seu. Pero o único que non ficara xeado era eu mesmo. Despois de me botar auga xeada na face várias veces convencin-me de que non estaba a soñar, que aquilo estaba a me acontecer a min, e era real. Entón, como se acordase realmente dun pesadelo decatei-me de que é o que provocara todo aquilo. Busquei o reloxo do meu pai no meu peto. Calquei a pequena roda lateral e á par que a música se detivo, o mundo voltou á vida.</p>
<p>- Meu Deus! Que susto me deches! Non foras durmir?</p>
<p>Non me dera conta de que estaba canda miña nai cando o tempo reanudou a sua marcha. Para ela eu aparecera de súpeto ao seu carón, aterrorizándo-a.</p>
<p>- Sínto-o nai. Non teño soño, deixas-me ver un pouco mais a tele&#8230;? – dixen mentres me anicaba ao seu carón.</p>
<p>-De acordo, pero non me gosta que sexas tan silandeiro cando te achegas. O teu pai adoitaba facer-me o mesmo ás veces e non me gostaba nada&#8230;</p>
<p>Abraceina e ela deixou-se abrazar.
</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p>Á mañá seguinte, coa luz do día, os meus temores foron-se esvaecendo para comezar ver as cousas doutra forma. Aquel reloxo era capaz de deter o tempo. E iso poderia resultar tremendamente útil. Non era difícil imaxinar todas as posibilidades que algo asi poderia ter. E eu funas aproveitando todas, unha por unha, desde os meus afastado trece anos até o dia de hoxe. Para comezar, nunca mais madruguei. Ben, erguia-me moi cedo, pero sempre despois de deter o tempo e durmir várias horas mais a pracer. Tampouco voltei a estudar. Encantaba-me ler, e pasaba moitas horas de «tempo conxeado», como eu o chamaba no meu fóro interno, devorando libros. Pero era incapaz de adicar un segundo ás asinaturas do coléxio. Ainda asi pasei todos os cursos con excelentes calificacións&#8230; non vou entrar nos detalles de todas as trastadas que cometín na miña adolescéncia, a maioria delas inconfesabeis.</p>
<p>Para cando cheguei á idade adulta tiña abondo claro como enfocar a miña vida. Era consciente de que non ía precisar traballar para viver. Pero necesitaba xustificar os meus ingresos, asi que abrín unha pequena tenda de discos que case sempre pasaba pechada, pero que me servia para embranquecer os cartos que roubaba. Si, convertin-me no mellor ladrón do mundo. Cometía un roubo perfeito tras outro, sempre en pequenas cantidades e en distintos bancos para non chamar demasiado a atenzón. Ás veces viaxaba a outras cidades para roubar cantidades maiores. Percorria o país procurando novas sucursais que desprumar. Imaxino que a policia debia de estar volvéndo-se tola tentando resolver todos aquilos misteriosos roubos.</p>
<p>Ouh, pero o mellor de todo era a grande tranquilidade que rodeaba a miña vida. Non me via sometido ao estrés do tempo. Facia aquilo que me apetecía en cada momento. Aos vintedous anos namorei-me e casei. Vivia de forma discreta pero luxosa. Á miña muller contei-lle que dispuña dunha xenerosa herdanza de meu pai, e, ao igual que acontecera cos meus pais, nunca cuestionou-se a nosa forma de vida.</p>
<p>Aos vintecinco anos, resolvin outro dos mistérios que envolveran a vida do meu pai: a sua misteriosa enfermidade. Debin-me decatar antes pero foi a miña nai quen me fixo advertí-lo. A sua nai, a miña avóa, enfermara e estivo fóra vários meses coidando dela. Era o maior período de tempo seguído que pasara sen me ver, e cando volveu advertiu o meu prematuro envellecemento. Eu botei-me a rir ao me decatar do que estaba a ocorrer, pero ela non puido conter a sua desesperación ao pensar que herdara a enfermidade do meu pai. E certamente, herdara algo do meu pai, pero non o que ela pensaba. O problema era que, ainda que o tempo estivese detido, o meu reloxo biolóxico seguia a avanzar. Desde que descobrin o reloxo, alongaba os dias e as noites, até tal ponto que case pasaba mais tempo nese estado de tempo xeado que no tempo «real». Iso facía que se producise un desfase entre a miña idade cronolóxica e a miña idade biolóxica. Os anos de mais que vivira empezaban a se notar.</p>
<p>Despóis de percorrer innumerabeis hospitais e perante a perplexidade dos médicos, miña nai por fin resignou-se a que non houbera ningunha posibilidad de me curar. Doía-me ver a preocupación no rosto dos demáis, especialmente da miña muller e a miña nai, pero ainda que quixera dicir-lles a verdade, sabía que non podía. Nunca poderían entende-lo. Era o meu segredo, e non podería comparti-lo con ninguén xamáis.</p>
<p>Nalgunhas ocasións asaltaban-me dúbidas sobre o que acontecería se o reloxo deixase de funcionar de pronto. Nunca fallara-me, pero descoñecía totalmente cal era o seu funcionamento. Podería atopar-me unha desagradábel surpresa en calquera momento. Tamén preguntaba-me decote sobre cal sería a súa orixe. Polas averiguacións que puiden facer, o meu pai herdára-o do meu avó, pero non atopara ningunha pista que me dixese de onde quitara éste. Que algo así fose posíbel era absurdo, imposíbel, fóra de toda lóxica. E sen embargo aí estaba, no meu poder, amosando en cada ocasión o que era capaz de facer. Cos anos deixei de me facer preguntas e limitei-me a lle tirar proveito. Grazas a el, a miña existéncia transcorría de forma prácida, feliz e sen ningún contratempo.</p>
<p>Daquela, un día recibín unha visita que trastocaría a miña vida para sempre. Era meiodía. A noite anterior tivéramos unha festa na casa con vários amigos. Eu bebera algo máis da conta e tiña unha fea resaca. A miña muller viña de se erguer e daquela eu detiven o tempo para poder durmir tranquilo até que desaparecera a dór de cabeza. A música que emanaba en cada ocasión seguía sendo tan marabillosa coma sempre. Só o feito de poder escoita-la xa era un motivo por si só para detér o tempo. Cando estaba volvendo a ficar durmido sobresaltou-me o renxente són do timbre da porta. O sangue xeou-se nas miñas veas. O corazón deu-me un volco mentres me incorporaba dun salto na cama. Non, non podía ser. A resaca debía ter-me xogado unha mala pasada. Volveu soar, inconfundíbel, esta vez algo máis longo, cun toque de impaciéncia. Armei-me de valor e saín da cama. Acaso o reloxo deixara de funcionar? A música seguía soando na miña cabeza. Botei unha ollada ao baño e alí seguía a miña muller, suspendida no tempo. Entón, quen diaños estaba a chamar ao timbre?</p>
<p>Só habia unha forma de o averiguar. Abrin a porta. Diante de min apareceu un tipo de xeito grisallo e figura rechoncha. Ollou-me cuns pequenos ollos penetrantes e á vez divertidos.</p>
<p>- Por fin atopeino! – dixo cunha voz algo rouca. – non sabe vosté os crebadeiros de cabeza que nos deu!</p>
<p>Eu observábao coa boca aberta sen saber o que dicir.</p>
<p>- Non me vai convidar a pasar? – dixo ao cabo duns segundos. – Temos que tratar&#8230; certo asunto vosté e máis eu.</p>
<p>Indiquei-lle que pasase cun aceno, incapaz de emitir un són. Sentía a gorxa terríbelmente seca. Dirixin-me á cociña para beber un vaso de auga. O tipo seguiu-me e acomodou-se nunha das cadeiras xunto á mesa sen me quitar un ollo de enriba.</p>
<p>O reloxo- Ben, &#8211; dixo &#8211; o primeiro será apresentar-me. Son&#8230; ben, podes chamar-me Héctor. É o nome que acostumo usar por aqui. – dixo amosando un sorriso canino. Non era un sorriso amábel, era un sorriso de adverténcia. El dominaba a situación e queria deixar-mo claro.</p>
<p>- Tes algo que me pertence&#8230; – e sinalou ao meu brazo do que pendía o reloxo anudado ao meu pulso.</p>
<p>Limitei-me a observa-lo fascinado, coa boca aberta.</p>
<p>– Ouh!, verás, coñezo moi ben o que é capaz de facer ese reloxo – continuou mentres se metia a man no peto e quitaba outro, idéntico ao meu.</p>
<p>Non puiden mais e derrubei-me na cadeira fronte a el. Unha certa lóxica foi-se abrindo paso na miña confusión. Perguntara-me moitas veces de onde saira o reloxo. E fose quen fose aquel maldito Héctor era seguro que tiña algunha relazón coa sua orixe.</p>
<p>- Perguntarás-te por que eu son imune á influenza do teu reloxo. Agora xa sabes a resposta. – dixo sinalando ao seu próprio reloxo &#8211; estes aparelliños están programados para se sincronizar entre si cando atopan algún outro funcionando nas proximidades.</p>
<p>- Pero&#8230; como? que&#8230; quen es? – a angúria que sentia apenas me permitía falar.</p>
<p>- Ouh, xa che dixen que me fago chamar Héctor. Pero supoño que che referes a quen son realmente. Ben, supoño que mereces unha explicación despois de todo. – se recostou na cadeira á vez que quitaba unha caxetiña de cigarros e acendía un &#8211; Tentarei expoñercho de forma sinxela&#8230; vexamos&#8230; O primeiro que debes saber é que veño dun futuro lonxano.</p>
<p>Ollou-me con curiosidade estudando a miña expresión. Eu limitei-me a olla-lo como un neno que presencia un incríbel número de máxia.</p>
<p>– Veño dunha época &#8211; proseguiu &#8211; na que o ser humano avanzou na comprensión do universo máis ca ninguén ousaría soñar nesta escura época. O controlo do tempo é só un dos pequenos logros que acadamos. Di-te algo o conceito de multiverso?</p>
<p>Dixen que non cun movimento de cabeza, incapaz de abrir a boca. Voltou a mostrar esa expresión divertida no seu rosto. Sentin-me como un deses índios primitivos que escoitan incrédulos as histórias dos colonizadores sobre o mundo existente alén do seu pequeno povoado.</p>
<p>-Supúña-o. Non entrarei en detalles, tan só che direi que explorar universos alternativos resulta moito mais interesante que viaxar no tempo. Por iso non hai moitos que se interesen hoxe dia pola história antiga. Uns cantos miles de viaxeiros do tempo repartidos por toda a história da humanidade non chamamos demasiado a atenzón. Surprenderias-te do atestados que poden estar algúns mundos paralelos&#8230;</p>
<p>En calquera outra situación tomaria a aquel tipo por un chiflado, pero aquel chiflado tiña un reloxo. Seguiu falando coa sua voz rouca.</p>
<p>- Sen embargo, cando ún viaxa no tempo debe ser moito mais coidadoso. Hai certas normas&#8230; non se pode alterar o curso da história así como así. Para conseguir unha licenza de viaxe temporal hai que cumprir unha série de requerimentos, garantías, se infrinxes algunha norma a sanción pode ser moi dura&#8230;</p>
<p>Ollou-me e unha sombra de temor pasou polos seus ollos. Comecei a entender o que ocorrera.</p>
<p>- Asi que&#8230; – atrevin-me a dicir &#8211; perdiches o teu reloxo?</p>
<p>- Iso é. – Dixo asentindo coa cabeza &#8211; Perdin o maldito reloxo e non me deixarán voltar até que non o recupere. – Había ráiba e resentimento na sua voz. – Aquela fúrcia enganou-me. Eu&#8230; deixei-me engatusar&#8230; sucumbin aos seus encantos. Cando acordei desaparecera con todas a miñas cousas, me deixou en cirolas&#8230;</p>
<p>Reprimiu un aceno de ráiba aspirando nervosamente o fume do cigarro para continuar dicindo:</p>
<p>- Os detalles non veñen ao caso. Naquela ocasión non vin só e puiden tornar, pero encanto averiguaron que perdera o reloxo me fixeron voltar para o recuperar. Non sei como chegou até ti pero non foi fácil dar con el, maldita sexa. Ainda que – dixo ollando ao noso redor &#8211; coido que non estamos na mesma data na que o perdin.</p>
<p>- Non – dixen &#8211; iso debeu acontecer hai uns cincuenta anos, o meu avó foi a primeira persoa, que eu saiba, que descobriu o que este reloxo era capaz de facer.</p>
<p>- Si, pero agora acabou-se.</p>
<p>Percorreu-me un calafrio. A idea de ter que me desfacer do reloxo estarrecía-me, tiña que safar-me daquel tipo, pero como?</p>
<p>- Pero este relóxio só pode parar o tempo &#8211; atrevin-me a perguntar finalmente &#8211; como che pode servir para viaxar?</p>
<p>Héctor soltou unha grande gargallada. Non puiden deixar de notar que se trataba dun riso histérico.</p>
<p>- Fodido cabrón. Pasei anos tratando de rastexar a alguén capaz de aparecer e desaparecer en distintas épocas. Cando comprendin que só o estabas a usar para che deter todo foi moito mais doado.</p>
<p>Olleino sen comprender. Reclinou-se cara diante e ollou-me de forma penetrante mentres sustiña fronte a min o seu próprio reloxo.</p>
<p>- Olla – dijo xirando imperceptíbelmente a rodiña de axuste. Entón desapareceu. Esfumou-se sen deixar rasto, como se nunca estivese alá.</p>
<p>Eu estaba estupefacto. Fiquei boquiaberto ollando o baleiro que deixara na cadeira, e entón, voltou a aparecer perante min!</p>
<p>Din un respingo cara atrás. Seguia amosando o mesmo sorriso que cando se esfumou.</p>
<p>- O que&#8230; o que ocorreu? – preguntei parvamente.</p>
<p>- Movin-me uns minutos adiante. Como ti estás aqui varado simplesmente deixache de me ver. É sinxelo. Esta rodiña axusta o calendário á data exacta á que queiras desprazarte. Podes mover-te minutos, anos ou séculos. Ou tamén podes deter-te. Iso é o único que ti estiveches a facer.</p>
<p>Voltou a ollar-me cunha mistura de alivio e raiba nos seus ollos. Supuxen que o alivio se debia ao feito de me ter atopado e poder tornar por fin ao improbábel e remoto futuro do que proviña. E iso sinificaba que eu nunca mais tería o meu reloxo. A ideia de viver sen el facía-se-me insuportábel. Debía de haber algunha maneira de burlar-lle e escapar. Tratei de pensar nalgo para gañar tempo. Non foi necesário, Héctor continuou parolando tranquilamente.</p>
<p>- Cando comprendin iso todo foi moito mais doado. Non é fácil dar con alguén que se despraza contínuamente no tempo. En troques, alguén que pasa moito tempo co reloxo detido&#8230;</p>
<p>- A miña enfermidade! – dixen intuíndo.</p>
<p>- Exacto. Unha vez souben o que debia de buscar non me foi difícil dar contigo. &#8211; Ollou-me satisfeito.</p>
<p>Maldita sexa. O meu historial médico debía de aparecer en decenas de hospitais. Arrepentin-me de me ter deixado arrastrar pola miña nai a todas aquilas probas inútis.</p>
<p>- E a música? – preguntei nun último arrouto de curiosidade &#8211; que ten que ver con desprazarse no tempo&#8230;?</p>
<p>- Non é mais ca un efeito secundário, ainda que moi agradábel por certo. Está relacionada co proceso&#8230; non é fácil de explicar. – Dixo dando unha calada ao seu cigarro.</p>
<p>- Por favor, se hei de perder o meu reloxo alomenos gostaría coñecer o que fai posíbel o seu funcionamento – dixen finxindo resignación. Talvez habia unha oportunidade para escapar, pero só funcionaría se Héctor se confiase abondo.</p>
<p>- Ah rapaz, os vosos coñecementos científicos son tan arcaicos que necesitaría várias horas tan só para che facer entender os fundamentos básicos. Hum, vexamos, tentarei-no de todas formas – pareceu que recuperaba o bo humor &#8211; Para comezar, tes que entender que a realidade, o mundo que percibes, é só un dos posíbeis mundos infinitos que existen. E cando digo mundos, refíro-me a universos completos.</p>
<p>Non puiden mais que olla-lo con sinceiro interese.</p>
<p>- Eses universos &#8211; continuou &#8211; non están moi lonxe, por o dicer de algunha forma. Matéria, antimatéria, enerxía, matéria obscura, iso só son conceitos que teñen sentido desde un ponto de vista humano. A Realidade non é mais ca un Caos, un caos brutal do que só podemos apreciar unha ínfima parte, o que chamamos o universo coñecido. Segues-me?</p>
<p>- Lixeiramente – dixen &#8211; pero continúe por favor.</p>
<p>- Mesmo o fluir do tempo, tal e como o percibimos, non é mais ca algo enxebremente subxectivo, condicionado polo funcionamento dos nosos cerebros. Digamos que, entre todas esas infinitas posibilidades, hai unha que dá lugar a unha mente humana. Unha mente que é capaz de percibir e interpretar o que se estende fóra dela dunha determinada forma. Hai moitas cousas que se nos escapan, ao igual que só podemos ver unha pequena parte do espectro de luz. Unha vez comprendemos iso e averiguamos como actuar sobre o cerebro, fomos quen de o modificar para conseguir «ver» os outros posíbeis mundos.</p>
<p>- Dito asi semella sinxelo.</p>
<p>- Si, pero asegúroche que non o é. Tardou-se moito até poder axustar a mente de forma diferente sen perder a própria coheréncia física do home. Ben, os detalles non importan. O feito é que hai unha zona no cerebro, unha certa estrutura neuronal cuxa función é manter-nos sincronizados cun determinado estado, cun fluir das distintas realidades. Esa parte do cerebro tamén se encarrega de&#8230; hum&#8230;, me deixas buscar unha forma sinxela de o dicir&#8230;, encarrega-se de criar unha referéncia a partir da cal se lle dá un sentido a todo o demáis. Causa e efeito e todo iso. Fai-nos crer que o agora ten unha relazón co antes.</p>
<p>- E non é asi?</p>
<p>- Non! Non entendiches ren. Dá igual, dixen-che que era demasiado complicado. Pero respondendo á tua pergunta sobre a música direi-che que a rexión do cerebro que se ocupa de nos sincronizar co fluir do tempo é a mesma que procesa os sóns que captamos do exterior. Este aparelliño – dixo sinalando ao reloxo &#8211; actúa xerando un campo de éxtase que estimula esa rexión e, como efeito secundário, fai-nos sentir esa extraordinária melodía.</p>
<p>- Entón esa é a causa do sentido musical? – dixen crendo comprender.</p>
<p>- Exacto! – exclamou voltando a se acomodar na cadeira &#8211; Os sóns, especialmente a música, estimulan esa rexión de forma análoga, só que con moitísima menos efectividade. Pero si, exerce un certo efeito de desprazamento, sen consecuencias práticas claro, pero que nos pode chegar a producir unha intensa sensazón de&#8230; digamos, estar sincronizados co universo.</p>
<p>- E supoño que canto mais acentuado é ese efeito, mellor nos semella a melodía. – dixen, mais afirmando que perguntando. Alomenos aquilo entendera-o.</p>
<p>- Iso é. Ainda que che aseguro que nunca escoitarás nada tan complexo e excitante como isto. – Fixo un aceno no ar facendo referéncia á sinfonia silenzosa que aboiaba nas nosas mentes.</p>
<p>- E agora, acabaron-se as explicacións. Devolve-me o meu reloxo.</p>
<p>A sua voz perdeu o tón de finxida amabilidade e voltou-se dura. Introduciu a man no interior da lapela da sua americana e quitou unha pistola coa que me apontou tranquilamente.</p>
<p>- Vas-me matar? – preguntei con voz tremorosa.</p>
<p>- Non. Como che dixen hai certas normas sobre alterar o curso dos acontecementos, pero farei-no se non me deixas outra opción.</p>
<p>- De acordo. Devolverei-cho. – dixen con estoicismo.</p>
<p>Tomei o reloxo coa miña man esquerda e fixen o aceno de estirar o brazo para llo dar. Entón, cando notei que se relaxaba, coa rapidez que dá o ter realizado aquel movemento miles de veces, tomei a rodiña entre o polegar e índice e xireina.</p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-1829" style="border: 0pt none; margin: 8px;" title="reloxo3" src="http://novafantasia.com/wp-content/uploads/reloxo3.gif" alt="reloxo3" width="200" height="200" />Non lembro canto tempo estiven a dar voltas á pequena roda mentres todo ao meu o redor se fixo borroso, confuso. Sentin unhas tremendas náuseas e parei. A realidade voltou a se estabilizar ao meu redor. Pero non tiña ren que ver co lugar onde me atopaba segundos antes. O certo é que se trataba exactamente do mesmo ponto xeográfico, só que 2747 anos atrás. Comprobei horrorizado a data que marcaba o indicador e ollei incrédulo ao meu o redor. Atopaba-me nun pequeno claro coberto de herba, xunto a uns peñascos detrás dos cales comezaba un pequeno bosque. Respirei aliviado. Funcionara! Conseguira desaparecer antes de que Héctor puidese facer ren por o evitar. Pero non sabía de canto tempo dispuña até que volvera a me atopar. Polo que me contara, non dispuña dunha forma sinxela de me rastexar. A primeira vez dera comigo de forma indirecta, asi que non era probábel que me localizase. Ainda que talvez podería tratar de me seguir, recuando minuto a minuto, ano a ano até que aparecese de novo perante el. Esa idea fixo-me reaxir. Se ficaba no mesmo lugar tarde ou cedo atoparia-me.</p>
<p>Corrin en dirección aos peñascos e agachei-me tras eles. Alá agachado atopaba-me a salvo de momento, razoei. Se Héctor estaba a recuar cuidadosamente pasaria de longo sen me ver. Era imposíbel que puidese rastexar os arredores, minuto a minuto, nos próximos 2700 anos!</p>
<p>E agora o que? Acouga, dixen-me. Debes manexar a situación con calma. Ten que haber unha saída. Poñer-se nervoso non axudaria. Que alternativas tiña? Se fuxia, cousa que por outro lado xa fixera, e me estabelecia nalgunha outra época, teria que viver o resto da miña vida co incertidume de que volvera a me atopar. E entón supoño que non se achegaria a min de forma tan amigábel. A outra opción era manter-me sempre en «movemento», mudando dunha data a outra, dun lugar a outro, tratando de non deixar nengunha pegada. Pero, que vida era esa?</p>
<p>Había unha terceira alternativa: tornar e entregar-lle o reloxo. Pero, Deus santo, non podia concebir o resto da miña vida sen el. Medrara coa sua axuda, organizara a miña forma de vida en base ás vantaxes de poder deter o tempo. Até proporcionaba á miña muller interminábeis horas de pracer na cama. Ah, se soubese que esas noites fabulosas duraban para min dias ou mesmo semanas enteiras. Non, debía pensar nalgo que me permitise conservar o reloxo e que, á vez, fixese que Héctor me deixase tranquilo.</p>
<p>Ocorreu-se-me unha ideia. Si, a solución era devolver-lle o seu maldito reloxo.</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p>Tornei a aquela fatídica noite de 1980. Ao dia seguinte a miña mai tornaria co seu fillo de cinco anos despois de pasar o fin de semana en casa dos abós. Despois daquela noite o meu pai xa non voltaria a ser o mesmo. Tratei de non sentir-me culpábel polo que ía facer. Xa acontecera. Eu non podía facer nada por o evitar. Simplesmente aproveitaria a situación no meu favor. Alomenos serviría para salvar a miña vida.</p>
<p>Antes de me encamiñar cara a miña antiga casa familiar pasei polo centro médico para subtrair unha desas pistolas que administran somníferos. Inxénuamente, pensara que se lograba administrar-lle unha dose antes de que acordase, ambos nos aforrariamos o mal trago de nos ver as caras fronte a fronte. Pero sabía que o meu pai se manteria esperto o tempo abondo como para me ver. Lembraba perfeitamente aquela parte que entón semellaba-me unha delirante história.</p>
<p>Saltei a verxa e fun até o alpendre de ferramentas onde agochábamos unha cópia das chaves da casa. Tamén apañei unhas tenaces abondo fortes como para curtar a cadea de aceiro coa que o meu pai mantiña suxeito o reloxo ao seu pulso. Contendo o alento abrín a porta e subin até o durmitório. Podia escoitar os seus rouquidos mentres trataba de pisar os chanzos de madeira sen facer ruído. Acheguei-me á cama, calquei a pistola de somnifeiros sobre o ombro nú que asomaba sobre a saba, e disparé.</p>
<p>O meu pai incorporou-se dun chimpo sobresaltado, facendo que eu mesmo me tambaleara cara atrás. Ollou-me con surpresa e cun aceno instintivo tomou na sua man o reloxo que pendía do seu pulso e calcou a pequena rodiña.</p>
<p>- Tranquilo – dixen &#8211; non che vou facer dano.</p>
<p>O meu pai ollou-me horrorizado, incrédulo. Antes de que o somnífero fixese o seu efeito ainda tivo tempo de botar unha ollada ao reloxo, como para se asegurar de que realmente calcara o botón correcto. Entón esborrallou-se.</p>
<p>- Sínto-o. – Susurrei contendo as bágoas.</p>
<p>Tomei a sua man esquerda e cortei a cadea, que se crebou baixo as tenaces cun estalo. Todo o sangue frío que tentara acumular debeu esfumar-se de súpeto das miñas veas, porque me sentín terríbelmente anguriado polo que acababa de facer. Reprimin un impulso de vomitar e recuei até o meu pequeno refúxio no bosque, 2700 anos antes.</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p>O meu plano era tan sinxelo como desesperado. Entregaria-lle a Héctor un dos reloxos e conservaria o outro. Se actuaba de forma abondo convincente, non suspeitaria ren e me deixaría en paz. Só había un problema. Se unha vez lle entregase un dos reloxos mantiña o outro no meu poder, seguiria sendo imune aos efeitos do reloxo de Héctor. Se antes de largar-se se lle ocorrese simplemente parar o tempo, descobriría-me. Non tiña mais opción que agochar o reloxo nalgures onde logo puidese recuperá-lo.</p>
<p>Héctor atopara-me a mañá do 25 de xullo de 2005. Desplacei a rodiña até que o indicador marcou o día seguinte. Atopei-me de súpeto no xardin da miña casa, tal e como o deixara horas antes. Invadiu-me a angúria polo temor de que Héctor andase ainda por alá esperando o meu regreso. Botei unha ollada ao meu redor para comprobar que non houbese ninguén perto e me dirixin á casa da miña nai. Vivia a un par de cadras da miña, e tardei apenas cinco minutos en chegar. Realicei o percorrido co resto do universo en pausa. O resto do universo salvo Héctor, non deixaba de me lembrar a min mesmo mentres ollaba nervosamente ao meu redor na procura dalgún sinal de movemento. Todo permanecia perfeitamente estático. O sol brillabaentre as imóbeis nubes do amencer. As follas outonais, tratando de ser arrastradas pola brisa matinal, eran mudas e inermes testemuñas do meu avance polas rúas. O tráfico detido, os viandantes xeados, os paxaros horrorizados polo són dos claxons suspendidos no ar. Cada detalle que confirmaba que eu era o único ser libre de movementos só contribuía a aumentar o meu desacougo. Case esperaba que de calquera recuncho aparecese Héctor co seu sorriso mesquiño berrando: teño-che! Deus santo, tiña que acabar con aquilo. Non poderia suportar viver con esa angúria o resto da miña vida.</p>
<p>Entrei na casa da miña mai. Decedira agochar o reloxo no mesmo arcón onde o atopei a primeira vez, cando era neno. Entón voltaria ao ponto onde burlara a Héctor e, unha vez lle convencese de que tiña o que buscaba, tornaria alá e esperaria a que o segundo reloxo aparecese ao dia seguinte.</p>
<p>Teño que recoñecer que me atopaba nun estado tal de frenesí, case febril, que non fun capaz de pensar con claridade. Doutra forma talvez puidese anticipar o que ia atopar ao final das escadas. Si amigos meus, ao outro lado da porta atopei-me comigo mesmo. Estaba alá de pe, co rosto desencaixado pola desesperación. Tras el atopaba-se Héctor coa sua pistola apoiada sobre a sua (a miña) fronte. O meu outro eu articulou unha muda palabra cos beizos.</p>
<p>- Foxe!</p>
<p>Héctor disparou. O són viaxa máis rápido cás balas. Esa é a única explicación para o feito de que o són do segundo disparo pudese chegar até os meus oidos, se ben a bala que viaxaba cara a miña cabeza nunca a atinxiu. Xirei e xirei a roda recuando no tempo. Cheguei mais lonxe que nas outras ocasións. Moito mais lonxe. Cando por fin me detiven a paisaxe ao meu o redor era moi diferente ao que vira anteriormente. Atopaba-me en metade dun tupido bosque de vexetación descoñecida. Lembraba-me a eses decorados de filmes ambientados na prehistoria. Nen sequera comprobei a data no indicador. Recortei-me xunto a unha árbore e comecei chorar.</p>
<p>- Maldito cabrón! &#8211; berrei entre saloucos. Disparára-me. Presenciara o meu próprio asasinato! Apertei os ollos asulagados de bágoas tentando riscar a imaxe da miña cabeza estalando nun chorro de sangue. Deus santo! Pero como era posíbel? Eu estaba vivo, seguia vivo! Podia estar vivo e morto á vez?</p>
<p>Non claro. Non era á vez. Estabamos en momentos diferentes. En certo sentido todos estamos mortos, alá no noso futuro, dixen-me. Pero entón, como podia ter descuberto o meu plano? Tratei de reconstruir os feitos, pensando a toda velocidade. Era evidente, razoei, que non me deixou marchar despois de que lle entreguei o primeiro reloxo. Debeu ulir-se algo e valeu-se dalgunha argallada, talvez empregando algun truco da sua época, para sonsacarme o meu plano. Entón esperou pacentemente a que volvera a aparecer ao dia seguinte para me atrapar co segundo reloxo. Si, sen dúbida subestimára-o. Pero, que facer agora? As ideais agolpaban-se na miña cabeza. Estaba completamente desquiciado. Histérico. De improviso, para colmo de males, comezou a chover. A auga caía con tal intensidade que as pingas me facian dano. Ollei ao meu redor en busca dalgun acobillo, pero a estraña vexetación intimidaba-me ainda mais que a chúvia.</p>
<p>Tratei de arrincar unha enorme folla que pendía xunto a min para me protexer, pero o fino talo era mais resistente do que semellaba e só conseguín ferirme as mans e cair de cú sobre a lama. Entón, decatándo-me do que estaba a facer, asaltou-me un súbito ataque de riso. Unha sonora gargallada após doutra. Rin até que me doíu o bandullo. Rin até que as bágoas volveron a asulagar os meus ollos. Cando puiden controlar-me abondo manipulei a rodiña do meu reloxo para adianta-lo un par de horas. A choiva desapareceu.</p>
<p>- Fodido cabrón! Esta vez serei eu o que vaia por ti! – berrei, facendo erguer unha nube de estraños paxaros das copas das árbores mais cercanas.</p>
<p>Respirei profundamente mentres comezaba a ver as cousas con mais claridade. Unha ideia absurda foi-se abrindo paso na miña mente. Absurda si, pero o mesmo feito que facía posíbel viaxar no tempo abría as portas a todo tipo de paradoxos absurdos. E eu ía quitar partido delas.</p>
<p>Ollei o reloxo. Marcaba as 9:54. Ás 10:05 recuaria até as 10 en ponto, dixen-me.</p>
<p>Pechei os ollos e esperei. Até os meus ouvidos chegaban os inquedantes sóns do bosque que me rodeaba.</p>
<p>- Funcionou! – dixo unha voz familiar ao cabo duns minutos.</p>
<p>Abrin os ollos e alá estaba, ás dez en ponto. Eu mesmo. Cinco minutos mais vello. Ambos ollámo-nos con curiosidade durante un pouco. Eramos, en eséncia, a mesma persoa, ainda que o seu rosto non era exactamente o que estaba acostumado a ver no espello.</p>
<p>- Ben – dixo por fin o meu outro eu &#8211; agora somos dous. Podemos repetir este truco até que sexamos un exército.</p>
<p>- Non! – dixen estarrecido &#8211; só ti e máis eu.</p>
<p>- Tranquilo, bromeaba. Xa me semella abondo estraño ver unha soa réplica de min mesm como para&#8230;</p>
<p>- Réplica? Pero ti es a réplica – dixen con indignación.</p>
<p>- De acordo – dixo sentando-se sobre a herba &#8211; non entremos en discusions inútis. Cada un de nós sínte-se como o orixinal. Xa discutiremos esta curiosa situación mais adiante. Primeiro temos que librar-nos de Héctor, lembras?</p>
<p>- Si, e coido que ambos coñecemos o plano. Tí iras atopar-te con el, e mentres simulas unha rendición, eu liquidarei-lle por surpresa. – dixen resolto.</p>
<p>- Humm&#8230; coido que debes ser tí quen vaia atopar-se con el e eu o que lle surprenda.</p>
<p>- Eu? Por o que eu? Coido que o plano xa estaba definido antes de que apareceses. Ti farias de cebo para que eu puidese mata-lo. – Dixen con certa irritación. Por algun motivo, o meu outro eu comezaba a pór-me nervoso.</p>
<p>- Veña, pénsa-o. Por que hei de confiar en ti? Que che impide deixar que Héctor me mate e se marche deixando-te a ti en paz para sempre?</p>
<p>- Que que me impide&#8230;? Seica coidas-me capaz de facer algo asi? – Surprendeu-me como, cunha perspectiva de tan só cinco minutos de diferenza entre nós, xa pensásemos de forma tan distinta.</p>
<p>- Se non o fas por egoísmo, talvez cho impida o pánico. Pensa que non é tan fácil disparar contra unha persoa. Nunca mataches a ninguén.</p>
<p>- Tampouco ti. E por que debo eu confiar en ti?</p>
<p>- Surprende-me que non o pensases. – dixo con certo desprezo que non se me escapou &#8211; Ti es anterior a min no tempo. Se ti morres eu desaparezo. A miña vida depende da tua. Por iso nunca che traizoarei. Por iso tampouco vacilarei en matar a Héctor.</p>
<p>- Pero&#8230; – tratei de obxectar, ainda que tiña razón.</p>
<p>El era o meu eu futuro. Se el morria a min non me ocorreria nada, ao igual que aconteceu co meu outro eu no faiado. A idea de traicionalo non pasara pola miña cabeza (evidentemente si pola sua) pero non estaba seguro de ser capaz de matar a Héctor. A ideia de escapar poderia tentar-me no último segundo. En troques el, se eu me expuña, non teria mais remedo que facé-lo pola sua própria vida.</p>
<p>- De acordo – dixen con certo abatimento &#8211; faremo-lo asi entón.</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p>Volvín ao xardín da casa da miña mai, minutos despois de que Héctor me asasinase no faiado. Deixei un dos reloxos no chan sobre un anaco de papel. Na nota deixara escrita unha data, ano cero, e dúas palabras: réndo-me. O meu dobre e mais eu escolléramos aquela data despois de nos asegurar de que naquel momento da história, o lugar non era mais ca unha extensión de herba deshabitada. Sincronicei o meu reloxo con ese intre e a verde praderia apareceu ante os meus ollos. Permanecin alerta, Héctor non tardaria en chegar.</p>
<p>Asi foi. Apareceu ante min, empuñando a pistola.</p>
<p>- Un minuto – dixen, e fixen avanzar a maniña do reloxo antes de que Héctor puidese pestanexar sequera.</p>
<p>A sua rechoncha figura despareceu para voltar aparecer ao intre.</p>
<p>- Fagamosde forma pacífica&#8230; – comecei dicir.</p>
<p>Un minuto.</p>
<p>-&#8230; quero seguir vivendo&#8230;</p>
<p>Un minuto.</p>
<p>-&#8230; entregarei-che o reloxo&#8230;</p>
<p>Un minuto.</p>
<p>-&#8230; pero por favor, baixa a pistola.</p>
<p>Un minuto. Facía avanzar o reloxo minuto a minuto mentres falaba. A imaxe de Héctor parpadexaba fronte a min. Puiden distinguir como reprimia un aceno de raiba.</p>
<p>- De acordo – dixo, e a seguinte vez que apareceu ante o meu mantiña a pistola apontando ao chan.</p>
<p>Detiven-me. Tratei de semellar aterrecido e conciliador. Non me foi difícil, realmente estaba morto de medo.</p>
<p>- Entregarei-cho – dixen &#8211; Isto non ten sentido. Non quero morrer e ti non queres modificar o pasado &#8211; disto último non estaba tan seguro, polo seu rosto puiden ver que estaba disposto a calquera cousa con tal de voltar á sua época – asi que non nos fica outra saída&#8230;</p>
<p>Veña! Pensei. Onde diaños te metiches? O meu duplo xa deberia ter feito acto de presenza. Maldito estúpido, a que estaba a esperar?</p>
<p>Entón apareceu. Un par de metros detrás nosa, co brazo en alto sostendo unha pistola que apontaba directamente á cabeza de Héctor. Disparou&#8230; e fallou! A bala pasou cofando a orella esquerda de Héctor e case me atinxe a min. Maldito estúpido! Debin ter-me encarregado eu daquela parte! Héctor deu-se a volta surprendido mentres apontaba coa sua arma ao meu dobre. Non tiven mais remédio que saltar sobre el, tratando de lle facer baixar o brazo que sustiña a pistola. Caímos ao chan e rodamos forcexeando na herba. Héctor, que era mais áxil do que puidese semellar a primeira vista, deu-se maña para me dar unha couce no tórax e lanzar-me cara atrás. Entón, cando estaba por volver dispararme, todo acabou. O meu dobre achegara-se por atrás e lle asestou un golpe coa culata da pistola que o deixou inconsciente.</p>
<p>- Meu Deus, témo-lo! – dixen deixando-me cair na herba aliviado.</p>
<p>- Si. Pero só está inconsciente. Temos que acabar con el. – e apontou a pistola á sua cabeza.</p>
<p>- Voltaches-te tolo? – berrei incorporando-me dun chimpo &#8211; Non podemos matar-lle asi, a sangue frío.</p>
<p>- Aposto a que si. – dixo con apromo. Apenas podia crer que fósemos a mesma persoa &#8211; Temos que nos librar del, e tí sábe-lo.</p>
<p>- Si – dixen &#8211; Pero ocorre-se-me outra forma igual de eficaz.</p>
<p style="text-align: center;">***</p>
<p>A miña réplica cinco minutos mais vella e máis eu volvimos a casa. Agora tíñamos dous reloxos. Héctor, desprovisto do seu, ficou varado para sempre no ponto onde o deixamos, e nunca voltamos a saber mais del. A dicir verdade, un dia, folleando un libro de história, descobrin que ao redor do ano 10 d.C, houbo un tal Héctor I, imperador de Roma, que introduciu notabeis adiantos técnicos no seu povo. Asi que talvez non lle fose tan mal despois de todo.</p>
<p>Tampouco voltei ver ao meu outro eu despois daquel dia. Tras unha breve conversa, fixo-me ver que non tiña intención de retomar a sua (a nosa) vida. Agora que sabia que o reloxo era capaz de facer via-se incapaz de seguir vivendo como fixeramos deica entón.</p>
<p>- Quero coñecer o que nos depara o futuro &#8211; díxo-me. E esvaeceu-se.</p>
<p>Encanto a min, voltei á miña vida no ponto exacto en que a deixara, facía apenas unhas horas. Durante os meses seguintes apenas sentín a necesidade de utilizar o reloxo, nen sequera para os meus trucos de deter o tempo. Tan só realicei unha viaxe vários anos atrás para agachar un dos reloxos nunha das caixas da bufarda da casa da miña mai. Un rapaz de trece anos agradecería-mo.</p>
<p>Pero, ah, a curiosidade é un impulso mais forte cá maioria das emocións, e ao cabo dun tempo comecei a realizar pequenas incursións no futuro. Cada vez me aventuraba mais e mais adiante, conforme os meus coñecementos sobre a história ian-se consolidando. Co tempo convertin-me nun auténtico viaxeiro do tempo. Si amigos, fun testemuña de innumerabeis guerras e marabillosos períodos de paz e prosperidade. Puiden ver como a nosa civilización desaparecía, despois de atinxir o seu máximo esplendor, para entón rexurdir das suas cinzas ainda con máis forza. Vin o que nos depara o lonxano futuro, alá entre as estrelas.</p>
<p>Si, vivin innumerabeis aventuras e coñecín moitas marabillas, ainda que son mais as que ainda me fican por explorar&#8230;</p>
<p>Pero esa é outra história.</p>
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